terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Mil imagens #41
segunda-feira, 3 de maio de 2010
O redespertar da Nação
Numa carreira que já leva mais de trinta anos, Paul Weller já experimentou diferentes estados de graça. Ainda em tenra idade, conheceu a aclamação com os fulgurantes The Jam. Seguiu-se a incompreensão generalizada a que foram votados os Style Council, o típico caso de um projecto à frente do seu tempo. A solo, o trajecto tem-se pautado por alguns altos e ainda mais baixos. Cada vez mais imune às reacções externas, já sem nada para provar, e com um olhar cada vez mais clínico e cínico sobre a vida moderna, o Modfather tem, nos últimos anos, vindo a reinventar-se de forma algo surpreendente para um músico de estatuto consolidado. É neste contexto que surge Wake Up The Nation, o décimo álbum (a solo) recentemente editado e, eventualmente, o mais arrojado de todos. Seguidor da veia vanguardista e das contaminações electrónicas do antecessor 22 Dreams (2008), este novo registo percorre um espectro que vai do rock mais descarnado ao incontornável tempero blue-eyed soul, não enjeitando assomos de blues, de glam-rock, e até de kraut. De entre os temas mais abrasivos, é obrigatório destacar "7&3 Is The Striker's Name", desabafo altamente politizado assinalado pela inconfundível "guitarra tratada" do convidado surpresa - ou talvez não - Kevin Shields. No sector midtempo, o destaque vai todo para o orquestrado e sentido "No Tears To Cry", uma alegada homenagem ao pai recentemente desaparecido. Este último marca também o reencontro com o baixista Bruce Foxton, vinte e oito anos depois do fim dos The Jam, banda da qual o malogrado John Weller foi manager e o primeiro entusiasta.
domingo, 25 de maio de 2008
Modfather goes fifty
Já com vários anos de palco, a estreia em disco dos The Jam - a banda que liderava e de que o pai era agente - aconteceria apenas em 1977, ano de ebulição punk. Inevitavelmente ligados àquele movimento, os The Jam preferiam citar as bandas mod da década anterior (The Kinks, The Who, The Small Faces) como influência maior, algo que geraria um movimento revivalista do qual eram líderes e que valeria a Weller a respeitosa alcunha de Modfather. Os anos que se seguiram foram marcados por uma intensa actividade, com seis álbuns de estúdio e um impressionante registo de dezoito singles consecutivos no Top 40 britânico, com a particularidade de alguns apenas se encontrarem disponíveis via importação. O seu legado marcaria algumas das bandas mais emblemáticas das décadas seguintes: The Smiths, Blur, ou Arctic Monkeys, só para citar algumas.
Em 1982, em pleno pico de popularidade, e incapaz de impor um novo rumo musical aos restantes membros, Weller dissolve os The Jam. Surge no ano seguinte à frente dos Style Council, praticantes de uma pop sofisticada com profundas marcas soul, R&B e até jazz, géneros de que Weller confessava ser apreciador, mas em que se mantinham as letras de cariz sócio-político que caracterizavam a banda anterior. Com relativo sucesso de ambos os lados do Atlântico, esta nova aventura foi mal recebida pelos fãs mais fundamentalistas dos The Jam. Com uma discografia algo irregular, os Style Council estiveram, no entanto, na génese da cena pop/jazz que marcaria a segunda metade dos 80s: Sade, Everything but the Girl, Swing out Sister, Matt Bianco...
Na década de 1990, Paul Weller iniciou uma carreira a solo que mantém até aos dias de hoje. Pelo meio, desempenhou ainda o papel de figura tutelar da vaga britpop de meados de noventa. Com muitos altos e alguns baixos, continua a ser um dos artistas mais respeitados no Reino Unido.
Paul Weller sopra hoje cinquenta velas. Cantemos-lhe os parabéns:
The Jam "That's Entertainment" [Polydor, 1981]
A pnuematic drill and ripped up concrete -
A baby waiting and stray dog howling -
The screech of brakes and lamplights blinking -
that's entertainment.
A smash of glass and the rumble of boots -
An electric train and a ripped up 'phone booth -
Paint splattered walls and the cry of a tomcat -
Lights going out and a kick in the balls -
that's entertainment.
Days of speed and slow time Mondays -
Pissing down with rain on a boring Wednesday -
Watching the news and not eating your tea -
A freezing cold flat and damp on the walls -
that's entertainment.
Waking up at 6 a.m. on a cool warm morning -
Opening the windows and breathing in petrol -
An amateur band rehearsing in a nearby yard -
Watching the tele and thinking about your holidays -
that's entertainment.
Waking up from bad dreams and smoking cigarettes -
Cuddling a warm girl and smelling stale perfume -
A hot summers' day and sticky black tarmac -
Feeding ducks in the park and wishing you were faraway -
that's entertainment.
Two lovers kissing amongst the scream of midnight -
Two lovers missing the tranquility of solitude -
Getting a cab and travelling on buses -
Reading the grafitti about slashed seat affairs -
that's entertainment.