"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Em escuta #59











GANG GANG DANCE _ Eye Contact [4AD, 2011]

Em relação aos GGD, tenho de admitir que nunca me senti particularmente seduzido pelas colagens surrealistas dos primórdios. E que também não foi a mudança estética do anterior e mui celebrado Saint Dymphna que me fez render ao colectivo nova-iorquino. Já o novo álbum (o quinto) é outra loiça... Caracterizado pela solidez e intersecção entre temas, Eye Contact é o estado actual da pop, num mundo acelerado e miscigenado culturalmente, materializado num disco. Para o melting pot concorrem melodias arabizantes, propulsões rítmicas dançantes, funk electrificado e abastardado, pedaços de velhas canções napolitanas, batidas tribalistas, revisões das "danças" de noventas, e o que mais vier à cabeça dos GGD. Sobre a unidade dos diferentes elementos, pairam os sintetizadores em estado líquido, em perfeita fusão com o exotismo da voz de Lizzi Bougatsos, uma espécie de Liz Fraser rendida ao esplendor multicolor dos ritmos. [8,5] 


IMPLODES _ Black Earth [Kranky, 2011]

Banda pouco dada à luz intensa, estes debutantes de Chicago vivem num mundo gelado e obscurecido. Amigos do ruído e das atmosferas densas, resgatam heranças noise e da psicadelia. Escondidas sob as camadas de reverberação, as guitarras e a voz debatem-se para se erguer nas trevas. Nos melhores momentos, que compõem quase metade do disco, os Implodes conseguem os seus intentos, ao criar um ambiente de um frio glaciar que seduz por via de um hipnotismo soturno. No resto, que são os temas que ali parecem estar para encher, falta-lhes engenho para criar algo mais que descargas de distorção arrastadas. Talvez, um futuro próximo, traga maior clarividência de ideias. [6]


GIRLS NAMES _ Dead To Me [Tough Love / Slumberland, 2011]

Poderiam vir da costa oeste dos states, mas não, estes Girls Names são uma daquelas bandas que muito esporadicamente são geradas na conturbada Irlanda do Norte. E digo que poderiam porque têm todas as marcas identitárias do noise-pop - derivado dos seminais Black Tambourine - que por estes dias germina livremente por aquelas paragens. Há falta de traços distintivos, porém, exibem um invulgar sentido melódico que se manifesta em canções escorreitas, divididas entre um sol tímido e uma cave obscurecida, ou a meio caminho entre a exultação surfy e a seriedade introspectiva. A isto adiciona-se um alarmante travo vintage, e está lançada a hipótese de como soariam os Crystal Stilts se convivessem mais horas com a luz do dia. [7,5]


LET'S WRESTLE _ Nursing Home [Merge, 2011]

Sem grande alarido, os Let's Wrestle lá são firmando como um dos valores seguros da "nova" música britânica, ao ponto de já terem assegurado transferência para uma das maiores independentes do outro lado do Atlântico. Esta proeza é tão mais notável se tivermos em conta que são uma banda que não encaixa em qualquer das tendências que presentemente movem as massas. O seu maior trunfo talvez seja o conhecimento que têm, como poucos, dos truques com que cose uma boa canção rock, facção punky galhofeira, matéria que amiúde afloram nas letras. Por conseguinte, Nursing Home é, sem grande novidade, mais um disco pejado de temas de guitarras picadinhas e voz de puto reguila, que não aspiram a mais do que alimentar o espírito lúdico de banda e público,  Desta feita, como bónus, oferecem um trio de temas em ritmo mais refreado, os quais, mais não são do que tiradas de um apurado sentido de humor, progressivamente de uma subtileza mais refinada. Aos comandos esteve Steve Albini que, pasme-se!, conseguiu fazer deste o registo mais alinhado com a "alta fidelidade" dos londrinos. À memória vem idêntico trabalho desenvolvido com os Wedding Present em Seamonters (1991), embora, claro, no caso dos Let's Wrestle sem o rigor sombrio daqueles. [7,5]


THURSTON MOORE _ Demolished Thoughts [Ecstatic Peace / Matador, 2011]

Não deixa de ser curioso constatar que, tal como o velho compincha J Mascis, outro embaixador da guitarra enquanto máquina fazedora de ruído, também o cabecilha dos Sonic Youth enverede pela via acústica na mais recente aventura em solitário. Mas, se aquele apostava sobretudo na nudez da canção, sublinhada pela quase solidão da guitarra, Thurston Moore investe mais na elaboração de um ambiente (soturno), deixando muitas vezes que longos devaneios instrumentais preencham a ausência das palavras. A acompanhar a guitarra, há um enchimento por via dos sintetizadores, da harpa, ou do violino, com este último a realçar o pendor melancólico que percorre o disco. Produzido por Beck, Demolished Thoughts acusa a imponência da sonoridade luxuriante dos trabalhos mais introspectivos do wunderkind. Por acaso, ou talvez não, remete para Sea Change (2002), o exercício de expiação da dor-de-corno perpetrado pelo rapaz encarregue da produção. Desconhecem-se é quaisquer desavenças no lar do casal Gordon-Moore... [7]

terça-feira, 7 de julho de 2009

The Wrestlers
















Num tempo em que as novas bandas optam, quase invariavelmente, por ser pomposas, esquizóides, ou dançáveis-descartáveis, é de louvar a atitude de um grupo de miúdos mal entrados na casa dos vintes que ousa explorar o lado provocador de Mark E. Smith, a veia arty dos Wire, e o elemento pop-punk dos Buzzcocks. Fala-vos dos Let's Wrestle (o nome provém de um tema dos subversivos Joan of Arc, para quem não sabe), uma banda desde há muito acarinhada aqui no April Skies que, com In The Court Of Wrestling Lets, desde a semana passada disponível nas lojas com selo da Stolen Recordings, chega finalmente aos discos em formato longo. Nos dezasseis temas curtos e directos, não faltam as tiradas jocosas que têm como destinatários muitos figurões do showbiz e não só. Johnny Borrell, vocalista dos Razorlight, e a Princesa Diana são apenas dois dos visados. Segue uma amostra:


"We Are The Men You'll Grow To Love Soon"

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Name checking songs

Induzido pela pequena preciosidade que se apresenta mais abaixo, ocorreu-me listar uma série de canções que citam artistas e/ou bandas pop/rock no título. Num breve exercício de memória, surgiram-me as vinte e três que se apresentam. Muitas por paródia, a maioria por reverência, serão certamente milhares. Conto, pois, com a colaboração dos estimados visitantes deste blogue para os devidos aditamentos. Estejam à vontade: a caixa de comentários é vossa.

  • ABC “When Smokey Sings” [1987]
  • Art Brut “These Animal Menswear” [2005]
  • Belle and Sebastian “Like Dylan In The Movies” [1996]
  • Billy Bragg “Levi Stubbs’ Tears” [1986]
  • Camera Obscura “Lloyd, I’m Ready To Be Heartbroken” [2006]
  • The Dandy Warhols “Cool As Kim Deal” [1997]
  • Hamell on Trial “John Lennon” [2001]
  • Help She Can’t Swim “What Would Morrissey Said?” [2004]
  • Islands “Don’t Call Me Whitney, Bobby” [2007]
  • The House of Love “Beatles And The Stones” [1990]
  • The Jesus and Mary Chain “Mo Tucker” [1998]
  • The Jesus and Mary Chain “Bo Diddley Is Jesus” [1987]
  • Let’s Wrestle “Song For Abba Tribute Record” [2007]
  • Let’s Wrestle “I Want To Be In Hüsker Dü” [2007]
  • Mogwai “Punk Rock / Puff Daddy / Antichrist” [1999]
  • Mogwai “I’m Jim Morrison, I’m Dead” [2008]
  • The Posies “Grant Hart” [1996]
  • The Replacements “Alex Chilton” [1987]
  • Scritti Politti “Wood Beez (Pray Like Aretha Franklin)” [1984]
  • Sleater-Kinney “I Wanna Be Your Joey Ramone” [1996]
  • Sonic Youth “Tunic (Song For Karen)” [1990]
  • Times New Viking “Times New Viking vs. Yo La Tengo” [2008]
  • The Wombats "Let's Dance To Joy Division" [2007]

Let's Wrestle "I Want To Be In Hüsker Dü" [Stolen]

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

É PÁ PORRADA!

Directamente do fervilhante underground londrino, apresento-vos os LET'S WRESTLE. Na música deste trio, que não desagradará aos acólitos dos Art Brut, é possível vislumbrar referências à facção DIY do post-punk (Subway Sect, Swell Maps), aos esquecidos Felt, ou aos ritmos absurdos dos Pavement.
Chegaram ao meu conhecimento através do irresistível "I Wish I Was In Hüsker Dü", tema que, em breve, integrará a compilação Counter Culture 2007 das lojas Rough Trade. Também para breve, está agendada a edição do EP In Loving Memory Of.... A coisa tem selo da Stolen Recordings, uma pequena editora que convém ter debaixo de olho.

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