Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Tribunal de Contas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tribunal de Contas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Se as consultas demorassem apenas 15 minutos, não haveria falta de médicos de família!...


Tribunal de Contas recomenda ao Ministério da Saúde que liberte médicos dos centros de saúde de tarefas administrativas.E critica exclusão de utentes das listas de médicos de família “por razões administrativas”.
O Tribunal de Contas (TC) encontrou uma hipotética solução para a falta de médicos de família, problema que os sucessivos ministros da Saúde têm tentado resolver ao longos dos anos, sempre sem sucesso. Considerando que o tempo médio de uma consulta dos médicos dos centros de saúde era, há dois anos, de 21 minutos, uma equipa de auditores do TC fez contas e concluiu que, caso se assuma como “razoável” o tempo de 15 minutos para o atendimento, seria possível fazer mais 10,7 milhões de consultas.
PÚBLICO

***«»***
No tempo dos postos de saúde das Caixas de Previdência, de Salazar e Caetano, não havia falta de médicos. As consultas apenas demoravam dois minutos!…
Embora seja importante libertar os médicos dos centros de saúde das tarefas administrativas, o que é certo é que, com esta habilidade de cariz cronométrico, o Tribunal de Contas está a contornar o problema principal: a evidente falta de médicos de família, que a atual política do Ministério da Saúde deliberadamente promove, e que está a comprometer a funcionalidade do Serviço Nacional de Saúde.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

OE 2008: um parecer arrasador do Tribunal de Contas...



Tribunal de Contas
Parecer sobre
a Conta Geral do Estado
de 2008

...¨ No tocante à realização de despesas à margem do Orçamento do Estado, salienta-se que, conforme recomendação reiterada do Tribunal, cessou, em 2008, a assunção de passivos e regularização de responsabilidades por operações específicas do Tesouro. Contudo, registou-se o pagamento de € 26 milhões ao Fundo de Pensões dos Militares das Forças Armadas com o produto da venda de património imobiliário, sem expressão quer na despesa, quer na receita orçamental.
¨ Subsiste a assunção de encargos sem dotação orçamental suficiente, tendo continuado a transitar para o ano seguinte elevados montantes de encargos vencidos. Destaca-se, neste domínio, a criação do programa “Pagar a tempo e horas” que, nomeadamente, fixou metas para a redução dos prazos médios de pagamento a fornecedores de bens e serviços praticados por administrações públicas. Em 2008, o prazo médio de pagamento dos organismos da administração central foi, ainda, de 51 dias, subsistindo, no entanto, reservas quanto ao seu apuramento.
¨ A comparabilidade da despesa tem sido afectada, nos últimos anos, essencialmente, por três ordens de razões: a alteração do universo dos organismos abrangidos pela Conta (em resultado, designadamente, da empresarialização dos hospitais e de outras entidades pertencentes ao sector público administrativo); a alteração de critérios contabilísticos; e a inexistência de informação final sobre a execução orçamental de algumas entidades. Em 2008, teve especial efeito na despesa a criação da contribuição de serviço rodoviário, destinada à EP – Estradas de Portugal, à margem do Orçamento do Estado.

 A informação constante da Conta relativa à execução do PIDDAC continua a considerar, em alguns mapas, saldos transitados na posse dos serviços – o que sobrevaloriza os montantes da despesa realizada – e, em outros, dados de despesa efectiva, não permitindo a respectiva comparabilidade. Observa-se também que em diversos ministérios a execução do PIDDAC comporta um peso excessivo de despesas correntes, contrárias à própria natureza do PIDDAC que é de investimento.
 A conta consolidada do Estado, incluindo a da Segurança Social, continua a apresentar deficiências já assinaladas em anteriores pareceres, de que se destaca a elevada dimensão financeira dos ajustamentos efectuados na sua elaboração, em resultado de erros significativos na classificação económica das receitas e despesas dos vários subsectores.
Em face do exposto, e à semelhança de anos anteriores, o Tribunal coloca reservas aos valores globais da receita e da despesa evidenciados na Conta Geral do Estado de 2008 e, consequentemente, ao valor do défice aí apresentado, na óptica da contabilidade pública.
.
Comentário: O parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado de 2008 é um autêntico atestado de incompetência passado ao governo, já que foram detectadas graves irregularidades e ilegalidades contabilísticas, que colocam em causa a sua transparência, além de não permitirem avaliar com rigor o montante do total das despesas e das receitas, assim como a dimensão do défice orçamental.
A disciplina orçamental é uma exigência para a credibilidade de um qualquer orçamento, e cuja importância não pode ser torpeada pelos golpes rasteiros da engenharia contabilística, normalmente destinados a colmatar os insucessos da execução das más políticas dos governos e a encobrir certas ligações suspeitas entre o Estado e as grandes empresas.
Perante a amostra do que se passou em 2008, é de prever que o parecer às contas públicas de 2009 ainda vá ser mais arrasador e desconfortável, já que se tratou de um ano marcadamente eleitoral, tendo como pano de fundo uma grave crise económica. Aí se irá saber que critérios foram utilizados na distribuição de cerca de 20 biliões de euros pelas empresas em dificuldades e como foram geridas todas as adjudicções por ajuste directo, que este governo tranformou em regra, quando, pela sua delicada natureza, deveria constituir uma excepção.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Relatório do Tribunal de Contas arrasa contrato do Terminal de Alcântara



O artigo do Público, que anexo na hiperligação, procede a um alargado resumo do relatório de auditoria à concessão do terminal de Contentores de Alcântara, elaborado pelo TdC, e que vem aprofundar e pormenorizar o que já foi escrito neste espaço, naturalmente de forma genérica.
Retenho, contudo, dois aspectos referidos naquele relatório, e que demonstram à saciedade, a intencionalidade de favorecer a Liscont (Mota-Engil), em prejuízo do erário público. Em primeiro lugar, a sobreavaliação do volume do tráfego, cujo cálculo não convenceu a banca, que encareceu imediatamente os spreads, o que levou o governo, de forma lesiva para o interesse do Estado, a aceitar o ónus do respectivo risco financeiro.
Esta sobreavaliação, que não foi inocente, permitiu também desenhar o falso cenário da próxima saturação das actuais instalações do terminal, o que deu fundamento ao decisivo argumento da necessidade de anticipar, sem concurso público, as negociações entre o Estado e o concessionário, a fim de promover a extensão temporal do acual contrato, cuja caducidade só ocorrerá em 2013.
Em segundo lugar, a congeminação de um esquema engenhoso, que permitirá a redução do previsto investimento da concessionária, através da isenção de taxas, esquema que vai permitir à Liscont o reembolso de 199 milhões de euros, aliviando, assim, o esforço do investimento nas obras de ampliação do terminal, no valor de 295 milhões de euros.
O negócio é escandalosamente favorável para a Mota-Engil, presidida pelo ex-ministro socialista Jorge Coelho, sendo, por outro lado, altamente gravoso para o Estado. Mais uma vez, são os contribuintes a financiar as grandes empresas, que, não querendo assumir os riscos inerentes aoss seus negócios, convencem alguns governantes, muito desatentos ou pouco escrupulosos, a financiá-lhes perdulariamente os seus ambiciosos projectos, de que esperam tirar fabulosos lucros. E é através destes negócios nebulosos, que os governos continuam a tranformar o Estado numa sua coutada, esbanjando irracionalmente os dinheiros dos contribuintes, que lhes sustentam a desmedida gula e ambição.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Tribunal de Contas chumba alargamento da concessão do Terminal de Alcântara



Tal como se esperava, O Tribunal de Contas (TdC) chumbou a extensão da concessão do Terminal de Alcântara à Liscont, do grupo da Mota-Engil, condenando a não realização de um concurso público internacional e acusando o governo de não ter feito "nem um bom negócio nem um bom exemplo para o sector público em termos de boa gestão financeira e de adequada protecção dos interesses financeiros públicos”, tal como se pode ler no relatório daquele tribunal, ontem publicado.
A posição do TdC não poderia ter sido mais dura e demolidora. Pode o ministro das Obras Públicas, Mário Lino", recorrer aos sofismas que entender, tal como fazem os arguidos, que se declaram sempre inocentes, antes do julgamento. Neste negócio, houve uma intenção deliberada de beneficiar a concessionária, em detrimento dos interesses do Estado, que, como já afirmámos em texto anterior, assumiu todos os riscos do negócio, garantindo a máxima segurança ao investidor privado.
José Sócrates, que já anda a vender as suas promessas eleitorais, garantindo o desenvolvimento do Estado Social, vai ter muita dificuldade em explicar os tortuosos meandros deste negócio, onde um inequívoco favorecimento ilícito a um grande grupo económico evidencia a eventual natureza promiscua do seu governo.
A dois meses das eleições, esta condenação do TdC pode ser letal para quem está a propôr-se à governação do país por mais quatro anos. O descrédito é absoluto.