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22 outubro 2010

A solitária jornada de luta da mulher da esfregona

Manet, Olympia

No Blasfémias

No mesmo dia 2 de Maio em que a imprensa dava grande destaque às agressões de que Vital Moreira fora alvo na manifestação convocada pela CGTP sabia-se que um dos sindicatos filiados na mesma central sindical, o Sinttav, despedira a sua única funcionária da limpeza. O argumento invocado foi a extinção do posto de trabalho. Acontece que na delegação do Porto do Sinttav, onde trabalhava a funcionária despedida, ela era a única a exercer essa função, logo rapidamente se percebe que algo não bate certo nesta história. E, se recuarmos alguns dias, ainda os cravos estavam vermelhos nas lapelas daqueles que os usaram neste Abril, quando se soube que três dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), que também são militantes do PCP, estavam a ser alvo de inquéritos internos instaurados pelo partido, por não terem apoiado a lista B nas eleições do Sitava. Destes casos infelizmente pouco se fala, pois, ao contrário do que sucedeu com Vital Moreira, o repórter não só nunca está lá, como raramente lá procura estar. Os sindicatos são noticiados regra geral com paternalismo e apenas quando os amigos de ontem se tornam nos ministros de hoje é que o verniz estala, como aconteceu quando esteGoverno revelou quanto custavam os delegados sindicais nos CTT ou no Ministério da Educação. Fora isso, as notícias sobre os sindicatos são apenas uma reprodução dos seus comunicados. E isto é válido para o despedimento da mulher da esfregona em 2009 ou dos jornalistas em 1990. Para os anais da dificuldade que os jornalistas portugueses têm em noticiar o que acontece nesse universo que vai do PCP aos sindicatos (e agora também às franjas do BE, mas isso não é o assunto desta crónica) ficará sempre o caso do fecho do jornal O Diário, afecto ao PCP, em Junho de 1990. Tal como acontece a muitas empresas que hoje fecham as suas portas, também O Diário recebera subsídios vários, mas nem assim se impediu o fecho. Ao reler as páginas de 1990 percebe-se o embaraço gerado pelo caso de O Diário, tanto mais que os despedimentos foram feitos ao abrigo duma legislação que o PCP e os sindicatos que lhe eram afectos contestavam com veemência. Em 2009, quando se vê, por exemplo, gente a salivar com os sequestros de gestores efectuados pelos sindicatos franceses ou se tenta desculpar a agressão a Vital Moreira com a crise, convirá que se perceba que os sindicatos, tal como acontece com os representantes doutros interesses, precisam de ser noticiados sem as habituais condescendências. Tanto mais que os sindicatos, tal como a democracia, podem ser péssimos, mas ainda não se arranjou nada melhor para os substituir.

(via Fiel Inimigo)

27 maio 2009

Missa negra-rosa em fundo azul (vómito às três pancadas)


27 de Maio de 2009, 20:38
Castelo Branco, 27 Mai (Lusa) -- O PS vai hoje ensaiar em Castelo Branco um comício à norte-americana, com o pavilhão do núcleo empresarial da cidade a ser transformado num anfiteatro só com lugares sentados e com as bancadas ordenadas geometricamente em losanglo.
Segundo a direcção de campanha do PS, foram colocados cerca de 1400 lugares sentados.
Todos os apoiantes socialistas estão a receber instruções do "speaker" do comício para levantarem os cartazes de fundo azul com "o slogan" "dia 07 vote PS" e para gritarem essa palavra de ordem.

Foi o acabei de ler no Sapo. Com erro ortográfico e tudo.
Tinha visto e ouvido, havia pouco, José Sócrates no seu costumado e gritado empolgamento público, dirigir-se aos militantes, falando do "horror das famílias" perante o atraso na colocação dos professores e do "terror das famílias" face ao atraso do início do ano lectivo, horror e terror com que o seu governo terminou. Mas nem é do bimbalhismo caricato da aplicação dos termos que quero falar. É de outras coisas.
José Sócrates contou, evidentemente, com a memória habitualmente degradada dos portugueses, certamente já esquecidos de Maria do Carmo Seabra (CDS), que substituiu David Justino (PSD) no governo de Durão Barroso, na sequência do escândalo do falhanço (sabotagem?) da informatização dos processos ligados aos concursos de professores. A nova ministra fez, tanto quanto é conhecido, um trabalho notável, chamando a si todas as responsabilidades, centralizando nela todas as tarefas essenciais e conseguindo, em três ou quatro meses, deixar o caminho totalmente preparado, a esse nível, para a "eficácia" de Maria de Lurdes Rodrigues, que tomou o seu lugar pouco depois. A actual ministra nunca teve a honestidade de reconhecer o trabalho da sua antecessora nem, muito menos, de lhe agradecer. Nem ela nem o novel primeiro-ministro, que aproveitou de imediato o facto para se pôr tal como ainda permanece hoje: sempre em bicos de pés.
Mais: a ministra "de direita" tomou decisões que acabaram com situações que envergonhavam o país perante qualquer outro membro da "Europa", dando, pela primeira vez desde o 25 de Abril, prioridade na colocação aos professores com problemas de saúde. A ministra "de esquerda", no ano imediatamente seguinte, por pressão dos sindicatos (vejam lá!), "de esquerda", diminuiu o alcance dessa medida, por questões de "justiça" em relação aos professores de Quadro de Zona Pedagógica. Como se a percentagem de deficientes que trabalham em Portugal, e ainda por cima em empregos que exigem a posse de uma licenciatura, fosse significativa...! Mas, já se sabe, para a "esquerda"temos que atender às massas, não aos indivíduos. E a entre a massa de pagantes dos sindicatos poucos são os "pobres espoliados dos mais elementares direitos humanos numa sociedade apodrecida pelo capitalismo". Uma chatice... para esses espoliados.
Comecei a escrever isto, tive que interromper por duas horas e ao voltar, mesmo agora, sinto-me já demasiado cansado para continuar. Penso que o que disse fala por si, sem precisar de mais comentários.
Limito-me a acrescentar que à esquerda portuguesa, toda ela, se quiser fazer alguma revolução, bastará combater-se a si própria.

05 outubro 2008

Lutas


Mário Nogueira tem razão no que diz, mas os professores, ao aceitarem o que lhes tem sido imposto gradualmente, tanto do ponto de vista da sua carreira e condições de trabalho como do ponto de vista pedagógico, com a submissão e a passividade que até hoje demonstraram, não poderiam esperar - e, portanto, merecer - outra coisa. A tirania existe apenas quando existem tiranizáveis - e, afinal, até estamos em "democracia", não é?
Quanto aos professores que verdadeiramente têm lutado contra o abastardamento e o abandalhamento gerais do ensino no país, para esses a sua maior luta diária é, presentemente e antes do mais, a de conseguirem não perder o respeito por si próprios.

06 abril 2008

Leitura recomendada


Aqui (via Range-o-Dente).

30 março 2008

Atenção!


Se não leram, façam favor de ler este post da Abobrinha e, se assim o entenderem, vão comentando, que eu já cá venho.
Entretanto, leiam também este.