"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O futuro foi lá trás
















Filho da imigração russa na América, Daniel Lopatin é já uma figura incontornável da electrónica nos nossos dias. Os seguidores mais atentos deste universo há muito que seguem o seu trabalho como Oneohtrix Point Never, trabalho esse que ganhou maior visibilidade com a edição dos álbuns Returnal (2010) e Replica (2011). Os conhecedores mais profundos não enjeitam também o seu trabalho anterior, espalhado por registos de pequena tiragem, e resumido no fundamental Rifts, de 2009. A obra compilada nesse disco ainda demonstra muitas afinidades com os universos noise e drone, portanto bem distinta da dupla de últimos álbuns, autênticas peças de bricolage com recurso frequente à samplagem de velhos jingles publicitários.

Com o crescendo do interesse gerado pelo seu trabalho, Oneohtrix Point Never granjeou entretanto o interesse da histórica Warp Records, que acabou por contratá-lo. Para Daniel Lopatin foi o cumprir de um sonho, o de pertencer ao selo dos mestres que o inspiraram na mesma medida que os percursores do minimalismo; para a editora, a mais representativa do mundo electrónico no último quarto de século, foi uma lufada de ar fresco no catálogo, entretanto algo descaracterizado e a pedir sangue novo na sua especialidade. É por via da editora de Sheffield que recebemos o recento R Plus Seven (mais um R na colecção, portanto), porventura o mais acessível dos discos de OPN para os ouvidos menos treinados, mas nem por isso um trabalho menos desafiante. Por contraste a esse maior acessibilidade, é talvez o mais frio dos seus trabalhos, logo com o gelo digital a indiciar uma tendência futurista. No entanto, e uma vez mais, esta ideia de futuro não rejeita o passado, já que a matéria prima principal são velhos sons sintéticos, do tempo em que a simples menção do computador implicava uma imagem de futuro algo distante do presente da maioria de nós. Ao neófito, numa primeira abordagem, talvez R Plus Seven possa soar desorientador, já que Lopatin baralha cada tema, não se detendo numa ideia por demasiado tempo. Uma vez absorvida a dinâmica intrínseca, a de criar tensão nos trechos mais densos e libertá-la nos momentos lúdicos, quase de infantilidade, a imersão nesta obra sublime é inevitável.

 
"Problem Areas" [Warp, 2013]

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ao vivo #51

















Foto: Hallie Newton

Oneohtrix Point Never + Frango @ Galeria Zé dos Bois, 24/04/2010

Depois da enchente de quarta-feira, estranha-se a fraca afluência de público à ZdB, no passado sábado, para uma noite dedicada às electrónicas leftfield. Tanto mais que a principal atracção era Oneohtrix Point Never, projecto do norte-americano de origem russa Daniel Lapotin até há um ano semi-obscuro mas, presentemente, elevado aos píncaros por publicações como a revista Wire, uma espécie de bíblia nesta matéria. Munido de três sintetizadores analógicos, OPN vagueia por territórios que vão do ambient ao drone, roçando ligeiramente o minimalismo. Muitas vezes ressalta uma graciosa façanha rítmica que contrasta com as progressões lentas e repetitivas que redundam, invariavelmente, no clímax sensorial. Apesar da dominância de uma certa estética fria, vislumbra-se em Lapotin uma rara empatia que não precisa das palavras (inexistentes) para se manifestar.

O aquecimento da noite foi entregue aos Frango, dupla portuguesa definitivamente afastada das linguagens rock. Estão agora equidistantes dos Tangerine Dream e dos Fuck Buttons, embora sem o pendor cósmico dos primeiros, nem o sentido de groove destes últimos. Detectam-se algumas boas ideias a merecer algum aperfeiçoamento, sobretudo a nível da coerência. Por vezes, a dupla investe em mudanças abruptas que desvanecem o efeito hipnótico pretendido. Noutras, arrastam-se por desnecessários excessos minimalistas que não conduzem a lado nenhum.