"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 2 de abril de 2013

Brinquedo do outro lado do mundo

















Apesar de a sua actividade enquanto banda se resumir a pouco mais de ano e meio, na viragem dos setentas para oitentas, os Toy Love representam um papel fulcral na fundação do indie-rock neozelandês em geral, e pelo chamado Dunedin Sound em particular. Sem eles, muito provavelmente a mítica editora Flying Nun nunca teria arrancado, e bandas como The Clean, The Chills, ou The Bats, entre tantas outras, a existirem, soariam muito certamente de outra forma. São bandas de expressão diminuta para muitos, mas extremamente representativas na produção musical indie da Nova Zelândia, matéria de estudo obrigatória para qualquer geek que também se interesse por idênticas facções musicais oriundas da Escócia ou do norte dos Estados Unidos. 

Naquele curto período de tempo, os Toy Love lograram chegar às multinacionais, tendo lançado um álbum - homónimo - cuja mistura final algo rugosa deixou a banda pouca satisfeita. Foi para lhes fazer justiça que, já em 2005, a Flying Nun lançou a compilação dupla intitulada Cuts, que contemplava a totalidade da obra gravada, inclusive a mistura original do álbum único que era mais do agrado da banda. Foi através desta que ficou acessível a um público mais alargado a proposta dos Toy Love, em raros momentos rendidos às estilizações new-wave da época, na esmagadora maioria dos temas fazedores de uma pop intrépida que não renega as raízes punk quando ainda se chamavam The Enemy, a primeira banda do género na Nova Zelândia. Os temas, tensos e fracturados, são o equivalente das antípodas à subversão que, na mesma altura, The Fall e Swell Maps imprimiam no cenário pós-punk do Reino Unido. Porém, e por oposição à atitude distanciada dos vocalistas destas bandas, Chris Knox mostrava-se empenhado, quase apaixonado, quando abordava nas canções os assuntos mais mundanos, isto quando inteligíveis. A postura negligente seria assumida nos Tall Dwarfs, banda que fundou juntamente com o guitarrista Alec Bathgate logo a seguir à dissolução dos Toy Love, e que esteve na linha da frente da citada Flying Nun.

Para juntar à anterior compilação, e dando início a uma série massiva de reedições daquela editora incontornável, em parceria com a norte-americana Captured Tracks, acaba de ser lançada Toy Love, não o álbum isolado, mas uma colectânea em vinil duplo. Neste novo pacote podemos encontrar os três singles lançados e respectivos b-sides, versões demo de inúmeros temas, e gravações ao vivo. Será, com certeza, o primeiro de muitos lançamentos que virão aprofundar a nossa crise.

Rebel by Toy Love on Grooveshark
[Elektra, 1979] 
 
Don't Ask Me by Toy Love on Grooveshark
[WEA, 1980]

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mixtape #5: Postcards From Paradise


Como já vem sendo hábito por esta altura do ano, o April Skies fecha portas para um curto mas merecido período de férias. Antes da partida, não queria deixar de presentear a meia dúzia de gatos-pingados que ainda faz questão de passar cá pelo tasco com mais uma singela compilação da minha lavra. Desta feita seleccionei 18 temas vindos do outro lado do mundo, mais concretamente da Nova Zelândia, com a particularidade de todos eles pertencerem ao catálogo da Flying Nun Records, a editora que desde há três décadas faz chegar a música daquele país das antípodas aos quatro cantos do planeta. Do lo-fi dos Tall Dwarfs à perfeição pop dos The Chills, da abrasão rock dos Gordons à pop celestial dos Dead Famous People, há toda uma panóplia de estilos e estéticas para agradar ao gosto de distintos tipos de melómanos. 
E porquê a Nova Zelândia, perguntam-me. Bem os motivos são dois. O primeiro é porque, como não me canso de dizer, este é o país com mais bandas interessantes por habitante em todo o mundo, embora ameaçado de perto pela Escócia. O outro motivo é que este é o destino que ainda ambiciono para umas férias como deve ser. Para cumprir tal desejo, já só me falta pôr de parte o dinheiro necessário a tal investimento e ganhar coragem para viagens que atravessam doze fusos horários. Por ora, rumo ao extremo nordeste deste nosso rectângulo. Inté!

  1. BAILTER SPACE _ "Glass" (1988)
  2. TALL DWARFS _ "Nothing's Going To Happen" (1981)
  3. THE DEAD C _ "Scarey Nest" (1990)
  4. THE MINT CHICKS _ "Crazy? Yes! Dumb? No!" (2006)
  5. STRAITJACKET FITS _ "Hail" (1988)
  6. THE CHILLS _ "Pink Frost" (1984)
  7. LOOK BLUE GO PURPLE _ "Cactus Cat" (1986)
  8. SHOCKING PINKS _ "Emily" (2007)
  9. THE JEAN-PAUL SARTRE EXPERIENCE _ "Elemental" (1989)
  10. BETCHADUPA _ "Spill The Light" (2000)
  11. THE BATS _ "North By North" (1987)
  12. DEAD FAMOUS PEOPLE _ "Postcard From Paradise" (1989)
  13. THE VERLAINES _ "Death And The Maiden" (1983)
  14. GARAGELAND _ "What Will You Do?" (1999)
  15. THE CELAN _ "Beatnik" (1982)
  16. THE 3Ds _ "Fish Tails" (1990)
  17. THE GORDONS _ "Future Shock" (1980)
  18. CHRIS KNOX _ "Meat" (1990)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Uns certos senhores da pop















Se fosse 1 de Abril diria que era mentira... Mas estamos em Setembro e não me restam alternativas que não sejam acreditar e rejubilar com a boa nova: a lenda neo-zelandesa denominada The Clean está de volta aos discos, após oito longos anos de silêncio. O novo trabalho intitula-se Mister Pop, sai já na próxima semana numa edição conjunta Arch Hill / Merge Records, e foi gravado pela formação clássica da banda, i.e., os irmãos David e Hamish Kilgour, e Robert Scott (este acumula com os igualmente activos The Bats).
Para os mais desatentos, gostaria de referir que os The Clean foram pioneiros do chamado Dunedin Sound, exportado nos idos de oitenta do século passado pela mítica Flying Nun da Nova Zelândia para o mundo. Tal como a esmagadora dos seus pares (The Chills, The Verlaines, Tall Dwarfs, os citados The Bats, Bailter Space, entre tantos outros), chegaram a uma escassa minoria de privilegiados, deixando contudo marcas indeléveis nos poucos que os ouviram. Que o digam os Yo La Tengo, os Pavement, os Guided by Voices, e outros estetas da "filosofia" lo-fi!...
À falta de temas novos para divulgação, proponho a recordação de uma das muitas pérolas com que contam no currículo:


"Beatnik" [Flying Nun, 1982]