09 março 2011
Homenagem às mulheres lusas
18 janeiro 2011
Memória a prazo
14 janeiro 2011
Candidatos à vergonha - 2
Num comentário ao post anterior, Confraria da Alfarroba escreveu:
«ser-se candidato é vergonhoso. pedir-se votos vergonhoso é. pedir-se votos à padralhada, já é demais...»
Ao que eu respondo:
Alfarrobeiro
O homem não pediu para que o padre incentivasse os paroquianos a votarem nele, não diabolizou nem pediu para diabolizar quem fosse socialista. Apelou à não-abstenção, como é, aliás, sua obrigação, dado o cargo que, bem ou mal, exerce (e eu, repito pela enésima vez, jamais votarei nele). Se tinha outras intenções, bom… não serei eu quem porá as mãos no fogo. Mas não é isso que está em causa.
É que se um padre "progressista", presente numa qualquer visita do "poeta Resistente", tivesse dito que iria incentivar o seu rebanho a votar, já a conversa seria outra. Aí, passaria a constituir uma identificação do "verdadeiro cristianismo" com a justiça social e a "padralhada", uma força com que se deve contar para o século XXI. Seria apresentado e publicitado como um exemplo para o país, um indício de "verticalidade, isenção e coragem", um sinal da mudança dos tempos. Ou tens dúvidas sobre isso?
O que me enoja no sr. Alegre é esta hipocrisia, esta falta de escrúpulos morais e políticos, este ilusionismo do vale-tudo que procura desnortear a realidade, prendendo viscosamente a vida dos seus compatriotas aos objectivos da sua auto-promoção. É disso que tenho vindo a falar, quando falo dele.
Cavaco será uma mentira? Sê-la-à, mas, apesar de tudo, uma mentira que não atinge o nível de repugnância a que chega Alegre.
Candidatos à vergonha - 1
Pedir que cada um, na posição institucional, social e profissional que desempenha, apele a que outrem assuma os seus deveres de cidadania, votando, é um apelo à apelo à violação da neutralidade eleitoral?! Pedir ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas para que incentive os seus subordinados ao voto é um apelo violador da neutralidade dos militares?! Quando Alegre concorre, dentro do seu partido, procura violar a neutralidade dos Presidentes das Distritais quando os incentiva a que apelem ao voto de todos os militantes?! Isto faz qualquer sentido?!
Este agente técnico do poema emproado vai perdendo, pouco a pouco, a aparência sequer de dignidade.
03 janeiro 2011
Esclarecimento
Num comentário a este meu post, Rio d’Oiro escreveu o seguinte:
Ao que lhe respondo:
Entre a ambiguidade interpretativa que a Constituição permite, a partida que jogam as forças políticas (incluindo o que de cultural existe no "parecer bem"), o papel que um PR pode desempenhar nesse contexto e o que, no caso de Cavaco Silva, ele a si próprio se permite, decorre a actual fase sinistra da vida política e social portuguesa.
Não acredito na possibilidade de um golpe de Estado mais ou menos violento (só se fosse como uma espécie de "balão de ensaio" para a Europa e creio que estamos muito longe disso), mas não descarto a de um outro, palaciano ou palaciano-constitucional, a breve ou médio prazo.
Só que, do meu ponto de vista, Cavaco Silva deveria ter sido bastante mais decidido na oposição ao Governo. Tempos atrás, teria tido essa oportunidade; não o fazendo, com o objectivo de esgotar de vez a credibilidade de Sócrates e do PS, deixou que a situação se degradasse, enredasse e complexificasse a um ponto que, neste momento, ele próprio se pode tornar facilmente vítima de tudo o que faça, em benefício daqueles cujo afastamento provocaria, creio eu, um suspiro de alívio generalizado e o apoio da maioria da população.
O cargo de Presidente da República exige, quanto a mim, uma visão política, uma firmeza e, sobretudo, uma coragem que Cavaco Silva não demonstrou até agora nessa sua função. O mesmo, aliás, se verificou enquanto foi primeiro-ministro, ao não se atrever a pôr travão ao descalabro que se verificou nas “aplicações” dos fundos recebidos da UE, preferindo demitir-se quando a situação se tornou insustentável. É nesse sentido que deve ser compreendido o que escrevi.
27 dezembro 2010
Cinco anos atrás...
26 dezembro 2010
Dúvidas minhas
12 dezembro 2010
Dos maus comportamentos
15 novembro 2010
14 novembro 2010
08 novembro 2010
A propósito do post anterior...
Aquilo a que os portugueses assistiram ontem foi a propaganda pessoal de um candidato que já não tem capacidade para elaborar o discurso e que mesmo sabendo que já havia acordo entre o governo e o PSD insistiu em ler um discurso que aparentemente já estava escrito ainda antes de se realizar a reunião do Conselho de Estado. Como alguém estragou a festa a Cavaco Silva que não teve a possibilidade de apresentar o acordo orçamental como troféu eleitoral na apresentação da recandidatura, restou-lhe dramatizar a situação, reuniu o Conselho de Estado para poder ter direito a um tempo de antena extra.
Quem ouviu a sua intervenção quando apresentou a sua recandidatura percebeu que estava perante a continuação do discurso anterior, o capítulo relativo ao acordo orçamental que constaria no discurso da terça-feira deu lugar a um capítulo dramático lido três dias depois. Cavaco reúne o Conselho de Estado e dirige-se ao país sem fazer referência a uma única conclusão ou reflexão da reunião a que a comunicação dizia respeita, assistimos à continuação do “eu isto” e “eu aquilo” que todos tinham ouvido dias nates.
Vejamos para que serviu a Cavaco Silva reunir o Conselho de Estado:
“Reuni hoje o Conselho de Estado”, “Decidi convocar o Conselho de Estado”, Esta situação resulta de um problema para o qual venho alertando”, “Conheço de perto as dificuldades”, “Por isso, acompanho atentamente, há vários meses”, “Em face disso, reuni de imediato com os partidos políticos”, “A todos alertei para as graves consequências de uma crise política”, “Referi também aos partidos”, “Decidi de imediato ouvir os membros do Conselho de Estado”, “Enquanto Presidente da República, tenho a obrigação de voltar a dizer”, “Confio no sentido de responsabilidade do Governo e da oposição”.
Isto é, eu, eu e mais eu, nem uma única frase que nos faça acreditar que o discurso não estava escrito antes da reunião do Conselho de Estado que nos permita acreditar que um Presidente da República não tenha usado o órgão institucional para promover uma encenação que lhe permitiu continuar três dias depois o discurso de recandidatura.
Ainda por cima muitos portugueses terão ficado atónitos perante um discurso dramático quando toda a comunicação social já tinha noticiado o acordo entre o governo e o PSD. É evidente que Cavaco não teve tempo de reunir com os seus assessores durante a reunião do Conselho de Estado e nenhum lhe sugeriu que o discurso que estava preparado já não fazia sentido porque enquanto a reunião decorria tinha sido divulgado o acordo orçamental.
É provável que alguém tão egocêntrico tenha pouca consideração pela inteligência dos portugueses e insistido num tempo de antena que estava minuciosamente preparado e já com os figurantes do Conselho de Estado a dispersar. Ou então as capacidades intelectuais do Presidente da República já não chegam para fazer uma intervenção espontânea ou, pior ainda, para ter a noção da realidade, ainda por cima o ddiscurso já estava pronto para ser colocado online no site da Presidência, só faltavam as fotografias oficiais para proceder à actualização da página.
Recebido por email
Desde o célebre congresso da Figueira que catapultou o ilustre desconhecido de Boliqueime para a política que esta personalidade não tem feito outra coisa senão enterrar o País e no entanto estranhamente o povo português masoquista quanto baste continua rendido à sua corte e às suas falácias.
Cavaco tem tirado partido da natural apatia do povo português que não quer ou não consegue ver erros graves de Cavaco Silva e que têm contribuído para o nosso atraso estrutural deixando o País à deriva. A elite política tem feito dele uma personalidade de competência que tem vendido aos eleitores da sua área política com sucesso. Já assim foi com Sá Carneiro que coitado nem sequer tempo teve para deixar obra fosse ela boa ou má, no entanto à falta de melhor todos eles se reclamam de seus seguidores. Com Cavaco a situação é diferente ele teve a oportunidade histórica de transformar Portugal, em duas maiorias absolutas consecutivas e numa altura em que o ciclo económico era favorável (a economia estava em crescimento) com o País a ser inundado com MILHÕES e MILHÕES vindos da então CEE a fundo PERDIDO e que ele deixou esvair para o bolso de meia dúzia de oportunistas, sem consequências. O País ficou mais pobre e os seus “amigos” ainda mais ricos tendo os processos instaurados pelo Estado Português prescrito convenientemente, com é costume.
Qualquer manual de economia para principiantes ensina que as reformas estruturais numa economia devem ser feitas quando se reunirem duas condições: estabilidade política e ciclo económico em expansão. Cavaco teve essas duas condições aliadas à entrada de MILHÕES a fundo perdido. O que fez Cavaco? Reformas estruturais ZERO, limitou-se a fazer algumas centenas de quilómetros de AUTO-ESTRADAS (nas quais pagamos para lá passar) e brindou-nos com a obra do seu regime o Centro Cultural de Belém (mais um elefante branco). Este erro crasso do regime cavaquista é a MÃE da crise estrutural que o País atravessa e da qual jamais sairá (oxalá esteja enganado).
Como se isto não bastasse Cavaco cometeu outro grande e GRAVE erro de LESA PÁTRIA, estranhamente nunca referido pelos média, e assim se vai reescrevendo a História e criando mitos. Ele, Cavaco Silva, enquanto Primeiro-ministro e Tavares Moreira enquanto governador do Banco de Portugal, são os RESPONSÁVEIS pelo DESAPARECIMENTO de várias TONELADAS de OURO do Banco de Portugal que terão sido displicentemente “investidas” numa empresa norte-americana que entretanto faliu, ficando o País a ver navios e sem o OURO. Num País civilizado isto teria no mínimo responsabilidades políticas e Cavaco não poderia ter outra aventura política, no entanto os portugueses, resolveram meter a raposa no galinheiro, premiando-o com a presidência da república, onde para além de ir coleccionando lautas reformas, vai fazendo o que pode pelos seus correligionários políticos, como foi o caso de Dias Loureiro que se manteve foragido no Conselho de Estado protegido pela sua asa protectora até ao limite do absurdo.
A “roubalheira” do BPN, que todos nós portugueses pagámos, foi feita IMPUNEMENTE por pessoas com altos cargos no PSD e nos governos de Cavaco Silva, e o único responsável que se encontra preso em “domiciliária” encontra-se bastante doente, estando todos à espera que ele morra para mais uma vez a culpa morrer solteira, enquanto todos os outros vão escapando pela malha larga da justiça, do bloco central de interesses.
É preciso não esquecer que este brilhante economista no seu consulado de primeiro-ministro em duas maiorias absolutas consecutivas, nas melhores condições económicas conjunturais de sempre, deixou crescer a dívida pública em dez por cento para além de não ter feito uma única reforma estrutural de que o país carecia.
A partir de D. Dinis, no Século XIII, com o tratado de Alcanizes, o nosso espaço territorial tem sido mais ou menos estável, foi preciso terem passado 700 anos para pela mão de outro político, com tiques monárquicos, que segundo o próprio “nunca tem dúvidas e raramente se engana”, chamado Cavaco Silva, tendo sido acompanhado nesta negociata monstruosa, pelo seu ministro das obras públicas, Ferreira do Amaral, que assim ambos ficarão na História (trágica) portuguesa por ambos terem protagonizado a alienação de território nacional.
Assim sendo, leiam esta história de pasmar. O Estado português, sob a direcção de Cavaco Silva, numa “negociata” favorável a uma empresa privada, a LUSOPONTE, abdicando da soberania em todo o espaço do território nacional e cedeu uma parte do território nacional a … essa mesma empresa privada.
Agora com a construção (previsível) de uma nova ponte a montante da Vasco da Gama para a poder construir o Estado Português, terá de, ao abrigo deste “estranho e lesivo acordo” terá de indemnizar a Lusoponte. Para melhor compreendermos o “interesse nacional” a pessoa que negociou em nome do Estado este mesmo acordo “ruinoso” para o próprio Estado, assim que sai do governo vai direitinho para a Administração da (imaginem) Lusoponte, empresa esta que é a grande beneficiária do acordo que ele mesmo assinou enquanto Ministro das Obras Públicas do governo de Cavaco Silva.
É também preciso “recordar” o caso SIRESP da responsabilidade do governo de Cavaco Silva, caso este também bastante nebuloso, mas “curiosamente” vindo a ser arquivado segundo parece pelo PS quando era ministro da área o actual presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.
Para terminar se existe por aí algum cavaquista empedernido que desminta estes factos e que juntamente me esclareça da tal “obra cavaquista” legada pelo seu longo consulado, da qual só se conhecem generalidades difusas, mas da qual ainda não vi factos.
Para ser sério, competente e honesto não basta dizê-lo, tem também que se parecer.
29 outubro 2010
Mas, ainda antes de ir descansar...
Por Vasco Pulido Valente, no Público
Numa atmosfera de grande exaltação e triunfo, o dr. Cavaco apresentou a sua segunda candidatura à Presidência da República. Parece que na sala do CCB, a mesma onde ele apresentara a primeira, ninguém deu pelo facto trivial de que ele falhara miseravelmente durante todo o seu mandato. O Cavaco de 2005 não se resignava "a um crescimento medíocre da economia", nem ao aumento do desemprego e da pobreza. O Cavaco de 2005 queria tirar outra vez Portugal da "cauda da Europa" e era esse o seu principal objectivo. O Cavaco de 2005 criticava duramente "a má relação custo-eficácia dos serviços públicos": causa principal da "crise das finanças públicas". Vale a pena comentar? Em 2005, Cavaco prometeu o que não podia prometer e assistiu, inerme, à desgraça dos portugueses.
Voltou agora, como sempre fez desde o princípio, com um extravagante elogio da sua pessoa. A acreditar nele, as virtudes que o ornam não acabam mais: "conhecimento, experiência, rectidão, serenidade, realismo e bom senso". Resistirá o cidadão comum a tão perfeito herói? Não é provável. Sobretudo se engoliu o elogio histórico que humildemente o dr. Cavaco se dispensou a si próprio. "Sei bem", avisou ele, "que a minha magistratura de influência produziu resultados positivos"; mas também sabe - e Sócrates que tome nota - que o governo, por pura maldade, não aproveitou como devia essa caridosa benesse. De qualquer maneira, em que abismo estaria hoje Portugal, sem a intervenção de Cavaco? O homem providencial que alertou, que avisou, que estimulou o compromisso (e a moderação), que apontou radiosos caminhos do futuro e defendeu lá fora o santíssimo interesse nacional? Estaria com certeza muito mal, se já não estivesse como está.
Em 2010, Cavaco, que mandou uma eternidade neste pobre país, resolveu por razões obscuras mudar da "magistratura de influência" para uma nova espécie de magistratura que ele chama "activa". Claro que em nome da sua dignidade e da dignidade do Estado não revelou o que entendia por "activa". Até porque a Constituição lhe atribui um papel essencialmente decorativo e Cavaco, coitado, não é De Gaulle. É só uma pequena parte da farsa política portuguesa. Suponho que vai ganhar em Janeiro e presidir, empertigado, à dissolução do país, com algumas sentenças pelo meio. O facto básico da sua irremediável impotência não lhe deixa outro destino. Nem ele o merece.
17 dezembro 2009
Novamente, recebido por email...
Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal.
Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar,
como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares.
Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.
26 outubro 2009
A cerimónia
19 outubro 2009
Mário Crespo dixit
Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público. Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter.
Do mesmo modo, uma Comissão de Negócios Estrangeiros no Senado nunca aprovaria Lopes da Mota para um cargo em que representasse todo o país num órgão estrangeiro, por causa das reservas que se levantaram com o seu comportamento em Felgueiras, que denotou a falta de entendimento do procurador do que é político e do que é justiça. Também por isto, numa audição da Comissão Judicial do Senado, Alberto Costa, com os seus antecedentes em Macau no caso Emaudio, nunca teria conseguido ser ministro da Justiça, por pura e simplesmente não inspirar confiança ao Estado.
Assim, se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação inevitavelmente acarretaria num sistema político mais transparente. Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira. Nenhum destes actores do nosso quotidiano tinha passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos. Aqui nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações. Não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas. É que essa cidadania avançada que regula a democracia americana ainda não chegou cá.