Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Universidades. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Universidades. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Universidades Privadas: No primeiro assalto ao Estado Social, os privados perderam…


Universidades Privadas: No primeiro assalto ao Estado Social, os privados perderam…

Quatro universidades privadas vão fechar portas no próximo ano por falta de alunos e de verbas, uma de forma compulsiva e outras três de forma voluntária, avançou ao jornal i fonte oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, sem identificar as instituições em causa.                                                     
OBSERVADOR
***«»***
A criação de universidades privadas, nos finais do século passado, foi o primeiro assalto do grande capital ao edifício do Estado Social. O objectivo era essencialmente comercial, mas também levava à ilharga o lastro político e ideológico. Beneficiaram da falta de oferta do ensino superior público, que não conseguia responder à forte procura das famílias portuguesas que, na altura, queriam ver os filhos "doutores", alimentado aquela vã esperança de que um canudo na mão abriria todas as portas para emprego certo e bem remunerado. As "fábricas" de produzir doutores em série pôs-se em marcha acelerada, enquanto as vacas eram gordas. Depressa se percebeu que aquilo não era para levar a sério. Dessas fábricas, de características artesanais, começaram a sair analfabetos funcionais. Mas eram doutores, carago!

Entretanto, o Estado, e eu ainda não sei por que razão, uma vez que o capital e os governos andavam de mãos dadas, passeando aquela amizade neoliberalizante, começou a investir em força no ensino superior público, que se modernizou e actualizou, criando uma miríade de cursos superiores, alguns completamente desajustados à realidade científica e ao mercado de trabalho. Se não fosse a crise a travar aquela criatividade inventiva, hoje até teríamos calistas e manicures, com licenciatura e mestrado.

Agora, uma vez conhecida a fraude das universidades privadas, e, devido à crise, elas estão insolventes. Só me admira que ainda não tenha aparecido uma voz piedosa a pedir que o Estado avance, para apagar o incêndio, injectando dinheiro naquelas instituições falidas. É que, candidatos a calistas e a manicures não faltam no mercado.
Alexandre de Castro

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Universidade de Coimbra _ 725 anos _ Uma História de Luz _ Coimbra 2015




Julgo que está a nascer uma nova forma de Arte, sustentada num suporte virtual e baseada nas novas tecnologias. Será a marca artística da civilização tecnológica, que irá ver surgir novas abordagens conceptuais e formais. Bastará emergir um génio criador, que a imortalize e que saiba seduzir e inspirar as novas gerações de artistas e de públicos.

sábado, 21 de junho de 2014

Meco: MP recusou investigar trajetos de carros dos 'dux'


Os pais pediram para investigar as vias verdes dos carros de quatro ‘dux’ para saber se teriam estado na casa alugada pelos estudantes da Universidade Lusófona, em dezembro passado, mas o Ministério Público negou a investigação, de acordo com o Diário de Notícias.
A investigação que a família pedia junto da Via Verde tinha como objetivo clarificar se haveriam mais ‘dux’ na casa alugada pelos estudantes, além do sobrevivente João Gouveia e das seis vítimas.

***«»***
Paira no ar uma sombra de muitas dúvidas sobre a forma como o Ministério Público e a Polícia Judiciária (PJ) estão a investigar o caso do Meco. As sucessivas denúncias das famílias das vítimas e do seu advogado, que acusam aquelas autoridades de não efetuarem todas as diligências necessárias para o apuramento da verdade, inclusivamente negando avançar com os procedimentos devidos para aquelas que lhes são sugeridas, leva-nos a perguntar que tipo de cavernosos poderes ocultos e sinistros estão por detrás do mundo nebuloso das praxes académicas.
A morte trágica daqueles jovens universitários, em circunstâncias estranhas, que não se enquadram na narrativa daqueles que vieram logo a terreiro defender a tese do acidente fortuito, sem qualquer ligação com exercício de práticas iniciáticas (como é que eles sabiam?!), exige uma investigação séria e profunda. É a credibilidade da Justiça que está em causa.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Por vezes, paga o justo pelo pecador


Universidades vão receber verbas cortadas em excesso

O secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, enviou uma carta ao presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, onde refere que irá devolver a verba que foi cortada em excesso, no Orçamento do Estado (OE), às universidades (…)

***«»***
Eu também escrevi uma carta ao secretário de Estado da Segurança Social a pedir-lhe a devolução da verba que "foi cortada em excesso" na minha pensão de reforma, mas, até à data, ainda não recebi a devida resposta. Espero que seja respeitado o princípio constitucional da equidade, que é como quem diz, em linguagem popular, ou comem todos ou não come ninguém. 
É a segunda vez que o conselho de reitores das Universidades Públicas consegue fazer recuar o governo, na sua intenção de fazer cortes no ensino universitário. Em 2012, numa reivindicação semelhante daquele conselho, o ministro da Educação resolveu o problema, transferindo a verba reclamada do orçamento do ensino secundário para o orçamento do ensino universitário, o que para mim constituiu uma injustiça e uma leviana arbitrariedade. Agora, tenho receio de ser eu a ter de pagar, através de um novo corte na minha pensão de reforma, parte daquela verba.
Eu compreendo a gravidade da situação por que passam as universidades públicas (tão importantes para o desenvolvimento do país), quando começam a escassear os meios financeiros para poderem cumprir a sua nobre missão. É um pilar do nosso Estado Social, que a todo custo devemos defender da voragem desta política neoliberal, que o pretende destruir. Mas também sei que aqueles 50 milhões de euros vão evitar o cancelamento de muitas viagens ao estrangeiro, destinadas à frequência de congressos científicos, que alguns professores utilizam mais para fazer turismo. Turismo científico, claro.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Praxes – por Luís Menezes


Se há algo que demonstra a degradação em que tem caído a nossa sociedade é a proliferação de praxes académicas, a pretexto de uma tradição que não tem qualquer cabimento, especialmente em universidades que surgiram no século xx. Na verdade, as praxes académicas, pretendendo ser rituais iniciáticos, são efectivamente exercícios de sadismo e de humilhação, que nunca deveriam ter lugar num Estado de direito. Invocando uma tradição académica inexistente, praticam-se a coberto das praxes verdadeiras violações dos direitos humanos, por vezes com consequências trágicas para os estudantes envolvidos.
O que mais choca nas praxes é a total complacência das autoridades académicas e dos responsáveis políticos, que têm transigido com essas práticas em lugar de as reprimir severamente. Não é aceitável que os claustros universitários, em lugar de serem destinados ao ensino e à investigação, sejam utilizados como coliseus onde se praticam verdadeiros massacres de estudantes. E muito menos é aceitável que as universidades, em lugar de acautelarem a segurança física dos seus alunos, aceitem pacificamente que os mesmos sejam submetidos a práticas de risco para a saúde e a própria vida.
Em 1727, D. João V determinou que "todo e qualquer estudante que por obra ou palavra ofender a outro com o pretexto de novato, ainda que seja levemente, lhe sejam riscados os cursos". Sigam o exemplo do Magnânimo e decretem desde já medida semelhante. Vão ver como estes abusos acabam num instante.
Luís Menezes
Professor da Faculdade de Direito de Lisboa

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Praxes: "Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos"


Há 12 anos, Maria Macedo passava por uma dor semelhante àquela que os pais dos seis estudantes que morreram na praia do Meco estarão a sentir. O seu filho, Diogo, de 22 anos, perdeu a vida depois de uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão. Ao Diário de Notícias esta mãe, que continua de luto, diz não ter ainda desistido de encontrar os culpados para tão trágico desfecho.
 “É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”. Assim descreve Maria Macedo, em entrevista ao Diário de Notícias, a forma como tem acompanhado a tragédia do Meco. Afinal, há 12 anos passava sensivelmente pela mesma devastadora experiência dos pais dos seis alunos que morreram no passado mês de dezembro. O seu filho Diogo, de 22 anos, perdeu a vida após uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão.
Naquele dia de outubro, de 2001, Diogo até já estava de pijama, em casa, quando recebeu um telefonema que lhe traçaria o destino. Acabou por sair. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, justificou, então, aos pais. Estas viriam a ser as últimas palavras que lhes haveria de dirigir.
Maria Macedo conta ao Diário de Notícias que também naquela altura se ergueu um muro de silêncio sobre o sucedido.
Aos pais dos estudantes que morreram no Meco, que considera ser ainda muito cedo para terem acordado face à realidade que os circunda e circundará daqui para a frente, esta mãe deixa o conselho: “Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade”. Porém, reconhece, “não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”.
E, desabafa: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [instituições de ensino superior] só veem números, não veem a parte humana”.
Para Maria, que assegura, nunca desistirá de descobrir a verdade, não há duvidas. As praxes são “um crime público”, havendo, contudo, “uma falta de vontade política para resolver isto. Porque há muitos interesses”.


***«»***
Não estou a ver no poder político nem nas autoridades universitárias qualquer vontade em mudar seja o que for no que diz respeito às praxes académicas. A atitude dúbia de Nuno Crato e a recusa de Passos Coelho em legislar sobre aquela matéria são indicadores esclarecedores. Adensa-se a suspeita que, por detrás daquelas organizações cabalísticas, outros interesses e poderes andam escondidos, e que têm a ver com organizações secretas poderosas, vinculadas a ideologias políticas pouco recomendáveis num regime democrático. 
A clarificação desta suspeita poderá a vir ser dada pela Justiça. Esperemos que o Ministério Público não ceda à subterrânea influência daqueles poderes e daqueles interesses.

Praxes: "Nós pagamos o passaporte para a morte dos nossos filhos"


Há 12 anos, Maria Macedo passava por uma dor semelhante àquela que os pais dos seis estudantes que morreram na praia do Meco estarão a sentir. O seu filho, Diogo, de 22 anos, perdeu a vida depois de uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão. Ao Diário de Notícias esta mãe, que continua de luto, diz não ter ainda desistido de encontrar os culpados para tão trágico desfecho.
 “É um reviver de um filme que passa todos os dias pela minha cabeça”. Assim descreve Maria Macedo, em entrevista ao Diário de Notícias, a forma como tem acompanhado a tragédia do Meco. Afinal, há 12 anos passava sensivelmente pela mesma devastadora experiência dos pais dos seis alunos que morreram no passado mês de dezembro. O seu filho Diogo, de 22 anos, perdeu a vida após uma noite de praxes na Tuna da Universidade Lusíada, em Famalicão.
Naquele dia de outubro, de 2001, Diogo até já estava de pijama, em casa, quando recebeu um telefonema que lhe traçaria o destino. Acabou por sair. “Só vou à tuna resolver a minha vida”, justificou, então, aos pais. Estas viriam a ser as últimas palavras que lhes haveria de dirigir.
Maria Macedo conta ao Diário de Notícias que também naquela altura se ergueu um muro de silêncio sobre o sucedido.
Aos pais dos estudantes que morreram no Meco, que considera ser ainda muito cedo para terem acordado face à realidade que os circunda e circundará daqui para a frente, esta mãe deixa o conselho: “Lutem para que se faça justiça. Responsabilizem a faculdade”. Porém, reconhece, “não será fácil. Até porque vê-se que a faculdade está a cozinhar com os alunos. O mesmo que me fizeram a mim. Exatamente igual”.
E, desabafa: “Nós, pais, pagámos o passaporte para a morte dos nossos filhos. Nós andamos anos a pagar o passaporte para a morte dos nossos filhos. Eles [instituições de ensino superior] só veem números, não veem a parte humana”.
Para Maria, que assegura, nunca desistirá de descobrir a verdade, não há duvidas. As praxes são “um crime público”, havendo, contudo, “uma falta de vontade política para resolver isto. Porque há muitos interesses”.


***«»***
Não estou a ver no poder político nem nas autoridades universitárias qualquer vontade em mudar seja o que for no que diz respeito às praxes académicas. A atitude dúbia de Nuno Crato e a recusa de Passos Coelho em legislar sobre aquela matéria são indicadores esclarecedores. Adensa-se a suspeita que, por detrás daquelas organizações cabalísticas, outros interesses e poderes andam escondidos, e que têm a ver com organizações secretas poderosas, vinculadas a ideologias políticas pouco recomendáveis num regime democrático. 
A clarificação desta suspeita poderá a vir ser dada pela Justiça. Esperemos que o Ministério Público não ceda à subterrânea influência daqueles poderes e daqueles interesses.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Meco : as provas que apontam para ritual de praxe

*
É a verdade o que esta corajosa mãe pretende, já que não podem restituir-lhe a vida da filha. É a verdade o que todos nós queremos, para que a ignomínia e a tragédia não se repitam. Queremos saber quais os poderes ocultos que se escondem por detrás desta sofisticada máquina das praxes académicas das universidades privadas, que procuram alienar e manietar, para fins pouco claros, os jovens universitários. Começam a surgir muitas dúvidas e muitas perguntas inquietantes, ainda sem resposta, sobre a natureza e os objetivos destas práticas iniciáticas, que têm na base organizações secretas e obscuras e, pelos vistos, tenebrosas.
AC

sábado, 25 de janeiro de 2014

Professor da Universidade do Minho 'praxado' por alunos


Professor da Universidade do Minho 'praxado' por alunos
Numa abordagem a uma turma que se encontrava em praxe, na Universidade do Minho, um docente ouviu a pergunta “O que é o caralho?” ser-lhe colocada por um ‘doutor’. Como conta o Diário de Notícias, a ‘praxe’ ao professor só terminou quando o mesmo chamou os seguranças.

***«»***
A praxe académica está a transformar-se numa paranóia coletiva, cruel, boçal e animalesca. Fruto de uma demência monstruosa e delirante, que se apoderou dos nossos jovens universitários, a praxe está a ser assumida como uma cultura de rituais satânicos e bárbaros, emoldurados num quadro de extrema violência física e psicológica. Com a imaginação à solta, cada jovem veterano dá largas à sua criatividade, inventando cenários de tortura originais, nem que, para conseguir o orgasmo sádico, se recorra a práticas atentatórias da dignidade das suas vítimas, e pondo em perigo a sua saúde e até a própria vida.
Enganou-se quem falou de uma Geração à Rasca. A atual geração universitária é a geração da cerveja e da praxe.
Que tipo de sociedade está a ser formada?
AC

sábado, 22 de junho de 2013

Universidade de Coimbra foi hoje reconhecida como Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura),

Fotografia do jornal PÚBLICO

O Comité do Património Mundial, reunido em Phnom Penh, no Camboja, justifica a sua classificação num texto publicado no site da UNESCO que se transcreve:

“Situada numa colina sobranceira à cidade, a Universidade de Coimbra, com as suas faculdades, cresceu e evoluiu no interior da velha cidade durante mais de sete séculos.
Os edifícios ilustres da universidade incluem a Igreja de Santa Cruz, do século XII, e algumas faculdades do século XVI, o Paço Real da Alcáçova, que albergou a Universidade desde 1537, a Biblioteca Joanina com a sua rica decoração barroca, o Jardim Botânico do século XVIII e a Imprensa da Universidade, bem como a ‘Cidade Universitária’ criada durante os anos 1940.
Os edifícios da universidade tornaram-se uma referência no desenvolvimento de outras instituições de estudos superiores no mundo falante de português, no qual exerceu grande influência quer no ensino, quer na literatura.
Coimbra é um exemplo notável de uma cidade universitária integrada com uma tipologia urbana específica, com as suas cerimónias próprias e tradições culturais que foram sendo mantidas vivas ao longo do tempo.”
Ver notícia do jornal PÚBLICO
***«»***
Como português, sinto-me orgulhoso com esta honrosa distinção da UNESCO, ao classificar a Universidade de Coimbra como Património Mundial, destacando-lhe, como atributos, a perspetiva material - o seu histórico e harmoniosos conjunto arquitetónico, bem integrado na malha da cidade - e a perspetiva imaterial - a sua importância na difusão da língua portuguesa e da respetiva cultura, através do mundo, até onde chegou o génio da expansão das Descobertas.
A Universidade de Coimbra, que já fazia parte da nossa identidade coletiva, passa a ser agora um dos seus mais importantes símbolos.
Portugal é um dos países do mundo mais respeitados, como se constatou em Phom Penh, no Cambodja, com os delegados dos países do Comité do Património Mundial a contrariarem o parecer do ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO, que aconselhava a adiar a decisão. As palavras do representante da India e o da Tailândia foram comoventes e altamente gratificantes para com Portugal. Saibamos nós, governantes e governados, neste momento difícil, respeitá-lo também.
Pela Universidade de Coimbra passaram sucessivas gerações das elites culturais e políticas de Portugal, que foram moldando a nossa sociedade, no seu melhor e no seu pior. Muito dos que os portugueses são hoje, devem-no à Universidade de Coimbra, que formou aquelas elites. Por isso, esta distinção pertence a todos os portugueses.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Sampaio da Névoa: Uma medida cega que fecha o país e lança o caos, avisa reitor de Lisboa


Uma medida cega que fecha o país e lança o caos, avisa reitor de Lisboa

O reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, fez questão de assinar nesta terça-feira um comunicado em que defende que o despacho do ministro das Finanças que sujeita à sua autorização novas despesas das instituições públicas adopta a política do “quanto pior, melhor”, é uma “medida cega e contrária aos interesses do país”, “um gesto insensato e inaceitável” e vai lançar “a perturbação e o caos sem qualquer resultado prático”.
No documento, divulgado na tarde de hoje e intitulado Não é fechando o país que se resolvem os problemas do país, o reitor não poupa nas críticas e avisa que o despacho de 8 de Abril assinado pelo ministro das Finanças vai, na prática, bloquear o funcionamento das instituições públicas: ministérios, autarquias, universidades, etc. Especificamente para a universidade a que preside o congelamento das despesas vai significar “enormes prejuízos no plano institucional, científico e financeiro”, porque vai bloquear compromissos internacionais e que envolvem projectos de investigação, sem que isso signifique qualquer poupança para o Estado.
O que está em causa, diz, é a mais simples das despesas, desde produtos para laboratórios a bens alimentares para as cantinas, passando pela compra de papel.
“Quem, num quadro de grande contenção e dificuldade, tem procurado assegurar o normal funcionamento das instituições, sente-se enganado com esta medida cega e contrária aos interesses do país”, argumenta António Sampaio da Nóvoa, que considera que o congelamento de despesas decidido por Vítor Gaspar “é um gesto insensato e inaceitável, que não resolve qualquer problema e que põe em causa, seriamente, o futuro de Portugal e das suas instituições”. “O Governo utiliza o pior da autoridade para interromper o Estado de direito e para instaurar um Estado de excepção. Levado à letra, o despacho do ministro das Finanças bloqueia a mais simples das despesas, seja ela qual for. Apenas três exemplos, entre milhares de outros. Ficamos impedidos de comprar produtos correntes para os nossos laboratórios, de adquirir bens alimentares para as nossas cantinas ou de comprar papel para os diplomas dos nossos alunos. É assim que se resolvem os problemas de Portugal?”, questiona indignado, lamentando — mais uma vez — a “medida intolerável, sem norte e sem sentido”.
“Não há pior política do que a política do pior”, remata o reitor da Universidade de Lisboa.
***«»***
A reação intempestiva de Gaspar cheira a vingança, vingança essa, que também Passos Coelho não conseguiu dissimular na sua declaração aos portugueses na sexta-feira negra deste governo. Habituados ao poder absoluto, que a confortável maioria no parlamento lhes proporciona, e beneficiando da cumplicidade de um Presidente da República, que é o chefe de fila da matilha predadora, que quer devorar o país, Passos e Gaspar julgavam que podiam torpedear tudo e todos, sem lhes aparecer pela frente quem lhes travasse o ímpeto arrogante.
Passos e Gaspar vão colocar o país em estado de sítio, criando o caos em todos os organismos de Estado, e procurando amedrontar os portugueses com a visão dantesca do inferno, cuja fogueira eles mantiveram acesa, desde que começaram a governar. O ministro Gaspar desceu à categoria de amanuense de terceira classe, ao pretender controlar tudo o que se compra e tudo o que se gasta, incluindo os clips e os rolos de papel higiénico, que agora serão comprados nas lojas dos chineses, onde são mais baratos. Com raiva incontida, querem diluir a dura humilhação, pela derrota infligida pelo Tribunal Constitucional, e o seu clamoroso insucesso, ao nível das contas públicas (nunca acertaram em nenhuma das suas previsões).
Enraivecidos, são dois animais políticos perigosos, que andam à solta.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Vox Pop - A ignorância dos nossos universitários

Sugestão de Diamantino Silva e de Joaquim Pereira da Silva
***
Esta amostra poderá não ser estatisticamente significativa. Poderá até ter havido a intenção malévola de selecionar os exemplos mais negativos. Mas é, sem dúvida, exemplarmente elucidativa! Comprova, pelo menos, o elevado grau de iliteracia de muitos jovens universitários portugueses. Alguns até poderão vir a ser brilhantes, nas áreas específicas dos seus conhecimentos, mas serão sempre ignorantes na compreensão e na apreensão do mundo que os rodeia. Falta-lhes a visão dialética, a cultura geral e a capacidade de pensamento crítico. E isto é preocupante, porque sem elites esclarecidas, nenhum país progride.
Lembro-me que, no início da década oitenta, do século passado, um jornal deu-se ao trabalho de fazer, em entrevista, um pequeno teste de Língua Portuguesa aos alunos do 1º ano da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Um autêntico desastre, que provocou algum escândalo, na época. E eu fiquei em pânico, porque fico sempre em pânico, quando vejo pobreza à minha volta.

sábado, 14 de julho de 2012

Lusófona lança campanha de saldos de doutoramentos...

Imagem de uma pubicação de Lara Raquel Caldeira Ferraz
Pode não ser a forma de luta mais consequente, mas tenho de admitir que José Manuel Coelho é o político que melhor ridiculariza a podridão deste regime nepótico e cleptocrático.

domingo, 27 de novembro de 2011

Vox Pop - A ignorância dos nossos universitários HD

***
Isto é bem pior do que aquilo que eu julgava. Nem nos formandos do programa "Novas Oportunidades" se vê tanta asneira junta. Bem, mas eu já vi pior. Na década de oitenta, do século passado, alguém se lembrou de fazer um inquérito aos alunos do 1º ano da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sobre as suas competências em Língua Portuguesa. Foi um desastre! Mas o país não se assustou, nem o governo da altura, entretido que estava com a contabilidade do alcatrão, se preocupou. Nem era preciso. Se, mesmo assim, o dinheiro continuava vir a jorros da Europa!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Praxe solidária na Escola Superor Agrária de Bragança


Vídeo

Aqui está uma forma inteligente e eficaz de integração dos alunos numa instituição académica, e que se apresenta com uma dimensão social de inegável valor. Ao mesmo tempo, esta louvável iniciativa dos estudantes transmontanos encerra, na sua mensagem, um provocador desafio à indigência daqueles que se revêem na brutalidade mais primitiva das praxes universitárias correntes, onde já nem sequer se respeita a dignidade humana. Ultrapassa o meu entendimento a insanidade que percorre anualmente as universidades portuguesas, no início de cada ano lectivo (e com a benevolente complacência das autoridades académicas), quando se assiste à ocorrência de espectáculos degradantes, dignos de figurarem em qualquer tratado sobre a estupidez humana. Não me parece saudável que as futuras elites intelectuais e profissionais deste impenitente país aprendam a amestrar pessoas, obrigando-as a mergulhar a cabeça na bosta dos bois ou a simularem em público gloriosos orgasmos. Eu, se mandasse, enjaulava esses meninos e meninas no Jardim Zoológico, ao lado dos macacos, o único sítio compatível com a sua irracionalidade animalesca, e promovia à categoria de tratadores de animais (com a respectiva remuneração da tabela salarial deste sector profissional) aqueles professores universitários, que parecem conviver bem com esta degradação, sem terem nenhum sobressalto, nem nenhum remorso, sobre os sinais de decadência, que estas práticas burlescas e desajustadas do contexto civilizacional representam. Parabéns aos alunos da Escola Superior Agrária de Bragança.

Praxe solidária na Escola Superior Agrária de Bragança

Aqui está uma forma inteligente e eficaz de integração dos alunos numa instituição académica, e que se apresenta com uma dimensão social de inegável valor. Ao mesmo tempo, esta louvável iniciativa dos estudantes transmontanos encerra, na sua mensagem, um provocador desafio à indigência daqueles que se revêem na brutalidade mais primitiva das praxes universitárias correntes, onde já nem sequer se respeita a dignidade humana. Ultrapassa o meu entendimento a insanidade que percorre anualmente as universidades portuguesas, no início de cada ano lectivo (e com a benevolente complacência das autoridades académicas), quando se assiste à ocorrência de espectáculos degradantes, dignos de figurarem em qualquer tratado sobre a estupidez humana. Não me parece saudável que as futuras elites intelectuais e profissionais deste impenitente país aprendam a amestrar pessoas, obrigando-as a mergulhar a cabeça na bosta dos bois ou a simularem em público gloriosos orgasmos. Eu, se mandasse, enjaulava esses meninos e meninas no Jardim Zoológico, ao lado dos macacos, o único sítio compatível com a sua irracionalidade animalesca, e promovia à categoria de tratadores de animais (com a respectiva remuneração da tabela salarial deste sector profissional) aqueles professores universitários, que parecem conviver bem com esta degradação, sem terem nenhum sobressalto, nem nenhum remorso, sobre os sinais de decadência, que estas práticas burlescas e desajustadas do contexto civilizacional representam. Parabéns aos alunos da Escola Superior Agrária de Bragança.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O nacional-facilitismo na Universidade



Uma perigosa reaccionária
.
Uma professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa ficou sem a regência de duas cadeiras por ter chumbado mais de 50% dos alunos. O motivo invocado pelo Departamento de Química da Nova para a punição não deixa dúvidas: "Aumento súbito do insucesso escolar". Desde que, no sistema educativo português, foi consagrado entre os direitos, liberdades e garantias fundamentais o direito ao sucesso escolar, quem se meta entre um aluno e o diploma a que tem direito (atrevendo-se, como no caso, a dar notas negativas em exames finais) é culpado do pior dos crimes, o de terrorismo anti-estatístico. Se o futuro licenciado sabe ou não sabe alguma coisa (ler, escrever e contar, por exemplo), é irrelevante; o país, as estatísticas e as caixas dos supermercados precisam de licenciados. Foi isso que a professora da Nova não percebeu. Arreigada a valores reaccionários, achava (onde é que já se viu tal coisa?) que "um aluno só merece 10 valores se adquiriu as competências mínimas nas vertentes teóricas e práticas da disciplina". Campo de reeducação em Ciências da Educação com ela.
.
Comentário: A cultura do nacional-facilitismo instalou-se em todo o sistema de ensino. Além de ter, no futuro, de pagar com juros a dívida soberana, preocupantemente a crescer todos os dias, esta geração de alunos, que não tem culpa, também irá pagar a sua ignorância e a sua falta de competências.
Não me admiraria nada que o grau de licenciado passasse a ser outorgado na Conservatória do Registo Civil no acto do assentamento de todos os recém nascidos ou na pia baptismal. Doutor passaria a fazer parte do nome próprio de cada cidadão. Portugal passaria a ser um pacóvio país de doutores.
.
Agradeço ao João Fráguas e ao Diamantino Silva a referenciação para este texto, do comentador e poeta Manuel António Pina.

terça-feira, 29 de junho de 2010

José Marques dos Santos: "Tudo o que não for excelente ou muito bom não deve continuar"

Para quem não gosta de polémicas, José Marques dos
Santos pode estar a brincar com o fogo. De forma convicta,
o reeleito reitor da Universidade do Porto avisa que a
reorganização interna da Universidade do Porto vai
avançar até final de 2011, que o número de horas de aulas
semanais deverá diminuir e o corpo docente fixo também
(cerca de 15 por cento). Apesar de evitar posições políticas,
assume-se defensor da regionalização. E, apesar de
reconhecer os avanços do país, pede coragem ao Governo
para avançar com uma reorganização da oferta dos cursos.
Temos, nota, o dobro das instituições de ensino públicas do
que devíamos. Marques dos Santos confirma que tem por
hábito "não ser chorão" e defende grandes mudanças para
os próximos anos.
... "Em 2011 queremos estar entre as cem melhores da
Europa, e nalguns rankings já estamos, e em 2020 entre as
cem melhores do mundo".
PÚBLICO

***
Eu sei que os grandes desígnios têm de ser alimentados pela Utopia. Mas, neste caso, tambem penso que as ilhas de excelência não podem sobreviver durante muito tempo no meio de um mar de ignorância e de incompetência.

domingo, 1 de novembro de 2009

Os erros do tempo do cavaquismo estão a pagar-se caro!...



A iminência da total insustentabilidade financeira da Universidade de Évora, anunciada pelo seu reitor, reflecte o profundo erro cometido nos finais da década de oitenta, ao apostar-se numa centralização do desenvolvimento do país na Região de Lisboa e Vale do Tejo, em detrimento do desenvolvimento das regiões do interior, ao mesmo tempo que, posteriormente, não se soube, por incompetência ou por oportunismo político, promover uma articulação estratégica entre os vários planos sectoriais implementados.
A fundação de várias universidades no interior do país (Évora, Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Alta, Minho e Aveiro) remonta ao início da década de setenta, impulsionada por Veiga Simão, e o seu objectivo, além de proporcionar uma maior oferta de ensino superior, limitado até aí a Lisboa, Porto e Coimbra, consistia em constituír polos de desenvolvimento regional., quer através do aumento de população residente, quer tentando atrair mais investimentos, que, através da criação de mais empregos, estancasse a desertificação inevitável, causada pela imigração em massa da década anterior.
Os resultados, passados alguns anos, começaram a ser visíveis, demonstrando-se que esse seria o caminho certo.
A falta de uma visão estratégica esclarecida, quando Portugal começou a ser inundado pelo dinheiro da então Comunidade Económica Europeia, interrompeu a continuidade desse plano matricial, optando-se por canalizar os grandes investimentos para o litoral, principalmente para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, e marginalizando o interior. Os efeitos desastrosos, ao nível da coesão territorial, só se fizeram sentir muito mais tarde. Enquanto as novas universidades, situadas no litoral, puderam prosseguir os dois objectivos a que se propuseram, as do interior começaram a ter dificuldades crescentes, principalmente a partir da aplicação da nova forma do financiamento do ensino superior, que o anterior governo de José Sócrates implementou para reduzir o esforço financeiro do Estado.
Com uma população estudantil em franco declínio e com uma economia local e regional em acelerada recessão, a Universidade de Évora, segundo o seu reitor, perdeu capacidades de resposta, pela diminuição do efeito de escala.
O exemplo negativo de Évora mostra bem como o planeamento, em Portugal, ainda se encontra numa fase incipiente, desprezando-se a sua racionalidade e utilidade, e que, na boca dos políticos, mais não é do que uma figura de retórica mal amanhada.