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sábado, 6 de abril de 2019

Brenda Fassie, a "Madona dos municípios"




Brenda Fassie, a "Madona dos municípios"


A "poeta" Maria Gomes homenageou, no Google+, Brenda Fassie, a cantora negra sul-africana, a quem a revista Time chamou a "Madona dos municípios", e que morreu precocemente em Maio de 2004. Era a voz dos marginalizados, escreve a "poeta", no seu texto. Era a voz da negritude, acrescentarei eu, num país que viveu a humilhação e o horror do apartheid.
Deixo aqui, a acompanhar o vídeo da malograda cantora, na sua interpretação de "Meneza", o texto e o belíssimo poema, que a "poeta" Maria Gomes lhe dedicou.
Alexandre de Castro

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"A Madonna dos municípios" foi Brenda Fassie, cantora pop sul-africana. A sua voz foi a voz dos marginalizados do apartheid.
A sua voz leva-me aos difíceis anos 90, anos de guerra. Ressoava noite adentro, vindo algures das redondezas da minha casa... e eu ficava, muito quieta, entregue àqueles acordes e à noite, sentindo um
renascer da esperança. Brenda foi, também para mim, a luz da noite escura. 

Ainda é.
"A Madonna dos municípios" morreu aos 39 anos em Joanesburgo, a 9 de Maio de 2004, com uma overdose de cocaína. Seu colapso e consequente internamento no hospital Sunninghill foi notícia de primeira página na imprensa sul-africana. Nelson Mandela e Thabo Mbeki visitaram-na no hospital.

Poema

Imorredoura voz, mãe da serenidade aflorando
do abraço infinito em que regresso,
haverá um país talhado na cartografia do amor?
Ó fogo que arde, ó flor do tumulto,
dai-me uma ave imaginária, uma paisagem real,
para que eu viva um caudal de enlevo
e erga as cinzas do poema na obstinação e na candura.

__________mariagomes

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2019 04 06

domingo, 23 de abril de 2017

Dois poemas S/T _ maria gomes


É de neve este mar
E eu habito-o
Perdi as ilhas
Perdi a visão que foi minha
No monólogo infinito da noite
os pássaros cantavam na quase luz nas margens das
                                                                             [palavras.
mariagomes
abril, 2017

***«»***

Para onde te leva esse fogo,
esse coração a sondar a palavra?
Para onde te leva a transparência dos pássaros?
A que vida?
Mal ou bem, a tua voz é uma rua sem nome.
A tua voz sai das pedras, ascende, leve, à beleza terrível.
mariagomes

abril, 2017
2017 04 23

Ver também aqui

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Dois poemas s/ título _ por Maria Gomes


Dois poemas s/ título _ por Maria Gomes

Não quero mais do que uma réstia de sol
tenho a promessa das acácias
nas manhãs pagãs
a memória dos teus olhos
infindos
a tua mão clara cor do trigo.


______________mariagomes


***«***


Que a minha sepultura seja uma flor lapidar
cabendo nela a recusa...
Que ali pernoite o amor
e os olhos da inclinação do vazio, e as aves,
e uma espada, uma espada que cruze o mar.


______________mariagomes

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Poema s/ título _ por Maria Gomes


Poema s/título

A tua ausência é uma estrela embriagante que sorri
O meu vagar o meu saber a minha sombra
Ainda que testemunhe o sonho
Dou-te o poder deste deserto que entra por mim
Que me ensina a caminhar que me lembra um céu
Bebo amiúde do regaço dos rios
Da pouca luz que me chega à boca
Por vezes imagino que escrevo
Por vezes germinam flores
Ergo para ti um jardim
E grito
E o meu grito tomba arrefecido sobre borboletas brancas.


____________mariagomes

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Poema sem título - por Maria Gomes

 

Poema sem título

Conservo ainda a palavra que fende o Outono,
a que lava a margem,
e  regressa a este difícil tempo de amar.

Habitando o destino do teu círculo insurrecto,
velo incessantemente a noite.
Quando o sol nascer,
levarei o amor ao sepulcro inviolado
das aves;
ao eco, o fogo pátrio,
o silêncio arauto da matriz das tempestades.

Nada nos foi prometido, nem o olvido!
A palavra é o fragor de um dia sem porto
Nem por do sol.

Dá-me o estro
uma branca toalha
derramando o esplendor, o sal, a âncora…

Deve haver um caminho para o mar.

mariagomes

***«»***
Nota: Maria Gomes já nos impressionou com os dois poemas seus, aqui publicados, onde fazia sobressair uma melódica carga intimista, que parece ser uma marca sua, em toda a sua obra. Neste poema, surpreende-nos pelo hábil encadeamento do jogo metafórico, incisivo e bem temperado pelo eco das palavras escolhidas, cuja sonoridade empresta ao poema toda a beleza.
“levarei o amor ao sepulcro inviolado / das aves / ao eco, o fogo pátrio, / o silêncio arauto da matriz das tempestades, são excelentes metáforas que sustentam todo o significado amoroso do poema.   

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dois poemas de Maria Gomes


Dois poemas de Maria Gomes

Há litorais sem vento, meu amor,
pássaros sem estrelas,
mares antiquíssimos,
e raízes
em precipícios,
em minhas mãos vazias.

_________mariagomes
6, jan, de 2013


Vou ouvir o meu coração bater pela harpa abandonada.
Segui-lo-ei, cegamente, como quem segue a canção de um rio,
seu oiro perdido,
imenso...
Vou entretecer meus dedos na palavra fogo, na palavra água,
vou tocar teu rosto pleno
nesta intempérie!

________________mariagomes

agosto, 2012

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