"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Em escuta #50










CARIBOU _ Swim [Merge, 2010]

Por entre os assomos de bizarria em que se tornou pródigo, tanto com a anterior designação Manitoba, como com a nova Caribou, o canadiano Dan Snaith já vinha a prometer aproximações ao formato canção. O anterior Andorra (2007) foi o passo mais brusco nesse sentido, e o novo Swim é a consumação dessa vontade, mesmo que essas canções venham imbuídas de uma estranheza que integra resquícios de psicadelismo e de kraut. A somar à equação, o novo álbum deixa-se contaminar por sonoridades disco-sound liquefeitas de um extremo bom-gosto. Daí tanto podem resultar pedaços musicados que convidam à dança em pistas para seres mutantes ("Odessa", "Kaili", "Leave House"), como assombrações do intimismo do negligenciado Arthur Russell ("Found Out"), como ainda abstraccionismos oníricos ("Bowls"). [8,5]


SENNEN _ Age Of Denial [Hungry Audio, 2010]

Há alguns anos, o nome desta banda britânica (o mesmo que o de um tema dos saudosos Ride) levou-me a comprar o seu primeiro álbum. Deparei-me com um disco empastelado, sem traços distintivos entre cada tema, envolvido no torpor de que o pior shoegaze. Escusado será dizer que foram de esquecimento rápido. Recentemente, algumas (boas) notas soltas, alertaram-me para a existência deste terceiro álbum. Reconheço agora nos Sennen um desenvolvimento evolutivo gigantesco, com um conjunto de canções escorreitas que, só não são descaradamente pop devido às doses moderadas de melancolia sonhadora, de sujidade granulosa, e do inevitável apego à distorção enquanto arma. Suficientemente eficaz sem necessitar de uma extrema originalidade pois, na maior parte do tempo, Age Of Denial lembra os citados Ride daquela fase intermédia em que procurava fugir do rótulo shoegaze que ajudaram a criar. Quando assim não, ganham um pendor espectral que levanta a hipótese do que seriam os Spacemen 3 com uma dose de sacarina. [7,5]


MALCONTENT _ Love The Gun [edição de autor, 2009]

Quem passou pelo SBSR deste fim-de-semana teve a oportunidade de verificar o valor dos Malcontent em palco, justamente escalados para o certame através de um concurso que almejava dar alguma visibilidade a bandas nacionais arredadas das playlists radiofónicas. Quem teve tal sorte, terá notado que, enquanto os nossos programadores ficam deslumbrados com o último bocejo da miúda dos sapatos vermelhos, ou do outro que gostava de viver nos eighties, há por esse país bandas que ousam contrariar o previsível. Não que os Malcontent primem pela originalidade, bem pelo contrário. Porém, mais do que um embaraço, a colagem aos Jesus and Mary Chain (em particular da "fase" que integra os discos Automatic e Honey's Dead) é um emblema que ostentam com orgulho. De auto-editado e auto-produzido Love The Gun ressaltam um conjunto de temas urdidos por alguém que conhece a cartilha toda. Contaminada por uma irresistível sujidade a transpirar lascívia e algum negrume, e versando a dicotomia amor-ódio, esta dúzia de canções exibe um notável ar de modernidade por via da discrição dos samplers, estrategicamente "disparados" por entre as linhas melódicas. [7,5]


THE RADIO DEPT. _ Clinging To A Scheme [Labrador, 2010]

Na área do mobiliário, a Suécia é conhecida por vender artigos de qualidade questionável através da embalagem atraente e do preço apelativo. Na música, a estratégia dos súbditos de Carlos Gustavo não difere grandemente. Nesta disciplina, ultimamente, têm-se especializado a polir a ingenuidade twee-pop, tarefa que na qual têm vindo a cativar alguns incautos. O caso dos Radio Dept. até era promissor, com um primeiro álbum a enveredar por um noise-pop adocicado que a editora Slumberland não desdenharia. Já ao segundo, caíram num torpor letárgico capaz de solucionar o mais grave caso de insónias. Este terceiro não desce a esse patamar, pois, aqui e ali, quando um ou outro ritmo (eu falei em ritmo?!) mais crispado dos sintetizadores analógicos contraria o enjoo da voz de cordeiro-mal-morto, os sonos mais leves podem ser facilmente perturbadozzzzzzzzzzzzzzzzzz... [3]

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ao vivo #52
















SBSR Preload @ Music Box, 12/05/2010

Relato da primeira de duas noites  dedicadas aos desfile das dez bandas de entre as quais sairão as três que integrarão o cartaz da edição do Super Bock Super Rock deste ano.

Caducados
Sem se saber bem como nem porquê, tem-se notado neste nosso Portugal uma súbita revitalização da memória dos MC5, manifestada no crescente número de jovens bandas que apostam na crueza rock do lendário (e algo sobrevalorizado, digo eu) colectivo de Detroit. Com guitarras rasgadinhas, vocais que vociferam letras de uma pretensa rebeldia, e demasiadas contaminações do mais vulgar metal das últimas duas décadas, os Caducados são apenas mais um e triste exemplo. A acusar verdura e indefinição, o terceiro e último tema do curto set é uma cavalgada que não se decide entre a descarga punk e a mais inútil demonstração de virtuosismo "metaleiro".

Godmen
Lembram-se do tempo em que os Pearl Jam serviam de modelo a um ror de bandas aspirantes por esse país fora? Esqueçam! Os tempos mudaram, e o lugar que foi de uma das bandas mais mal vestidas da história do rock é agora ocupado pelos execráveis Muse no coração dos jovens músicos portugueses. Que o digam os portuenses Godmen, deslumbrados pela pompa bacoca e pelos arremedos progressivos da banda do gajo parecido com o Hélder Postiga (o talento de um e de outro na sua arte são também equiparados). Como ponto a seu favor, este jovem quarteto 'tuga tem um vocalista de dotes invulgares por estas paragens.

Gota
Numa vida de consumidor involuntário de muita música indesejada, tenho notado algumas características comuns a muitas bandas nascidas na Grande Lisboa: o cantar em português, a tendência para enrolar os tt e abir os aa (geralmente prolongados) no infinitivo dos verbos, e o total desconhecimento de quase seis décadas de "cultura" rock. Estes são, por norma, os pressupostos para garantir um micro-fenómeno numa qualquer rádio de gosto duvidoso, ou até aspirar a integrar uma das compilações da série Morangos Com Açúcar. Portanto, adivinha-se um futuro breve e risonho para estes Gota, largamente mais incómodos do que a doença com o mesmo nome.

Indigo
Típico nome de banda de bar para uma típica banda de bar. Imagino que, com pouco tempo disponível fora do ginásio, o rapaz que encabeça este quarteto de Leiria pouco mais ouvirá do que os Red Hot Chili Peppers da fase consagrada, dos quais se esforça por copiar alguns tiques. Conclui-se então que os Indigo aspiram a uma sonoridade groovy e musculada (não me refiro ao vocalista, note-se). Porém, ficam-se por um híbrido entre o reggae branco merdoso dos Men at Work de má memória e aquele pseudo-ska "made in USA" que abrilhantava a programação da MTV há uns 10-15 anos.

Malcontent (na foto)
Para o final da noite estava guardada a única banda com ideias concisas e única digna de figurar no cartaz de um festival de dimensão nacional (não há muitas por cá, acrescente-se). Confessos seguidores da doutrina sónica marychainiana, os Malcontent propiciam um curto set que só não foi mais eficaz devido aos problemas técnicos iniciais e o inadequado tratamento de som a uma sonoridade específica. Na música do quarteto portuense, situada "geograficamente" entre o doce torpor dos irmãos Reid e a afronta dos contemporâneos A Place to Bury Strangers, abundam a distorção das guitarras e a profusão de samplers disparados a um ritmo vertiginoso. Sob a manto sonoro escondem-se canções escorreitas de uma pop de coração enegrecido. A seu favor têm ainda a postura adequada ao ennui sugerido pela música, e um baterista deveras certeiro, apesar do ritmo esparso das suas intervenções.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Going blank again #47


... e ao cair do pano desta saga pelos meandros do "novo" shoegazing, finalmente a primeira banda tuga, já reclamada por um ilustre confrade. São nortenhos e, apesar de alguma inexperiência, dominam a matéria prima que permite aspirar a altos voos.

MALCONTENT

Origem: Porto (PT)
Período de actividade: 2006-
Influências: The Jesus and Mary Chain, BRMC, Curve, Sonic Youth, Joy Division, Nine Inch Nails
A ouvir: It's All In Your Mind 7" (?, ?)

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