"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Singles Bar #97










HAPPY MONDAYS
Lazyitis
[Factory, 1989] 



Lazyitis (The One Armed Boxer remix) by Happy Mondays on Grooveshark

Longe de imaginar que se iriam tornar nos porta-estandarte da união de facto da pop com a dance music, no "movimento" que ficou conhecido como Madchester, os ainda obscuros Happy Mondays dos dois primeiros álbuns anunciavam já um corte com o passado da lendária Factory Records. Apesar de ainda não denotarem um espírito hedonista tão vincado como sucederia a posteriori, esse par de discos, e em particular o segundo, possibilitaram um novo fôlego a uma editora com pouco mais para se vangloriar do que as glórias passadas. Com efeito, Bummed (1988) é um daqueles discos que, apesar da recepção inicial refreada, tem merecido uma reavaliação constante em termos de relevância histórica. Contando com Martin Hannett na cadeira de produtor, tem deste um trabalho exemplar, ao nível daquele que prestou para os Joy Division, embora completamente diverso. Assim, se no caso da banda de Ian Curtis Hannett sublimou uma frieza monolítica, com os Happy Mondays proporcionou um caleidoscópio de cores e pontas soltas que nos emerge num estado alucinatório a cada audição.

Não sendo propriamente o disco afecto à dança desenfreada que o frenesim acid house da época proporcionava, Bummed serviu, no entanto, de matéria prima para progressivas contaminações da tendência vigente. Como tal, uns Happy Mondays cada vez mais rendidos às linguagens dançantes sujeitaram vários dos seus temas a remisturas, e com efectivo sucesso. De todas, a mais brilhante será a do tema "Lazyitis", este com descaradas pilhagens a canções de The Beatles, Sly & The Family Stone, e David Essex. Levada a cabo por Paul Oakenfold, quando este já trabalhava na co-produção do festivo e definitivo Pills 'n' Thrills And Bellyaches (1990), a intitulada "One-Armed Boxer Remix" é um autêntico hino ao ócio, bem como a afirmação definitiva do vocalista e letrista Shaun Ryder como o poeta de rua para os novos tempos. Mais do que sublinhar com subtileza o pendor dançante da versão original, a remistura editada em single é na verdade um tema praticamente novo, na medida em que conta com a voz convidada do esquecido Karl Denver, veterano que tinha sido uma lenda country Made in Britain nos idos de sessentas. Dando luta, o velhote, qual percursor de um Mark E. Smith, bate-se de igual para igual com Shaun Ryder numa lenga-lenga rica em calão e onomatopeias surreais. Numa medida inteligente, Oakenfold optou por não incrementar em demasia o teor enérgico da remistura, antes realçando a letra, e com isso fazer de "Lazyitis" não só tema indicado para fim de noite de glória hedonista, como indicativo para o espírito do início da década que se aproximava.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O jogo das diferenças #23


HAPPY MONDAYS
Pills 'n' Thrills And Bellyaches
[Factory, 1990]

CURSIVE
Happy Hollow
[Saddle Creek, 2006]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Good cover versions #62
















HAPPY MONDAYS _ "Step On" [Factory, 1990]
[Original: John Kongos, como "He's Gonna Step On You Again" (1971)]

Do grupo dos principais países de expressão inglesa, a África do Sul será aquele que tem menor visibilidade em termos de sucessos musicais à escala global, o que constitui um paradoxo com a riqueza musical do continente africano. A tal facto não será alheio o (demasiado) longo período que o país viveu sob o jugo do apartheid, que redundaria num quase total isolamento do resto do mundo. Contudo, aquele que deverá ser o maior hit da pop sul-africana data precisamente do apogeu desse regime tenebroso. Pertence a John Kongos, um músico (branco) que, em inícios de setentas arrecadou alguma notoriedade nas principais tabelas de vendas, sobretudo graças a "He's Gonna Step On You Again", um tema a meio caminho entre as guitarradas pré-glam típicas da época e a herança musical africana. Esta última característica está bem patente nos loops de fitas pré-gravadas com batidas tribais, um truque de gravação raro à época mas não totalmente inédito.

Há muito afastado dos holofotes, Kongos não esperaria, de todo, ser trazido à ordem do dia em pleno fervor Madchester, muito menos pela mão dos Happy Mondays, a banda paradigmática do hedonismo que assolou aquela cidade britânica na viragem dos oitentas para noventas. Como alunos mal comportados que foram, os Mondays não poderiam deixar de subverter o tema original, logo a começar pelo encurtamento do título. Shaun Ryder, o folião-mor, fez questão de "enriquecer" a letra com aquele calão tão peculiar que só ele próprio - e um ou outro compincha de "fumos" - entende. O resto fica a cargo da máquina rítmica da banda, tão eficaz que se apoderou de "Step On" e fez dela uma canção completamente nova. Inicialmente pensada para integrar uma compilação comemorativa do 40.º aniversário da editora Elektra, a versão foi trocada pela banda, que pressentiu o seu potencial, por uma do tema "Tokoloshe Man" (também original de Kongos). Neste raro momento de lucidez, os Mondays deram, eventualmente, o passo mais acertado na gestão da sua caótica carreira.