"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
Mostrar mensagens com a etiqueta Chris Isaak. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Chris Isaak. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um V na fronte

















Já esperávamos por um disco assim desde que os Mazzy Star entraram em hibernação. Ou pelo menos desde a doce preguiça daquele segundo disco dos saudosos Beachwood Sparks. Ou ainda, na melhor das hipóteses, desde o último trabalho da menina Chan Marshall antes do aburguesamento (leia-se You Are Free, de 2003). São estas, e algumas mais, as referências dos Widowspeak, um trio com sede em Brooklyn, via Chicago, no qual ando verdadeiramente viciado. As similaridades são mais evidentes com os primeiros, muito por culpa da voz de Molly Hamilton, em tudo comparável à da estonteante Hope Sandoval, se bem que substancialmente mais arejada.

Mas nem só de comparações com os citados se faz Widowspesk, o álbum que acabam de dar à estampa e que é uma afirmação de personalidade, apesar do curto período de convivência musical do trio. Assente numa country-pop de cariz outonal, é contido na melancolia, deixando que uma brisa o percorra de fio a pavio. Portanto, as paisagens desoladas que a primeira referência poderia sugerir dissipam-se rapidamente após algumas audições. Para tal, desconfia-se, contribuirá a juventude dos músicos, também expressa no ligeiro travo surfy com que contaminam cada um dos dez temas, o que coloca os Widowspeak a par de algumas das mais interessantes manifestações pop da actualidade. A título ilustrativo deixo-vos os dois temas que compõem o primeiro single promocional. O tema principal, incluído no álbum, com uma voz em estado de graça, é bem representativo da veia melódica e da reverberação quase omnipresentes. O lado B, precisamente uma versão do tema mais popular de Chris Isaak, parece ter sido escrito de propósito para os Widowspeak.


"Gun Shy" [Captured Tracks, 2011]


"Wicked Game" [Captured Tracks, 2011]

domingo, 10 de janeiro de 2010

Good cover versions #31


GIANT DRAG "Wicked Game" [Kickball, 2005]
[Original: Chris Isaak (1989)]








Quando iniciou a carreira, em meados da década de 1980, Chris Isaak afirmou-se como um herdeiro directo da faceta mais baladeira de Elvis. David Lynch, um apaixonado dos clássicos rock de teor açucarado, não ficou indiferente à voz aveludada de Isaak, e incluiu canções deste na banda sonora do genial Blue Velvet. Porém, a carreira deste músico californiano só chegaria a patamares mais elevados quando o mesmo realizador fez de "Wicked Game" (em versão instrumental) o tema principal do filme Wild At Heart, o seu trabalho mais convencional e mais bem sucedido comercialmente. Verdade seja dita, as linhas voluptuosas da guitarra de "Wicked Game" casam na perfeição com as imagens carregadas de erotismo que Nicholas Cage e Laura Dern protagonizam.
Também californianos, os Giant Drag propõem uma abordagem deveras distinta a este tema, a milhas de distância do classicismo do original, numa versão recuperadora das guitarras explosivas de muito do indie rock norte-americano da década de 1990. Aproveitando o teor libidinoso de "Wicked Game", Annie Hardy, a menina malandra que dá voz aos Giant Drag, com aquela voz falsamente ingénua, é significativamente mais explícita do que Isaak. Para ter uma ideia mais precisa da perversão desta menina, recomenda-se o visionamento e/ou audição de algumas das muitas gravações de "Wicked Game"  em concerto existentes na net, todas elas merecedoras de uma introdução inspirada por parte desta nossa Lolita.