"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel
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terça-feira, 26 de março de 2013

Há 20 anos era assim #2









ADORABLE
Against Perfection
[Creation, 1993]




Formados ainda nos alvores de noventas, os Adorable só chegaram aos discos já a vaga shoegazing definhava com propostas secundárias face ao fulgor inicial. Por força da sua ligação à editora patrona do "género", o facilitismo de rotulagem fez com que depressa fossem arrumados naquela prateleira. Para ajudar, o tema que os fez notados é pródigo na alternância de guitarras cristalinas e distorcidas, de serenidade e turbilhão. Talvez para evitar mais equívocos, tanto esse "Sunshine Smile" como o posterior "I'll Be Your Saint", ambos singles prévios, não integram o álbum de estreia, embora, por eventuais questões promocionais, apareçam na edição norte-americana do mesmo.

Ouvido hoje com o distanciamento de duas décadas, Against Perfection dá razão aos Adorable, que tentavam a todo o custo fugir à catalogação como shoegazers. Por mais do que uma vez, a banda fez questão de afirmar a sua devoção pelos Echo & The Bunnymen e, por arrastamento, pelos prossecutores The House of Love, talvez a primeira banda a render dividendos à Creation Records. Sem desmerecer as canções dos Adorable, com um imediatismo pop que não abundava na Inglaterra de então, a dezena de temas de Against Perfection não esconde vontades de grandiosidade, sublinhadas por turbilhões de guitarras que empolgam o dramatismo. Basta ouvir "Glorious" ou "A To Fade In", temas de um romantismo melancólico que não se usava muito à época, com a tensão crescente dos momentos atmosféricos a rebentar com estrondo nas tempestades sónicas que tomam o lugar dos quase inexistentes refrões. No emblemático "Homeboy", o vocalista de origem polaca Piotr Fijalkowski não disfarça sequer o tom grave, de jovem adulto que parece carregar o peso do mundo, tal qual Ian McCulloch mais de uma década antes. É, no entanto, um tema sublime, demonstrativo das maior força dos Adorable, que é a capacidade de embrulhar angústia juvenil em canções que não descuram o elemento melódico. Esta característica revela também heranças dos The Smiths, mais por questões teóricas do que propriamente práticas. Não é por acaso que tanto Morrissey como McCulloch, que há data da edição deste álbum não viviam propriamente os melhores dias das suas carreiras, são a matéria de inspiração para "Favourite Fallen Idol", o tema mais furioso do disco, que expressa o lamento de um jovem seguidor perante a decadência dos seus ícones.

Com Against Perfection, que olhava para um passado recente, os Adorable demarcaram-se das buscas em passados mais longínquos de shoegazers que os antecederam e de brit-poppers que espreitavam no horizonte, o que faz deles uma banda perdida numa cápsula do tempo. Sem pudor em disfarçar as referências, vale pelo naipe de canções bem urdidas segundo as regras pop e que, talvez por isso, têm resistido à erosão dos anos. Dois anos volvidos teve um sucessor que não o envergonha, para logo de seguida, os Adorable serem incapazes de resistir às tensões internas e ao refrear das relações com a editora. De então para cá, os seus membros têm-se envolvido em projectos de diminuta projecção, longe de ofuscar o brilhantismo inicial da banda-mãe.

Homeboy by Adorable on Grooveshark
 
Glorious by Adorable on Grooveshark
 
Favourite Fallen Idol by Adorable on Grooveshark

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Singles Bar #33
















ADORABLE
Sunshine Smile [Creation, 1992]

"And then she smiled
Just for fraction of a little while
And everything was warm again inside
She's got a sunshine smile
The kind that warms up the corners of my cold room
She's got a sunshine smile
The kind that makes you forget again"


De uma breve análise à curta carreira dos Adorable, facilmente se vislumbra uma certa reverência pelo romantismo épico dos Echo & The Bunnymen, desde logo evidente no timbre de Piotr Fijalkowski, em tudo semelhante ao de Ian McCulloch. Contudo, a História encarregou-se de os arrumar no lote dos shoegazers. Para esta compartimentação errónea, dois factores terão sido determinantes: a ligação da banda à Creation Records, editora que foi o bastião do género; e as características daquele que é seu tema mais conhecido.
Sem o angst dos Ride, o abstraccionismo dos My Bloody Valentine, ou sequer o efeito anestésico dos Slowdive, "Sunshine Smile" ostenta nas guitarras, ora melódicas e cristalinas, ora distorcidas e desalinhadas, o código genético que permite identificar o shoegazing. Ao longo de cinco minutos, o caos e a harmonia conciliam-se para instituir um dos axiomas da canção POP. Assim mesmo, com letras grandes!