"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Em escuta #46







WHITE DENIM Fits [Full Time Hobby, 2009]

Figura de proa do actual revivalismo garage, este trio texano regista na segunda proposta um claro passo evolutivo, aventurando-se muito para além das guitarras estridentes e da sujidade intrínseca. Ao estilo dos velhos discos em suporte de vinilo, Fits divide-se em duas partes distintas: uma primeira mais enérgica e directa, com os riffs de pontas afiadas e as vozes ululantes a dar o mote; e um lado B mais contido, a convidar à viagem sensorial, aqui a ali polvilhada por ritmos funk e melodias sob o Sol da costa Oeste. Lá no alto, Arthur Lee estará a erguer o polegar em sinal de aprovação. [8,5]


A SUNNY DAY IN GLASGOW Ashes Grammar [Mis Ojos, 2009]

Ao segundo álbum, este numeroso colectivo de Filadélfia, alinhado nas novas correntes shoegazing, mergulha de cabeça em Loveless, o marco histórico dos My Bloody Valentine. Ashes Grammar propõe um lote de mais de duas dezenas de temas de durações variáveis entre os escassos segundos e os 5/6 minutos. A intenção será criar um todo, uma espécie de sinfonia aquática feita de camadas de overdubs e vozes angelicais. Em mais de uma hora de disco, há momentos inspirados pela mola propulsora da percussão e a aridez das guitarras ("Shy", "The Wihte Witch"). Outros há que rasam a fronteira do onirismo bacoco. [6,5]


TAP TAP On My Way [Stolen, 2009]

Paralelamente aos Pete & The Pirates, Tom Sanders edita sob o moniker Tap Tap, projecto caracterizado pela aura tresloucada herdada de finais dos sixties comum àquela banda, embora aqui em registo menos esfuziante. On My Way revela uma capacidade inata do autor para canções de uma pop happy-sad imaculada, prenhes de inocência e romantismo juvenis, vagamente nerdish, e em formato semi-acústico. A percorrer estas onze semi-baladas gingonas há aquele "sentir" marítimo que associaríamos às bandas de Liverpool (The Coral, The La's) se não soubéssemos que o rapaz é de Reading. [8,5]


SILK FLOWERS Silk Flowers [Post Present Medium, 2009]

Antes das investidas operáticas dirigidas por Jim Steinman, o som dos Sisters of Mercy era uma missa negra pautada por batidas que gelavam os ossos. É precisamente esta faceta da persona Andrew Eldritch que este trio de Brooklyn invoca no seu disco de estreia, no qual a electrónica mais básica e primeva serve de matéria-prima. Aqui e ali pressente-se que o espírito de Ian Curtis tenha sido também convocado para este ritual macabro. Densamente negro e intencionalmente imperfeito, a par da sensação de estranheza, Silk Flowers deixa a ideia de haver ainda algumas arestas por limar. [7]


ART BRUT Art Brut vs. Satan [Cooking Vinyl, 2009]

Depois de uma tentativa semi-falhada de uma maior subtileza, os Art Brut recuperam o humor corrosivo tipicamente british, com Eddie Argos a assumir-se como um Mark E. Smith mais sóbrio, mas igualmente contudente. Vale bem a pena uma leitura atenta das letras, com tiradas cáusticas, muitas vezes auto-críticas, sobre a sociedade actual e o vasto universo pop-rock. Neste particular, destaca-se a paródia hilarinate ao purismo lo-fi de "Slap Dash For No Cash". Na música, frenética, os The Fall marcam mais uma vez presença nas guitarras frenéticas e na propulsão contaginate da bateria. A brincar, a brincar, os Art Brut estão cada vez mais sós no lote de sobeviventes do contingente neo-postpunk. [8]


THE CLIENTELE Bonfires On The Heath [Merge, 2009]

Há em "I Wonder Who We Are", o tema que abre o novo disco dos Clientele elementos de géneros que me causam imediata rejeição, quando integrados em canção pop: bossa nova, soft jazz, e flamenco. Mais à frente, os mesmos géneros são aflorados em doses distintas, juntamente com os sopros mariachi, em um ou outro tema. O resto é a elegância feita melancolia pop a que Alasdair McLean já nos habituou - e que o mundo teima em ignorar - a espraiar-se . A confirmarem-se os rumores de uma possível dissolução da banda, uma despedida condigna pedia disco mais equilibrado. [7]

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

SINGLES BAR #15

ART BRUT
Emily Kane (Fierce Panda, 2005)

I was your boyfriend when we were 15
It's the happiest that I've ever been
Even though we didn't understand
How to do much more than just hold hands

Os dois singles anteriores ("Formed A Band" e "Modern Art") já tinham dado o mote. "Emily Kane" era a confirmação da verve afiada de Eddie Argos, uma espécie de Luke Haines para o novo século, menos dandy, mais punky.
Se nos temas antes citados os alvos deste humor cáustico tinham sido, respectivamente, as ambições mainstream de muitas contemporâneas e os mais recentes conceitos da Arte, "Emily Kane" era uma dedicatória ao primeiro amor (o tal que não outro igual). Num tom profundamente cockney, Mr. Argos, meio aparvalhado, meio ingénuo, discorria sobre aquela que, apesar da longa ausência (10 years, 9 months, 3 weeks, 4 days, 6 hours, 13 minutes, 5 seconds), continuava a ocupar um lugar muito especial no seu coração. Ficção? Realidade? Apenas ironia? A ambiguidade dominante não permite tirar conclusões.
Descendentes directos das bandas mais desempoeiradas do período post-punk (Wire, The Fall), com estes pequenos petardos que nunca ultrapassam os três minutos de duração, os Art Brut prometiam ser um dos mais interessantes projectos surgidos em Terras de Sua Majestade na década corrente. Os dois álbuns até à data cumprem a promessa.

domingo, 8 de julho de 2007

A ARTE BRUTA















Não, este post não é dedicado ao milionário afrikander de ascendência insular. Aquele que aparece em todos os noticiários do último mês, quase sempre por um motivo diferente.
Serve este post apenas para informar os mais distraídos que, aquele quinteto de dandys que responde pelo nome de Art Brut e que é, tão somente, uma das melhores coisinhas saídas das Ilhas Britânicas neste início de século, tem novo álbum. O segundo, mais concretamente.
Uma breve observação ao alinhamento de It's A Bit Complicated pode levar a pensar estarmos na presença de um disco de versões. Mas não, "Pump Up The Volume", "I Will Survive", "Nag Nag Nag Nag", e "Jealous Guy" são mesmo temas originais dos Art Brut onde as guitarras rasgadinhas e a ironia mordaz de Eddie Argos marcam, mais uma vez, presença.
Não resisto a reproduzir aqui um excerto da letra de "Nag Nag Nag Nag", o single já com alguns meses:


Wet trousers in the washing machine,
but I’d rather be damp than seen in jeans.
I’m grown up now but refuse to learn
that those were just adolescent concerns.
I’m possibly missing something
someone should have told me.
My record collection reduced to a mixed tape,
headphones on I made my escape.
I’m in a film of personal soundtrack.
I’m leaving home and I’m never gonna come back.
I’m learning lyrics from the CD inlay
to impress people with the stupid things I say.