"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 24 de abril de 2008

AO VIVO #15














Maldoror por Mão Morta @ Culturgest, 23/04/2008

Estou sujo;
Roído dos piolhos.
Os porcos, quando olham para mim, vomitam.

Não provoca o vómito esta adaptação da obra de Isidore Ducasse pela Mão Morta (MM). Tão-pouco causa repulsa. Quando muito, nos momentos mais cómicos, de patéticos que são, aqueles textos de uma vulgaridade alarmante, saídos da boca de Adolfo Luxúria Canibal (ALC), provocam um sorriso escarninho. Estranho, quando atentamos que, na sua primeira incursão pelo teatro musicado - a partir da adaptação mais ou menos livre de textos de Heiner Müller - a banda bracarense teve um dos pontos altos de uma carreira que leva já mais de uma vintena de anos. Em Maldoror agudizam-se alguns dos sintomas da vida mais recente da MM, i. e., o extremar, quase até à caricatura, dos estereótipos que compõem a persona ALC.
Em termos estritamente musicais, a coisa até nem é mal conseguida. Se bem que o registo a puxar ao industrial, devedor de uns Swans dos primórdios, seja um aglomerado de estilhaços do passado da banda. Os apontamentos electrónicos, que pouco ou nada evoluíram desde Müller..., deixam a nu as limitações da banda neste domínio. O não ser uma banda a tempo inteiro tem os seus contras...
Em matéria de cenografia e projecções vídeo, nada a apontar.
Resumindo a coisa, sem recorrer a nenhum dos adjectivos rebuscados que ALC gosta de empregar, definiria Maldoror numa curta palavra: mau... muito mesmo! No melhor, poderá agradar à turba que circula diariamente pelo Chiado, normalmente com uma indumentária bem mais elaborada que os figurinos criados por Cláudia Ribeiro.
Se este é o caminho a seguir, agora que parece de abalada do formato rock, faria bem à MM reconsiderar essa decisão.