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domingo, 18 de março de 2018

Bloco Central informal...


PCP afirma estar em curso no país um "Bloco Central informal" PSD/PS


O secretário-geral do PCP afirmou hoje que está em curso no país um "Bloco Central informal" entre PSD e PS, convergência em que os sociais-democratas já preparam uma revisão constitucional a pretexto de uma reforma na justiça.
Jerónimo de Sousa [In NOTÍCIAS AO MINUTO]


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Vai ser um Bloco Central informalmente formal

O Partido Socialista fez um casamento, com separação bens, com os partidos de esquerda, mas, agora, quer continuar a ir dormir à casa da amante, com quem, aliás, sempre andou a dormir. E este adultério é apadrinhado pelos seus primos políticos de Bruxelas e de Berlim, que sempre torceram o nariz a este casamento, considerado politicamente contra natura.

O doutor Costa, em breve, vai começar a dizer que não se tratou de um casamento, mas sim de um arranjinho de ocasião, para satisfazer as necessidades do poder, e já começou a construir a metáfora adequada às suas ambições, (as partidárias e as pessoais), em que o Partido Socialista será o árbitro de um combate de boxe, entre a esquerda e a direita, quando afirmou que é necessário fazer consensos alargados com todo o espectro político, uma vez que estão em causa grandes opções, ligadas à UE, e que vão repercutir-se nas várias legislaturas futuras, o que é uma grande falácia, pois é na cozinha de Bruxelas que se escolhem as ementas e se cozinham os pratos, dispensando-se os temperos que o doutor Costa julga (ou finge que julga) poder acrescentar.

Alexandre de Castro
2018 03 18

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Bomba Atómica demográfica


A Bomba Atómica demográfica

Não sei!... Não sei se vai ser possível agradar a Gregos e a Troianos, ou seja, às instâncias europeias e ao projecto da nossa Geringonça.

Portugal, para pagar a dívida, necessitaria de crescer cinco por cento por ano, até 2036, cálculo este que é de 2014, E esse crescimento não se verificou em 2015, em 2016, em 2017, nem vai ocorrer em 2018, segundo o OE. Assim, já se perderam quatro anos, o que quer dizer que a fatia do pagamento da dívida terá de aumentar nos anos seguintes.

O crescimento de 2017 deveu-se muito ao Turismo, mas esse crescimento não é infinito. Há um ponto de saturação que, segundo os especialistas, já foi atingido. E, nos outros sectores da economia, o investimento está a ser colocado em sectores de baixo valor acrescentado e de oferta de emprego mal remunerado, tal com ainda ontem um gabinete da comissão europeia alertou (eles atá são nossos amigos). Com esta ambição rasteira, o crescimento será mínimo.

Mas há um problema super estrutural, de longo prazo, que não está a ser considerado, pois o governo é obrigado, pela conjuntura actual, a governar a curto e a médio prazo, e sempre com um olho no burro e outro no cigano (adivinhe o leitor quem é o burro e quem é o cigano). Trate-se do alarmante défice demográfico, que, tal como um cancro, vai minando a estrutura etária da população portuguesa. Nos próximos dez anos, a natalidade vai sofrer um grande rombo, porque a actual geração de jovens não teve, não tem, nem vai ter condições de vida, que lhe permita ter filhos. Este problema, que estava circunscrito ao mundo rural, por efeito da emigração, passa a ser também um problema das cidades. E com uma demografia adversa, não há economia real que resista. Se repararmos, este pilar, essencial para o desenvolvimento, não está ser considerado. E os nossos governantes, a Merkel e a Comissão Europeia sabem isto, mas assobiam para o lado e metem o lixo debaixo do tapete, e fazem o seguinte raciocínio, quem vier atrás que feche a porta.

A continuar esta situação de impasse, a bomba atómica acabará mesmo por rebentar.
Alexandre de Castro
2017 11 14

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Afinal, as bruxas existem mesmo

Os caceteiros miguelistas

Afinal, as bruxas existem mesmo

Ontem, passei por dois depoimentos, que me deixaram em estado de alerta. O primeiro, que também aparece referenciado num texto (muito bem escrito) de Armando Leal Rosa, no jornal O RIBATEJO (ver aqui), referia-se à simultaneidade das ignições dos vários fogos recentes, no centro do país, o que é muito estranho. O segundo, talvez menos verosímil, lido no Facebook, chamava a atenção para a coincidência entre a ocorrência dos fogos e o aparecimento das armas  roubadas nos paióis de Tancos.

A subversão traiçoeira e trauliteira é uma marca idiossincrática da direita portuguesa, que só se apresenta civilizada e bem comportadinha, quando está no poder ou perto dele. É uma reminiscência dos caceteiros miguelistas, dos meados do século XIX. A presença activa do PCP, a dar substância ao acordo de legislatura com o PS, através do qual conseguiu reverter parte da austeridade e ver satisfeitas muitas das suas reivindicações, algumas delas históricas, provoca a essa direita muita comichão.

Por outro lado, por um momento semelhante ao que se vive em Portugal, a CIA já promoveu o derrube de governos em países recalcitrantes. Estou a recordar-me do Chile, do socialista (dos verdadeiros) Salvador Allende.

Assim, Portugal poderá vir a ser um mau exemplo para uma Europa que parece estar a entrar em ebulição, com os jovens a evidenciar um premonitório inconformismo, torna-se necessário, às agências do imperialismo, criar um tenso de insegurança, que anule a influência política do PCP, por menor que seja, na área da governação.

Dito isto, não me custa mesmo nada em aceitar o diagnóstico do articulista Armando Leal Rosa.

No entanto, ainda estamos ao nível das conjecturas, Falta-nos "os finalmente".
Alexandre de Castro
2017 10 21

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A propósito de uma Petição A Favor da Redução do Número de Deputados na Assembleia da República de 230 para 180


A propósito de uma Petição A Favor da Redução do Número de Deputados na Assembleia da República de 230 para 180

Desculpem-me todos os peticionários, apesar de todas as razões que possam invocar, eu penso que esta iniciativa é um perfeito faits divers, totalmente inócuo e vazio, no ponto de vista político. Fosse este um problema do país, que se resolveria facilmente. O desenvolvimento de um país não depende da dimensão numérica dos deputados do seu parlamento. Há países, mais desenvolvidos do que Portugal, que têm um maior número de deputados. As imagens da televisão apenas nos mostram um parlamento, em que a maioria de deputados parece que está a fazer figura de corpo presente. Mas não é assim. Há muito trabalho de gabinete a fazer. Cada deputado, de cada bancada, tem tarefas distribuídas, para cada sector da actividade do governo, e que vai desde compilação de legislação, pesquisa de elementos estatísticas para sustentar projectos partidários de decretos-lei, até ao estudo das propostas dos outros grupos parlamentares. etc.
Não queiram matar um dos pilares importantes da democracia.
Alexandre de Castro
2016 06 28

sábado, 11 de março de 2017

A extrema-direita fascistóide começa a querer levantar a cabeça


A extrema-direita fascistóide começa a querer levantar a cabeça

A extrema-direita fascistóide começa a querer levantar a cabeça. E é nas universidades que ela está mais activa, procurando criar um ambiente de violência, com recurso à intimidação e à ameaça física. É a mesma táctica, usada nos anos finais da República, em que se celebrizou, como activo militante de uma organização fascista, um estudante da Faculdade de Direito de Lisboa, de nome Marcelo Caetano. Foi esta, também, a mesma táctica, adoptada pelas juventudes hitlerianas, nos anos trinta, do século passado.
Foi perante a existência desse ambiente de potencial violência, promovido por estudantes fascistóides, já devidamente organizados e teleguiados, que a direcção da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa resolveu, e bem, suspender a conferência do fascistóide Jaime Nogueira Pinto.
Alexandre de Castro
2017 03 11

terça-feira, 10 de novembro de 2015

E a razão está do nosso lado...


Interrompeu-se um ciclo, um tenebroso ciclo, que parecia não ter fim. Iniciou-se outro, o da esperança. Compete a todos nós, aos cidadãos de esquerda, aos eleitores e aos eleitos, assegurar e consolidar o seu ascendente caminho. Socialistas, comunistas e bloquistas estão, assim, convocados para a luta. A Direita está unida na humilhante derrota. A Esquerda tem de estar unida na gloriosa vitória. Não tenhamos medo, porque a História acaba sempre por dar razão aos quem têm razão... E a razão está no nosso lado.

sábado, 7 de novembro de 2015

É urgente a mudança!

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Bill Maher
Amabilidade de João Fráguas

Não sei quem é Bill Maher. Mas não faz mal. O que interessa é que ele proferiu uma afirmação verdadeira, com a qual todos nós concordamos. Na realidade, ninguém pode votar bem, quer dizer, ninguém, politicamente, poderá defender os seus interesses, se não estiver bem informado e se não procurar uma base mínima de entendimento do complexo mundo da Política, da Economia, da História e da Sociedade. É um problema universal, de difícil resolução. Mas tenhamos esperança, pois hoje o número de pessoas esclarecidas já é significativo. E será desejável que assim seja, para que não se confirme um desabafo meu, escrito por aqui, há uns meses, e que dizia: Um paradoxo que existe entre a Ditadura e a Democracia, é que, em Democracia, por vezes, é o povo que escolhe os carrascos.
Mas, no momento em que escrevo este pequeno e modesto texto, começo a sentir a aproximação do tempo da mudança e do renascimento da esperança. Os sinais são animadores. São sinais de uma ruptura (embora diplomaticamente suavizada) com um tenebroso passado recente e que poderão novamente ser o anúncio de uma nova onda de choque que varra a empedernida Europa. Não seria a primeira vez que Portugal serviria de exemplo e de modelo, ao posicionar-se na vanguarda da descoberta de novos caminhos. Sem querer comparar o que é incomparável, recordemos os Descobrimentos, que rasgaram com a sua luz, a escuridão medieval europeia, e a revolução de Abril, que, por efeito de simpatia, contribuiu para o derrube de todas as ditaduras militares, existentes à época, na Europa e na América Latina.
E ninguém nos agradeceu esse trabalho… Antes nos roubaram o seu produto… E, agora, querem continuar a roubar-nos… É urgente a mudança!

sábado, 31 de outubro de 2015

Aconteça o que acontecer, A LUTA CONTINUA!...


Na semana passada, o líder socialista esteve em Sintra, onde reside, a conversar com o seu presidente de Câmara e amigo Basílio Horta. Entretanto, almoçou com Freitas do Amaral, que lhe declarou apoio durante a campanha, e com António Capucho, com quem esteve esta semana na cafetaria do hotel Altis em Belém.
Capucho garante ao Expresso que “não foi sondado” para o governo e que “também lhe disse que não queria lugar nenhum”. O mesmo se passou com Freitas, que já fez saber que não tinha sido convidado.
Mas no PS há quem olhe para os nomes de Freitas e Capucho como peças importantes para os sinais que Costa quererá dar ao centro: “Ele pode nomeá-los para cargos importantes do Estado para mostrar essa abertura”, explica um destacado socialista. Aliás, é seguindo esta lógica, que outros dirigentes consideram também muito importante que “nas pastas económicas e nas da estrutura do Estado Costa jogue ao centro... para compensar”.

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Ao PCP e ao BE, agora, coloca-se um terrível dilema. É a escolha entre o oito e o oitenta. Ficar pelos oito, parece pouco para quem desejaria mais. Pedir oitenta poderá ser um risco a desaguar numa frustração. A UE arreganharia a dentuça e decidiria açular os cães indígenas para morderem as canelas de António Costa. Aliás, essa guerra já começou. E com muita virulência verbal. Seria uma guerra entre David e Golias. Mas entre ter oito ou nada, será melhor ter o oito. Eu próprio, nas minhas cogitações solitárias, oscilo entre o não e o nim. Será que podemos ter ao mesmo tempo sol na eira e chuva no nabal? Vêm-me à cabeça uma série de aforismos populares: Quem tudo quer, tudo perde; mais vale um pássaro na mão do que dois a voar; grão a grão enche a galinha o papo; devagar se vai ao longe. Aqui, não se pode colocar a equação da soma algébrica entre o tudo e o nada, que inevitavelmente será igual a zero. Ficaríamos na mesma ou pior, pois teríamos percorrido um caminho em circunferência, apenas para, cansados e desanimados, chegar ao ponto de partida. Mas também existe um outro aforismo que aponta para o sentido contrário, o sentido da esperança: quem não arrisca, não petisca; a união faz a força. E eu prefiro ter o PS do meu lado, do que vê-lo do lado de lá. Por outro lado, se, agora, parecemos pequeninos e poucos, perante a arrogante Europa, amanhã poderemos ser grandes e muitos, pois a iniciativa de António Costa poderá ter efeitos de contágio na família socialista europeia. E o facto é que o primeiro-ministro espanhol não consegue esconder o seu nervosismo e a sua ansiedade, com medo que o PSOE venha a aliar-se ao Podemos, o que seria um grande tiro no edifício europeu. Eu já disse por aqui que a corda tem de rebentar por qualquer lado, pois já não se aguenta tanta austeridade e tanta humilhação. 
Mas, porque a vitória pertence sempre aos audazes, aconteça o que acontecer, o caminho só pode ser um: A LUTA CONTINUA.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Alemanha brinca com o fogo na Grécia - por José Vítor Malheiros - PÚBLICO


1. Pedro Passos Coelho nunca surpreende. Sempre que existe uma oportunidade para mostrar uma réstea de dignidade pessoal, alguma ténue preocupação com os cidadãos do seu país ou um lampejo de sentido patriótico, Passos Coelho exibe a sua natureza e faz a única coisa que sabe: obedece ao que julga serem os desejos do seu suserano.
Foi assim com a notícia da vitória do Syriza na Grécia, com o anúncio das primeiras posições do Governo grego e foi assim com a proposta grega de uma conferência internacional sobre a dívida. Tudo acontecimentos que qualquer Governo português, independentemente da sua cor política, deveria receber com algum agrado, porque reforçam a nossa posição negocial como credores no seio da União Europeia, mas que Passos Coelho preferiu criticar ecoando os ditames da voz do dono. O Governo grego quer defender a dignidade e a vida dos gregos e Passos Coelho não suporta esse atrevimento. Passos Coelho nem percebe como é que Tsipras não considera uma honra servir os poderosos deste mundo e lamber a sola cardada das suas botas, deleitando-se na volúpia da submissão. Passos Coelho não é mais papista que o Papa: é apenas mais alemão do que Angela Merkel e mais obsceno do que Miguel de Vasconcelos.

jvmalheiros@gmail.com

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O desvario subserviente de Passos Coelho é de uma indignidade chocante. Tirando o período da dominação espanhola, dos Filipes, em que a fidalguia indígena queria ser mais castelhana do que portuguesa, nunca houve um governante português que, tal como Passos Coelho está a fazer, promovesse a sabujice ao estatuto de teoria de Estado e que transformasse a bajulação, aos inamistosos governantes estrangeiros, num argumento político de primeira grandeza. Passos Coelho está a percorrer a curta distância que separa o nojo do vómito. E tudo isto com uma vergonhosa desfaçatez!...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Poiares Maduro: O Executivo "não pode governar para eleições"


O ministro Adjunto Miguel Poiares Maduro afirmou à TSF que o Executivo não governa a pensar em eleições, mas sim no futuro do país.

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Não tem feito outra coisa, este governo, senão o de governar para as eleições. Basta olhar para o OE 2015, que evidencia alguma benevolência para com os contribuintes, em relação a situações mais imediatamente percetíveis, agravando outras, mais dissimuladas. É o caso do IRS que sofre um desagravamento, que vai sentir-se, positivamente, todos os meses, e o IMI, que sofre um aumento brutal, mas cujo descontentamento que possa gerar se esgota parcialmente, pois o pagamento ocorre uma única vez no ano. O governo parte do errado princípio que o cidadão, na altura de depositar o seu voto, já se esqueceu do agravamento do IMI (e de outros impostos), mas que se recorda do desagravamento do IRS.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Costa, que começou a querer impor-se como uma estrela, está a transformar-se num bluff.


O secretário-geral do PS defendeu esta quinta-feira junto do primeiro-ministro um compromisso para que o país tenha um projeto comum, mas acrescentou que a construção desse projeto deve fazer-se após o julgamento dos portugueses em eleições.
António Costa falava aos jornalistas no final da sua primeira reunião enquanto líder socialista com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento, encontro que caraterizou como “cordial” e que durou cerca de uma hora e 45 minutos.

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O PS não se apresenta como uma alternativa ao PSD, mas apenas se perfila como um partido de alternância ao exercício do poder político. São mais as semelhanças entre o PS e o PSD do que as suas respetivas diferenças. É mais aquilo que os une do que aquilo que os separa. Atacam-se um ao outro com uma verborreia histriónica, mas colaboram intimamente nos entendimentos cúmplices, estabelecidos em segredo, nos gabinetes. Ambos se preparam para consumarem uma união de facto, para Portugal continuar enfeudado aos interesses dos mandantes da Europa. 
Esta é a conclusão a tirar (o que não constitui nenhuma surpresa, para os mais avisados) das declarações de António Costa. O Partido Socialista não capitulou. Não capitulou, porque não tinha nada para capitular, porque sempre foi um partido de direita, disfarçado com um discurso de esquerda.
António Costa ainda terá de explicar, se pretende, como diz, manter Portugal amarrado ao garrote do Tratado Orçamental, onde é que vai arranjar o dinheiro para os investimentos que anuncia para o desenvolvimento do país. Foi copiar a ideia de Juncker, que, para o desenvolvimento da Europa, pretende transformar 21 mil milhões de euros, disponíveis nas instâncias europeias, em 350 mil milhões, através de capitais públicos e privados dos estados membros.Como se isso fosse possível, num momento em que a Europa não apresenta um perfil atraente para o investimento na economia real.
Costa, que começou a querer impor-se como uma estrela, está a transformar-se num bluff.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Notas do meu rodapé: O difícil entendimento entre o PS e o PCP


PCP disponível para dialogar com PS nas legislativas de 2015
O secretário-geral do PCP respondeu, este domingo, em Alenquer ao líder dos socialistas, afirmando que o PCP "está aberto" para eventuais alianças com o PS se ganhar as eleições legislativas de 2015, desde que defina "claramente" as suas políticas.

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O difícil entendimento entre o PS e o PCP

Dialogar não é pactuar!.. É procurar entendimentos e estabelecer compromissos de boa fé. É entreabrir uma porta, há muito tempo fechada. 
Se o que separa o PCP do PS se reduzisse a questões de pormenor, esse entendimento e os respetivos compromissos seriam fáceis de ser alcançados. Mas, infelizmente, não é assim. A questão europeia divide profundamente os dois partidos, com o PCP a propor a renegociação da dívida pública e a denúncia do Tratado Orçamental de 2012, que é um autêntico garrote para a economia portuguesa e que prolonga e agrava a austeridade, e a defender a eventual saída controlada do euro, e com o PS a assumir posições divergentes, insistindo na sua política europeísta, que, quanto a nós, continuará a desfavorecer Portugal.
Esta é uma questão central, que se encontra a montante de todas as outras.
É certo que António Costa já deu um sinal positivo, ao admitir que as razões dos problemas da economia portuguesa derivam, entre outros fatores, do choque da admissão do euro, mas, até agora, não apresentou nenhuma solução para resolver esses mesmos problemas. A única intenção que manifestou foi a de querer mobilizar os partidos europeus da sua família política, alinhados na Internacional Socialista, para propor um alívio das políticas de austeridade. Mas, se ele tomar esta iniciativa, arrisca-se a ficar a falar sozinho, pois esses partidos já adotaram o figurino do "socialismo de mercado" e o do "socialismo neoliberal", eufemismos para disfarçar a comunhão de interesses com os partidos conservadores.
António Costa tem de admitir que, na Europa, ninguém lhe ligará, pois só mede um metro e sessenta e nove centímetros de altura, e também que não tem corpo para aguentar um empurrão da corpulenta senhora Merkel, que o atirará pela escada abaixo, em três tempos.
Há ainda um outro problema: A comissão europeia anda a enviar recados de que é necessário aplicar mais políticas de austeridade, a incidir, naturalmente, sobre os salários e pensões e em cortes acrescidos da despesa do Estado, principalmente nos serviços sociais (Educação e Saúde). Em 2015, devido às eleições para Assembleia da República, a comissão europeia, possivelmente, será tolerante, a fim de evitar a erosão eleitoral dos partidos em que se apoia (PS, PSD e CDS).Mas, em 2016, o grau de exigência assumirá o formato de uma ordem peremptória e indiscutível, acompanhada pelas respetivas ameaças. Que fará António Costa, se vier a ser primeiro-ministro, tal como se espera? Eu, se me cruzasse com ele na rua, perguntar-lhe-ia apenas se o novo PEC, para 2016, será o PEC IV recauchutado ou um PEC V, novinho em folha?...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Deboche eleitoralista...


"Nos termos do Tribunal Constitucional, a reversão salarial em Portugal em 2016 deverá ser total, porque o Tribunal Constitucional não permitiu que a proposta que o Governo anunciou pudesse em 2016 prosseguir com mais uma devolução de 20% do corte salarial", afirmou o primeiro-ministro durante o debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2015.
Mas, acrescentou, caso seja reeleito nas legislativas do próximo ano irá apresentar novamente a proposta chumbada pelos juízes do Palácio Ratton: "Se eu for primeiro-ministro nessa altura não deixarei de apresentar novamente essa proposta, portanto, proporei que a reversão salarial seja de 20% em 2016, como consta de resto daquilo que tem sido a posição pública do Governo".

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Definitivamente, entrou-se no deboche eleitoralista... O que no ano passado eram inevitabilidades e dificuldades, são agora facilidades e benesses.
Esta promessa do governo não tem nenhuma sustentabilidade no cenário macro-económico dos próximos anos, com as exportações a estagnarem, devido à deflação que ameaça a economia europeia. E com as exportações a perderem vigor e o consumo interno a continuar a ser travado pela austeridade, o PIB não poderá crescer. Por outro lado, em 2015, e até 2021, Portugal passará a pagar ao FMI os empréstimos concedidos por esta instituição internacional, ao abrigo da Programa de Assistência Económica e Financeira (troika), o que vai obrigar o governo português a financiar-se no mercado da dívida, contraindo novas dívidas para pagar as anteriores, o que agravará a sua dependência perante o exterior.
Mas vai haver uns tantos tansos que vão acreditar novamente em promessas eleitorais...

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O vómito cheira sempre mal…


[Ana] Drago bate com a porta e ambiciona criar novo partido

Ana Drago anunciou a saída do Bloco de Esquerda (BE) e consigo levou o Fórum Manifesto, corrente criada pelo falecido Miguel Portas. Ao i, a ex-deputada bloquista queixa-se do “espaço limitado” dentro do Bloco e confessa a ambição por um novo partido, que poderá nascer da coligação com o partido Livre e com alguns membros do 3D.

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Ana Drago, ao querer fundar um novo partido político, que englobe o Fórum Manifesto, de que ela faz parte, o Livre, de Rui Tavares, e o Movimento 3D, de Daniel de Oliveira, arrisca-se a formar um novo BE requentado, na esperança de que as próximas eleições legislativas criem condições favoráveis para poder ser uma muleta do PS, num futuro governo socialista. 
A ambição de Ana Drago consiste em tentar convencer o PS a assumir-se como um partido de esquerda, uma imitação em miniatura da ambiciosa intenção de António Costa e de António José Seguro quererem convencer a Europa (a senhora Merkel) a mudar de rumo, como se, por um golpe de magia, se invertesse a relação de forças entre os fortes e os fracos. Se um dia (espero que não) Ana Drago assumir uma qualquer posição de relevo na aliança que quer fazer com o PS, naturalmente terá de vomitar muitas das declarações que fez, como bloquista, contra aquele partido. E uma coisa é certa: o vómito cheira sempre mal...

terça-feira, 8 de julho de 2014

Notas do meu rodapé: A convergência à esquerda é possível


Julgo ter chegado o momento certo de o Partido Comunista assumir, sem qualquer tipo de triunfalismo, mas sim com a humildade democrática, que sempre o caracterizou, a liderança convergente dos partidos e das forças de esquerda, que se encontrem verdadeiramente interessadas, sem sofismas e sem propósitos de protagonismos mediáticos, na construção de uma plataforma unitária, que seja a base da formação de uma grande frente popular, que venha a derrubar este governo de ignomínia e de traição. A reunião [ver aqui] de uma delegação do PCP, chefiada por Jerónimo de Sousa, com o Bloco de Esquerda, que, desta vez, será o anfitrião, poderá ser o princípio de qualquer coisa 
O Partido Socialista, com as suas ambiguidades e tergiversações, ao nível da ação e do discurso político, perdeu a sua oportunidade, que, aliás, nunca desejou, de ser o partido aglutinador de toda a esquerda. A atual crise veio desmascarar a sua verdadeira natureza política de partido do sistema, que serve de alternativa segura (para esse mesmo sistema) à claudicação da direita. Na oposição, combate verbalmente a direita, e, quando alcança o poder, faz a mesma política dessa mesma direita, introduzindo-lhe algumas nuances socializantes.  
No pós-guerra, e, principalmente, na década de sessenta do século passado, quando a doutrina comunista “contaminava” a Europa Ocidental, através dos movimentos estudantis e das lutas de um proletariado politizado e com uma grande consciência de classe, os partidos socialistas e sociais-democratas europeus, por contraposição ao verdadeiro ideal socialista, inventaram a fórmula do «socialismo de rosto humano», um conceito tão vazio e tão  inócuo como aquele que o CDS materializou, tempos depois, com a referência ao «socialismo cristão». 
A probabilidade de esta convergência à esquerda ter pernas para andar já está a assustar a direita europeia, não só pelas consequências diretas em Portugal, mas também pelo contágio que possa vir a provocar nos países do sul da Europa. A recente publicitação [ver aqui] da preocupação dos ministros das Finanças do Eurogupo com os elevados impostos sobre o trabalho, praticados na Europa, e a manifestação da sua intenção (para inglês ver) de proporem a sua descida, inclusivamente em Portugal, é um sinal inequívoco do alarme instalado. Não terá sido por acaso a simultaneidade da formulação daquela declaração dos membros do Eurogrupo e o anúncio da reunião dos dois partidos de esquerda portugueses. É que eles sabem que um simples fósforo pode provocar um grande incêndio, tal como aconteceu em 1914, em que um atentado mortal a um príncipe herdeiro foi o rastilho suficiente para que, um mês depois, o grande panelão da Europa dos impérios, a ferver em tensões políticas, sociais e económicas, acabasse por rebentar, de uma forma trágica.
A História não parou nas mãos sujas dos banqueiros e dos políticos ao seu serviço. E também não deixa de se repetir, embora de maneiras muito diferentes, consoante o tempo histórico. Era bom que Portugal desse o pontapé de saída, tal como fez no passado longínquo, quando encurtou o tamanho do mundo, e no passado recente, quando demonstrou que as Forças Armadas também podem fazer revoluções democráticas e libertadoras.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cavaco convoca Conselho de Estado para 3 de julho


O Presidente da República convocou um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, avança a SIC Notícias.
A Presidência da República anunciou a convocação de um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, de acordo com o avançado pela SIC Notícias.
Os temas a discutir serão a situação política, económica e social na sequência do fim do programa de ajustamento e também a relação de parceria entre Portugal e a União Europeia, no Âmbito do programa 2020 da União Europeia.

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Esperemos que, desta vez, Cavaco não leve as conclusões do conclave, já previamente escritas, tal como aconteceu na última reunião do Conselho de Estado. Isto faz-me lembrar aquele médico que, mal o doente entrou no gabinete de consulta, já tinha o impresso da receita preenchido, antes de lhe ouvir as queixas e de o observar clinicamente.
Para serem coerentes, os conselheiros não podem deixar de reconhecer a progressiva degradação da situação política portuguesa, cujo epicentro se encontra na falta de legitimidade política do atual governo, claramente evidenciada  pelos resultados das eleições europeias, o que exige, como saída limpa, uma proposta para que o Presidente da República provoque a sua imediata demissão e convoque eleições legislativas.
É urgente devolver a voz ao povo, se é que isto ainda é uma democracia.  

domingo, 1 de junho de 2014

Notas do meu rodapé: Na política, a aritmética não é tudo...


Só a má-fé ou os abstrusos interesses partidários poderão desvirtuar a única leitura possível dos resultados das últimas eleições para o parlamento europeu, que, inequivocamente, demonstraram que a atual estrutura do poder político, em Portugal, se encontra desajustada em relação à realidade sociológica do país. Os eleitores chumbaram (e de que maneira!...) a coligação governamental e enviaram um recado esclarecedor ao PS de A. J. Seguro, negando-lhe a possibilidade de vir a ser uma alternativa credível, no caso de manter a orientação política atual. O PS ganhou as eleições, mas apenas pela lógica da aritmética, cuja legitimidade não se discute. No entanto, saiu derrotado politicamente, porque não foi o seu minguado resultado eleitoral a ditar a hecatombe do PSD/CDS. Se estas eleições tivessem sido umas eleições legislativas, eu pergunto com quem o PS iria aliar-se, para formar um governo sustentável? Com o PSD?
Eu sei, ou, pelo menos, presumo, que A. J. Seguro já contentar-se-á em apenas vir a obter mais um voto do que o PSD nas próximas eleições legislativas, em 2015, o que lhe daria a oportunidade de ser primeiro-ministro, o seu sonho egocêntrico, carinhosamente acalentado, fazendo assim renascer o bloco central de interesses, ao aliar-se com aquele partido de direita, solução que até agradaria aos mercados, à Merkel e às instituições da troika, mas que não agradará certamente aos militantes e eleitores do PS, que, a esta hora, já andam atarefados a retirar-lhe o tapete. Daí, o seu apego obsessivo ao cargo de secretário-geral do PS. Daí, a sua teimosia em considerar que o PS teve uma grande vitória nas últimas eleições, o que não é verdade, de todo, porque, na política, a aritmética não é tudo...

sábado, 31 de maio de 2014

Notas do meu rodapé: A guerra já começou!


Foi uma verdadeira sexta-feira negra para o governo de Passos Coelho. A moção de censura do Partido Comunista foi demolidora, com Jerónimo de Sousa a fazer a sua melhor intervenção parlamentar de sempre, e que teve o mérito, além de denunciar e desmascarar a política agressiva e de empobrecimento prosseguida pela coligação de direita, de obrigar o PS a votá-la favoravelmente.
Da parte da tarde, o Tribunal Constitucional declarava inconstitucionais os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, o que vai obrigar o governo a demitir-se, o que será pouco provável, ou a avançar com mais uma dose de austeridade, através de um Orçamento Retificativo.
Ao mesmo tempo, a Ordem dos Médicos fazia um inaudito e violento ultimato ao Ministério da Saúde, com uma série de exigências em relação ao Serviço Nacional de Saúde, às quais, devido à fragilidade atual do executivo, o ministro da Saúde não poderá deixar de dar resposta, sob pena  de os médicos lançarem a confusão nos serviços do ministério, recorrendo às receitas manuais, e de começarem a denunciar publicamente todas as insuficiências dos serviços de saúde, abrindo assim o caminho para a convocação de uma greve, através dos seus sindicatos.
Para agravar o pesadelo, a Ordem dos Advogados aprovou no mesmo dia, numa assembleia geral extraordinária, a apresentação de uma queixa-crime contra todos os membros do Governo por atentado ao Estado de Direito, por se considerar que, com a entrada em vigor, a partir de Setembro, do novo mapa judiciário, e do subsequente encerramento de duas dezenas de tribunais e a redução de funções de outros tantos, fica comprometido o direito fundamental dos cidadãos de acesso à justiça.
A guerra já começou! Julgo que nem nas férias o governo vai ter descanso. Animada pela monumental derrota sofrida pela coligação PSD/CDS, que só a fraca prestação eleitoral do PS parcialmente camuflou, a Intersindical irá lançar um plano de manifestações de protesto, que irão mobilizar cada vez mais trabalhadores, prosseguindo assim o objetivo de aprofundar uma frente unitária de contestação ao governo, a fim de precipitar a sua queda.
Tudo isto, somado, vai pôr à prova o Presidente da República, que até aqui tem sido o anjo da guarda do governo da sua cor política.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Que ninguém decrete a sentença da sua própria condenação

Lendo nas estrelas a carta de intenções para o FMI

Uma carta com boas ou más intenções?
O Partido Socialista e o Governo estão há uma semana a discutir se a carta de intenções que será enviada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) deve ou não ser do conhecimento público antes do dia 17 de Maio, que é quando termina o programa de resgate. A carta de intenções é uma espécie de adenda aos relatórios do FMI em que, no final da cada avaliação, o Governo se compromete com as medidas e reformas que entretanto negociou com o fundo. Pela voz da ministra das Finanças e do primeiro-ministro, o Governo já disse que a carta que vai enviar ao FMI não terá novidades. Mas o PS insiste na sua divulgação e parece desconfiar que o Governo estará a esconder alguma intenção menos boa para só revelar a carta a seguir às eleições de 25 de Maio. Se realmente o documento é tão anódino como diz, o próprio Governo teria com certeza bastante a ganhar em o publicar quanto antes. Prolongar um clima de suspeição não beneficia ninguém.
PUBLICO (Editorial)
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Os portugueses têm todos os motivos para desconfiar da palavra do primeiro-ministro e também da da ministra das Finanças, em relação à bondade do conteúdo da carta de intenções a enviar pelo governo ao Fundo Monetário Internacional, e que ambos recusam divulgar antes das eleições de 25 de Maio. Um e outro afirmaram que, nessa carta, não constam mais medidas de austeridade, além daquelas que foram anunciadas no Documento de Estratégia Orçamental para o período 2014-2018. Mas nós também sabemos que cada um deles, anteriormente, já mentiu aos portugueses. Passos Coelho mentiu, quando na campanha eleitoral das últimas eleições legislativas prometeu que não aumentaria os impostos e que não reduziria as pensões e os salários dos funcionários públicos, e Maria Luís Albuquerque, supostamente, também mentiu em relação ao caso dos swaps.
Tudo leva a crer que aquela carta inclui um conjunto de pesadas medidas de austeridade, principalmente relacionadas com os cortes nas pensões e nos vencimentos dos funcionários públicos, que, se fossem agora anunciados, poderiam provocar uma verdadeira hecatombe nos resultados eleitorais dos partidos da maioria e que, por outro lado, iriam desmascarar o quadro cor-de-rosa, com que se tem apresentado a saída da troika, como se a troika já tivesse terminado a sua tarefa. Não tivesse a carta de intenções incluídas as tais gravosas medidas, que se adivinham, e já as trombetas de vitória e de sucesso teriam tocado a música no Palácio de S. Bento.
E é isto o que todos os pensionistas e todos os funcionários públicos devem ponderar, quando, no próximo dia 25 de Maio, colocarem a cruzinha no boletim de voto. 
Que ninguém decrete a sentença da sua própria condenação!...