"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 12 de setembro de 2010

Are they all prostitutes?


















No manacial de ideias geradas no Reino Unido pós-punk, os bristolianos The Pop Group destacam-se como uma das propostas mais aventureiras. No par de álbuns que deixaram gravados em outros tantos anos de intensa actividade, registaram uma amálgama de punk, dub, noise, world, funk, e muito experimentalismo, que abriu caminho àquilo que ficou conhecido como trip-hop ou som de Bristol (é verdade, embora hoje seja difícil de acreditar...). A mistura abrasiva, tribal, vinha condimentada por uma postura confrontacional que estava muito para além de qualquer manifesto político pré-definido. Como é bom de ver, a nome adoptado por tão desalinhado combo só pode ser uma provocação. Após a dissolução, os seus membros espalharam-se por diversos projectos que disseminaram, em diferentes gradientes, os princípios da banda-mãe: Maximum Joy, Rip Rig + Panic, Pigbag, Head, ou Mark Stewart & The Mafia, este último o de maior visibilidade, com o frontman e principal instigador. Trinta anos volvidos, estão de regresso e prometem novo disco. Para já, têm agendados alguns (poucos) concertos. Visto apenas à luz de uma lógica de comércio do saudosismo, este regresso pode parecer um paradoxo. Porém, depois de ter assistido a concertos de Gang of Four e Wire, seus contemporâneos e confrades na facção mais subversiva do post-punk, estou em crer que as características que definem o Pop Group permanecem intactas. Quem no-lo garante são os próprios no comunicado que deu conta do reagrupamento: "There was a lot left undone,....we were so young and volatile....Let's face it, things are probably even more fucked now than they were in the early 80's.....and we are even more fucked off!".

Nick Cave sobre "We Are All Prostitutes" [Rough Trade, 1980]
- in Music Of The Millenium [Channel 4, 1999]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mil imagens #2

 
Nick Cave & Rowland S. Howard (The Birthday Party) - Londres, 1982

Em declarações prestadas à Uncut pouco antes da sua morte, Rowland S. Howard fala com algum desencanto da mudança da distante Melbourne para a cosmopolita Londres, em busca do sonho dourado. O gorar das expectativas na chegada à capital britânica é descrito com esta tirada eloquente: "Deixámos de ser um grande peixe numa pequena lagoa, para nos tornármos plâncton nas mandíbulas de uma baleia". A Nick Cave refere-se como alguém disposto a fazer do circo rock'n'roll modo de vida. Por oposição à conduta do frontman, Howard e os restantes membros dos Birthday Party cedo se mostraram fartos desta vida miserável e plena de hábitos pouco saudáveis. Surgiram as fricções e a banda implodiu. Por ironia do destino, Cave é hoje um bem sucedido "homem de negócios". Já Howard, mergulhado numa depressão profunda  durante anos, e lançado na obscuridade, desapareceu, sem glória, em finais do ano passado. A vida, por vezes, consegue ser muito injusta...

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Gostaria de dar o merecido crédito ao autor deste instantâneo, que tão bem capta o alheamento dos seus figurantes. Sucede que, depois de pesquisas incessantes, o dito é-me ainda desconhecido. Se alguém desse lado o conhecer, disponha da caixa de comentários para mo indicar. Agradecido.

domingo, 8 de novembro de 2009

For all the fucked up children of the world #10


Retrato do artista Nicholas Edward quando jovem.



The Birthday Party "Nick The Stripper" [4AD, 1981]

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

O HOMEM VIVE!

Depois de anos a fio dedicados a carpir canções de embalar para balzaquianas e a entoar hossanas ao Senhor, eis que Nick Cave, qual Fénix renascida, regressa do estado neo-burguês em que se encontrava para fazer aquilo que melhor sabe fazer: canções no fio da navalha. Nesta nova aventura intitulada Grinderman tem a companhia de três velhos cúmplices, todos eles dos Bad Seeds: Warren Ellis (também dos Dirty Three), Martyn P. Casey (antigo membro dos lendários The Triffids até à dissolução em 1990), e Jim Sclavunos (que já passou pelos Sonic Youth e The Cramps, entre outros). Pelo visual adoptado, os músicos poderiam bem fazer parte do elenco de filme The Proposition, para o qual Cave escreveu o argumento. O álbum homónimo está agendado para 5 de Março e, servindo de aperitivo, a banda disponibilizou já duas faixas no MySpace: Get It On e No Pussy Blues. As faixas agora disponíveis são dois petardos de garage-rock-blues que nos fazem recuar até aos tempos desse combo doentio que dava pelo nome de Birthday Party. Em relação a estes pode até dizer-se que os Grinderman ficam a ganhar: mantém-se a visceralidade e, ao mesmo tempo perde-se aquele pendor niilista e naïf que a inexperiência e os devaneios narcóticos de então impunham.