"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

The lady sings punk















Consta que, ainda adolescente, Kathleen Hanna percebeu que seria de luta o seu estatuto de mulher na sociedade. Na vida adulta, a amizade com Kurt Cobain seria apenas um faît divers caso não tivesse sido ela a dar origem ao título do tema que mudaria para sempre a face da música popular. No entanto, o seu maior legado musical são as Bikini Kill, banda integralmente feminina que fundou em 1990. A importância do quarteto nascido na fervilhante "cena" do noroeste americano extravasa as fronteiras da própria música, sendo determinantes ao nível comportamental, na atitude a partir daí assumida por inúmeras rock girls num universo tendencialmente machista. Inspirada pela figura tutelar de uma Joan Jett, pelo espírito de independência de um Calvin Johnson, e pela postura interventiva de uns Fugazi, Hanna esteve na origem do movimento que ficou conhecido como riot grrrl. A partir do aparecimento das Bikini Kill, e dos seus concertos de confronto aos clichés do establishment macho, é infindável o rol de bandas de tendência feminista, atitude punky, e discurso vitriólico a reconheceram-lhe a influência e, sobretudo, o encorajamento: dos Huggy Bear aos Gossip, das Sleater-Kinney às Pussy Riot.

Logo após o fim das Bikini Kill, em 1997, Kathleen Hanna fundou as Le Tigre. Nesta nova aventura, manteve o tom politizado nas letras mas flectiu na linguagem musical. Agora, a proposta era substancialmente mais dançável, com ligação directa à tendência funk do período pós-punk. Talvez inadvertidamente, Hanna acabaria uma vez mais por estar à frente de algo e ser seguida por um rebanho nas opções, nomeadamente o sem número de revivalistas post-punk que na década passada surgiram como cogumelos. Actualmente, mais contida, integra uma banda mista, mais ainda maioritariamente feminina: The Julie Ruin. O nome deriva de o único álbum a solo, no curto hiato entre as duas bandas anteriores, e a sonoridade, embora mais próxima das convenções pop/rock, não esquece tanto o reboliço das Bikini Kill, como o apelo dançante das Le Tigre. Aqui e ali, a voz ainda é irrequieta, e o discurso, embora mais refinado, não perdeu a contundência.

Obviamente que uma figura com semelhante trajecto tem de suscitar forte admiração em certos sectores femininos, ou até mesmo idolatria. Que o diga a realizadora Sini Anderson, autora do recente documentário The Punk Singer, inteiramente dedicado a Kathleen Hanna. Para o dito, foram recolhidos depoimentos do marido Adam Horovitz (Beastie Boys) e de inúmeras companheiras de armas, entre elas Corin Tucker e Carrie Brownstein (Sleater-Kinney), Joan Jett, e Kim Gordon (Sonic Youth). Já com algumas semanas de rodagem lá fora, o filme tem sido apontado como excessivamente reverente à sua figura central, mas também extremamente revelador até para os mais versados na vida e obra de Hanna. Independentemente do que se diz, gostaríamos de o ver por cá, pois não é todos os dias que figuraças apenas ao nível underground merecem tamanhas mordomias.

 
[IFC Films, 2013]

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

All the people he likes are those that are dead
















Foto: Pete Millson

Lawrence (sem apelidos, sff) é um dos músicos mais idiossincráticos, mas também dos mais contra-corrente, personagens da pop britânica dos últimos trinta anos. Nos idos de oitenta idealizou os Felt, para os quais escreveu algumas das letras mais ricas e complexas de que há memória. Um veículo para a reverência a Tom Verlaine e aos Television, a banda esteve longe de almejar a ambicionado sucesso comercial, apesar do firme culto gerado em seu redor e que ainda perdura. Contudo, conseguiu o principal intento aquando da formação: dez álbuns em dez anos, outros tantos singles. Em inícios da década de 1990, Lawrence encabeçou os Denim, guinada no sentido do glam-rock infectada de uma ironia corrosiva relativamente à madrasta década anterior. Menos prolífico, este projecto deixou gravados dois álbuns, e um terceiro que nunca viu a luz do dia, pura e simplesmente por causa do boicote ao tema de avanço ("Summer Smash"), lançado na mesma semana da morte de Lady Di. Com o fim do milénio chegaram os Go-Kart Mozart, até agora responsáveis por um trio de discos corroídos por impulsos synth-pop e, provavelmente, o mais discreto dos projectos, isto segundo os critérios do reconhecimento lawrencianos.

Em 2012, quando o sucesso de Lawrence é apenas um probabilidade remota para o mais devoto dos fiéis, o seu nome parece estar mais na ordem do dia que nunca. Prestes a chegar ao mercado do DVD está Lawrence Of Belgravia (dupla referência à figura histórica britânica e ao bairro de residência até ao despejo), o documentário da autoria de Paul Kelly, realizador com considerável currículo no universo indie, que passou pela última edição do London Film Festival. O filme, descrito como um "trabalho de amor", acompanha os últimos oito anos do nosso herói, com recuos ao passado de todo um errático percurso. Já à venda está Felt, um livro de fotografias de tiragem limitada a mil exemplares que, obviamente, contempla a mais emblemática banda do currículo de Lawrence. Cada exemplar é numerado e assinado pelo próprio, e o prefácio ficou a cargo de Bob Stanley, influente jornalista musical e fundador dos Saint Etienne.


Felt _ "Penelope Tree" [Cherry Red, 1983]


Denim _ "I'm Against The Eighties" [Boy's Own, 1992]


Go-Kart Mozart _ "Here Is A Song" [West Midlands, 1999]

terça-feira, 8 de março de 2011

Mixtape #9 - Lost In The Movies

Foto: Andy Warhol

Hoje, dia de Carnaval, o April Skies veste-se de cinéfilo. A compilação do dia inclui dezoito faixas, todas elas com a particularidade de serem intituladas a partir de nomes ligados à Sétima Arte, a maioria no grande ecrã, alguns atrás das câmaras. Uns estrelas de brilho intenso, outros nomes de projecção mais restrita. Façam o favor de se servir!


01. THE GO-BETWEENS _ "Lee Remick" [1978]
02. YO LA TENGO _ "Tom Courtenay" [1995]
03. SPEARMINT _ "Julie Christie!" [2001]
04. DROP NINETEENS _ "Winona" [1992]
05. THE BODINES _ "William Shatner" [1987]
06. COMET GAIN _ "Jack Nance Hair" [1998]
07. BILLY BRAGG & WILCO _ "Ingrid Bergman" [1998]
08. ADAM GREEN _ "Jessica" [2003]
09. VELOCITY GIRL _ "Audrey's Eyes" [1993]
10. BETTY AND THE WEREWOLVES _ "David Cassidy" [2010]
11. JAPANTHER _ "River Phoenix" [2007]
12. JAY REATARD _ "Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle" (Nirvana cover) [2009]
13. HALF MAN HALF BISCUIT _ "I Hate Nerys Hughes (From The Heart)" [1985]
14. THE EXPLODING BUDGIES _ "Kenneth Anger" [1985]
15. CINERAMA _ "Lollobrigida" [2000]
16. THE WONDERMINTS _ "Tracy Hide (Version)" [1996]
17. MATTHEW SWEET _ "Winona" [1991]
18. THE VELVET UNDERGROUND _ "Candy Says" [1969]

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A criação de todas as coisas
















Tem apenas uma página, mas é motivo suficiente para a aquisição do mais recente número da revista Mojo. Isto se a reinterpretação por uma série de devotos do clássico Harvest de Neil Young não bastar para vos fazer abrir cordões à bolsa. Falava-vos da entrevista com Alan McGee, na qual o desalinhado escocês discorre sobre Upside Down, o documentário de Danny O'Connor dedicado à "sua" Creation Records prestes a estrear. Do dito, esperam-se muitos relatos de excessos, mas também os testemunhos daqueles que estiveram no epicentro de algumas das mais felizes aventuras da pop britânica das décadas de 1980 e 1990: primeiro o jangle-pop revivalista de sessentas, depois o shoegazing, e por fim a consagração em pleno frenesim brit-pop.  Ao realizador, McGee expressa toda a sua gratidão. O mesmo sucede para com Bobby Gillespie, sem o qual, diz, o filme não teria sido possível. Outros encómios para com este último incluem a eleição dos Primal Scream a banda n.º 1 da Creation e a responsabilização de mister Bobby G por lhe ter dado a conhecer os Jesus and Mary Chain e os Teenage Fanclub. Já a ele próprio, atribui o mérito pelas "descobertas" de My Bloody Valentine, Ride e Oasis. Confessa ainda um grande arrependimento: ter deixado "escapar" os Stone Roses. Ficamos ainda a saber que adora a vida pacata de reformado (é oficial, esclarece) retirado no País de Gales.
Enquanto uma alma caridosa não faz chegar Upside Down a esta praia à beira do Atlântico, vamos salivando com o trailer:



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bicicletas & Drogas duras
















Stephen Pastel pode até ser o arauto divulgador, Eugene Kelly o rebelde sabotador do próprio sucesso, Norman Blake o rosto mais mediático, mas não haverá figura tão carismática e que melhor personifique o espírito da pop escocesa das últimas três décadas que Duglas T. Stewart, fundador e único membro permanente dos BMX Bandits. Desta verdadeira instituição indie-pop, Kurt Cobain disse um dia serem a única banda a que poderia pertencer que não os Nirvana. E talvez pudesse se mesmo se o quisesse, pois os 25 anos que leva a aventura BMX Bandits confundem-se com o mesmo período da vida do próprio Stewart, coadjuvado a cada novo disco por muitos amigos do imenso rol de que dispõe.  A musicar a sua devoção obsessiva pela pop de sessentas, coroada com letras que seriam o cúmulo da auto-comiseração se não viessem impregnadas de um humor astuto, tem contado com gente ligada a bandas como Teenage Fanclub, The Soup Dragons, The Vaselines, ou Telstar Ponies. Idade tão redonda de tão sui generis projecto musical merecia uma comemoração especial, algo que a produtora Brilliant Future tratou de providenciar por via de um filme a estrear em breve. Desconhece-se o formato, mas presume-se que seja lançado directamente para os mercado dos produtos de "consumo caseiro". O que se sabe é que leva o título de Serious Drugs, o mesmo da canção auto-biográfica de 1993 que o acaso quis que se tornasse no único aparentado de hit de toda a carreira dos BMX Bandits. Let's look at the trailer!


domingo, 29 de novembro de 2009

Ruffalo on the Lakes









No actual establishment da Sétima Arte, Mark Ruffalo será seguramente um dos actores com percurso mais coerente. Eu "descobri-o" na pequena curiosidade que é You Can Count On Me, vi-o brilhar secundariamente no delirante e comovente Eternal Sunshine Of The Spotless Mind, e fiquei definitavente rendido quando o vi espalhar talento no colossal Zodiac. Em breve, espero "ouvi-lo" em Where The Wild Things Are, o mais recente delírio de Spike Jonze. No meio de tantas solicitações como actor, Ruffalo arranjou ainda tempo para se estrear como realizador em Sympathy For Delicious, filme com estreia marcada nos states para Janeiro próximo e que relata o drama de um DJ a quem um acidente deixa paralisado. Para além do próprio realizador, o elenco conta ainda com Orlando Bloom, Juliette Lewis e Laura Linney.
Como celebração da causa rock, o filme conta com música de bom-gosto a cargo dos Besnard Lakes, banda cuja melancolia cinemática terá provocado em Ruffalo um momento epifânico durante o torpor de uma gripe. Do colectivo canadiano espera-se também novo álbum para os primeiros meses do próximo ano. Por cá, ainda ressoa frequentemente o último opus de Jace Lasek e Olga Goreas:


The Besnard Lakes "For Agent 13" [Jagjaguwar, 2007]

quarta-feira, 25 de março de 2009

For all the fucked up children of the world #7


Hoje fui ver The Wrestler, o último opus de Darren Aronofsky que recomendo a toda a navegação e que, inadvertidamente ou talvez não, nos mostra uma outra face do 80s revival. De cada vez que o grande Mickey Rourke e a belíssima Marisa Tomei (permitam-me a brejeirice: ela e a Cate Blanchett são como o Vinho do Porto) se cruzavam no ecrã, vinham-me à memória as personagens de Nicolas Cage e Elisabeth Shue em Leaving Las Vegas. Mas também esta melodia que, ainda agora, meio atordoado, entoo mentalmente:



[Arts & Crafts / Bella Union, 2007]

"You and I are on the outside

of almost everything

You and I are on the other side

of almost everything"

domingo, 22 de março de 2009

A asfixia da sociedade
















Chega já esta semana às salas portuguesas Choke, a adaptação cinematográfica do romance de Chuck Palahniuk (sim, o de Fight Club!), comédia negra que traça um retrato corrosivo e grotesco da sociedade americana. Sob a direcção de Clark Gregg, estiveram, nos papéis principais, Sam Rockwell, Anjelica Huston e Kelly Macdonald. Na banda sonora, apenas com edição em formato digital, podem encontrar, entre outros, temas dos Radiohead, Death Cab For Cutie, Buzzcocks ("Orgasm Addict", obviamente!), Shout Out Louds, My Morning Jacket, The Fiery Furnaces, e Clap Your Hands Say Yeah. Estes últimos, contribuem com aquele que é um dos poucos motivos de interesse do seu último álbum:

quarta-feira, 18 de março de 2009

Isto é Portugal
















No próximo dia 16 de Abril chega finalmente às salas portuguesas This Is England, filme semi-autobiográfico de Shane Meadows. Esta estreia nacional ocorre precisamente dois anos depois do debute no Reino Unido, país de origem da película, e mais de dois anos e meio depois da primeira exibição em festivais de cinema. Pelo caminho, This Is England arrecadou galardões, acolheu os louvores da crítica um pouco por todo o lado, e gerou um pequeno fenómeno de culto com eco na blogosfera, entre outros media.
O desfazamento de datas diz bem das prioridades e da perspicácia dos nossos distribuidores e/ou programadores em matéria de cinema, os mesmos que não se coíbem de exibir cada bocejo de Woody Allen em estreia quase mundial, ou que não perdem pitada do cada vez mais desinteressante cinema francês.
Lamentações à parte, let's look at the trailer:


domingo, 7 de setembro de 2008

Contra-informação














The Wrestler, a nova película de Darren Aronofsky, foi o vencedor do Leão de Ouro na edição de 2008 do Festival Internacional de Cinema de Veneza. Em post publicado naquele que será, porventura, o mais visitado dos blogues portugueses dedicados à cultura popular, ficámos a saber que este filme assinala o regresso de Mickey Rourke, "que há longos anos não fazia cinema". Na edição do Telejornal da RTP 1 de hoje, foge-se à relatividade de um "longos anos" e esclarece-se que The Wrestler marca o regresso de Rourke após 15 anos de afastamento do grande ecrã.
Saudando este regresso, o April Skies, casa pouca dada à preguiça, deixa-vos uma selecção muito pessoal dos trabalhos mais relevantes deste grande actor... de 1998 para cá! Toda a informação sobre cada filme, como os visitantes deste blogue decerto saberão, está à distância de um clique... basta procurá-la!

  • Buffalo '66, de Vincent Gallo (1998)
  • Animal Factory, de Steve Buscemi (2000)
  • Get Carter, de Stephen Kay (2000)
  • The Pledge, de Sean Penn (2001)
  • Spun, de Jonas Akerlund (2002)
  • Once Upon a Time in Mexico, de Robert Rodriguez (2003)
  • Man on Fire, de Tony Scott (2004)
  • Sin City, de Robert Rodriguez (2005)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

LEITURA COMPULSIVA

CORMAC McCARTHY
Este País Não É Para Velhos
(No Country For Old Men, 2005)
[Edição Port.: Relógio d'Água, 2007]

Acabei recentemente de devorar aquela que é a última obra de um dos maiores escritores norte-americanos vivos. Drama pungente, de uma violência extrema, com a acção situada temporalmente no início da década de 1980, o livro de Cormac McCarthy retrata uma América profunda em mudança. Uma tradução sofrível (um mau hábito numa boa parte da literatura contemporânea publicada por cá) não impede que o enredo nos absorva da primeira à última página.
Como muitos já saberão, esta obra foi alvo de uma adaptação cinematográfica por parte de Joel e Ethan Coen. A ante-estreia está marcada para o próximo dia 25, por ocasião da abertura da 28.ª edição do Fantas. O debute nas salas acontece três dias mais tarde.
Sabendo da apetência dos irmãos Coen para uma certa sublimação da violência, confesso que a ansiedade se mistura com alguma apreensão em relação ao resultado. Isto apesar de algumas críticas bastante favoráveis que já li em meios usualmente insuspeitos. A ver vamos...
Para aguçar o apetite, podem ver o trailer aqui.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

desCONTROLo

A beleza proveniente do rigor das imagens que Anton Corbijn empresta a Control revela-se insuficiente para salvar a estreia do fotógrafo holandês na realização de longas-metragens da vulgaridade cinematográfica.
Prolongando-se por duas horas intermináveis, Control divide-se em duas partes distintas: uma primeira metade de cenas telegráficas que mais parece uma sucessão de anúncios publicitários de uma qualquer marca de roupa, na qual os clichés do género se sucedem (a cena inicial em que a câmara "varre" o quarto do adolescente Ian Curtis é paradigmática); após a primeira hora, o filme entra em velocidade lenta e os modelos são substituídos pelos actores, porém, a pobreza do guião contrasta com a dimensão da grande Samantha Morton.
Sendo um filme que os indefectíveis dos Joy Division (eu incluído) não irão perder, julgo que a memória de Control será fugaz. A grandeza da música que o sustenta, essa, há muito que se tornou perene...

domingo, 14 de outubro de 2007

COISAS QUE DEVERIAM PERMANECER SECRETAS

Há uns meses, numa das cada vez mais raras idas ao cinema, escolhi para ver Les Anges Exterminateurs, última obra do realizador francês Jean-Claude Brisseau que, segundo a imprensa especializada do burgo é uma espécie de estudioso da sexualidade feminina.
Aquilo a que pude assistir foi uma pornochachada em tons chic que deixava no ar a ideia de que há duas fomas de as mulheres obterem prazer: a sós ou... com outro indivíduo do Belo Sexo!
Mas qual não é o meu espanto quando descubro que há mais de onde este veio!
Ontem mesmo, a RTP 2 transmitiu Choses Secrètes, a película anterior do realizador. Mais um chorrilho de cenas hetero e homo-eróticas e clichés gastos, tudo entremeado por tiradas filosóficas patéticas.
Tenho para mim que o rapaz só escolheu ser realizador para poder alimentar a fantasia de ver gajas boas a comerem-se. E, honra lhe seja feita, o bom do Brisseau sabe escolhê-las...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

WITH THE LIGHTS OUT

Dentro de sensivelmente duas semanas, mais propriamente a 26 de Julho, os nossos queridos amigos amarelos, protagonistas da segunda melhor série de televisão de sempre, chegam ao grande ecrã.
A contagem decrescente começou...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

FITAS #3

ZODIAC (EUA, 2007)
David Fincher
(c/ Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr.)

Não se pode dizer que David Fincher seja um dos realizadores mais prolíficos. Entre o desapontante Panic Room e este regresso à boa forma em Zodiac decorreram já cinco anos. No entanto, cada um dos seus filmes constitui um acontecimento que não deixa nenhum cinéfilo indiferente. No actual cinema este estatuto só encontra paralelo em Alejandro González Iñárritu, outro dos poucos que ainda conseguem criar grandes películas que chegam às massas. Se dúvidas houvesse sobre as credenciais de Fincher, bastaria atentar o nível do elenco de Zodiac que, além do trio de principais, integra ainda os notáveis secundários Brian Cox, Chloë Sevigny, Elias Koteas e Philip Baker Hall. Não é para todos!

Marcando o regresso de Fincher à temática do serial killer depois de Se7en, o filme que o trouxe para a ribalta, muitos esperariam mais um espectáculo de violência estilizada (não esquecer que Fincher provém do mundo dos videoclips) que está longe de acontecer. Em vez disso, a violência visual propriamente dita só aparece num par de cenas ainda no primeiro segmento de Zodiac. Mas nem por isso o filme deixa de ser igualmente perturbador, retratando a procura paralela e infrutífera de três homens pela identidade do assassino (auto-intitulado de Zodiac) que em finais da década de 1960 e inícios da década de 1970 aterrorizou a Bay Area californiana. Esses três personagens reais retirados do livro de Robert Graysmith são o reputado jornalista Ted Avery (representado pelo grande Robert Downey Jr.), o seu jovem colega cartoonista (o próprio Graysmith na melhor interpretação de sempre de Jake Gyllenhaal) e um inspector da polícia (Mark Ruffalo).

Se alguns poderão acusar Zodiac de ser demasiado longo (perto das três horas), eu diria que nem por um momento me senti aborrecido durante a projecção do filme. Diria até que esse prolongamento da acção ajuda a adensar a sensação de impotência dos três personagens perante o assassino, bem como a crescente obsessão de cada um deles pelo mesmo (com formas reacção bem distintas).

E se, como afirmei, não temos em Zodiac o espectáculo de violência de Se7en, em compensação temos uma magnífica reconstituição da época do auge da contra-cultura nos EUA, quer seja nos edifícios, nas ruas e, principalmente, nos carros. Um regalo para a vista proporcionado por uma excelente fotografia.

Não tivesse acontecido Fight Club e estaríamos perante o melhor filme de David Fincher...

quarta-feira, 18 de abril de 2007

FITAS #2

SUNSHINE (Reino Unido, 2007)
Danny Boyle
(c/ Cillian Murphy, Rose Byrne, Chris Evans, Cliff Curtis)

Desde a sua estreia no fulgurante Shallow Grave que este ilustre cidadão de Manchester tem traçado um percurso errático e eclético. Com um breve período de desnorte assinalado na parelha de filmes que sucederam a consagração através do iconográfico Trainspotting, Boyle haveria de recuperar a boa forma, perante a indiferença de muitos, no delirante 28 Days Latter.
Perante semelhante currículo, já nada surpreende em Danny Boyle, nem mesmo o mergulho no género sci-fi puro-e-duro (com laivos de filme B) que Sunshine constitui.
A partir de um engenhoso e original argumento do romancista Alex Garland (autor de The Beach, já adaptado por Boyle), o realizador britânico constrói um espectáculo visual no qual se conta o trajecto da tripulação de 8 elementos da Icarus II numa viagem rumo ao Sol. Estando a estrela-rainha a morrer, o objectivo destes astronautas é detonar aí uma bomba de poder desconhecido, permitindo a continuidade da vida na Terra.
Assim "no papel" o enredo não parece mais do que uma entre tantas outras histórias esgrouviadas, tão frequentes no cinema de aventura. Mas o que torna Sunshine único é a sua beleza, tanto lírica como visual, proporcionando um filme de uma dimensão humana pouco habitual no género. Sendo sobretudo um ensaio da impotência da ciência perante a "força de Deus", Sunshine retrata ainda de forma crua a conduta do Homem perante a adversidade, a solidão e o medo do desconhecido.
Referências notórias a 2001 de Kubrick e Alien de Ridley Scott, antes de serem plágio, são tributo.
Uma palavra elogiosa ainda para a música, resultante da colaboração de John Murphy com os Underworld, que constitui um bom complemento para a beleza das imagens.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

FITAS #1

HALF NELSON (EUA, 2006)
Ryan Fleck

Filme proveniente do circuito independente do cinema norte-americano, Half Nelson (Encurralado, em Portugal... podia ser pior) é uma pedrada no charco no meio, tendo em conta a oferta recente em que as comédias amargas suburban noir se sucedem em catadupa, umas vezes bem sucedidas, outras nem tanto.
Drama intenso que conta a história de Dan Dunne, um professor de História (e treinador da equipa feminina de basquetebol) numa escola de alunos negros, e com um problema de natureza narcótica.
Um dia, após mais um treino, Dan é surpreendido no balneário pela aluna Drey a fumar crack. A partir daí, estabelece-se uma relação especial entre os dois, na qual a miúda de 13 anos, cujo irmão dealer se encontra a cumprir pena, acaba por ser o elo mais forte.
Além de uma abordagem não esteriotipada do mundo das dependências, esta película oferece-nos ainda interpretações soberbas dos dois actores principais: Ryan Gosling (com nomeação para o Óscar e tudo) e Shareeka Epps.
Perante tal densidade na construção dos personagens e tal escassez de meios, apetece dizer que ainda bem que nem todos dispõem de fundos como a menina Coppola para esbanjar em adaptações disparatadas de literatura light (do género biografia, neste caso).
Para os interessados, resta ainda acrescentar que a música do filme foi composta e interpretada pelos Broken Social Scene e que, numa determinada cena em que me apeteceu saltar da cadeira em júbilo, surge "A New England" do grande Billy Bragg.