"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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domingo, 9 de outubro de 2011

A divina comédia















Há uns quatro meses, num concerto a que lamentavelmente não pude assistir, os jersianos Big Troubles aterraram no palco da ZdB, acompanhados nessa mesma ocasião por Julian Lynch e os Ducktails, para uma noite de celebração das novas sonoridades indie estado-unidenses. Na altura, traziam no currículo apenas e só o álbum Worry (2010), gravado sob uma rigidez lo-fi e imerso num mar de feedback mas, ainda assim, capaz de demonstrar a vontade de escrever canções catalogáveis como pop. À semelhança de muita produção conterrânea actual, é uma obra que não fica imune às influências shoegaze.

Quem ouviu o trabalho de estreia dos Big Troubles poderá não os reconhecer no novíssimo Romantic Comedy, tal a radicalidade da mudança estética operada por Mitch Easter, antigo frontman dos power-poppers Let's Active e produtor que fez nome com R.E.M., Pavement e Helium, entre muitos outros. Esta será, porventura, uma operação que não deixa de conter os seus riscos, até porque, ao abrir a uma maior acessibilidade, poderá alienar alguns dos seguidores iniciais da banda. Contudo, o perigo e o mérito têm de ser repartidos com a própria banda, autora de uma dezena de temas de travo agridoce que exibe uma exuberância pop que julgávamos impossível há poucos meses. Desta feita, os radares são apontados para Reino Unido indie de finais de oitentas. Por conseguinte, canções como a inaugural "She Smiles For Pictures" resultam como uma espécie de jangle-pop polido, reminiscente de uns The Weather Prophets mas também do brilho fosco do trabalho assumidamente mais pop dos Pernice Brothers. Já "Make It Worse", com os seus floreados de guitarras, lembra aqueles raros momentos em que uns The Cure se deixaram banhar pela luminosidade. Por seu turno, a amostra infra tem a grandiloquência e a simplicidade doseadas de forma a aspirar à intemporalidade pop. Na fronteira com o oportunismo xoninhas para conquista das massas (olá Pains of Being (Im)Pure at Heart!), mas ainda bem dentro do "lado dos bons", Romantic Comedy sabe ser uma das bandas sonoras possíveis para este Verão tardio.

"Sad Girls" [Slumberland, 2011]

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fantasmas e outras assombrações















Foto: Peter English

Vão chegando a conta-gotas os discos do ano passado que não atingiram os canais auditivos na altura devida para a devida menção no balanço final. O último foi Worry, álbum de estreia dos Big Troubles com selo da mais que emergente Olde English Spelling Bee. De uma forma genérica, digamos que a banda de Nova Jérsia se inscreve na várias correntes nu-gaze, muito por culpa da atracção pelos sonhos assaltados pelo ruído que lembram para uns My Bloody Valentine da fase Isn't Anything. Por via das limitações do formato duo, houve necessidade de encher o todo com sons de origem sintética, opção que pode ter resultados diversos: no pior, recupera os teclados planantes de algum synth-pop já algo estafado; no melhor, remete para as batidas rudimentares de uns Big Black. Da audição ressalta também a ética lo-fi, pouco comum nestas latitudes sonoras, mas que em nada belisca o saldo francamente positivo do todo.

Mais entusiasmante ainda é "Phantom", o tema de gravação recente e inserido no projecto Shaking Through, iniciativa sem fins lucrativos que visa proporcionar as condições de um estúdio profissional a bandas indie em início de carreira. Mercê das melhorias técnicas, e do alargamento a quarteto, os Big Troubles libertam todo o seu espírito pop grandiloquente e soam substancialmente mais orgânicos. Chamo a vossa atenção para o "enchimento" por via da wall of sound que, segundo relatos, está em linha com aquilo que a banda vale em palco, algo que poderemos comprovar em breve. Por ora, descubram-se as diferenças entre o antes e o depois:


"Freudian Slips" [Olde English Spelling Bee, 2010]


"Phantom" [Wethervane Music, 2011]