"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
Mostrar mensagens com a etiqueta Modest Mouse. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Modest Mouse. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de junho de 2010

10 anos é muito tempo #21






MODEST MOUSE
The Moon & Antarctica
[Epic, 2000]






Apenas descobertos pelo grosso dos melómanos europeus há coisa de meia dúzia de anos, os Modest Mouse eram desde há muito uma referência obrigatória para o público indie norte-americano. De tal forma que, ainda a década passada estava no seu dealbar, e sem as facilidades de divulgação hoje concedidas pela internet, e a banda dos arredores de Seattle era já assediada pelas multinacionais. Curiosamente, contrariando a máxima do fundamentalismo indie, a estreia dos Modest Mouse numa editora grande dá-se com o seu disco mais denso, complexo e impenetrável. Mas também o de efeito mais perene e viciante, depois da assimilação que sucede à sensação de exaustão deixada pelo primeiro contacto. Muita da carga dramática de The Moon & Antarctica advém da riqueza estonteante da letras, concebidas como uma reflexão profunda sobre a inevitabilidade da morte num mundo cínico, hipócrita, e à beira da paranóia colectiva. Alguma perspicácia permite-nos detectar nas letras uma afinidade com os primeiros romances de Douglas Coupland, ou até com a atracção pelo absurdo dos tutelares Pavement. Contudo, o letrista  personalizado que é Isaac Brock esquiva-se airosamente da relativa espiritualidade do escritor canadiano, e consegue ser mais inteligível que Stephen Malkmus.
Os temas que compõem The Moon & Antarctica, em número de quinze, podem dividir-se em três sequências não completamente delineadas: uma primeira mais introspectiva, uma intermédia mais desesperada, e uma final mais redentora. Próximo da hora de duração (algo extenso para os parâmetros actuais), o disco frui-se num ápice, tal a intensidade com que o constante carrossel de emoções e sensações se gruda aos tímpanos. Apesar de hoje serem reconhecidos pela urgência que imprimem em cada tema, mormente reflectida na voz de Brock, os Modest Mouse de há dez anos revelavam-se mais inventivos nos números mais contidos, de maior pendor acústico. É nestes temas que a experimentação vai mais longe, revelando novos detalhes a cada audição, seja a percussão invertida do soberbo "Gravity Rides Everything", as interferências electrónicas na melancolia de "The Cold Part", ou as cordas em estado líquido de "Lives". Já os temas mais exuberantes ("Dark Center Of The Universe", o longo e nuclear "The Stars Are Projectors", "Paper Thin Walls") estão a meio caminho da esquizofrenia derivada do post-punk a que os Modest Mouse nos habituaram nos últimos anos. Equidistante das duas tendências está o inaugural "3rd Planet", tema bipolar de mudanças rítmicas abruptas. A habitual bizarria fica a cargo de "Tiny Cities Made Of Ashes" que, movido pela propulsão de um baixo funky, soa a antepassado remoto de algumas manifestações hip-hop "bastardas" de tempos recentes.


"Gravity Rides Everything"


"Dark Center Of The Universe"


"The Cold Part"

terça-feira, 3 de abril de 2007

EM ESCUTA #9

MODEST MOUSE
We Were Dead Before The Ship Even Sank (Epic, 2007)

Este de que agora vos falo irá ser certamente um dos discos mais falados do ano. Quinto álbum de originais dos Modest Mouse (MM) e sucessor de Good News For People Who Love Bad News, disco responsável pelo crescimento significativo do número de seguidores da banda, We Were Dead... não revela grandes evoluções em relação ao seu antecessor. Diria mesmo que o pendor expremintalista do anterior foi suprimido, dando lugar a uma maior homogeneidade que, se por um lado transmite maior acessibilidade e coesão, por outro pende ligeiramente para a repetição.
Não se pense com isto que estamos perante um mau disco. Não, longe disso! Eu até duvido que os MM saibam fazer maus discos...
Descrito por Isaac Brock, líder dos MM, como "a nautical balalaika carnival romp", We Were Dead... é desde o primeiro segundo um carrossel esquizofrénico onde e vocalista canta, grita (muito), uiva, rosna, sussura... muitas vezes apenas no espaço de um verso! Só não faz falsete: para isso os MM contam com a colaboração de James Mercer (The Shins) em duas faixas, uma das quais a magnífica "We've Got Everything", a minha aposta para segundo single depois do óptimo "Dashboard". E os tais motivos náuticos estão lá bem evidentes, tanto na temática das letras como em certos ritmos típicos das "canções de marinheiros".
Resta acrescentar que a entrada de Johnny Marr não pôs os MM a soar a The Smiths (nem tal lhe seria pedido), mas mesmo assim, tanto no já citado "You've Got Everything" como em "Invisible", estão bem evidentes as qualidades que o tornaram um guitarrista de excepção. E isso é uma mais-valia de We Were Dead...!

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

EQUIPA REFORÇADA

Desde a sua formação e por um largo período de tempo, a carreira dos Modest Mouse foi um longo e penoso calvário de falta de reconhecimento, o qual culminaria numa acusação de violação de uma antiga namorada ao vocalista Isaac Brock, que acabaria por sair ilibado. Até que chegou o ano de 2004 e com ele o quarto álbum da banda: Good News For People Who Love Bad News. Disco onde se conjugam antagonismos como tradição e experimentação, inventividade e acessibilidade, Good News... rendeu à banda rasgados elogios (mais do que merecidos) quer da imprensa, quer do público, que se traduziram num aumento significativo das vendas relativamente aos registos anteriores. Logo no ano seguinte a fortuna voltava a bater à porta, com Brock a produzir Apologies To The Queen Mary, álbum de estreia dos canadianos Wolf Parade, um dos melhores desse ano e, até ver, um dos melhores da década. Desde o Verão passado os Modest Mouse regressam ao formato quarteto com a entrada de um reforço de peso que dá pelo nome de Johnny Marr. Esse mesmo, o dos Smiths (e dos The The). Ao que tudo indica o novo álbum, de título We Were Dead Before The Ship Even Sank ( o sarcasmo de sempre...), que contou já com a contribuição de Marr, irá ser lançado em Março e a expectiva é grande. Para já, a banda disponibiliza no MySpace aquele que, em princípio, irá ser o primeiro single. Dashboard, assim se chama a nova canção, regressa ao local do crime, ou seja, repete a guitarra frenética do "hit" Float On, se bem que o travo funky deste seja agora substituído por um ambiente, digamos, mais folk. Uma boa amostra, em todo o caso.