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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O desafio agora é móvel


Resultados de um projecto sobre a utilização da Internet pelos mais jovens vão ser discutidos numa conferência em Lisboa no fim de Novembro.
A facilidade de acesso à internet proporcionada pelos dispositivos móveis comosmartphones ou tablets intensificaram a pressão para “estar sempre ligado”. Dois terços dos adolescentes têm “grande necessidade” de verificar o telemóvel com regularidade e mais de metade já se sentiu aborrecido por não poder usar o aparelho por falta de bateria ou de rede.
Estas conclusões resultam do projecto Net Children Go Mobile, que em Portugal é coordenado pela Faculdade de Ciências Socias da Universidade Nova de Lisboa e que também aponta para uso excessivo das tecnologias por partes dos mais jovens.
O uso intensivo apresenta-se “mais intenso” entre os 13 e os 14 anos, mostra Cristina Ponte, que coordena este projecto. Entre estes, 31% demonstram uma ou outra forma de utilização excessiva do telemóvel ou smartphone. Este valor é inferior entre os colegas entre os 15 e 16 anos: 19%. 
O Net Children Go Mobile é uma continuação do projecto EU Kids Online, que tinha traçado um retrato da utilização da Internet pelos mais jovens na Europa. Desta feita, o foco é feito na forma como os adolescentes utilizam os telemóveis, tablets e outros dispositivos móveis. Os resultados nacionais serão discutidos na conferência Crianças e meios digitais móveis em Portugal, que se realiza a 28 e 29 de Novembro, em Lisboa.
SAMUEL SILVA

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Se o assunto não fosse muito sério, estaria tentado a dizer: ponham os compêndios escolares na internet e os testes no telemóvel, e vão ver que os putos começam a preferir andar de bicicleta.
Começa a haver um desajustamento entre as inovações tecnológicas e os comportamentos sociais. A dependência em relação à internet e aos telemóveis não afeta apenas os jovens. É transversal a todo o tecido social. 
No entanto, e pelo facto dos jovens terem menos defesas, aquele desajustamento é preocupante. Além dos distúrbios psicológicos, psico-somáticos e comportamentais, o uso excessivo dos meios móveis de comunicação, pelos jovens, poderá distorcer-lhes a perceção da realidade, que só a relação interpessoal poderá desenvolver e apurar. Refiro-me particularmente aos valores associados ao conceito da amizade e ao desenvolvimento do discurso lógico e do pensamento dialético, assim como ao domínio da expressão escrita. 
Resta um aspeto positivo nesta obsessiva dependência: o adestramento no manuseamento das linguagens da informática, o que os prepara para a sociedade do futuro.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Notas do meu rodapé: No sector eléctrico, os consumidores é que pagam as favas....


Há dois dias, a propósito da referência positiva a este governo, em relação ao seu esforço em desenvolver as energias renováveis, e que se reflectiu na melhoria do desempenho climático de Portugal, avaliado pelo “Climate Change Performance Índex 2011", afirmei que, apesar desse sério esforço, circulavam rumores de que o modelo adoptado não teria sido o melhor. E, ao afirmarmos isto, queríamos referirmo-nos ao modelo de gestão pública do regime das concessões, onde o governo, com as contrapartidas recebidas, encontrou uma fonte geradora de receitas, mas que não vêm desagravar, tal como era esperado, as tarifas da electricidade, cobradas aos consumidores (famílias e empresas).
A habilidade contabilística, um pouco complexa, pode resumir-se da seguinte forma: O governo inflaciona, em leilão, o valor do pagamento a pagar à cabeça, pelos concessionários, as concessões arrematadas para a construção e exploração de novas grandes barragens e de centrais mini-hídricas e fotovoltaicas, com a garantia do alargamento dos prazos dessas concessões, e de poderem vir a ser praticadas tarifas mais elevadas do que as esperadas. O negócio é bom para os concessionários, que, tal como acontece nas parcerias público privadas, aplicam o seu investimento sem qualquer risco, liberto das incertezas das variações do mercado, e tendo, assim, garantido o seu lucro. Perdem, no entanto, os consumidores domésticos e industriais, que irão pagar mais pela factura da electricidade. As famílias vêem o seu rendimento disponível diminuído e, nas empresas, aumentam os custos de produção, pondo em causa a recuperação da tal competitividade de que toda a gente anda a falar, alguma, no entanto, sem saber do que fala.
Por outro lado, não foi seguida a ideia inicial do ex-ministro Manuel Pinho, que pretendia que os pagamentos pelas concessões fosse canalizado para o sistema eléctrico, a fim de abater o défice tarifário e para aplicar num "fundo para amortecer as subidas das tarifas eléctricas em anos de seca".
O professor de Economia, João Confraria, resume assim a situação: "Num sector oligopolista, parcialmente com tarifas reguladas, como é o da electricidade, o que o Estado faz é repercutir nas tarifas a remuneração obtida no leilão".
http://economia.publico.pt/Noticia/novas-concessoes-nas-renovaveis-penalizam-consumidores-domesticos_1469635