"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Loving the alien
















Há qualquer coisa de dois anos e meio chegaram de mansinho com Why There Are Mountains, um disco auto-editado e danado de bom. No dito, os Cymbals Eat Guitars remavam contra a corrente vigente, recuperando memórias do indie-rock mais emocionalmente intenso de noventas (quase sacrilégio, nesses tempos), e em particular, por via da complexidade estrutural das canções, dos Built to Spill. Ao vivo então, como tive a felicidade de comprovar, a coisa assumia uma intensidade tal que, em comparação, bandas como The Walkmen não passam de coisinha leve para ouvir em esplanadas de praia. O vocalista/guitarrista Joseph D'Agostino, em particular, é daqueles que, passe o cliché, encara cada concerto como se fosse o último.

E agora, precisamente na altura em que apenas pensamos em ócio e sol, e em nada que estimule a seriedade, parece que os Cymbals Eat Guitars estão de volta. Lenses Alien, o segundo álbum (agora com patrocínio de uma editora), chega no final do mês, mesmo a tempo de ensombrar os últimos dias de férias de muitos com uma dose de letras que, quando penetráveis, deixam discorrer um intenso negrume. A primeira amostra está disponível abaixo, e é uma clara evidência da evolução na continuidade. Ou, trocado por miúdos, um reforço da complexidade sem descaracterização dos autores. Para além da citada referência, há também uma maior evidência das tendências prog que encontramos em bandas do chamado post-hardcore como os óptimos Unwound, ou até mesmo nos Sunny Day Real Estate. E isso é bom ou é mau? É ouvir e chorar por mais, minha gente!


"Rifle Eyesight (Proper Name)" [Barsuk, 2011]

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Em escuta #40










BOSTON SPACESHIPS The Planets Are Blasted [Guided by Voices Inc., 2009]

Desde que extingui a instituição Guided by Voices em finais de 2004, Robert Pollard aproveitou para editar em nome próprio todos os esboços de canções que tinha na gaveta. Cedendo a um impulso gregário, surge agora à frente do power-trio Boston Spaceships, no qual continua a dar vazão a uma produtividade singular - este é já o segundo álbum no espaço de meio ano! A pretexto de mais uma prova de adoração aos The Who, e com um inesperado cuidado na produção, oferece-nos o melhor conjunto de canções desde Earthquake Glue (2003), com a habitual fixação por UFOs e entidades místicas. Os temas, invariavelmente curtos e rasgadinhos, poderão satisfazer as necessidades dos saudosistas de uns R.E.M. de outras eras. [8]


THE PHANTOM BAND Checkmate Savage [Chemikal Underground, 2009]

Escassos segundos de escuta desta obra inaugural são o bastante para percebermos a filiação kraut deste sexteto escocês. Mais à frente, reconhecemos tanto o apuro melódico dos The Delgados, como o traço insano da Beta Band. Lembrar também a frieza distante dos Wire de 154 não é de todo descabido. Conjugados, estes ingredientes fazem de Checkmate Savage um daqueles discos inclassificáveis, em que cada audição revela um novo detalhe. As atmosferas criadas variam entre a melancolia gélida e a beleza enigmática. [8,5]


CYMBALS EAT GUITARS Why There Are Mountains [edição de autor, 2009]

"And The Hazy Sea", o soberbo tema de abertura de Mountains, coloca a devastação emocional dos Built to Spill na montanha russa: são seis minutos de constante alternância entre crescendos e momentos planantes. No que se segue, a bipolaridade do vocalista, ora confessional, ora possesso, qual Isaac Brock em crise de ansiedade, mantém a intensidade dramática em alta. Musicalmente, cada tema constitui uma estrutura complexa e pouco comum para os cânones rock. De Nova Iorque, e nos tempos que correm, estes são sons completamente inesperados. Talvez por isso, os Cymbals Eat Guitars (nome algo tolo) não tenham qualquer contrato discográfico assinado. Mas palpita-me que esta situação se vai alterar em breve... [8,5]