Num país onde um circuito de concertos é inexistente, exceptuando um ou outro festival de Verão, raras são as oportunidades de assistir a concertos de bandas estrangeiras no seu período de maior fulgor, i.e., na generalidade dos casos, os primeiros anos das respectivas carreiras. Assim, as escassas promotoras que detêm o monopólio dos concertos em Portugal, optam por não correr riscos e trazem cá as bandas depois de consolidadas junto das massas, e em versão technicolor (não esquecer que este é o país em que o Bonio foi condecorado pelo Presidente e onde metade da população já viu os Stones ao vivo... nos últimos cinco anos!). Foi assim com The Strokes no ano passado, e foi assim com os INTERPOL ontem à noite.
Podem-se acusar os Interpol de serem monocórdicos e pouco expressivos, mas não de estúpidos. Cientes de que Turn On The Bright Lights continua a ser o único contributo válido para a história recente da música popular, apresentam os temas desse disco nos momentos chave do concerto: no início (a entrada a matar) e no encore (a saída apoteótica). A julgar pela ausência das palminhas (o que o pessoal gosta mesmo é de concertos em Alavalade) durante temas como "Stella..." ou "PDA", a maioria do público não pensará da mesma forma. A entremear esses momentos altos, os Interpol desfilaram os hits indistintos dos dois últimos discos. A destoar (elogio) houve aquele exercício Spacemen 3 sem drogas (penso que se chama "The Lighthouse") que não caiu nas graças da maioria.
Antes dos Interpol, passou pelo palco o principal motivo da minha deslocação ao Coliseu. Num corcerto típico de uma primeira parte, curto e sem grande aparato cénico e sonoro, os BLONDE REDHEAD entraram em palco com o excelente "In Particular", já do ano de 2000. No pouco tempo restante, apresentaram meia dúzia de temas dos dois últimos discos que, apesar de um maior pendor soporífero, resultam em palco bem mais encorpados. Muito bonito e a saber a pouco.