"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
Mostrar mensagens com a etiqueta Kurt Vile. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Kurt Vile. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dias de atordoamento

















Desde os primeiros contactos com a música de Kurt Vile que prevíamos que, mais cedo ou mais tarde, a aclamação do jovem músico de Filadélfia extravasasse o  restrito circuito do cultores do chamado psych-folk. Nesses dias de underground, o talento era uma constatação óbvia, embora a opção pela "baixa-fidelidade" fosse impedimento à ascensão a outros patamares de visibilidade. Com o tempo, as edições discográficas foram sendo mais espaçadas, mais de acordo com os timings estandardizados no universo pop/rock, devidamente acompanhadas pelo aprumo técnico. Nos dois últimos discos, justamente acompanhados pelo crescimento da visibilidade pública, essas mudanças são bem patentes. Pelo meio, e talvez pressentindo o novo rumo da carreira individual e as necessidades de responder às solicitações, o próprio abandonou a "part-time" nos The War on Drugs.

Pese embora as mudanças técnicas, o que ainda não se alterou na música de Kurt Vile é aquela sensação que transparece de constante atordoamento. Como se, em cada tema, o músico tivesse acabado de acordar mas se preparasse já para nova entrega ao sono. Como tal, não sabemos se num exercício de auto-ironia, não poderia surgir com um título mais apropriado do que o do novíssimo Wakin On A Pretty Daze. Deste disco, que em certa medida é uma evolução na continuidade, poderemos dizer que é o mais expansivo da sua já considerável discografia, e que o adjectivo não se aplica apenas à generosa duração do mesmo - próxima dos 70 minutos. Com efeito, os temas alongam-se com um propósito, o de nos enredar nas ladainhas da guitarra, repetitivas com o intuito de provocar no ouvinte um estado lisérgico semelhante ao do autor. Apesar do clima deixar transparecer que Kurt Vile vive num reduto só dele, alheado do mundo exterior, é quase impossível não se sentir tocado por estas onze canções ligeiramente confessionais, mas sobretudo percorridas por uma agradável preguiça.

"Wakin On A Pretty Day" [Matador, 2013]

terça-feira, 17 de maio de 2011

A aura de um santo
















Oriundo da metrópole de Filadélfia, Kurt Vile é um dos muitos jovens músicos norte-americanos que sofrem de incontinência criativa. Ao caudal de discos em nome próprio, por vezes também creditada a The Violators, junta ainda o trabalho como integrante dos excelsos The War on Drugs (aviso aos potenciais interessados: novo álbum lá para o pico do Verão), banda que entretanto abandonou para se concentrar no trabalho a solo. Mas, se muitos dos seus pares não conseguem contem a irreverência própria da idade, Vile não tem qualquer pejo em resgatar as tradições da música nativa, quer da técnica do fingerpicking na guitarra, quer dos grandes cantautores ianques, o que o situa num ponto imaginário em que se intersectam as obras de John Fahey, Springsteen e Lou Reed.

Se o anterior Childish Prodigy (2009), responsável por um surto de visibilidade talvez por ser o primeiro com selo da credenciada Matador Records, ainda ostentava um certo modo caseiro de confecção, o novo longa-duração Smoke Ring For My Halo é o disco da maturação definitiva, com toda a carga positiva que este termo pode comportar. É um álbum virado para o interior, um exercício de catarse em linha com o Beck de Sea Change. Porém, se o bardo californiano se centrava unicamente no sentimento de perda, Vile prefere uma reflexão mais abrangente, dissertando sobre as várias encruzilhadas da vida que não apenas o amor. No campo instrumental, também não envereda por uma lógica de serviços mínimos. Bem pelo contrário, juntamente com a banda que o acompanha, constrói estruturas sólidas e complexas, que realçam uma técnica ímpar mas rejeitam qualquer rasgo de virtuosismo bacoco. 

Ou muito me engano, ou já falta pouco para que o nome de Kurt Vile deixe de ser quase exclusivo do universo de geeks incorrigíveis, e salte para a boca do "mundo dos crescidos". Vai uma aposta?

"Jesus Fever" [Matador, 2011]

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

September songs















Kurt Vile - não, não é gralha ortográfica - é guitarrista nos The War on Drugs, uma banda que no ano passado me surpreendeu com um disco que combinava, de forma improvável mas eficaz, a pompa de Springsteen, a militância panfletária de Dylan, e a deriva sónica de uns My Bloody Valentine. Paralelamente e na semi-obscuridade, Vile tem uma obra a solo da qual Childish Prodigy é já o quarto álbum. Lançado em Setembro último, este é o primeiro trabalho editado com selo da Matador Records, editora que dá algumas garantias de maior visibilidade. No novo registo, o músico continua a revelar alguma empatia com a grandiloquência do Boss, mas também com o tom semi-declamado de um Lou Reed contador de histórias. Já em temas como "Blackberry Song" verificam-se incursões pelo fingerpicking de John Fahey, tal como hoje é professado por Ben Chasny et al.. Do todo, sobressai um compositor personalizado que rejeita os espartilhos da rotulagem freak folk. Dentro de menos de um mês, estarei na capital espanhola para conferir aquilo que ele e a sua banda - The Violators - valem ao vivo. Admito que as expectaivas são algo elevadas...

http://www.myspace.com/kurtvileofphilly