"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Singles Bar #48






MEAT WHIPLASH
Don't Slip Up
[Creation, 1985]






Baptizados a partir de um tema dos post-punkers Fire Engines, os Meat Whiplash foram um agrupamento escocês de vida efémera que esteve entre a primeira leva de contratações da Creation Records. Para a posteridade, não deixaram registado mais do que um single. A capa desse registo isolado, que aproveita uma imagem do actor Robert Vaughn, foi concebida pelo compatriota Bobby Gillespie e executada manualmente pelo próprio Alan McGee, fundador da editora que acolheu a banda. Eram estes os tempos do espírito familiar de entre-ajuda em que as editoras independentes se podiam orgulhar de tal adjectivo... No currículo contam também com a abertura do primeiro concerto londrino dos Jesus and Mary Chain, já célebre pelos ondas de revolta provocadas na audiência pela postura de confronto dos Irmãos Reid & C.ª.
À parte estes factos mundanos, os Meat Whiplash merecem algo mais do que uma nota de rodapé no compêndio indie por culpa deste "Don't Slip Up", o típico mergulho na era dourada da pop através de uma faixa de alienação afogada num mar de distorção e batida minimalista reduzida ao essencial. Não fosse a velocidade mais acelerada, e encaixaria na perfeição no primeiro tomo da tal banda dos irmãos disfuncionais que pela mesma altura escrevia um dos mais belos capítulos da história da música popular. Comparações à parte, atribua-se a "Don't Slip Up" o mérito de ter servido de matriz às gerações indie futuras, tanto da emergente "vaga C86", como os estetas shoegaze. Mais tarde, o quarteto fundador dos Meat Whiplash haveria de prosseguir carreira conjuntamente com Alex Taylor, a vocalista dos Shop Assistants, agora sob a designação The Motorcycle Boy, outra das bandas criminalmente esquecidas do excelso catálogo pop produzido em terras da Escócia nos últimos trinta anos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Good cover versions #33

 

THE MOTORCYCLE BOY "Run Run Run" [Imaginary, 1990]
[Original: The Velvet Underground (1967)]

No tempo em que o pioneirismo experimentalisma dos Velvet Underground desempenhava o papel de inspiração primordial junto do universo indie, sucediam-se amiúde as declarações de amor veladas ao colectivo que Andy Warhol ajudou a promover. Dividido em três volumes, o tributo Heaven And Hell é, porventura, a súmula perfeita da importância que a banda nova-iorquina representava para toda uma geração de músicos apostada em fugir aos cânones da música que habitualmente preenchia os tops de vendas. Nele se encontra representada uma boa fatia do contigente indie da altura, inclusive os Nirvana e os James, dos quais o mainstream ainda não imaginara o boom iminente. No entanto, das trinta faixas apresentadas, a melhor de todas as releituras fica a cargo de uma das bandas com menor visibibilisade no lote: os escoceses Motorcycle Boy, banda de vida efémera nascida das cinzas dos também breves - mas relevantes - Meat Whiplash e Shop Assistants. É no entanto curioso reparar que, ao contrário das bandas originárias, os Motorcycle Boy não mostravam especial apreço pela sonoridade dos Velvets. Nem tão pouco pelo imaginário fifties sugerido pelo nome da banda (personagem interpretada por Mickey Rourke no filme Rumble Fish, de Copolla). Enveradavam antes pela recuperação dos tons garridos do glam de inícios de 1970s, revistos à luz do latente crossover entre música de dança e música de guitarras. É de resto esta a abordagem na versão de "Run Run Run", um irresistível apelo à dança em formato electro-rock, em clara dissonância da desconstrução rock'n'roll do original. A voz planante retêm - e actualiza - as sugestões druggy de Lou Reed.