"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 31 de março de 2013

A visibilidade de Mimi















Foto: Zoran Orlic

É impressionante verificar que, assentes numa linguagem tão rigorosa quanto a do slowcore, que muitos previram efémera, os Low já levam vinte anos de carreira. Neste trajecto, contudo, não se livram dos reparos de alguns detractores, que apontam o catálogo da banda de Duluth, Minnesota, como pouco variável, trazendo muitas vezes à colação os exemplos da brevidade dos percursores Galaxie 500 ou Codeine, ambas as bandas finadas antes de caírem no espartilho da repetição. No entanto, só um surdo não notará nestas duas décadas de Low uma evolução constante, sem corromper a fidelidade aos princípios básicos. Assim, após a austeridade da lentidão quase mórbida dos primórdios, abriram frestas que tornaram a sua música mais arejada. Já mais recentemente, a distorção passou a ser ferramenta assídua, e o volume subiu a níveis em desacordo com o nome da banda. Neste percurso, foi precioso o trabalho de diferentes produtores de renome no meio (Mark Kramer, Steve Fisk, Steve Albini, Dave Fridmann), cada um a tirar diferente partido do modus operandi quase imutável da banda.

Para o novo The Invisible Way, o décimo álbum da carreira, os Low requisitam pela primeira vez o trabalho de produção de Jeff Tweedy, que com eles partilha um certa maneira muito norte-americana de abordar a tristeza que não esquece o romantismo. As gravações do dito tiveram lugar em Chicago, no The Loft, estúdio propriedade dos próprios Wilco. Perante a abundante oferta de meios técnicos, a banda responde com um disco exemplarmente gravado, embora seja o mais despojado de adereços de todo o seu catálogo, resumindo cada um dos onze temas a uma estrutura simples, mais melódica que o habitual. Dos assomos fuzzy trazidos do convívio com Fridmann, temos apenas uma pequena amostra na segunda parte de "On My On", por sinal o tema mais longo de um disco contido na duração dos mesmos. Abunda o piano, e a electricidade das guitarras escasseia, aprofundando-se o mergulho nas raízes americana. Embora a melancolia paire em cada nota, em cada palavra, e apesar de se abordarem temas tão pessoais como o calvário das drogas ou a depressão, há em The Invisible Way algo de pacificador, como se os Low nos quisessem exprimir a esperança de melhores dias. Mimi Parker, que habitualmente assume o protagonismo vocal num par de temas de cada disco, é a dona do microfone num total de cinco temas, qualquer deles incluídos no melhor lote do álbum. Inclusive nos temas cantados pelo marido Alan Sparhawk, a voz dela é praticamente omnipresente, qual anjo da guarda que atenua com a sua graciosidade as palavras de maior negativismo.


"Just Make It Stop" [Sub Pop, 2013]

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Good cover versions #70












CARLA BOZULICH _ "Pissing" [Constellation, 2006]
[Original: Low (2005)] 

Pissing by Carla Bozulich on Grooveshark

Se bem se lembram, nos primórdios, os Low eram uma espécie de paradigma daquilo a que se convencionou chamar slowcore, com uma música de uma lentidão austera, ao mesmo tempo capaz de exprimir os sentimentos mais recônditos. Subtilmente, foram evoluindo nessa matriz, culminando em The Great Destroyer, o álbum que ficou conhecido como o seu "disco rock". Não obstante uma maior carga enérgica, nesse disco ainda podemos encontrar temas daquela progressão em lume brando que lhes deu fama. É o caso de "Pissing", que se inicia naquela lentidão hipnótica, com Alan Sparhawk e Mimi Parker em dueto numa letra desoladora, para rebentar num mar de distorção em alto volume.

Para o álbum Evangelista, que acabaria por dar nome à banda que hoje encabeça, Carla Bozulich contou com a participação de um naipe de músicos ligados à pandilha Godspeed You! Black Emperor e derivados. Se a isso somarmos o passado dela com os Geraldine Fibbers, uma das bandas mais viscerais saídas da explosão "alternativa" da América de noventas, concluímos estar na presença de uma alma atormentada, habituada à violência emocional e à terra queimada. Por tudo isso, naquele disco, acaba por encaixar na perfeição uma apropriação de "Pissing", com o devido tratamento avant-folk e a voz grave e dramática de Bozulich. O resultado final é bastante fiel ao original, talvez mais por respeito do que por falta de ideias. À parte a voz, as grandes diferenças residem nos ruídos ocasionais do intro, e na explosão da parte final, aqui transformada numa cacofonia apoteótica.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Em escuta #58











LOW _ C'mon [Sub Pop, 2011]

Nas quase duas décadas de trajecto, os Low vão operando pequenas revoluções na sua música, quase imperceptíveis mas que, acumuladas, distanciam sobremaneira este nono álbum da sonoridade minimalista e arrastada dos primórdios. E, diga-se, talvez à excepção do semi-falhanço do anterior Drums And Guns, sem grandes sobressaltos que impliquem a alienação dos fieis. O novo C'mon vem, porém, repor a boa forma, desde logo evidente nas vozes de Alan Sparhawk e Mimi Parker, pujante a dele, imaculada a dela. Embora se siga a um período de alguma instabilidade emocional do primeiro (e o negrume está bem patente num par de temas que recuam às memórias da infância), o disco é banhado por uma luminosidade quase inédita na obra do trio. Gravado numa igreja, beneficia de um arejamento que reforça o carácter esperançoso e pacífico da maioria das faixas. Como convidado de honra, Nels Cline participa num par de temas, nos quais deixa bem marcado o seu dom único de manejar a steel guitar, na mistura final trazida para o primeiro plano. [8,5]


CRAFT SPELLS _ Idle Labor [Captured Tracks, 2011]

Justin Vallesteros, o responsável pelo projecto Craft Spells, é mais um dos muitos jovens californianos que, a partir do retiro dos seus quartos, vão exprimindo as suas visões musicais a partir das colecções de discos dos pais. No caso em apreço, as afinidades com Wild Nothing vão muito para além da editora comum a ambos. Mas, se aquele envereda mais por via sonhadora e reservada, Idle Labor é percorrido por alguma efusividade juvenil que não consegue esconder uma ligeira melancolia derivada de uma ou outra trica amorosa própria da idade, bem expressa no timbre vocal que a espaços lembra o de Ian Curtis. Isto, porém, é questão de pormenor, pois as guitarras, delicadas mas profusamente melódicas, combinadas com sintetizadores rudimentares, tendem a convidar a uma festa que tresanda a eighties. Nessa era, dada a sua aura de sincera naivité, Idle Labor traria concerteza selo da editora Cherry Red. [7,5]


MOON DUO _ Mazes [Sacred Bones, 2011]

Dupla liderada por Erik "Ripley" Johnson, Moon Duo é uma aventura nos terrenos da psicadelia bem menos linear do que aquela que ele tem desenvolvido ao leme dos Wooden Shjips. Desde logo, é evidente um outro aprumo rítmico que as guitarras, normalmente com riffs densos e repetitivos, não consegue disfarçar. No tema-título, porém, a guitarra é esquálida e estridente, deixando no ar uma secura desértica. A voz não é afogada pelo torrente sónica, surge antes à superfície num tom semi-declamado que deve inspiração a Alan Vega. Nos teclados e na caixa de ritmos (a bateria está ausente), Sanae Yamada é a principal responsável pela pulsão groove. Em perfeita sinfonia com os delírios do mestre, solta pinceladas kraut que conduzem Mazes para uma desfocagem própria do transe narcótico. Sucessor de uma linhagem que vai de Roky Erickson aos Spacemen 3, passando pelas obrigatórias referências germânicas (foi gravado em Berlim), este arrisca-se a ser o disco que este ano melhor satisfará as necessidades dos cultores da deriva mental musicalmente induzida. [8]


ELEVENTH DREAM DAY _ Riot Now! [Thrill Jockey, 2011]

Com perto de trinta anos de actividades, os 11thDD nunca gozaram do reconhecimento de muitos contemporâneos, tais como eles pioneiros na fundação de uma linguagem indie-rock tipicamente norte-americana. Embora rendidos à imerecida sina, estes conspiradores do apinhado covil de Chicago, não esmorecem, e vêem agora romper um silêncio de cinco anos que estabelece que os experimentalismos dos últimos registos ficam reservados para os projectos paralelos. Como tal, no essencial, Riot Now! resgata a crueza rock dos primórdios. Um dotado a operar com as seis cordas, Rick Rizzo descarrega uma enormidade de riffs incisos, ora distorcidos, ora em solos desalinhados do convencional. Na melhor tradição ianque do género, a voz deste é carregada de agrura, num tom pouco amistoso. A excepção é um par de temas que, apesar das subtis injecções de ruído, alinha por uma via mais reflexiva. Em ambos, a combinação com o tom mais delicado da baterista Janet Bean propicia um interessante jogo inesperadamente pop. Confirmando as teses do revisionismo em ciclos de duas décadas, Riot Now! orienta a máquina do tempo para inícios de noventas. E deixem que lhes digam que sabe sempre bem o regresso a "casa"... [7,5]


J MASCIS _ Several Shades Of Why [Sub Pop, 2011]

Tratando-se de um embaixador da guitarra eléctrica enquanto máquina produtora de ruído, pode causar alguma surpresa que a estreia definitiva a solo em álbuns de estúdio de J Mascis seja essencialmente acústica. Pode pois, mas só a quem ignorou o "ensaio" ao vivo do já distante Martin + Me. Por assim dizer, Several Shades Of Why acaba por ser a confirmação daquilo de que já todos tínhamos conhecimento: um profundo reconhecimento pela obra mais intimista e alinhada na dor-de-corno do mestre Neil Young. A voz, próxima e calorosa, exprime sentimento onde antes apenas conhecíamos alienação. Ao primeiro contacto, as dez canções poderão acusar alguma vulgaridade e demasiadas semelhanças entre si, talvez da aparente simplicidade provinda do despojamento instrumental. Só depois, com a insistência, sobressaem as estruturas intrincadas que denunciam o confessional autor como um compositor amadurecido, algo que as torrentes eléctricas dos Dinosaur Jr. apenas revelam aos mais atentos. Entre elas, destaca-se "Not Enough", na qual o "grasnar" de Mascis cria um jogo de contrastes com o falsetto de Ben Bridwell (Band of Horses). A lista de convidados inclui ainda Kevin Drew (Broken Social Scene), Suzanne Thorpe (antiga flautista dos Mercury Rev), Sophie Trudeau (GY!BE e projectos subsequentes), Matt Valentine (MV/EE), e Kurt Vile. [7]

domingo, 23 de janeiro de 2011

10 anos é muito tempo #25








LOW
Things We Lost In The Fire
[Kranky, 2001]




Com os Low tudo se desenrola lentamente, quer a progressão de cada tema, quer as evoluções na sonoridade monolítica que fez deles nome de referência no chamado slowcore. De tal forma que, foram precisos seis álbuns e muitos EPs para que, sem recorrer a uma escalpelização exaustiva de cada disco, se notem progressos significativos na sua música. Talvez por isso, aos iniciados recomendo o início da abordagem ao universo dos Low com Things We Lost In The Fire, o tal sexto álbum que faz a ponte entre a melancolia em câmara lenta dos primórdios e as aproximações a um formato canção mais convencional dos lançamentos mais recentes.
A primeira grande alteração relativamente ao passado é desde logo notada nas secções de cordas, nos pianos, e nos sopros, que, subtilmente, enriquecem a matriz de voz, guitarras, e bateria esparsa. Igualmente notória é a presença assídua das harmonias vocais, truque com o qual o casal composto por Alan Sparhawk e Mimi Parker injecta beleza etérea onde antes havia frio glaciar. A título de exemplo, oiçam-se "July", "Kind Of Girl", ou "Closer", todos eles espécimes do bom uso do contraste das duas vozes, grave e pesarosa a dele, delicada e pacificadora a dela. Apesar das cedências à luminosidade, ... Lost In The Fire tem ainda os seus momentos sombrios, como são os casos de "Laser Beam" e "Whore", ambos maioritariamente vocalizados por Parker. O primeiro resulta numa espécie de canção-de-embalar sinistra, com a voz suspensa sobre a guitarra em serviços mínimos, enquanto que no último, a tensão dos momentos mais elevados serve para sugerir um ritmo de marcha fúnebre. A introdução dos sons mais explosivos, e mais próximos de um formato rock, chegam por intermédio de "Dinosaur Act", tema de um refrão marcante com voz a plenos pulmões e guitarra ruidosa. Porventura, seria esta a canção mais imediata do extenso reportório dos Low, não fosse o derradeiro "In Metal", tema ritmado e inspirado pelo recente nascimento da primeira filha do casal que encabeça a banda. Tal acontecimento parece também ser abordado no inaugural "Sunflower", se bem que neste, um tétrico "When they found your body", a abrir, lance alguma ambiguidade.
Tal como o anterior Secret Name (1999), gravado nos seus estúdios de Chicago por Steve Albini, ... Lost In The Fire tem o condão de deixar respirar os instrumentos, sem recurso a quaisquer artifícios, consumando uma vez a pureza musical que é marca registada de tão experimentado "produtor".


"Sunflower"


"Dinosaur Act"


"In Metal"

domingo, 24 de outubro de 2010

Good cover versions #44












LOW _ "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me" [Chairkickers', 2001]
[Original: The Smiths (1987)]



Os norte-americanos Low são um daqueles raros casos de bandas sem pudores de assumir as suas influências. Deles são conhecidas as participações em tributos tanto aos Joy Division como dos Spacemen 3, percursores dos ambientes pesados que os Low transmitem na sua música. Menos óbvia, a não ser pela melancolia subjacente, parece ser a influência dos britânicos The Smiths. Para traduzir essa ligação aparentemente ténue, os Low apostaram acertadamente na revisão "Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me", um tema de progressão lenta que assenta bem no dramatismo em superslow-motion característico do trio do Minnesota. Amada por uma grande maioria dos adeptos dos Smiths, curiosamente, "Last Night..." está no lote de temas do mítico quarteto de Manchester que menos aprecio. Pese embora o habitual excelente trabalho do guitarrista Johnny Marr, o original é sintomático de um miserabilismo demasiado óbvio que, a meu ver, não está entre as virtudes da escrita de Morrissey, alguém que admiro sobretudo na sua mordacidade irónico-ambígua. Posto isto, afirmo sem qualquer tipo de pruridos, tal como o vocalista Alan Sparhawk quando disse que depois disto já nada era sagrado, preferir a versão dos Low, carregada de eco e de instrumentação esparsa, mas surpreendetemente mais arejada que o original. A toada é igualmente lenta, a voz de um tom quase cerimonial, mas a "abertura" no refrão, com a entrada em cena da secção de cordas, confere a esta versão uma luminosidade ausente do original.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Evangelho manda punir



Com a esposa Mimi Parker entregue à guarda dos rebentos, nos períodos sabáticos dos Low, Alan Sparhawk aproveita para se divertir. Ainda há um mês, estes que a terra há-de comer o avistaram a horas, em locais, e em companhias pouco de acordo com a conduta de um elemento da comunidade mórmon. No que concerne a tarefas relativamente menos ociosas, Sparhawk dedica algum do seu tempo livre à criação musical nos Retribution Gospel Choir, projecto que partilha com o baixista Steve Garrington (também dos Low) e o baterista Eric Pollard. No debute homónimo de há dois anos, o trio propunha uma sonoridade rugosa com o volume no vermelho, por vezes a tanger as paisagens áridas do stoner rock, antagónica do recato slowcore que caracteriza os Low, dos quais preservavam a intensidade dramática. Pela amostra já disponível, o segundo tomo - singelamente intitulado 2 - agendado para finais deste mês via Sub Pop Records,  promete seguir o trilho do antecessor:


"Hide It Away"
[Sub Pop, 2010]

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O Pai Natal está a chegar


Com votos de um Feliz Natal a todos os sócios e simpatizantes, o
April Skies propõe-vos o mais recente single de um colectivo de mórmons reincidente em temas alusivos à quadra. No vídeo, algo perturbador mas de visionamento obrigatório, os protagonistas são aqueles que, no fundo, dão algum sentido ao Natal.


Low "Santa's Coming Over"
[Sub Pop, 2008]

segunda-feira, 4 de junho de 2007

AO VIVO # 1

LOW
Santiago Alquimista, 02/06/2007

Ao fim de catorze anos, e na condição de sobreviventes do movimento slowcore dos anos 1990, os Low aterraram finalmente em Portugal. E em boa hora o fizeram, digo-lhes.
Recorrendo apenas a uma guitarra e a um baixo vintage, e a uma bateria diminuta, os Low conseguiram no passado sábado criar uma envolvência ao alcance de poucos, num espectáculo que se prolongou por quase duas horas (com dois regressos ao palco incluídos).
Com poucas visitas ao passado mais distante ("Over The Ocean" foi das excepções, já perto do final e depois de muito pedido), e com uma excelente escolha para arranque materializada no atestado de devoção à música que é "Death Of A Salesman", a banda do Minesotta haveria de percorrer a maioria dos temas do recente Drums And Guns, do qual, depois do ligeiro cepticismo inicial, vou gostando cada vez mais. Os apontamentos electrónicos presentes no disco são completamente suprimidos na transposição das canções para o palco. Em compensação, as canções ganham uma outra grandeza, mercê do trabalho da guitarra (e dos pedais) de Alan Sparhawk. O excelentes "Murderer" e "Take Your Time" terão sido talvez o melhores exemplos desta transformação benéfica.
Como seria de esperar, o aclamado The Great Destroyer teve também forte representação no set dos Low, com alguns dos momentos de maior júbilo na assistência em "When I Go Deaf" e "Pissing" (talvez a melhor canção de sempre dos Low, digo eu). Não houve "Monkey", mas não tem importância...
Os dois discos precedentes tiveram direito a dois temas cada um, com "Canada" (de Trust) a proporcionar outro dos grandes momentos da noite.
Numa noite perfeita, de grandes canções, Alan Sparhawk conseguiu ainda assim ser a estrela. É que o homem, além do vozeirão e da mestria nas seis cordas, é ainda um excelente comunicador: com simpatia, humildade e bom-humor.

sábado, 2 de junho de 2007

LAY ME LOW

Mais logo, no Santiago Alquimista.

domingo, 22 de abril de 2007

EM ESCUTA #12

LOW
Drums And Guns (Sub Pop, 2007)

Como prometido por Alan Sparhawk há uns meses atrás, o oitavo disco dos Low é composto por treze canções sobre homicídios. Com uma temática destas, e tendo em conta as mudanças estéticas ameaçadas pela banda em Trust e consumadas no fabuloso The Great Destroyer, em que o "som Low" se abriu à força das guitarras barulhentas, era de esperar o disco mais abrasivo de toda a sua carreira.
Perante estas expectativas, a desilusão que Drums And Guns constitui é grande. Os Low não só não aprofundaram as experiências mais recentes, como não retrocederam à tensão arrastada do passado mais distante, preferindo dar um passo ao lado num disco envolto num torpor que muitas vezes roça o aborrecimento. Suspeitas de que Zak Sally, o baixista de longa data que abandonou o barco após The Great..., teria um papel mais preponderante do que se suporia são assim perfeitamente fundamentadas.
Feito de órgãos, pianos, percussão minimalista e omnipresentes contaminações de electrónica abstracta, Drums And Guns consegue ser, apesar do teor negro das letras, o disco mais luminoso dos Low, facto a que não será alheio o polimento inesperado na voz de Sparhawk e a curta duração da maioria das faixas, insuficiente para ganharem a densidade habitual.
Na segunda metade do disco, as guitarras ainda dão um ar da sua graça em três dos melhores temas: "Hatchet", com a excelente tirada "let's bury the hatchet like The Beatles and The Stones", "Your Poison", que se prolonga por pouco mais de um minuto, e "In Silence", feita em crescendo com fim abrupto. Mas a parte de leão acaba mesmo por pertencer a "Take Your Time", com intro de sinos e piano, com mudanças de velocidade e um vocal de um arrebatamento bigger than life.
Não tivessem os Low um catálogo suficientemente meritório para construir bons espectáculos aos vivo, e as minhas expectativas para 2 de Junho ficariam mais reduzidas.

segunda-feira, 12 de março de 2007

LOW NO ALQUIMISTA

Está anunciado no sítio oficial da banda do Minnesota: os Low irão dar um concerto no Santiago Alquimista (Lisboa) a 2 de Junho, um dia após a sua passagem pela edição deste ano do Primavera Sound de Barcelona.
Antes disso, a 20 de Março, irá ser lançado Drums And Guns, o seu oitavo álbum. O disco, inicialmente anunciado como The Violet Path, segundo declarações do líder Alan Sparhawk, tem como pano de fundo histórias de crime de sangue. A produção, à semelhança do que acontecera com o anterior The Great Destroyer, ficou a cargo do "Midas" David Fridmann.