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26 março 2011

"A loira do regime"...


... foi o epíteto com que Luís Filipe Menezes mimoseou Pacheco Pereira, tempos atrás. Ontem, o deputado do PSD foi o único, entre a oposição, a votar contra o fim do actual modelo de avaliação dos professores e a respectiva suspensão do processo, já no presente ano lectivo. Justificou a sua posição com dois argumentos principais: o primeiro, pela necessidade de os docentes serem avaliados; o segundo, afirmando que esta suspensão devolvia as escolas ao domínio dos sindicatos. O que significa, afinal, que Pacheco Pereira, mau-grado as suas qualidades como historiador, não sabe rigorosamente nada do que se encontra em jogo no que respeita ao primeiro ponto; e que, por outro lado, está predominantemente atento aos aspectos da política mais básica e não ao que verdadeiramente interessa, isto é, aos interesses dos cidadãos que nele votaram (interpostamente), nomeadamente os que fazem parte da celebrada "comunidade educativa".

Pior: Pacheco Pereira revela, mediante a posição que assumiu, uma total incompetência política no combate à ideologia da esquerda posta em prática através da acção sindical, nomeadamente ao Partido Comunista. Porque o resultado, ao fim de seis anos, da imposição autoritária de medidas desconchavadas, injustas e altamente prejudiciais para qualquer docência (e discência) digna desse nome, é os sindicatos terem hoje reforçado a sua audiência entre a os professores, embora a maioria não se identifique com a estreiteza e o claro oportunismo partidário da sua actuação.

A explicação mais plausível para tudo isto é que, na verdade, Pacheco Pereira não se terá libertado por completo das atitudes e vícios de comportamento de extrema-esquerda que herdou do seu passado marxista-leninista, atitudes e vícios que ainda manifesta com frequência nas posições que toma e nas medidas que propõe, no autoritarismo e na pequenez da incidência das suas escolhas no plano da luta política. Daí que o epíteto que lhe aplicou o Presidente da Câmara de Gaia, para cuja demissão do cargo de presidente do PSD ele tanto contribuiu, não lhe seja, a meu ver, completamente ajustado. Eu preferiria designá-lo como "a ruiva do regime". Sem ofensa.

Entretanto, complementando o que escrevi, leia-se isto.

29 dezembro 2007

Subscrevo inteiramente!

"A democracia no Paquistão é estimada e compreendida por uma pequena oligarquia, que ficou do Império, joga cricket e frequenta Oxford. Durou, pelo menos na sua forma exterior (e com uma ou outra ditadura pelo meio), enquanto durou a influência dessa oligarquia sobre a população. Hoje, com a população sublevada e organizada pelas madrassas, não faz sentido. A escolha deixou de ser entre um partido ou outro: a escolha é entre uma espécie qualquer de teocracia e uma ditadura militar. O Ocidente perceberá um dia que não existem “moderados” no islão. Tirando a tecnologia, o islão rejeita em grosso e por atacado, tudo o que o Ocidente criou e representa. A começar pela democracia."

"A blogosfera é tão avessa à crítica como os media tradicionais, com a agravante de que o envolvimento narcísico é tão forte que, mesmo dentro de blogues colectivos, a mais pequena fractura se torna explosiva. Os blogues não gostam de ser objecto de críticas e, como é óbvio, têm uma alta noção de si próprios e estão tão cheios de autocomplacência e de elogios mútuos que consideram um anátema qualquer discurso que lhes pareça exterior e que os ponha em causa, a eles e às regras do jogo que estabeleceram."


Excertos de, respectivamente, Vasco Pulido Valente e José Pacheco Pereira, no PÚBLICO de hoje.