"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Quinta edição














Ainda os Buzzcocks davam os primeiros passos e já Howard Devoto, membro fundador, abandonava o barco, num gesto que poderá ser visto como genuinamente imbuído do espírito punk. Logo em seguida fundava os Magazine, uma entidade distinta que aspirava a níveis mais intelectualizados da expressão rock. Por mérito próprio, e juntamente com bandas como PiL, Gang of Four, ou Wire, estiveram na primeira linha do chamado post-punk britânico, ainda numa altura que o sucesso comercial não estava vedado à obliquidade musical. Até à extinção, em 1981, os Magazine tiveram intensa actividade, deixando para a posteridade quatro álbuns, três deles autênticos clássicos da época.

Embarcando na onda de reuniões que parece não deixar ninguém indiferente, os Magazine regressaram ao activo em 2009, inicialmente com o propósito único de tocar ao vivo, iniciativa que, segundo consta, teve forte adesão popular e aceitação crítica. A formação envolvida era a mais aproximada do line-up "clássico", com o guitarrista John McGeoch, desaparecido em 2004, a ser substituído por Noko, companheiro de Devoto nos posteriores Luxuria. De então para cá, também o baixista Barry Adamson, provavelmente ocupado com a trabalho em nome próprio, foi substituído por um tal de Jon White. Portanto, aquele já não participou nas gravações do novíssimo e "inesperado" No Thyself, o quinto álbum, editado precisamente trinta anos depois do último.

A falange familiarizada com a sonoridade típica dos Magazine não estranhará o novo disco, uma vez mais assente nas texturas irrepreensíveis e quase liquifeitas dos sintetizadores de Dave Formula. A principal diferença com os bons velhos tempos reside nas partes de guitarra, com Noko a enveredar por riffs com um balanço assumidamente funky, por oposição à angularidade muito peculiar do seu lendário antecessor. Também os maneirismos vocais de Devoto, entre o declamado e o cantado, entre o arrogante e o cáustico, são mais ostensivos que nunca. São os mesmos tiques que causaram forte impacto noutros vocalistas ingleses que fazem da crónica de costumes modo de vida, tais como Lawrence e Jarvis Cocker. À falta de novidades de maior para os versados na matéria, posso assegurar aos neófitos que No Thyself tem ainda obtusidade suficiente para dar e vender às novas gerações art-rock. Façam o favor de conferir na amostra infra, na qual não se discerne ao certo se as referências a dois dos mais idolatrados mártires rock é vénia ou ironia. É a ambiguidade devotiana em todo o seu esplendor...


"Hello Mister Curtis (With Apologies)" [Wire-Sound, 2011]

terça-feira, 17 de novembro de 2009

All the people I like are those that are dead #1


Uma nova rubrica de periodicidade irregular em louvor daqueles que partiram deixando marca indelével da sua passagem por este mundo.


JOHN McGEOCH
[1955-2004]

Embora caracterizado pelo radicalismo experimentalista, o período post-punk não rejeitou em absoluto as qualidades técnicas dos seus protagonistas. No capítulo das seis cordas, Ketih Levene (Public Image Ltd.) e Andy Gill (Gang of Four) são dois dos mais destacados executantes. A estes, porém, sobrepõe-se John McGeoch, guitarrista que, além de ter colaborado em alguns dos mais importantes projectos do "movimento", viu a sua técnica ser admirada e/ou copiada por notáveis que lhe sucederam, tais como The Edge, Johnny Marr, Dave Navarro, ou Jonny Greenwood.
Nascido na Escócia, onde passou a infância, John Alexander McGeoch mudou-se com a família para a capital inglesa em plena adolescência. Aquando do auge do furacão punk, o jovem John era estudante universitário na cidade de Manchester. Foi aí que um amigo comum o apresentou a Howard Devoto, este acabado de abandonar os Buzzcocks. Juntos criaram as bases dos Magazine, a banda que Devoto tinha em mente para ir além das limitações dos três acordes do punk. Ao primeiro álbum (Real Life de 1978), a banda logrou alcançar os seus intentos, injectando de ambição artística um período em que a rudeza era palavra de ordem. A crítica foi unânime na aclamação e o público teve uma reacção relativamente positiva. Com o decorrer do tempo, o entusiasmo de McGeoch foi esmorecendo, até ao ponto da ruptura definitiva após a edição do terceiro álbum, o igulamente superlativo The Correct Use Of Soap (1980). Na parte final da sua permanência nos Magazine, McGeoch aceitou o convite (juntamente com outros colegas de banda) para colaborar nos Visage, veículo synthpop do "carreirista" Steve Strange. Embora este tenha sido o projecto mais bem sucedido comercialmente em que McGeoch se envolveu, foi aquele em que a sua colaboração foi mais discreta.
Com o abandono dos Magazine, iniciou novo capítulo como membro de pleno direito nos The Banshees, com os quais gravou três álbuns. O período passado sob o comando de Siouxsie Sioux coincide com o pico criativo da banda e, porventura, com o auge da carreira de McGeoch. Após um colapso nervoso motivado pelo stress da preenchida agenda de concertos, e pela ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, Siouxsie viu-se obrigada a prescindir dos seus serviços.
Em 1983, reuniu-se com o baterista John Doyle, antigo companheiro nos Magazine, e com ex-elementos dos escoceses The Skids para formar The Armoury Show, banda de existência breve com a qual gravaria o álbum Waiting For The Floods (1985), bem recebido pela crítica mas ignorado pelo público. Em 1986, a atravessar dificuldades económicas, e juntamente com Doyle, aceitou o convite de John Lydon para integrar a formação dos Public Image Ltd., com os quais ficou até à dissolução em 1992, tornado-se assim o membro mais duradouro na banda além do próprio Lydon. Ironicamente, a passagem de McGeoch pelos PiL coincidiu com a fase mais desinteressante daquela que terá sido a mais emblemática banda do post-punk.
A partir de 1995 e até à data da sua morte, que surgiu de forma inesperada durante o sono, abraçou uma carreira de enfermeiro. Neste período, a produção musical resumiu-se a colaborações pontuais com John Keeble (Spandau Ballet) e Glenn Gregory (Heaven 17), e algumas peças por encomenda de canais televisivos.


Magazine
"Shot By Both Sides" [Virgin, 1978]



Visage
"Fade To Grey" [Polydor, 1980]



Siouxsie & The Banshees
"Christine" [Polydor, 1980]



The Armoury Show
"We Can Be Brave Again" [Parlophone, 1985]



Public Image Ltd.
"Seattle" [Virgin, 1987]

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Post-punk em revis(i)ta

Limitado pelo espartilho da canção punk, Howard Devoto abandonou os Buzzcocks ainda em 1977, poucos meses após ter sido um dos membros fundadores. Com o propósito de explorar uma capacidade criativa que não conhecia barreiras estilísticas, reuniu um lote de músicos aventureiros, entre eles o baixista Barry Adamson e o genial guitarrista John McGeoch. Nasciam assim os Magazine, uma das bandas mais inovadoras do período que habitualmente designamos por post-punk.
Escassos quatro anos de vida renderam outros tantos álbuns, nos quais o nível qualitativo foi uma constante apesar das permanentes mudanças no line up. Nos últimos anos, o legado dos Magazine surge mais vivo que nunca, com gente como Morrissey, os Radiohead, ou os Mansun, a confessarem uma profunda admiração pela obra de Devoto e seus pares.
No momento em que surgem dois discos dos Magazine no mercado (a reedição de Play, gravado ao vivo em Melbourne, na Austrália, em 1980; e a compilação da totalidade dos temas tocados nas diversas passagens pelo programa de John Peel na BBC), os sobreviventes da formação clássica da banda anunciam o reagrupamento para um punhado de concertos no Reino Unido, em Fevereiro de 2009. Na guitarra, no lugar de John McGeoch, desaparecido em 2004, surge Noko, membro dos Apollo 440 e antigo companheiro de Howard Devoto nos Luxuria.
Resta agora esperar que, como em tantos outros casos recentes, a reunião extravase as fronteiras do Reino Unido e rume a outras paragens do Velho Continente...

Magazine no MySpace

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

SINGLES BAR #17

MAGAZINE
Shot By Both Sides
(Virgin, 1978)

This and that, they must be the same
what is legal is just what's real
what I'm given to understand
is exactly what I steal
I wormed my way into the heart of the crowd
I wormed my way into the heart of the crowd
I was shocked to find what was allowed
I didn't lose myself in the crowd

Shot by both sides
on the run to the outside of everything
shot by both sides
they must have come to a secret understanding


Após o abandono precoce dos Buzzcocks, Howard Devoto fez-se rodear de alguns dos melhores músicos revelados pela geração punk neste novo projecto, simplesmente denominado MAGAZINE.
Escrita a meias com Pete Shelley, ainda nos tempos dos Buzzcocks, "Shot By Both Sides" é na essência uma canção punk. O traço distintivo advém da mestria dos seus executantes, sobretudo o guitarrista John McGeoch que confere uma generosa dose de tensão ao tema, complemento perfeito à vocalização nervosa de Devoto.
Outro aspecto em que os Magazine levam vantagem em relação aos seus pares, bem patente neste primeiro e mais emblemático single, é a escrita acutilante de Devoto, misto de crítica social e fragmentos poéticos, como alguém disse.

Vídeo de "Shot By Both Sides"