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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Um país que envelhece é um país que empobrece


Um país que envelhece é um país que empobrece

As perspectivas demográficas, para Portugal, não são animadoras. Até 2080, Portugal perderá 2,6 milhões de habitantes e o número de jovens diminuirá de 1,4 milhões para 900.000, revelou o INE, em Junho passado, ao mesmo tempo que informou que o número de idosos deverá aumentar de 2,2 milhões para 2,8 milhões. “No futuro, mantém-se o declínio populacional e o agravamento do envelhecimento demográfico”, antevê o INE.
Perante estas projecções, no final do século, Portugal será um país de velhos. E um país que envelhece é um país que empobrece. E eu não vejo os nossos políticos, os dos partidos do arco do poder (PS, PSD e CDS), a encararem de frente este grave problema, preocupados que estão, a fim de politicamente sobreviverem, em aplicar apenas políticas de curto e médio prazo, muitas delas viciadas com o traiçoeiro e enganador eleitoralismo.
Em vez de construir, estamos, por antecipação e por inércia, a destruir o Portugal do futuro, assumindo por inteiro aquele adágio “quem cá fica que se amanhe”.

Alexandre de Castro
2019 02 20

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Bomba Atómica demográfica


A Bomba Atómica demográfica

Não sei!... Não sei se vai ser possível agradar a Gregos e a Troianos, ou seja, às instâncias europeias e ao projecto da nossa Geringonça.

Portugal, para pagar a dívida, necessitaria de crescer cinco por cento por ano, até 2036, cálculo este que é de 2014, E esse crescimento não se verificou em 2015, em 2016, em 2017, nem vai ocorrer em 2018, segundo o OE. Assim, já se perderam quatro anos, o que quer dizer que a fatia do pagamento da dívida terá de aumentar nos anos seguintes.

O crescimento de 2017 deveu-se muito ao Turismo, mas esse crescimento não é infinito. Há um ponto de saturação que, segundo os especialistas, já foi atingido. E, nos outros sectores da economia, o investimento está a ser colocado em sectores de baixo valor acrescentado e de oferta de emprego mal remunerado, tal com ainda ontem um gabinete da comissão europeia alertou (eles atá são nossos amigos). Com esta ambição rasteira, o crescimento será mínimo.

Mas há um problema super estrutural, de longo prazo, que não está a ser considerado, pois o governo é obrigado, pela conjuntura actual, a governar a curto e a médio prazo, e sempre com um olho no burro e outro no cigano (adivinhe o leitor quem é o burro e quem é o cigano). Trate-se do alarmante défice demográfico, que, tal como um cancro, vai minando a estrutura etária da população portuguesa. Nos próximos dez anos, a natalidade vai sofrer um grande rombo, porque a actual geração de jovens não teve, não tem, nem vai ter condições de vida, que lhe permita ter filhos. Este problema, que estava circunscrito ao mundo rural, por efeito da emigração, passa a ser também um problema das cidades. E com uma demografia adversa, não há economia real que resista. Se repararmos, este pilar, essencial para o desenvolvimento, não está ser considerado. E os nossos governantes, a Merkel e a Comissão Europeia sabem isto, mas assobiam para o lado e metem o lixo debaixo do tapete, e fazem o seguinte raciocínio, quem vier atrás que feche a porta.

A continuar esta situação de impasse, a bomba atómica acabará mesmo por rebentar.
Alexandre de Castro
2017 11 14

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Carlos Carreiras: "Calamidade demográfica do país é prioridade patriótica"


O autarca de Cascais [Carlos Carreiras] considera que, apesar das novidades no campo político relativamente a candidaturas presidenciais, é importante “o país voltar a concentrar-se nos assuntos que realmente importam”.
“Ter ou não ter filhos é uma decisão individual. Mas a calamidade demográfica em que o país se encontra faz desta uma matéria política e uma prioridade patriótica”, escreve o social-democrata no artigo de opinião que assina esta quarta-feira no jornal i, antecipando o “ritmo insustentável de destruição de capital demográfico”, que em 2060 será notado na população: seremos apenas 8,5 milhões de portugueses.

***«***
A demografia é uma bomba relógio, que ameaça o país, a médio e a longo prazo. Até a gente de direita percebe isto, embora apenas alguns se atrevam a dizê-lo na praça pública. Com esta política de severa austeridade - que vai prosseguir por muito tempo, para que, numa manobra financeira complexa, a poupança gerada pelo Estado português vá pagar, não só a dívida pública, contraída junto das instituições da troika, mas, principalmente, a dívida acumulada pelos bancos privados portugueses sobre os bancos privados da Alemanha, e cujos títulos são considerados produtos tóxicos - o êxodo da nova geração, quer a mais qualificada, quer a menos qualificada, vai desequilibrar o quadro demográfico, através da diminuição acentuada e progressiva da taxa da natalidade. É um processo corrosivo e silencioso, que se encontra fora das preocupações da maioria dos portugueses, que, naturalmente, se encontram mais concentrados nas consequências imediatas da crise, com o seu funesto cortejo da perda de rendimentos e com a progressiva falta de resposta dos serviços do Estado Social (Educação, Saúde e Segurança Social).
Quando o número de idosos começar a ultrapassar o número da população ativa, vai entrar-se na época apocalítica da tragédia social. Não haverá dinheiro para pagar as reformas dos jovens atuais, o PIB desacelará em ritmo exponencial, o Estado Social ficará reduzido ao nível da inutilidade, e Portugal descerá ao inferno do Terceiro Mundo. 
E a concretizar-se esta tragédia, no futuro, os responsáveis seremos todos nós, que iremos votar nas eleições legislativas de Outubro deste ano e nas presidenciais de Janeiro do próximo ano.

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NOTA
APROVEITO PARA INFORMAR OS LEITORES DO ALPENDRE DA LUA QUE, ESTE ANO, NÃO VOU FESTEJAR O 25 DE ABRIL DE CRAVO AO PEITO. 
VOU DE LUTO, COM UMA BRAÇADEIRA PRETA NO BRAÇO.
E ISTO, PORQUE O 25 DE ABRIL MORREU E UM OUTRO ABRIL AINDA NÃO NASCEU.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

A diáspora dos ciganos começou há 1500 anos no Noroeste da Índia


Os ciganos representam a maior minoria da Europa. São cerca de 11 milhões - mais do que a população de Portugal. Mas não possuem registos escritos da sua história nem tão-pouco das suas andanças pelo mundo. Isso levou um grupo de geneticistas de 15 países europeus - Portugal, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Holanda, Hungria, Croácia, Eslováquia, Sérvia, Grécia, Roménia, Bulgária, Ucrânia, Lituânia e Estónia - a juntar esforços para tentar determinar, através de uma análise ao ADN das várias comunidades ciganas, a origem e o percurso geográfico da diáspora cigana.
Os seus resultados, publicados online esta quinta-feira na revista Current Biology, fornecem o mais pormenorizado "mapa" existente até agora dessa história demográfica - que se revela, escrevem, "rica e complexa".
Por um lado, os resultados vêm confirmar que, apesar das grandes diferenças culturais, religiosas e linguísticas que existem entre as diversas comunidades ciganas que hoje residem nos países europeus, os antepassados de todos os ciganos vieram do mesmo sítio. Por outro, permitem estimar a data em que os ciganos ancestrais saíram do seu "berço" genético, bem como a data em que teve início a sua expansão pela Europa fora.
A partir de amostras biológicas provenientes das comunidades ciganas de 13 países (todos os acima referidos menos a Holanda e a Bélgica), os cientistas realizaram uma análise global de 152 genomas. A seguir, compararam-nos com os genomas de diversas outras populações - nomeadamente de europeus não-ciganos -, para remontar até ao ponto geográfico de origem dos antepassados dos ciganos actuais e seguir-lhes depois o rasto ao longo do tempo.
"Juntámos as populações e fizemos uma análise muito mais intensiva, ao nível de todo o genoma, com um número de marcadores genéticos extremamente elevado", disse ao PÚBLICO Leonor Gusmão, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup) - e co-autora portuguesa do estudo -, em conversa telefónica a partir do Brasil, onde está actualmente a trabalhar no Laboratório de Diagnósticos por DNA da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Os cientistas puderam assim concluir que tudo começou no Noroeste da Índia, há uns 1500 anos. E que, uma vez chegados à Europa via Balcãs (mais precisamente a Bulgária), os ciganos começaram, há cerca de 900 anos, a espalhar-se por todo o continente, até à Península Ibérica e ao País de Gales, misturando-se, ainda que de forma limitada, com as populações autóctones que iam encontrando.

Bolas brancas, bolas pretas
A Portugal, os primeiros ciganos terão chegado em 1462. "Estão há mais tempo em Portugal do que os portugueses no Brasil", faz notar Leonor Gusmão. No entanto - e apesar de serem "um grupo extremamente interessante" - têm sido esquecidos pelos geneticistas das populações. "A maior parte das pessoas não faz ideia de onde é que vieram os ciganos."
Uma das particularidades que o novo estudo genético revelou é que a diáspora cigana terá sido o resultado de migrações sucessivas de grupos muito pequenos, quase de grupos familiares. Isso fez com que as diversas populações se diferenciassem rapidamente umas das outras do ponto vista genético.
"Como eram poucos indivíduos", explica a cientista, "nunca representavam totalmente a população de onde tinham saído." E utiliza uma analogia para melhor descrever o fenómeno: é como tirar bolas ao acaso de um saco que contém 25 bolas brancas e 25 pretas. Se tirarmos um número substancial de bolas, digamos 20, é provável que mais ou menos metade das bolas escolhidas seja de uma cor e metade da outra. Mas se tirarmos apenas duas bolas, facilmente ficaremos com duas da mesma cor, o que não será representativo do conteúdo do saco.
Com os genes, acontece a mesma coisa. E foi o que se passou durante a diáspora cigana. "Isso é que é realmente interessante: o facto de tantas diferenças terem surgido entre as populações ciganas, a todos os níveis, em tão pouco tempo", diz Leonor Gusmão. O modo de vida nómada dos ciganos não é alheio a esta característica da sua diáspora.
O facto de a ancestralidade ser indiana foi uma surpresa? Não, responde. Os estudos linguísticos já apontavam para a Índia. "Já sabíamos isso, não fomos nós que o descobrimos." Contudo, a genética permitiu descartar algumas hipóteses quanto ao percurso exacto dos grupos ciganos entre a Índia e a Europa. "Uma das hipóteses", diz Leonor Gusmão, "era que os ciganos teriam chegado à Península Ibérica via Norte de África." Mas os cientistas não encontraram agora qualquer indício genético que permita sustentar essa hipótese. Pode ser que alguns grupos tenham por lá passado, mas, se isso aconteceu, "não deixaram descendentes".
Ana Gershenfeld
PÚBLICO
***«»***
Seria impensável, há uma vintena de anos, imaginar que a Genética pudesse vir a ser credora da História e da Antropologia, possibilitando o estudo de populações do passado, através do estudo de amostras do DNA. Anteriormente, já aquelas duas ciências sociais receberam o contributo decisivo da Química, que veio possibilitar, através da técnica da marcação com o isótopo do carbono, o Carbono 14, a datação de achados históricos e pré-históricos. A Linguística, através do estudo da estrutura e da evolução, no tempo, de diversas línguas mortas, ajudou os historiadores na sua investigação sobre os fluxos migratórios do passado.
Poderemos concluir que, quanto mais se especializam e autonomizam as ciências experimentais, devido ao seu vertiginoso desenvolvimento, mais se adensa a complementaridade entre as várias ciências, inclusivamente com as ciências sociais.
Nos últimos sessenta anos, as ciências experimentais conseguiram, com a sua imparável dinâmica, um desenvolvimento do conhecimento, muito superior ao adquirido desde o passado remoto. E esse desenvolvimento vai continuar a crescer, de uma forma exponencial.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Portugal irá ser um enorme Lar de Idosos, com frente para o mar...


Houve mais 16 mil funerais do que partos só no primeiro semestre
Este ano o défice demográfico terá a maior expressão de que há memória com o número de mortes a ultrapassar largamente a quantidade de nascimentos.
Os que morrem são mais do que os que nascem em Portugal e os que saem também suplantam os que entram. Já não é novidade dizer que a população portuguesa está a encolher, mas em 2012 este fenómeno terá a maior expressão de que há memória.
Aos défices financeiros Portugal soma défices demográficos consecutivos. Se considerarmos apenas os seis primeiros meses de 2012, morreram quase mais 16 mil pessoas do que as que nasceram em Portugal, o que se justifica em parte devido ao pico da mortalidade verificado em Fevereiro e Março. É muito? Para alguns especialistas, é demasiado. A manter-se a tendência, será "preocupante". Em 2011, o número de funerais suplantou em cerca de seis mil o total de partos, e nessa altura já soaram campainhas de alarme.
PÚBLICO
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A prazo, a taxa de natalidade, a diminuir alarmantemente, será a grande arma assassina da coesão económica e social de Portugal. Os seus efeitos devastadores irão sentir-se a partir da próxima década, se, entretanto, não for encontrada a forma de encontrar uma alternativa, arrojada e credível, que devolva aos portugueses a esperança que, criminosamente, está a ser-lhes negada pelas gravosas e inúteis políticas de austeridade, que irão reproduzir-se ano após ano até a exaustão final. Chegará então o momento em que "Portugal   irá ser um enorme Lar de Idosos, com frente para o mar"...
Nunca foi tão urgente cantar Fernando Lopes Graça.
Acordai, portugueses!...
*
Acordai

acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

Poema: José Gomes Ferreira (O Poeta Militante)
Música: Fernando Lopes Graça

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Procura de casas em Portugal pode cair 80% com o envelhecimento da população

O aumento do número de idosos em Portugal
levará a que diminua a procura de casas. E se
Portugal já sofria um impacto negativo de pouco
mais de 25% do envelhecimento demográfico
no sector imobiliário, entre 1970 e 2009, esse
impacto negativo irá chegar para perto de 80%
entre 2010 e 2050. O estudo foi realizado
pelo Banco Internacional de Pagamentos,
com o objectivo de descobrir o efeito do
envelhecimento populacional no preço dos activos
financeiros no futuro.
Jornal de Negócios
***
Já existem muitos estudos académicos que evidenciam a correlação entre o desenvolvimento económico e a sustentabilidade social com a demografia. Países com baixas taxas de natalidade não conseguirão massa crítica no espaço das duas gerações seguintes (50 anos). E se aquela diminuição das taxas de natalidade das populações autóctones for compensada com as taxas de natalidade das populações imigrantes, como acontece actualmente nos maiores países europeus, assistir-se-à a rupturas importantes a nível social e cultural. Os ideólogos do fundamentalismo islâmico sonham islamizar a Europa por esta via. Será aconselhável que os pais das adolescentes actuais comecem a mentalizá-las para a necessidade de começarem a pensar que terão de usar a burka e tapar o corpo até aos tornozelos. Maomé obriga!
Os políticos e os economistas europeus têm fechado os olhos aos efeitos de longo prazo das políticas económicas, preocupando-se apenas com os efeitos imediatos de curto-prazo, que não ultrapassam normalmente o período de uma legislatura. Em Portugal, o problema ainda é mais premente. As actuais medidas assumidas pelo governo de José Sócrates contra as famílias mais vulneráveis e a ausência de uma política consistente de apoio à natalidade vão ter repercussões futuras no equilíbrio demográfico e no desenvolvimento económico.

sábado, 8 de maio de 2010

Notas do meu rodapé: Será que ainda irei ver a raínha de Inglaterra vestida de burka?


***
Este vídeo da Igreja Batista, provocantemente crítico e veladamente ameaçador, não deixa margens para dúvidas sobre o futuro da Europa. Preocupados com a economia, gerindo-a no interesse das classes dominantes, os dirigentes europeus ignoraram por completo a demografia. Continua a discutir-se o sexo dos anjos, tal como em Constantinopla, quando os otamanos muçulmanos assaltaram as muralhas da cidade e arrasaram o Império Romano do Oriente. Se a Europa já apresenta sérios sintomas degenerativos, a caminhar a passos largos para um estado vegetativo, já que não se vê alternativa para a crise actual, será o islão a acabar por lhe desferir o golpe mortal, liquidando os valores civilizacionais herdados do Iluminismo, da Revolução Francesa e dos ideais republicanos. As repúblicas islâmicas, totalitárias e fascistas, encarregar-se-ão de impôr a tirania dos estados teocráticos, a ditadura da sharia e o pensamento único do Alcorão. Tal como a igreja de Roma fez na Idade Média, o islão promoverá a ignorância, o obscurantismo e a intolerância e, com toda a força dos vencedores, irá impor a justiça corâmica, decretando a amputação das mãos aos ladrões, a lapidação das mulheres adúlteras e condenando à morte os apóstatas, os não crentes e os crentes de outras religiões.