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sábado, 12 de dezembro de 2020

 


 Urgência do Rendimento Básico Incondicional


Com o desenvolvimento tecnológico e a robotização do trabalho, em que as máquinas substituirão progressivamente a mão do homem, a criação de empregos não vai acompanhar o crescimento demográfico, provocando níveis de desemprego, cada vez mais elevados. Começa a ganhar força a institucionalização universal do Rendimento Básico Incondicional, um rendimento mínimo, que será concedido vitaliciamente a todos os cidadãos, independentemente da sua condição social, económica e laboral, e que não anularia todas as outra formas de apoio social, já instituídas, mas que se destina a evitar a miséria extrema de todos aqueles que vierem a ser marginalizados no mercado de trabalho.

A ideia, inicialmente, choca um pouco, mas se pensarmos melhor, iremos encontrar, e embora de forma mitigada, um instrumento que pode evitar a fome endémica da Humanidade. Naturalmente, esse rendimento mínimo terá de ser inferior ao salário mínimo instituído. O sistema também funcionaria melhor, em termos de justiça social, se o salário mínimo de cada país fosse atualizado automaticamente, através do referencial de uma percentagem fixa, em relação à respetiva média anual dos salários praticados, em cada país. O Rendimento Básico Incondicional obedeceria também a uma proporcionalidade em relação ao salário mínimo ou em relação ao rendimento per capita nacional.

Alguma coisa terá de ser feita a este nível, se não quisermos ser confrontados, a médio prazo, com uma grande tragédia global e, logicamente, também com incidência nacional.

                                                                                           Alexandre de Castro

Fevereiro de 2014

terça-feira, 14 de junho de 2016

Noam Chomsky: "A pior campanha terrorista é a que está a ser orquestrada...


A cristalina verdade, expressa pelo prestigiado Professor Emérito do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Noam Chomsky, ilumina a nossa razão, que não se conforma com a impunidade do imperialismo americano, que não hesita em recorrer às mais torpes manobras, para dominar o mundo.
Deixo-vos o pequeno texto que, no YouTube, acompanha este vídeo:
"Noam Chomsky é considerado uma celebridade do mundo intelectual. Um autor prolífico e assumido anarquista, que aos 86 anos de idade não dá sinais de querer abrandar o ritmo. É uma voz ativa na denúncia de várias injustiças, tendo com bastante frequência o Ocidente como alvo".

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

3ª Guerra Mundial - Tropas no Oriente Médio, Ásia, Norte da África para outubro/novembro 2011


Este vídeo foi colocado no You Tube há quatro meses atrás. A previsão sobre o ataque militar à Líbia confirmou-se, o que acrescenta credidibilidade a outras informações deste autor.
A existência de uma gigantesca operação conspirativa, destinada a assegurar o domínio global, sob uma liderança dos EUA e do capitalismo financeiro internacional, tem vindo a ser abordada por alguns autores, que apontam a Maçonaria, o sionismo e o Vaticano como os seus principais mentores. O controlo do Médio Oriente, através da eliminação dos líderes dos países rebeldes, Síria e Irão, e o enfraquecimento da Rússia e da China, cujos regimes políticos não se sujeitam à hegemonia e à influência dos EUA, seriam os objectivos principais a atingir.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Trecho - Documentário "Let's make money" - Ex-assassino econômico John Perkins


Amabilidade do Campos de Sousa
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Trata-se de uma repetição, pois este vídeo já foi publicado neste blogue. Mas resolvi reditá-lo, devido à sua oportunidade nos tempos actuais, em que as pessoas já começam a compreender melhor os perversos mecanismos do imperialismo americano, sustentado pelo grande capital financeiro internacional. Por dedução, também se fica a compreender o que se passou recentemente na Líbia. Tal como Hussein Sadam, do Iraque, Kafadi também desafiou os EUA, aceitando euros e outras moedas em troca das vendas do petróleo líbio. Para irritar mais os imperialistas, Kadafi adoptou o padrão ouro para a moeda do seu país, o que constituia um mau exemplo para outros países. Falhados os objectivo do "assassino económico" e com o fracasso dos "chacais", o seu destino ficou traçado. Desta vez coube à França fazer o papel sujo, assumindo o comando militar da invasão da Líbia, depois de se ter encenado a revolta popular, enviando para a zona, onde Kadafi não era bem tolerado, militares do Katar, que se fizeram passar por rebeldes líbios. Foi a estreia da França neste tipo de intervenções, o que nunca teria sido posssível acontecer, durante a vigência dos mandatos dos anteriores presidentes da república francesa, que faziam gala em mostrar ao mundo que a França não era um capacho dos EUA. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Notas do meu rodapé: Ditadores bons e ditadores maus...

Anders Fogh Rasmussen: a declaração piedosa de um falcão
A NATO anunciou esta madrugada que o fim do regime de Khadafi está perto do fim. A Aliança Atlântica, que bombardeia as forças do ditador líbio há seis meses, apela aos rebeldes para manterem a unidade do país e a trabalharem a favor da reconciliação nacional.
PÚBLICO
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Nas revoluções da Tunísia e do Egipto, apenas foi usado o Facebook e o telemóvel para derrubar as duas ditaduras. Curiosamente, na Líbia, as armas apareceram nas mãos dos rebeldes por geração espontânea. Em relação à Tunísia e ao Egipto, os países ocidentais, apanhadas de surpresa, nunca declararam, enquanto as revoluções seguiam o seu curso, um apoio inequívoco às forças da mudança, e foram sempre muito ambíguas na condenação dos dois ditadores. Na Líbia, e recorrendo ao falso pretexto da ajuda humanitária, os países ocidentais, através do seu braço armado, a NATO, optaram por uma abusiva política de ingerência, iniciando uma guerra contra a Líbia, através de sucessivos bombardeamentos aéreos, que também atingiram a população civil, e lançando para o terreno um verdadeiro exército de mercenários, que as televisões não mostraram.
Ficou assim claro que, para os países ocidentais, existem duas espécies de ditadores: os ditadores bons e os ditadores maus. Kadafi é, para os países ocidentais um ditador mau. Porquê? Por duas simples razões. A primeira, é que Kadafi não é um ditador domestificável. Preferiu escolher os seus aliados entre os países que nunca se submeteram aos interesses dos EUA e da União Europeia. Já o presidente Reagan, há uns atrás, tentara assassiná-lo, através do bombardeamento aéreo de uma das suas residências, em Tripoli, acção criminosa que contou com a cumplicidade de Portugal, ao autorizar a passagem dos aviões americanos pelo seu espaço aéreo. A segunda razão, esta talvez decisiva na determinação de abater Kadafi, tem a ver com a opção tomada por este dirigente em decretar o alinhamento o valor da moeda do seu país pelo padrão ouro, libertando assim a Líbia da ditadura do dólar, opção que os EUA não toleram. Sadam Hussein também morreu, não por ser um ditador, mas porque se atreveu a desafiar os EUA, ao decidir aceitar outras moedas, além do dólar, para o pagamento da venda de petróleo do Iraque.
Não são razões de ordem ideológica que levam os países ocidentais a apoiar ou a condenar os ditadores. As verdadeiras razões prendem-se apenas com a necessidade de assegurar a sobrevivência do capitalismo internacional, através do controlo estratégico das zonas consideradas vitais pelo imperialismo americano. A ideologia vai à frente ou atrás, conforme as conveniências.  

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

As malhas que o império tece ou o poder imenso da "corporatocracia"

Como os EUA interferem nos países - parte1 - Entrevista John Perkins
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Como os EUA interferem nos países - parte2 - Entrevista John Perkins

Apesar de já se saber que "isto" funciona assim, ouvir da boca de um norte-americano os pormenores é muito elucidativo. As duas partes da entrevista elucidam de forma muito objectiva e simples como é que funciona a geopolítica mundial actual, nomeadamente a política neoliberal das grandes corporações multinacionais, sobretudo, neste caso, através dos sucessivos governos norte-americanos...

Diamantino Silva

Nota: Estes dois vídeos merecem uma ampla divulgação, tal é a eficácia comunicacional da intervenção de Jonh Perkins, um homem que pertenceu ao sistema, e que consegue, agora, de uma forma simples, desmontar a complexa engenharia do imperialismo sem rosto, que domina e explora o mundo inteiro, através dos assassinos económicos, dos chacais e dos exércitos. Agradeço ao meu amigo, o escritor Diamantino Silva, o envio destes vídeos e do texto que os acompanhou.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Turquia acusa Israel de ter cometido um acto de "terrorismo de Estado...

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan,
acusou Israel de ter cometido um acto de "terrorismo
de Estado" ao ordenar o raide mortífero contra
a frota de activistas pró-palestinianos que tentavam
levar ajuda à Faixa de Gaza. Pelo menos dez pessoas
foram mortas.
PÚBLICO
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Com total impunidade, Israel comporta-se como se a Cisjordânia e a Faixa de Gaza constituíssem seus protectorados. Manter um povo encurralado e sujeito a humilhações e agressões constantes, infringe o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas. Impedir de forma violenta e mortífera a ajuda humanitária, invocando razões de segurança, só revela uma descarada hipocrisia e um profundo desprezo pelos direitos humanos. Israel, que não cumpriu nenhuma das recomendações das Nações Unidas e que continua a ser condenado pela comunidade internacional, coloca-se à margem dos valores civilizacionais da Humanidade, que condenam qualquer forma de colonialismo, de apartheid e a prática de acções de bloqueio das fronteiras terrestres, marítimas e aéreas de qualquer povo e de qualquer estado.
Com a cumplicidade, a conivência ou a conveniência dos Estados Unidos e da União Europeia, Israel continua ilegalmente a ocupar territórios que não lhe pertencem e a infernizar diariamente a vida dos palestinianos, cujo direito a terem uma Pátria e um Estado soberano é irrenunciável.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Uma dívida providencial - por Serge Halimi




Graças a volumosas injecções de dinheiro público, os bancos já recuperaram as suas cores e reemergem até da crise financeira mais fortes e mais poderosos do que estavam antes. Estão, por isso, ainda mais susceptíveis de fazer dos Estados seus «reféns» na próxima tempestade. Foi este o momento escolhido pelos governos ocidentais e pelos bancos centrais para, uma vez mais, tocar a rebate contra a dívida.
Regressa o espectro da falência, astuciosamente posto de lado enquanto foi preciso desembolsar somas para lá de qualquer razoabilidade para salvar o Goldman Sachs, o Deutsche Bank ou o BNP Paribas. Regressa, desta vez, para apressar a invasão das lógicas de rentabilidade comercial em actividades que dela têm estado protegidas. O peso do endividamento, sobrecarregado pelo desconserto económico, serve uma vez mais de pretexto ao desmantelamento da protecção social e dos serviços públicos. Há um ano pressagiou-se o coma dos liberais, mas eles encontram no repetido anúncio de que «as caixas estão vazias» o instrumento da sua ressurreição política.
Não vão abrandar. A nova coligação que está no poder em Berlim prometeu mais 24 mil milhões de euros de alívio da carga fiscal, apesar de no próximo ano o défice alemão atingir já cerca de 6,5 por cento do produto interno bruto (mais do dobro da taxa máxima autorizada pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia). Os conservadores britânicos comprometeram-se a diminuir o imposto sobre as empresas. E, em França, desde que Nicolas Sarkozy foi eleito, a direita eliminou sucessivamente o imposto sobre as horas extraordinárias, reduziu os direitos sucessórios e decidiu eliminar a taxa profissional paga pelas empresas.
Outrora, os conservadores mostravam-se preocupados com o equilíbrio das contas, chegando ao ponto de aceitar aumentos de impostos. Mas, desde há cerca de trinta anos, optaram, pelo contrário, pela criação consciente dos défices públicos, destinados a paralisar as veleidades de intervenção da colectividade. É uma prática laxista que amputa as receitas e que é reforçada por um discurso catastrofista, para fazer recuar as despesas do Estado-providência.
«Reagan provou que os défices não contam», replicou em 2002 o vice-presidente norte-americano Dick Cheney ao seu ministro das Finanças, então preocupado com uma nova diminuição dos impostos directos. Cheney queria dizer que os défices não prejudicam necessariamente quem os decide, uma vez que Ronald Reagan foi reeleito, em 1984, com uma margem folgada depois de ter triplicado os défices durante o primeiro mandato. Os constrangimentos orçamentais pesam mais sobre os sucessores, sobretudo quando se suspeita que sejam perdulários apenas por não serem de direita… Assim, Barack Obama, para ter a mínima hipótese de fazer com que a sua reforma do sistema de saúde fosse adoptada, teve que garantir previamente que ela não acrescentaria um cêntimo à despesa pública. Exactamente quando é que irão ser fixadas condições deste género para as aventuras militares?
O governo francês, ao reduzir recentemente para um terço o montante do imposto sobre o valor acrescentado (IVA) pago pelos proprietários de cafés e restaurantes, sacrificou receitas no valor de 2,4 mil milhões de euros. Algumas semanas mais tarde, a pretexto de «equidade», recuperou 150 milhões de euros fiscalizando as indemnizações diárias a pagar às vítimas de acidentes de trabalho. O presidente francês revela excelentes aptidões na matéria, mas tem ainda que percorrer um longo caminho antes de igualar Reagan. É que o antigo presidente americano tornou muito mais leves os impostos dos mais ricos e, em seguida, por precisar de reduzir dos défices (que aprofundara), pediu às cantinas escolares que contabilizassem o ketchup como um legume quando estivessem a avaliar o valor nutricional de uma refeição…
Foi na Califórnia, o estado de que Reagan foi governador, que começou, em 1978, a contra-revolução fiscal que a seguir varreu o mundo. Hoje, as caixas da Califórnia estão completamente vazias (o défice, crónico desde há uma década, atinge os 26 mil milhões de dólares). Na quinta-feira, 19 de Novembro, a universidade pública fez um aumento de 32 por cento no valor das propinas. Um pouco antes tinha eliminado dois mil empregos.
segunda-feira 7 de Dezembro de 2009

sábado, 19 de dezembro de 2009

Notas do meu rodapé: Cimeira de Copenhaga, um vergonhoso fracasso!...


Quem alimentou grandes expectativas sobre Barack Obama, quando foi eleito presidente, e quem ainda nele depositava alguma esperança, decorrido um ano no exercício do cargo, sobre a sua capacidade de inverter a agressiva posição imperialista dos Estados Unidos, deverá fazer sem preconceitos uma dupla reflexão. Em primeiro lugar, perceber que, no actual estadio do processo histórico, os governos das democracias ocidentais, Portugal incluído, não são mais que uma expressão da grande aristocracia financeira, estruturada em vários patamares, nos países ricos, e para quem a política não é mais do que uma extensão dos seus negócios, competindo aos governos, que controla, tudo fazer para facilitar a sua progressão ilimitada e tentar alienar e controlar, através de todos os meios, os anseios e os descontentamentos das classes médias, constituindo-as em almofadas sociais contra qualquer revolução. Em segundo lugar, perceber que a eleição de um presidente não deriva exclusivamento dos votos dos eleitores. O sistema, antes, através dos meandros da complexa organização do poder político, já fizera a escolha acertada, limitando-se a oferecer aos eleitores apenas duas opções, aparentemente diferentes na forma, mas substancialmente idênticas no conteúdo. Sejam democratas ou republicanos ou, no nosso caso doméstico, socialistas ou sociais-democratas, o poder económico e financeiro, de uma forma encapotada, garante o poder efectivo sobre a governação. Uns, de uma forma mais dura e cruel, os outros, de uma forma mais subtil, para que a contestação seja atenuada.
Era de prever que, em relação às alterações climáticas, Obama não pudesse fazer mais do que Bush, já que a aristocracia económica e financeira mais poderosa do mundo já decidira que terão de ser os outros países a ter de reduzir as emissões de carbono, para que os Estados Unidos possam continuar a poluir.
Esta terá de ser a conclusão mais óbvia a fazer do que se passou em Copenhaga. O resto, todas aquela expressões de boa vontade, a encenação dos avanços e dos recuos, não foram mais do que a exibição dos normais artifícios da diplomacia e do seu fingimento.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Notas do meu rodapé: Uma cimeira anódina!...




O Alpendre da Lua foi das primeiras vozes no país a denunciar a responsabilidade da administração dos Estados Unidos no desencadeamento do golpe militar nas Honduras, que os respectivos serviços secretos inspiraram e secretamente apoiaram, aproveitado o descontentamento dos sectores mais conservadores daquele país latino-americano em relação à evidente aproximação do presidente, democraticamente eleito, Manuel Zelaya, a Hugo Chávez, e isto, num momento, em que, por pudor, ainda prevalecia uma certa relutância em manchar a auréola pacifista do novo presidente americano, Barack Obama.
Antes de um qualquer órgão de informação ter referido essa intromissão nos assuntos internos das Honduras, escrevia-se aqui no dia 5 de Julho (o golpe militar ocorrera a 28 de Junho): "É impensável que os generais hondurenhos sejam ingénuos, ao ponto de desencadearem um golpe contra um presidente eleito democraticamente, sem terem a sua rectaguarda garantida por uma potência exterior. Também a diplomacia católica nunca se engana, e o apoio explícito dos bispos hondurenhos aos revoltosos levanta suspeitas sobre a existência de um decisivo apoio externo ao golpe militar. Caso contrário, os bispos ter-se-iam remetido ao silêncio". A 8 de Julho, acrescentava-se: "De um momento para o outro, como tendo percebido a verdadeira posição dos Estados Unidos em relação ao golpe, os países ocidentais deixaram de fazer protestos, situação que não se verifica quando se trata de denunciar os governos desalinhados com a sua política e que passam por situações semelhantes".
Curiosamente, esta tese, a da intromissão dos Estados Unidos, que já é universalmente admitida, não foi abordada na XIX Cimeira Ibero-Americana, apesar da situação actual nas Honduras ter ocupado o lugar central nas dicussões entre as 22 delegações presentes. O mais que se conseguiu, e isso deve-se à firme intransigência do presidente brasileiro, Lula da Silva, foi a inequívoca condenação do golpe de Estado, que, no entanto, a nível diplomático, não terá qualquer efeito prático, já que ficou por adoptar uma posição comum sobre as eleições hondurenhas, que se realizaram no último domingo, e que deram a vitória ao candidato conservador, e às quais não foi permitido que o presidente Manuel Zelaya se candidatasse.
Um bloco de países, da órbita da influência dos Estados Unidos, e onde se destaca a Colômbia, agora constituída em ameaça à Venuzuela, tentaram o golpe sub-reptício de branquearem o golpe, querendo proceder à legitimação das eleições hondurenhas, com o argumento da sua elevada participação popular. Pretendiam construir uma legalidade sobre uma ilegalidade, coisa nunca vista nos complexos meandros da dialéctica da política internacional dos países ocidentais, que, algumas vezes, promovem democracias ditatoriais (Egipto) e condenam democracias populares (Venezuela). A ser adoptado este manhoso sofisma, também teria de se admitir a invalidação de um qualquer acto eleitoral com pouca participação dos cidadãos, situação que seria muito crítica para a UE, que se debate com a crónica e sempre elevada abstenção nas eleições para o parlamento europeu.
Para desmontar a hipocrisia desta manobra, apareceu Lula da Silva, que, segundo afirmou, veio a esta conferência apenas pela simpatia que tinha pelo povo português e por Cavaco Silva e José Sócrates. Ele teve a capacidade suficiente de recentrar a discussão no patamar da ilegalidade da deposição do presidente Manuel Zelaya, avisando, ao mesmo tempo, quanto era perigoso permitir, num continente, onde as democracias ainda são muito frágeis, a legitimação "indirecta" de um golpe de Estado. E Lula da Silva não falou para dentro. Ele pretendeu que as suas palavras chegassem a Washington. Foi o melhor que se conseguiu nesta cimeira, que alguém já classificou de anódina.

domingo, 29 de novembro de 2009

Notas do meu rodapé: As Cimeiras Ibero-Americanas estão condenadas...


Se este fosse um texto de humor, estaríamos tentados a dizer que o espírito das Cimeiras Ibero-Americanas tinha sido assassinado em Santiago do Chile, no decorrer da XVII edição daquele certame, digo, daquele conclave, quando o rei D. Juan Carlos, de Espanha, mandou calar o presidente Hugo Chavez, que soube capitalizar o incidente a seu favor. Entretanto, o mundo inteiro riu-se com a patética ordem imperial de um rei sem poder, a fazer recordar os velhos tempos coloniais.
Mas não. Nem este texto é um texto humorístico, nem a perda de importância destas reuniões, que se realizam, anualmente, desde 1991, agrupando 22 países, incluindo, desde 2004, o principado de Andorra, se deve à célebre frase do rei de Espanha "Por qué no te callas?". A perda de importância e a diluição da matriz inicial, que previa o desenvolvimento de uma comunidade política para dialogar com a União Europeia, através da Espanha e de Portugal, foi determinada pela nova conjuntura internacional, tendo por cenário a emergência do Brasil como grande potência mundial. O Brasil já não precisa de Portugal para falar com a Europa. Desde a cimeira do G20, em Londres, quando o presidente Lula declarou orgulhoso que "antes era o FMI que emprestava dinheiro ao Brasil, e, agora, era o Brasil que iria emprestar dinheiro ao FMI", estava lançando o segundo grito do Ipiranga. Para o presidente Lula, Lisboa será um mero interlúdio entre Paris e Berlim. A reunião com o presidente francês, já realizada, e o encontro com a chanceler alemã, a realizar, é que motivaram verdadeiramente o presidente brasileiro na sua visita à Europa. Em Paris e Berlim estão em causa os grandes negócios, que interessam ao Brasil. Em Lisboa, espera-o uma lenga-lenga sobre "Inovação e Conhecimento", que , na fase preparatória da conferência, o Brasil expressou não lhe agradar muito.
Por outro lado, a Europa, ou melhor, o núcleo principal da União Europeia desinteressou-se da América latina, considerada no seu conjunto, e para a qual não tem uma estratégia definida, preferido concentrar os seus esforços no Leste asiático, onde germina o futuro da economia mundial.
Bem pode o primeiro-ministro português exercitar o seu discurso laudatório e encomiástico a favor da importância da cimeira e da bondade e excelência da agenda, que, para os mais atentos e informados, não passará de um discurso iconoclasta, pois a matriz fundadora foi ultrapassada pelos acontecimentos e não foi encontrado outro grande objectivo agregador.
Por outro lado, é cada vez mais difícil, além de ter de dirimir os constantes conflitos diplomáticos, conciliar os objectivos e interesses dos três blocos de países, que se começaram a desenhar na América Latina, e que têm à cabeça um Brasil, a querer exercer a sua incontestável supremacia económica, a Venezuela, a liderar o movimento de emancipação dos povos sul-americanos, e o conjunto daqueles países, que ainda constituem o quintal das traseiras dos Estados Unidos da América.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Novo paradigma para combater a Fome




A mudança de paradigma na ajuda alimentar aos países pobres


A crise alimentar no início de 2008, agravada pela crise financeira e económica, a partir do final do ano, veio pôr a nu os erros estratégicos adoptados pelas instâncias internacionais na concepção e na implementação da ajuda aos países mais pobres, onde a fome endémica continua a ser um terrível flagelo, com tendência para aumentar.
O Banco Mundial, o FMI e a FAO aplicaram o grosso das ajudas internacionais no fornecimento directo de alimentos às populações mais carenciadas dos países pobres e em planos de desenvolvimento agrícola, orientados essencialmente para as exportações. Foi um desastre. No primeiro caso, devido à corrupção, os alimentos eram desviados das populações alvo, e, no segundo caso, a prática de uma agricultura extensiva, virada para a exportação, concentrou os respectivos rendimentos numa elite empresarial local, que não foi obrigada a redistribuí-los, na forma de salários justos, pelos trabalhadores que utilizava. Para complicar mais a situação, e anulando os efeitos benéficos que se pretendiam alcançar, o rendimento disponível, obtido por essas elites, eram exportados para os bancos dos países ocidentais desenvolvidos, indo, parte dele, alimentar a economia virtual da especulação bolsista.
Também as multinacionais não perderam o ensejo de aproveitar a oportunidade oferecida em obter elevadas taxas de rendibilidade, através dos subsídios concedidos pelas agências de desenvolvimento, o que lhes permitiu produzir a baixo custo produtos alimentares, cujo destino era a exportação. Até a multinacional Monsanto, com a conivência de governos corruptos, convenceu os pequenos, médios agricultores africanos a dedicarem-se ao cultivo do milho transgénico, iniciativa que veio a revelar-se desastrosa no ponto de vista económico e ambiental.
Foi necessário surgir a crise alimentar do ano passado para que as instituições internacionais percebessem que era necessário mudar de paradigma para transmitir eficácia às ajudas, isto, se não for verdadeira a acusação que foi feita por muitos especialistas de prestígio, da órbita das ONG’s, de que algumas daquelas instituições actuaram na plena consciência de que os grandes beneficiados seriam aquelas multinacionais e os fabricantes de maquinaria agrícola pesada dos países ocidentais.
A posição de Obama, na reunião do G8, em L’Aquila, na Itália, já incorpora a reflexão de uma nova política, orientada para a produção de alimentos para consumo da população local, política que permite até a produção para o auto-consumo, o que é uma vantagem.
De registar, que, naquela cimeira, em relação aos valores da ajuda alimentar aos países mais pobres, dirigentes africanos convidados denunciaram o vergonhoso incumprimento dos compromissos assumidos por alguns países desenvolvidos, incluindo a Itália, na reunião anterior do G8. A moral ainda está ausente da política.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1391234&idCanal=11

terça-feira, 7 de julho de 2009

Birmânia: Uma ditadura de meio século


Secretário-Geral da ONU não convenceu os generais

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, sofreu um série revés, na sua recente visita a Mayanmar (Birmânia), ao ser-lhe negado o pedido de uma visita à carismática oposicionista do despótico regime militar, Aung San Suu Kyi, que se encontra em prisão domiciliária há 14 anos, e que brevemente irá ser novamente julgada.
Ban Ki-moon acreditou, um pouco ingenuamente, na sua diplomacia de veludo, para tentar abrir uma brecha na irredutibilidade da ditadura, em relação à libertação dos presos políticos, tentando assim obter o êxito alcançado em Maio de 2008, quando conseguiu demover os generais a levantar o embargo à ajuda internacional às vítimas do ciclone Nargis.
Para muitos observadores, este convite do generalíssimo Than Shwe, o chefe da junta militar, que governa o país, teria sido um presente envenenado, pois o seu escondido objectivo, com esta visita do secretário-geral das Nações Unidas a Naypidaw, a nova capital, consistiria, unicamente, em obter internamente a legitimação do próximo julgamento de Aung Kyi, que se arrisca a uma nova e pesada pena, sendo assim habilmente excluída das eleições do próximo ano. Recorde-se que o partido de Aung Kyi, galardoada com o prémio Nobel da Paz, ganhou as eleições de 1990, vitória que os generais, no poder desde 1962, não reconheceram, tendo movido, a partir dessa altura, uma feroz perseguição à célebre oposicionista. Dos 19 anos decorridos, a partir dessas eleições, Aung Kyi passou 14 em prisão domiciliária.
Ban Ki-moon regressou a Nova Iorque de mãos vazias, levando apenas na bagagem a vaga promessa do generalíssimo Than Shwe de que as eleições do próximo ano seriam “justas, livres, transparentes e credíveis”. Todos nós já sabemos o que significam estes adjectivos na boca dos ditadores.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cimeira de Moscovo: um teste à diplomacia

Retirado do blogue Sean's Russia Blog


Retirado do blogue O Vigia

A esta hora, já Barack Obama se encontra em Moscovo, para a sua primeira cimeira com os dirigentes da Rússia. Não existem grandes expectativas para avanços substanciais nas relações entre os dois países. Os governantes russos duvidam das boas intenções do Ocidente, cujos governos, ainda imbuídos da mentalidade da Guerra Fria, teimam em fazer o cerco ao seu país, quer insistido na instalação de um escudo antimíssil na Europa Central, quer pretendendo alargar a NATO a países da antiga órbita soviética. Qualquer avanço que possa ocorrer nesta cimeira tem de tomar em consideração estas duas questões, vitais para o interesse da Rússia.
Pelo meio, existem outras questões, como a renegociação do START1, que expira em Dezembro próximo, e que poderá ser acelerado, se for conseguida alguma distensão na reunião de Moscovo.
É sabido que ao imperialismo americano não interessa uma Rússia com protagonismo internacional, já que se trata de um país que, com o seu poderio militar e a sua crescente importância económica, poderá constituir um obstáculo à sua ambição hegemónica. O caso do Irão é paradigmático. A Rússia utilizou sempre, e com êxito, a sua influência na ONU, para contrariar as propostas de sanções extremas propostas pelos Estados Unidos. E sem o apoio da Rússia, será difícil aos Estados Unidos evitar a nuclearização do regime dos ayatollahs.
A margem de manobra de Obama é, pois, muito estreita. Se pretender conquistar a médio e a longo prazo a confiança e a colaboração da Rússia, terá de seguir o conselho do Financial Times, quando alertava que “a única maneira de persuadir a Rússia, é envolver a Rússia”.

domingo, 5 de julho de 2009

Honduras: Um golpe militar com uma história mal contada

A história do golpe militar nas Honduras está mal contada. Existem contornos difusos, que só o tempo irá aclarar.
É impensável que os generais hondurenhos sejam ingénuos, ao ponto de desencadearem um golpe contra um presidente eleito democraticamente, sem terem a sua rectaguarda garantida por uma potência exterior. Também a diplomacia católica nunca se engana, e o apoio explícito dos bispos hondurenhos aos revoltosos levanta suspeitas sobre a existência de um decisivo apoio externo ao golpe militar. Caso contrário, os bispos ter-se-iam remetido ao silêncio.
O mesmo se poderá dizer da corajosa e determinada posição inicial da Organização dos Estados Americanos, que se apressou a condenar o golpe e a expulsar as Honduras do seu seio, mas que, com o tempo, foi evidenciando algum amolecimento, induzido principalmente pelo representante dos Estados Unidos.
A CIA e os exércitos dos países sul-americanos têm uma longa experiência de cumplicidade no desencadeamento de golpes de Estado e da consequente instauração de ditaduras sangrentas, quando os governos legítimos desafiam o poder dos Estados Unidos. Foi o que aconteceu no Chile em 1973. Das Honduras, o que se sabe, é manifesta intenção do presidente deposto, Manuel Zelaya, de se aproximar de Hugo Chavez e da sua revolução boliveriana, situação que não seria vista com bons olhos pelos Estados Unidos. E isto, talvez seja a parte da história que falta contar.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390356&idCanal=11

Irão: A armadilha dos ayatollahs

A armadilha dos ayatollahs

O regime dos ayatollahs, do Irão, ao escolher cirurgicamente a Grã-Bretanha como alvo preferencial da sua provocação, prendendo nove funcionários da sua embaixada em Teerão e ameaçando julgar dois deles, colocou em marcha a sua estratégia para legitimar internacionalmente a reeleição de Almadinejad e de afastar as atenções dos media da forte contestação interna a que está sujeito. Ao poupar os Estados Unidos, cujos ataques ficaram a cargo das segundas figuras do regime, os ayatollahs não fecham definitivamente as portas ao reinício das negociações sobre o dossier do nuclear, desejado e proposto por Washington. A prisão dos nove funcionários britânicos também explorou as fragilidades da União Europeia, onde, devido à ausência de uma política externa comum, é difícil encontrar unanimidade em relação às sanções diplomáticas propostas por Londres, e que consistiriam na retirada de Teerão dos embaixadores do 27 países europeus, para assim provocar o isolamento internacional do regime teocrático dos ayatollahs.
Os aytollahs sabem que, se a unanimidade europeia não for alcançada, o que é o mais provável, e se os Estados Unidos não se associarem convictamente às propostas dos britânicos ou, o que será mais dramático, se Obama transmitir algum sinal de que pretende reatar o diálogo com Teerão sobre o nuclear, o seu regime irá ganhar a batalha iniciada com as grandes manifestações de protesto dos iranianos contra as fraudes eleitorais que reelegeram o candidato preferido pelo Supremo Líder, o ayatollah Ali Khamenei.
Por enquanto, a guerra ainda é apenas diplomática. Se os acontecimentos se precipitarem e o Ocidente pressentir o perigo de vir a ser pressionado pela ameaça de um boicote do fornecimento do petróleo iraniano, a guerra será um cenário provável.
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