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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Renegociação da dívida é "tema tabu"



O antigo conselheiro de Estado, António Capucho, comentou na antena da rádio TSF a ausência de uma referência à renegociação da dívida no comunicado do Conselho de Estado. Para o social-democrata esta questão é um “tema tabu” porque os dirigentes entendem que discutir o assunto “diminuiu a nossa capacidade negocial”.

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Chegou-se ao limite do absurdo, ao considerar "tema tabu" a discussão sobre a eventual renegociação da dívida pública, avançando-se com o falacioso argumento que essa discussão iria enfraquecer a capacidade negocial do governo. Mas qual capacidade negocial, se o governo tem assumido, de cócoras, todas as ordens da troika? 
Nem Kafka, nem Sarte, nem Camus se lembraram da falácia do "ocultamento", para dissertarem sobre as suas teses sobre o absurdo. O senhor K, de "O Processo", consideraria o pesadelo do tribunal, que o esmagava, um verdadeiro paraíso, comparado com o pesadelo deste país, onde um Conselho de Estado, dominado pela direita troglodita e fundamentalista, omite, no seu comunicado, a referência a um tema importante, que foi levantado na última reunião - a renegociação da dívida - o que evidencia uma grande falta de respeito pelos portugueses, que têm todo o direito de saber todas estas "malhas que o Império tece".

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Cavaco convoca Conselho de Estado para 3 de julho


O Presidente da República convocou um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, avança a SIC Notícias.
A Presidência da República anunciou a convocação de um Conselho de Estado para o dia 3 de julho, às 17h30, de acordo com o avançado pela SIC Notícias.
Os temas a discutir serão a situação política, económica e social na sequência do fim do programa de ajustamento e também a relação de parceria entre Portugal e a União Europeia, no Âmbito do programa 2020 da União Europeia.

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Esperemos que, desta vez, Cavaco não leve as conclusões do conclave, já previamente escritas, tal como aconteceu na última reunião do Conselho de Estado. Isto faz-me lembrar aquele médico que, mal o doente entrou no gabinete de consulta, já tinha o impresso da receita preenchido, antes de lhe ouvir as queixas e de o observar clinicamente.
Para serem coerentes, os conselheiros não podem deixar de reconhecer a progressiva degradação da situação política portuguesa, cujo epicentro se encontra na falta de legitimidade política do atual governo, claramente evidenciada  pelos resultados das eleições europeias, o que exige, como saída limpa, uma proposta para que o Presidente da República provoque a sua imediata demissão e convoque eleições legislativas.
É urgente devolver a voz ao povo, se é que isto ainda é uma democracia.