"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mil imagens #53



Nirvana - Parque del Retiro, Madrid, 1992
[Foto: Steve Double]

sábado, 5 de abril de 2014

Load up on guns


Foto: Charles Peterson

Hoje, dia 5 de Abril de 2014, data precisa dos vinte anos passados desde a morte de Kurt Cobain, seria uma data simbólica para suspender definitivamente as actividades neste tasco, já de si progressivamente mais irregulares pela escassez de tempo do seu timoneiro. Foi algo que ponderei, confesso, mas uma réstia de entusiasmo, somada do respeito pela meia dúzia (se tanto) de visitantes habituais, dá-me alento para continuar. 

A continuidade fica também a dever-se à memória de Kurt Cobain, seguramente o último grande ícone gerado no velho universo da música popular, tal como o conhecíamos e do qual já temos saudades. Nos dias que correm, como um diz um grande amigo, já se precisava um novo Cobain para sacudir o estado de coisas. Duvido seriamente que apareça, neste tempo do consumo de música como forma de seguidismo gregário, do micro-fenómeno incompreensível com prazo de validade de umas semanas, da intoxicação pelo excesso de oferta, da clonagem descarada e apresentada como a oitava maravilha, da falta de aprofundamento do que quer que seja. Estou praticamente certo de que em nada o April Skies contribuirá para o surgimento desse novo "messias", mas desta parte poderão continuar a contar, com a regularidade possível, com o reconhecimento daqueles que são ofuscados pela carneirada da mediocridade, bem como com a denúncia dos clones de hoje, que surripiam o passado e o vendem como produto novo. Faço-o por tudo aquilo que Kurt Cobain representa para todos aqueles que ainda vêm na música algo mais que elemento comum com o rebanho. E também porque ainda tenha uma ténue esperança de que haja salvação para a música pop/rock.

Portanto, e já que estamos na Primavera, vamos acreditar que hoje é dia de reflorescimento neste blogue.

 
Nirvana - "In Bloom" [Geffen, 1992]

sábado, 28 de dezembro de 2013

Mil imagens #45


Ainda sob o efeito da quadra...

Kurt Cobain & Kim Deal - Seattle, 1993
[Foto: Steve Gullick]

domingo, 15 de setembro de 2013

Há 20 anos era assim #8









NIRVANA
In Utero
[DGC, 1993]




Como se reage ao sucesso desmesurado, inesperado e, a julgar pelas declarações avulsas dos intervenientes, indesejado? Bem, no caso dos Nirvana, que num ápice se viram catapultados dos confins do submundo indie americano para o estrelato planetário, a reacção foi recorrer, no álbum pós-boom, aos serviços daquele que na altura personificava o espírito independente do underground: Steve Albini. Além disso, outros motivos poderão ter estado na base da escolha deste verdadeiro enfant terrible para o corporativismo para as funções de produtor (ou "gravador", como prefere ser tratado) dos Nirvana, tais como o seu passado nos influentes Big Black, ou o idêntico papel que havia desempenhado nos discos Surfer Rosa (Pixies) e Rid Of Me (PJ Harvey), ambos trabalhos louvados por Kurt Cobain. Por outro lado, era pública a insatisfação do frontman do trio de Seattle com o trabalho lustroso de Butch Vig em Nevermind (1991). Neste particular, penso que o desgaste do tempo acabaria por lhe dar razão. Reza a lenda que, com a contratação de Albini, soaram as sirenes de alarme nos escritório da Geffen, com os executivos a temerem um disco "difícil", um autêntico suicídio comercial de dedo médio em riste. 

Curiosamente, e apesar da crueza e da secura características das gravações do Midas de Chicago serem evidentes, In Utero acabaria por ser veículo para o conjunto de canções mais bem acabadas do escasso mas rico espólio dos Nirvana. Diria mesmo que, se necessárias fossem ainda provas da excepcional qualidade de Cobain como escritor de canções, quase todos estes doze temas são o atestado definitivo de genialidade. Não obstante a linearidade das faixas, In Utero é um trabalho de uma violência emocional em estado bruto, um autêntico murro no estômago que expõe ao mundo do âmago do seu principal autor, notoriamente transtornado pelas convulsões trazidas da excessiva exposição mediática. Esse grito de revolta ganha eco na música nos temas mais viscerais, feitos de tensão e silvos de distorção, como "Scentless Apprentice" e "Milk It". O primeiro, inspirado no romance O Perfume de Patrick Süskind, é particularmente demolidor, um dos muitos motivos que nos faz desejar que Dave Grohl jamais tivesse saído de trás de uma bateria. As raízes de punk não foram postas de lado, e são afloradas em "Very Ape" e "Radio Friendly Unit Shifter", temas de estrutura mais simples mas de maior reboliço. No extremo oposto desta rudeza estão "Dumb" e "All Apologies", dupla de canções representante de uma quase tradição de os Nirvana encerrarem cada lado dos seus álbuns em toada mais calma e acústica. Se visto como um epitáfio antecipado dos tristes acontecimentos de pouco mais de meio ano mais tarde, o último é uma confissão verdadeiramente tocante na sinceridade, sem qualquer espécie de lamúrias ou de vitimização 

Se o atrás descrito nada acrescenta ao que já fora desenvolvido no par de discos anteriores dos Nirvana, temos de esclarecer que In Utero é aquele em Kurt Cobain não se inibe de tratar questões pessoais, não se limitando a abordar experiências alheias como era hábito. Em "Serve The Servants", que abre o disco, fica explícita a rejeição de ser porta-voz de uma geração, tanto por falta de vontade como por inaptidão, enquanto "Heart-Shaped Box", eventualmente o mais sublime pedaço de música saído da pena de Cobain, é um cruel tratado de intimidade exposta. Pese embora as múltiplas interpretações que permita, é mais ou menos ponte assente que aborde a ambiguidade de sentimentos da recente paternidade, bem como a tumultuosa relação com Courtney Love, não deixando claro se por responsabilidades próprias, se por intervenção das coscuvilhices dos media. A empatia pelos deserdados da sorte na vida real é também recorrente, e em In Utero materializa-se no visceral e controverso "Rape Me" e no devoto "Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle", este obviamente inspirado pela actriz alvo de uma lobotomia por parte dos discutíveis critérios médicos dos tempos do pós-guerra. No primeiro, há lugar para a ironia por via da auto-citação, com a abertura a recuperar os acordes iniciais do massivo "Smells Like Teen Spirit", enquanto o último representa a dinâmica quiet-loud-quiet, que sai aprimorada em In Utero. Esta fórmula, talvez surripiada aos Pixies, que se tornou característica nos Nirvana sai também reforçada por "Pennyroyal Tea" e o já citado "Heart-Shaped Box".

Apesar do contentamento dos Nirvana face ao resultado final global, a relação com Steve Albini não deixou de ter os seus atritos. As divergências subiram de tom quando o produtor acusou a banda de cedências às interferências da editora, o que mereceu do trio alegações de opções próprias. Tudo isto pela decisão de contratar Scott Litt, habitual produtor dos R.E.M., para novas misturas de um par de temas ("Heart-Shaped Box" e "All Apologies"), por sinal aqueles que acabariam por ser escolhidos para singles promocionais. Dentro de dias, por ocasião do lançamento da edição comemorativa do 20.º aniversário de In Utero, vamos finalmente ficar a conhecer as misturas inicialmente propostas por Albini, que julgávamos para sempre vedadas ao público. Serão assim tão diferentes, ao ponto de termos de reescrever uma versão alternativa da História?

Heart-Shaped Box by Nirvana on Grooveshark Scentless Apprentice by Nirvana on Grooveshark

Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle by Nirvana on Grooveshark All Apologies by Nirvana on Grooveshark

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O jogo das diferenças #20


NIRVANA
Nevermind
[DGC, 1991]

SMITH WESTERNS
Smith Westerns
[Fat Possum, 2009]

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mil imagens #34



Nirvana - Seattle, 1993
[Foto: Anton Corbijn]

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Here we are now, entertain us

Foto: Kirk Weddle

"It means we won." - Gina Arnold

As palavras acima transcritas foram proferidas a propósito da chegada de Nevermind ao primeiro lugar da tabela de vendas norte-americana. Um feito já de si surpreendente, ganha outros contornos de simbolismo por ter destronado aquele que seria, porventura, o maior ícone mainstream à data: Michael Jackson. 

E quem é o "nós" a que a jornalista que fez carreira na Spin e na Rolling Stone, entre outras, se refere? Esse "nós" representa todos aqueles que, durante a década de 1980, de forma apaixonada e desinteressada suportaram o underground ianque, imunes aos ditames do establishment. Era essa a América de, entre tantos outros, Hüsker Dü, Dinosaur Jr., Sonic Youth, ou Pixies. Sobre estes três ultimos, convém lembrar que em Setembro de 1991 ainda não gozavam de reconhecimento mediático comparável ao de hoje. De resto, a possibilidade de trazer esse mundo subterrâneo (do qual era uma súmula) à superfície foi um efeito imediato e benéfico do sucesso de Nevermind. Num cenário em que o underground passou a overground, lucraram também as bandas emergentes, como os Pavement ou PJ Harvey (o trio inicial, esclareça-se), que apareceram num contexto substancialmente mais favorável ao crescimento.

Mas eis que, com o rumo da história bem encaminhado, e apercebendo-se do potencial de algo que até aí tinham ignorado, os executivos da indústria decidem nomear os Nirvana arautos de algo que incluía alguns pares mais alinhados com os excessos do rock dinossáurico de setentas, justamente uma das aversões confessas de Kurt Cobain. Pior, pior, só mesmo quando, por volta de 1994, é um vê-se-te-avias a assinar sub-produtos, clonagens toscas, e poseurs avulsos. Estava encontrada uma nova fórmula Rock FM que perdura até aos dias de hoje.

E o que tinha Nevermind de tão especial? Bem, desde logo um lote de canções de excepção que revelam uma incrível sensibilidade pop em conflito com a dureza das guitarras, mesmo quando se libertam os arremedos punk do "ensaio" Bleach, dois anos antes. Na afirmação de Cobain como compositor bafejado pelo génio, é justo atribuir a quota parte de responsabilidade ao trabalho de "limpeza" e "brilho" impostos pelo produtor Butch Vig, nome já com vasto currículo no underground, mas a partir daqui requisitado para projectos mais visíveis. A esta distância, essa característica técnica será, eventualmente, a grande pecha de Nevermind, que nas escutas mais recentes me soa demasiado preso a um tempo específico. Ainda e apenas referindo-me à produção, julgo que a crueza deliberada do subsequente In Utero resiste melhor ao tempo, talvez porque preserve maior pureza musical.

Vinte anos volvidos desde a sua edição, precisamente assinalados no passado sábado, a questão que ainda interessa debater é se alguém previu, ou até premeditou, o "fenómeno" Nevermind. Ainda que beneficiando dos relativos sucessos recentes do "mundo alternativo" a cargo dos Faith No More ou dos Jane's Addiction, penso que não. Penso que a parca primeira tiragem da edição britânica, reduzida a 40.000 exemplares, dá algum suporte à minha opinião. Acho sim, e não sou original na análise, que o furacão Nirvana se ficou a dever à "canção certa no momento certo" para toda uma geração alienada do contexto sócio-cultural da época. Um vídeo adequadíssimo em alta rotação fez o resto, e o mundo da música popular nunca mais foi o mesmo...

"Smells Like Teen Spirit" [Geffen, 1991]

domingo, 31 de julho de 2011

Run for covers















Cada uma à sua maneira, cada uma no seu tempo, Nirvana e The Strokes foram, porventura, as bandas que mais marcaram o curso da história da música popular na última vintena de anos. Os primeiros com Nevermind (1991), que deu uma até aí impensável visibilidade ao underground norte-americano, pelo menos até que os senhores que decidem na indústria discográfica decidirem subverter a coisa com a aposta em produtos formatados nascidos já com um intenso cheiro a mofo. Os nova-iorquinos com Is This It (2001), que insuflou sangue novo no moribundo rock, renovando o interesse do público no dito ao ponto de, no curto espaço de 2/3 anos, haver um imenso rol de seguidistas cujos horizontes de "arqueologia musical" dificilmente iam além da "moda" do mês anterior.

Separados por dez anos, um e outro disco foram lançados em Setembro, pelo que ambos estão perto de cumprir aniversários redondos. Antecipando as efemérides, começaram já a surgir acções comemorativas. Primeiro foi a revista norte-americana Spin a oferecer gratuitamente Newermind, um conjunto de versões de cada uma das canções do histórico disco dos Nirvana, e mais recentemente a publicação digital Stereogum a patrocinar idêntica oferta com Stroked.

Em ambos os casos, e como e como já vem sendo comum em iniciativas do género, os resultados variam entre o óptimo e o desastroso, passando, obviamente, pelo satisfatório. No tributo aos Nirvana, as maiores desilusões ficam a cargo de Meat Puppets e The Vaselines, curiosamente duas bandas que beneficiaram sobremaneira com a adoração desmedida de Kurt Cobain. No pólo oposto, a merecer nota francamente positiva, estão Telekinesis, que realçam o sentir pop de "On A Plain", Titus Andronicus, personalizados no respeito pelo demolidor "Breed", EMA com uma catártica interpretação de "Endless Nameless", e o fantástico Charles Bradley, que reinventa "Stay Away" em cenário soul profusamente groovy. Mais equilibrada, a homenagem aos The Strokes é feita por alguns dos nomes queridos do buzz blogosférico. Tem, porém, um par de versões para esquecer a cargo de Owen Pallett (nada que me surpreenda, portanto) e de uns tais de Austra, muito próximos de alguns cozinhados recentes na peugada de Kate Bush. Muito acima da média está Frankie Rose, em estado de graça pop na interpretação de "Soma". Nas reinterpretações radicais de Heems (dos Das Racist), e dos Real Estate, Stroked conhece os seus pontos altos. O primeiro ataca "New York City Cops" com um arrojado hip-hop abastardado, enquanto os últimos dão mais um passo rumo à coroação como uma das bandas mais interessantes da actualidade com o assombro de pop estelar de "Barely Legal".


Charles Bradley & The Menham Street Band _ "Stay Away" [Spin, 2011]


Real Estate _ "Barely Legal" [Stereogum, 2011]

terça-feira, 1 de março de 2011

Good cover versions #50
















NIRVANA _ "Molly's Lips" [DGC, 1992]
[Original: The Vaselines (1987)]

Já faz parte do anedotário pop a dissolução dos The Vaselines, ocorrida, sem glória, precisamente na mesma semana do lançamento do primeiro álbum. Contudo, não ficariam totalmente esquecidos. Já ícone global junto do mainstream, Kurt Cobain pregou aos sete ventos a sua paixão pela pureza ingénua da música da dupla de Glasgow, bem como da de outros conterrâneos (Teenage Fanclub, The Pastels). A influência de Cobain acabaria por resultar numa reunião fugaz a convite (com quase duas décadas de antecedência do regresso a tempo inteiro), e na reedição, por parte da Sub Pop, da "obra integral" compilada em The Way Of The Vaselines.

Também no "pacote" de adoração aos The Vaselines, os Nirvana gravariam, inclusive, uma versão de estúdio de "Molly's Lips", tema que habitualmente fazia parte do set dos concertos para audiências progressivamente mais numerosas, já depois de instalado o "fenómeno". O resultado deixa a nu as raízes punk do trio, bem patentes no riff cortante e repetitivo, ao mesmo tempo que não esconde um certo apego à simplicidade pop. Em todo caso, difere substancialmente do original, típico twee desengonçado com um travo country, à boa "maneira Vaselines", interpretado pela voz de menina de Frances McKee, cujo nome próprio acabaria por ser o da filha do próprio Cobain. A inspiração para a canção, essa partiu dos lábios expressivamente vermelhos de uma personagem interpretada pela actriz escocesa Molly Weir numa série infantil da BBC.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mil imagens #10

Kurt Cobain - Springfield, 1993
[Foto: Steve Gullick]

Voltamos hoje ao trabalho do britânico Steve Gullick, tido por estes bandas como o melhor fotógrafo rock da actualidade, aquele que um dia confessou que a sua vida mudou na hora em que viu os Mudhoney em palco pela primeira vez. Talvez por isso, em inícios de 1991, Everett True o tenha convidado a rumar a Seattle, onde este se encontrava para dar cobertura do fervilhar musical daquela cidade, na eminência de mudar irreversivelmente o rumo da música rock. Gullick ficou pelo noroeste norte-americano até à morte de Kurt Cobain, e o consequente fim dos Nirvana, banda que justamente adjectiva como uma das melhores de sempre. Da estreita ligação que estabeleceu com os Nirvana, e que permitiu a captação de imagens de relaxamento pré-palco como este, saiu uma vasto trabalho que, de certa forma, ajudou a compor a imagem de Cobain que passou para os media e destes para o público. Dos boatos, das intrigas, das histórias forjadas, e de mitos, Gullick diz não querer saber. Afirma preferir guardar a memória de Kurt Cobain como um ávido consumidor de música, um músico excepcional e, sobretudo, um tipo porreiraço. Da sessão que gerou a imagem acima, diz nunca lhe ter sido paga e que isso pouco ou nada o aborrece.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Good cover versions #28









NIRVANA "Love Buzz" [Sub Pop, 1988]
(Original: Shocking Blue, 1969)

Em Haia, na Holanda, surgiram em finais da década de 1960 os Shocking Blue, uma banda alinhada com os sons da pop psicadélica que chegavam de São Francisco, em particular com os Jefferson Airplane, com os quais eram insistentemente comparados. Tinham até uma vocalista - Mariska Veres - cuja beleza exótica rivalizava com a de Grace Slick. Fora da terra natal, alcançaram sucesso considerável com "Venus", o mesmo tema que anos mais tarde daria a fama às Bananarama.
Deles é também o original daquele que viria a ser o primeiro single da então desconhecida banda do underground norte-americano que, poucos anos mais tarde, e para o bem e para o mal, mudaria para sempre a face da indústria musical. Estranho, no mínimo, se atentarmos que a América pós-hardcore era, por norma, avessa à imagética do flower power. Apesar das adaptações na letra para um intérprete masculino, os Nirvana mantêm a estrutura original de "Love Buzz" intacta. Contudo, a pulsão constante do baixo de Krist Novoselic e a voz alienada de Kurt Cobain são o bastante para radicalizar a versão. Já o interlúdio de sitar do original, é aqui suprimido e reduzido a um breve devaneio guitarrístico.
Há pouco tempo, em conversa com um conhecido que julgo musicalmente esclarecido e conhecedor da obra dos Nirvana, descobri que, à semelhança de muitas outras pessoas, ele desconhecia que "Love Buzz" não era um original dos Nirvana. Para que não restem dúvidas, hoje, e a título excepcional, apresentam-se versão e original.


Nirvana


Shocking Blue

domingo, 5 de abril de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Singles Bar #30



















THE JESUS LIZARD / NIRVANA
Puss / Oh, The Guilt
[Touch and Go, 1993]

Um dos maiores fenómenos de massas dos últimos vinte anos, os Nirvana pugnaram sempre por um apego às raízes underground, bem patente nas declarações públicas do seu líder, mas também nos lançamentos conjuntos com nomes mais ou menos obscuros. É o caso deste split captado em estúdio pelo ouvido clínico de Steve Albini e que valeu aos Jesus Lizard uma inédita entrada nos tops de vendas britânicos.
No lado A, "Puss" é um claro manisfesto de intenções da banda de Chicago, seguidora da cartilha noise/math rock visceral desenvolvida anos antes pelo próprio Albini com os seus Big Black. Guitarras abrasivas, bateria de precisão matemática, ritmo fracturado, e um David Yow confrontacional a vociferar invectivas de carácter sexista (é favor não o levar muito a sério), fazem deste tema um autêntico soco nas trombas. As imagens do vídeo promocional, de visionamento desaconselhável a pessoas facilmente impressionáveis, assentam como uma luva na violência gratuita da música e das palavras.
Para o lado B são relegados as estrelas da companhia. "Oh, The Guilt", numa versão gravada ao segundo take, segundo Albini, é demonstrativo do lado mais cru da música de Kurt Cobain & C.ª. Qualquer hipótese de aproximação a uma certa limpidez da produção de Butch Vig no clássico Nevermind é sabotada pela intromissão constante do clique de um isqueiro.



quinta-feira, 1 de maio de 2008

20 anos de pop subterrânea

No dia 1 de Abril de 1988, em Seattle, Bruce Pavitt e Jonathan Poneman abandonavam em definitivo os seus empregos e davam vida a uma nova editora: a Sub Pop Records. Nesse dia, não passaria pela cabeça dos dois amigos que, poucos anos depois, ficariam intimamente ligados aquela que foi, para o bem e para o mal, a última grande revolução no universo rock. Durante um breve período, os olhares de todo o mundo desviavam-se para o noroeste dos Estados Unidos.
Com o declínio da chamada cena grunge (seja lá o que isso for), a editora passaria por uma ligeira crise. Já no decorrer do novo século, a Sub Pop surge revitalizada com um dos mais vastos e eclécticos catálogos da cena independente.
Com o propósito de assinalar esta data redonda, no fim-de-semana de 12 e 13 de Julho, a Sub Pop promove em Seattle um festival de aniversário . O line up integra, obviamente, muitos dos nomes do catálogo actual (Wolf Parade, The Ruby Suns, Low, No Age, Iron and Wine, Pissed Jeans, Mudhoney), mas também aparições únicas de glórias passadas (Green River, Beachwood Sparks).
A milhares de quilómetros de distância, há também motivos para sorrisos de satisfação: a Sub Pop tem prevista para breve uma campanha de reedições históricas. Nela se incluem o clássico Superfuzz Bigmuff dos Mudhoney (deluxe edition de 32 faixas de um EP originalmente com seis!) e alguns dos singles, a anunciar, da série Sub Pop Singles Club. Esta iniciativa, deveras original, consistia num serviço de subscrição, tal-qual uma revista, em que os assinantes recebiam mensalmente singles de diferentes bandas.
Para recordar, captado ao vivo, um tema que integrava a edição inaugural da série:

Nirvana "Love Buzz" [Live @ Tijuana (México), 17/02/1990]

quinta-feira, 5 de abril de 2007

13 ANOS DEPOIS


"I HATE MYSELF AND I WANT TO DIE"
(Foto: Anton Corbijn)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

TEEN SPIRIT vs. TERNURA DOS QUARENTA

Se fosse vivo, Kurt Cobain teria completado ontem quarenta anos.
Sempre que ocorre uma efeméride alusiva ao maior ícone pop dos últimos vinte anos, a questão que me coloco é sempre a mesma: como seria se aquele fatídico dia 5 de Abril de 1994 nunca tivesse acontecido?
Quando hoje olhamos para Dave Grohl, que tão bem tem sabido rentabilizar os poucos anos de contacto com o mártir, a possível resposta assusta.
Mas não creio que fosse essa a via a seguir. But, who knows?