... e que, a meu ver, merece reflexão, complementado com o que escrevi aqui, tempos atrás. Será interessante ler também o texto de resposta inserido na página de onde retirei o "boneco" e que é bem elucidativo de como os exemplos dados são a prova provada da ignorância de quem o redigiu sobre a realidade de que fala o que se segue:
Geração à rasca
Geração à rasca foi a minha. Foi uma geração que viveu num país vazio de gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à segurança social.
Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.
Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a oficial Emissora Nacional, a católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da época.
Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails cheios de "k" e vazios de conteúdo.
As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600 ou, então, nas viagens para as antigas colónias, para combater o "inimigo".
Quem não se lembra dos célebres Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia, entre outros tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza... a viagem de ida.
Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar, não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos laranjada, gasosa e pirolito.
Recordo que, na minha geração, o País, tal como as fotografias, era a preto e branco.
A minha geração sim, viveu à rasca. Quantas vezes o meu almoço era uma peça de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma lata de conserva com umas batatas cozidas dava para 5 pessoas.
Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais, o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar. Hoje vão comemorar os fins dos cursos para fora do país, em grupos organizados, tudo pago pelos paizinhos…
Há que relembrar que muitos, mas mesmo muitos, da minha geração tinham que começar a trabalhar antes dos 15 anos, para com os miseráveis “tostões” provenientes da recompensa do seu trabalho, ajudar a pagar as despesas dos pais, e “só” por isso não podiam estudar mais.
Afinal qual é a geração à rasca?