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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ary dos Santos - As Portas Que Abril Abriu





As Portas Que Abril Abriu

Não posso deixar de emocionar-me até às lágrimas e com um grande nó a atar-me a garganta, ao ouvir a vigorosa voz de Ary dos Santos, a declamar, com força e emoção, o seu grandioso poema, "As Portas Que Abril Abriu", que é o grande poema da Revolução de Abril e, revolução essa, que o povo, com toda a sua criatividade, logo baptizou como a Revolução dos Cravos, tal foi a profusão de cravos que alastrou pelas ruas de Lisboa, como se tratasse de um fenómeno de geração espontânea, e que começaram a engalanar os canos das espingardas e as coberturas dos tanques.

Fica-nos na memória todo o romantismo que esta revolução inspirou à minha geração, que a viveu em profundidade, com muito amor e com muita convicção, alimentando aquela esperança de que, com o derrube do caduco regime fascista, iríamos construir um país novo.

E essa esperança ainda não morreu, nem pode morrer.

[Por motivos de força maior, não poderei estar presente no desfile da avenida, que, por sinal, se chama da Liberdade. Cantem por mim a "Grândola, Vila Morena".

Alexandre de Castro
2018 04 25

25 de Abril _ Não deixemos morrer os cravos!.


Não deixemos morrer os cravos!...

Alexandre de Castro
2018 04 25


segunda-feira, 24 de abril de 2017

O 25 DE ABRIL DE 1974 - 100 FOTOGRAFIAS


Amabilidade do João Fráguas

O 25 de Abril já não pode nem deve ser celebrado, como se de uma peça de museu se tratasse. Se ele é uma relíquia, das mais valiosas, da nossa História, que mobilizou um povo inteiro, como nunca antes se tinha visto, também é certo que se constituiu num desígnio nacional para moldar o futuro, partindo de um novo paradigma, de que em Portugal nunca mais poderia ocorrer a negação das liberdades cívicas fundamentais nem permitir a existência de regimes que promovessem a exploração do povo trabalhador e agravassem as desigualdades sociais e económicas.

Se as liberdades e os direitos fundamentais estão garantidos, devido à armadura constitucional, o mesmo não se pode dizer, em relação à esfera económica e social. Neste campo, os três partidos, com responsabilidades na governança, o PS, o PSD e o CDS, têm de assumir a suas responsabilidades históricas, pela forma leviana, incompetente e, nalguns casos, desonesta, como governaram o país, hipotecando-o para o futuro e permitindo o regresso da extrema pobreza a muitas franjas da população portuguesa. Isto seria motivo suficiente para erradicar esses partidos do mapa político nacional e levar a julgamento os seus máximos responsáveis, principalmente aqueles que actuaram de má-fé e em benefício próprio, e que foram muitos. E, no futuro, os desígnios de Abril só poderão ser resgatados, se aquele desiderato for atingido, o que só poderá acontecer, através de uma solução radical, tal como foi radical a solução encontrada, há quarenta e três anos, pelos militares de Abril.
Alexandre de Castro

VIVA O 25 DE ABRIL!...

2017 04 24

sábado, 22 de abril de 2017

PORTUGAL ANTES DO 25 DE ABRIL-100 FOTOGRAFIAS

Vídeo retirado do Grupo "Os Valores de Abril no Futuro de Portugal"

São imagens do rasto do tempo, que me rasgam a memória dorida. O tempo das catacunbas e da escuridão, vivido na vigília da noite, à espera das libertadoras alvoradas. Um tempo que nos esmagava o sonho e cortava as asas e que nos impedia de voar em liberdade e uma dor profunda, pelo povo que sofria nas amarras do silêncio e pelos soldados que morriam ingloriamente, numa guerra bárbara e injusta.
Eu sei que esta dor não é compreendida pelos que vieram depois daquela alvorada, porque se trata de uma dor da memória, apenas sentida por quem a viveu e sofreu...
Para compreender a importância do 25 de Abril de 1974, é necessário, antes de tudo, perceber o que era Portugal, antes dessa gloriosa data. As imagens, que hoje vos mostro, são elucidativas e dispensam as palavras dos discursos de ocasião.
Pertenço à Geração de Abril. Pertenço à ultima geração que participou na Guerra Colonial. Esta minha geração já é a única que tem a memória viva do que eram eram aqueles tempos de chumbo e de miséria. E esta geração, pelo ordenamento da leis da vida, está lentamente a desaparecer. Temo que as gerações que se lhe seguiram, e talvez por nossa culpa, se esqueçam dessa memória viva, e permitam que, por outras formas capciosas, Portugal regresse aos tempos da escuridão.
Alexandre de Castro
2017 04 22

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os banqueiros foram à festa...


Os banqueiros portugueses apareceram em força na manifestação da Intersindical, para também comemorarem o 1º de Maio. Os manifestantes, logo que os viram, começaram a fugir, agarrando bem as carteiras.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 DE ABRIL: O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO...

AQUI COMEÇOU A ALIANÇA POVO MFA...

O 25 de Abril já é uma marca genética do povo português. É inapagável. Foi uma revolução que uniu o povo inteiro e que o povo sufragou na grandiosa e memorável manifestação do primeiro de Maio de 1974, a maior manifestação de sempre, na qual eu não pude participar, por me encontrar lá longe, nos antípodas, no hemisfério sul, mas que acompanhei - emocionado, com os olhos marejados de lágrimas e um grande sufoco na garganta - pregado a um aparelho de rádio, sintonizado em onda curta, na Emissora Nacional.
A Revolução de 25 de Abril trouxe agarrada a si o intenso aroma dos cravos, cravos (e aqui reside o seu lado mais romântico) que substituíram as balas, quando o povo, num delírio incandescente, já andava em festa, misturado com os soldados, numa aliança inédita e original, que a História já registou.

"Portugal 74-75" - O retrato do 25 de Abril





25 DE ABRIL, SEMPRE...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Maria Azenha - "Abril dói"



Um poema sublime (dos melhores poemas de Maria Azenha), que escorrega das fontes de todas as lágrimas pelas nossas mãos já frágeis do nosso desespero e do nosso desencanto, porque “Abril chega e nunca mais vem”, tendo-se perdido no labirinto das “palavras sem projeto” e desfazendo o sonho, mil vezes sonhado e desejado do país que queríamos sem escravos.
Mas “quebrou-se este país antigo e puro, conduzido por homens de má-fé e cegos”, que lhe roubaram as “estrelas” e as “bússolas de frente”, para que as “aves” fossem “caindo, uma a uma”.
Obrigado, Maria Azenha.
Alexandre de Castro

sábado, 25 de abril de 2015

VIVA O 25 DE ABRIL ...



Cravo negro

Cravo, onde está a tua cor,
não sei dela, não sei de mim,
roubaram-te a esperança,
a mesma que tiraram de mim...
Estás de luto vestido,
quem te trajou afinal,
foi essa gente desgovernada,
que anda a matar Portugal...
Vejo as tuas lágrimas sobre a terra,
e choro eu contigo também,
com saudades desse tempo,
em que não pertencíamos a ninguém...
Venderam-nos a alma,
deixaram-nos o corpo ao abandono,
somos como cães sem raça,
de quem já ninguém quer ser dono...
Somos vagabundos esquecidos,
mas que não conseguem esquecer,
o Amor por um país,
que nos seus braços nos viu nascer...

Ártemis

***«»***
Hoje irei trazer uma braçadeira preta no braço e um cravo vermelho ao peito...

domingo, 27 de abril de 2014

25 DE ABRIL - 40 ANOS- por Diamantino Gertrudes da Silva (capitão de Abril)


Mais que para celebrar, será de aproveitar esta efeméride para reflectir sobre os caminhos que até aqui nos trouxeram. Caminhos onde inegavelmente não será difícil identificar alguns progressos e alguns sucessos, a par de erros, uns que nós próprios cometemos, outros que resultam do sistema global em que nos inserimos e no qual nos sujeitamos a um jogo de dados viciados, em mesas que nós não vemos, e onde se sentam jogadores sem rosto.
E, por muito que puxemos pelas ganas da alma, não descortinamos razões para grandes manifestações de optimismo. A não ser o que nos é permitido ler no fio do devir histórico, tanto da humanidade como da nação portuguesa: de que, pesem todas as vicissitudes, mais tarde ou mais cedo, havemos de reencontrar o nosso caminho, o qual nos levará, assim esperamos, a um mais elevado patamar de progresso material, social e humano. Porque o mundo não pára, bem sabemos.
O 25 de Abril, independentemente da opinião de cada um é, inegavelmente, pelo menos pelas suas consequências, um facto histórico de determinante dimensão, uma ruptura, um traço vertical na história nacional com direito ao estatuto de referencial de um antes e um depois.
Nós, os militares de Abril, cuidámos do trabalho de casa. Fizemos um correcto estudo da situação, planeámos e executámos com reconhecida eficácia, e alguma sorte, admitamos, um cuidadoso plano de operações. Podem negar-nos qualquer auréola de heroísmo; mas não nos podem negar uma boa dose de coragem e de entrega àquilo que, a partir dum momento crucial, tomámos como uma missão, quando tivemos que nos despedir das nossas mulheres e dos nossos filhos e rumámos a um destino prenhe de incertezas.
Derrubámos a ditadura; segurámos quase até ao limite a magna questão colonial com vista à sua posterior resolução; avançámos com as medidas mais prementes no sentido de atacar o atraso e o que na altura pareciam ser os bloqueios do desenvolvimento do país. Apresentámos então um programa mínimo que passou a ser conhecido como o “Programa dos 3D”. E, programa mínimo, diga-se, e de curta duração, porque ninguém, honestamente, nos poderá acusar de termos ficado agarrados ao poder.
Hoje é bem claro que a seguir à grande, à inolvidável Festa, todos nós, tanto civis como militares, cometemos erros; só não os comete quem fica parado e à espera do que vier a seguir. Só que a História não admite “ses” nem se ocupa de julgamentos e consequente atribuição de culpas. Os erros e os sucessos alcançados poderão servir-nos, isso sim, para melhor entendermos o presente e construir uma ideia, ou melhor, um projecto de futuro. Que é o que nos parece que hoje não temos, de todo, enquanto país e nação orgulhosa de cerca de 900 anos de história e do seu decisivo contributo para o progresso da humanidade.
Pois, se atentarmos novamente no tal programa mínimo dos 3D; se deixarmos de lado, como facto irremediável, a Descolonização; se pensarmos no Desenvolvimento como uma sucessão de altos e baixos, mas sempre – e até parece que endemicamente – abaixo da linha de água, então que dizer da Democratização, do nosso sistema democrático progressivamente desfigurado e descaracterizado por interesses que nada têm que ver com a democracia e com os valores que lhe dão forma. E assim, viemos dar a esta “encruzilhada sem caminhos”. Temos a liberdade, é certo, esse supremo bem. Mas “Só há liberdade a sério…” (Sérgio Godinho).
Bem cedo fomos sendo alertados, primeiro por Maria de Lurdes Pintassilgo e mais tarde pelo Prof. Boaventura Sousa Santos, entre outros, para alguns visíveis sinais de enfermidade, chegando ao ponto de nos aconselharem a “Reinventar a Democracia”.
Nós, enquanto cidadãos e Militares de Abril, qualificação de que muito nos orgulhamos, continuaremos afincadamente agarrados, agora já não aos 3D, que tiveram o seu legítimo lugar histórico e melhor ou pior se cumpriram, mas aos valores perenes que foram a bandeira da mãe de todas as revoluções da Época Moderna.
Utopia? Já houve quem decretasse a morte de Deus, quem declarasse o fim da História e quem anunciasse o enterro das Ideologias. Na impossibilidade de garantir a sua morte, houve ainda quem se apressasse a apontar a inutilidade ou os perigos das utopias, esquecendo-se de que é de sonhos e utopias que se alimenta a alma dos homens.
Penso que é possível e realizável um mundo bem melhor do que aquele que temos, e aí está, penso eu, uma legítima esperança, uma bela utopia. Um mundo estruturado nos sólidos pilares da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, caso para perguntar que mal farão utopias como esta. E, mais que de esperança, trata-se duma questão de fé. E dizem-nos que a fé pode mover montanhas.
O 25 de Abril ainda anda por aí. E tomamos como nossa a obrigação de mantê-lo vivo. Antes como hoje, nós fazemos questão de cuidar do trabalho de casa, usando os espaços de liberdade para denunciar e alertar, sempre que os valores de Abril estiverem em causa. E passar às camadas mais jovens os princípios enformadores de uma das revoluções mais lindas de todos os tempos. Olhe-se para o que vai por esse mundo fora…40 anos! Tanto e tão pouco tempo!...
Viva o 25 de Abril!                                                
Viseu, Abril 2014

***«»***
Não resisto à indiscrição de reproduzir aqui a mensagem que acompanhou este texto do meu amigo e antigo colega do liceu, Diamantino, porque não posso perder a oportunidade de deixar registado o testemunho direto sobre as operações militares daquela madrugada redentora, de um dos capitães de Abril, que nelas participou.
Verdadeiros «obreiros» da Liberdade, os capitães de Abril já conquistaram, pela sua coragem, determinação, abnegação e desprendimento, o lugar no “panteão” da nossa memória coletiva. E o povo português não pode perder, pela traição de alguns, aquilo que ganhou com a generosa revolução dos cravos.

"Amigo Alexandre

Admitindo que te possa interessar, junto envio, em anexo, o texto que preparei e li no final do Almoço-Comemorativo dos 40 Anos do 25 de Abril perante um auditório que teria para cima de 400 pessoas, realizado no Quartel do RI 14, de Viseu, unidade que tomámos no princípio da Madrugada de 25 de Abril de 1974 e donde parti com a força que depois se veio a juntar com outras de Aveiro e Figueira da Foz e que, uma vez juntas, constituíram o Agrupamento “November", cujo comando me tinha sido confiado e que tinha como objectivos, primeiro o forte-prisão de Peniche e depois Lisboa.
Nas circunstâncias locais, estavam ali militares, ex-militares, Deficientes das Forças Armadas, Órgãos do Poder Local e outros elementos de todas as cores partidárias locais, assim, num ambiente de "grande unidade", a que não podíamos nem devíamos, penso eu, dizer que não, face ao argumento de que o 25 de Abril não é propriedade de ninguém, se estivermos a falar de forças que, pelo menos formalmente sejam consideradas democráticas.
Durante o almoço houve animação musical, da nossa, da boa, e acabámos todos a cantar, com evidente entusiasmo, o "Grândola, Vila Morena". Não. Não estava lá o Relvas.
25 de Abril sempre!
Um abração
Diamantino" 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de Abril de 1974: Cronologia do golpe militar e outros aspetos da Revolução dos Cravos...


Este trabalho não foi visado por qualquer comissão de censura
Aquilo que hoje é uma expressão anacrónica estava em relevo na primeira página do "República", a 25 de Abril de 1974: "Este jornal não foi visado por qualquer comissão de censura". Quarenta anos depois da Revolução, veja os jornais, ouça os sons e compreenda como decorreu o "dia inicial inteiro e limpo", como lhe chamou Sophia. O Expresso falou ainda com cinco gerações de 40 anos e percorreu a "geografia" das ruas 25 de Abril de todo o país, falando com quem lá mora. Veja a reportagem multimédia.
EXPRESSO

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Heróis anónimos da Revolução dos Cravos


Diamantino Gertrudes da Silva (*) e o assédio ao forte de Peniche

Com 31 anos à data da Revolução dos Cravos, Diamantino Gertrudes da Silva era o mais velho capitão da Zona Centro e foi por isso nomeado pelo comando das forças revolucionárias para chefiar o "agrupamento November".
Reunido ao restante contingente na Figueira da Foz, teve a seu cargo a tomada da prisão de Peniche. Tendo enfrentado resistência, montou assédio ao forte, antes de continuar rumo a Lisboa, onde se deparou com dificuldades para reabastecer homens e viaturas.
Maria Flor Pedroso
Diário de Notícias [ver aqui a entrevista]

***«»***
Quando li e ouvi esta entrevista, escrevi esta mensagem ao Diamantino:
“A memória (com a reconstituição da tua fisionomia) recuou ao tempo em que frequentámos o liceu de Lamego e o de Viseu. 
Não conhecia os pormenores da tua intervenção nas operações militares do 25 de Abril. Calculo a ansiedade sofrida na longa caminhada até Peniche e até Lisboa, sem saberes bem, por falta de comunicações, o que estava a acontecer no resto do país. Esse glorioso dia foi a melhor página do teu melhor livro.
Nessa altura encontrava-me no Quartel General de Nampula. Foi o capitão Melo de Carvalho que me deu a notícia. 
Um abraço,
Alexandre

(*) Diamantino Gertrudes da Silva tem colaborado neste blogue com alguns dos seus textos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Importante posição de "militares de Abril"

Realizam-se nesta data, por todo o país, as comemorações populares do aniversário da Revolução do 25 de Abril, comemorações que culminarão na grande manifestação popular que se realiza na Av. da Liberdade, em Lisboa.
Passados 38 anos sobre essa data gloriosa da história do povo português, "militares de Abril" integrantes da Associação 25 de Abril - A25A - decidiram tomar uma posição política de crítica à actual situação que se vive no país, tomando como alvo o governo de turno dos banqueiros e monopolistas, PSD/CDS. Independentemente do facto de estarem decorridos 36 anos de políticas e governos contra-revolucionários, sempre da responsabilidade - expressa ou encapotada - dos partidos da troika anti-Abril - PS/PSD/CDS -, para além das colagens oportunistas e descaradas de Mário Soares e de outros responsáveis do PS - colagens decerto programadas com os militares da sua área política dentro da A25A -, não obstante ainda a forma escolhida para o divulgarem, anunciando a ausência dos "militares de Abril" das cerimónias que decorrem na Assembleia da República, o conteúdo do Manifesto divulgado pelos dirigentes desta Associação tem objectivamente uma importante relevância política no momento actual. Neste contexto, sublinha-se especialmente a posição da Associação dos Oficiais das FF.AA., anunciando estar solidária com a posição da A25A.
Imediatamente sujeita às respostas revanchistas de numerosos personagens da contra-revolução e de diversos "analistas" e "politólogos" ao serviço do grande capital, a atitude certa das forças e organizações operárias, democráticas e patrióticas, é a de saudação a esta tomada de posição dos militares que se afirmam hoje defensores dos valores e ideais de Abril, sob pena de os deixarmos isolados nessa sua atitude, mesmo sabendo-se que ela peca por tardia e que não condena claramente todos os partidos responsáveis pelo estado calamitoso a que o país chegou, com uma economia arruinada, com práticas "sociais" verdadeiramente terroristas, com a liquidação prática das liberdades políticas e dos postulados constitucionais abrilistas que ainda restam, num quadro geral de miséria, de sofrimentos físicos e morais inumeráveis para o nosso povo, de submissão aos ditames imperialistas da U.E.
A histórica definição estratégica da política de alianças que permitiu aprofundar e defender as extraordinárias conquistas da Revolução de 1974, consubstanciada na fórmula "Aliança Povo-MFA", apesar das distâncias temporais e de contextos muito diferentes, não obstante todas as mudanças retrógradas verificadas, continua a ser uma fórmula política útil e ainda aplicável. Sem MFA, sem a vasta agregação de vontades democráticas e progressistas no seio dos militares que proporcionou a realização do distante 25 de Abril de 74, a divulgação e o apoio a este grito de protesto de numerosos "militares de Abril" não podem ser substimados ou diluídos por considerações de comodidade política. O seu significado imediato e mesmo a médio prazo é suficientemente relevante para ser deixado isolado e alvo fácil da actividade diluidora dos inimigos do Povo e da Democracia. Ou pior, oportunísticamente aproveitado por saudosos do nacionalismo fascista.
Como contributo solidário e para essa divulgação, abaixo se transcreve o texto desse Manifesto.

Abril não desarma
Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.
Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavamde si. Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.
Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.
A nossa ética e a moral que muito prezamos, assim no-lo impõem!
Fazemo-lo como cidadãos de corpo inteiro, integrados na associação cívica e cultural que fundámos e que, felizmente, seguiu o seu caminho de integração plena na sociedade portuguesa.
Porque consideramos que:
O contrato social estabelecido na Constituição da República Portuguesa foi rompido pelo poder. As medidas e sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do suportável. Condições inaceitáveis de segurança e bem estar social atingem a dignidade da pessoa humana. O rumo político seguido protege os privilégios, agrava a pobreza e a exclusão social, desvaloriza o trabalho.Sem uma justiça capaz, com dirigentes políticos para quem a ética é palavra vã, Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais. Portugal não tem sido respeitado entre iguais, na construção institucional comum, a União Europeia. Portugal é tratado com arrogância por poderes externos, o que os nossos governantes aceitam sem protesto e com a auto-satisfação dos subservientes. O nosso estatuto real é hoje o de um “protectorado”, com dirigentes sem capacidade autónoma de decisão nos nossos destinos.
Entendemos ser oportuno tomar uma posição clara contra a iniquidade, o medo e o conformismo que se estão a instalar na nossa sociedade e proclamar bem alto, perante os Portugueses, que:
- A linha política seguida pelo actual poder político deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na Constituição da República Portuguesa;
- O poder político que actualmente governa Portugal, configura um outro ciclo político que está contra o 25 de Abril, os seus ideais e os seus valores;Em conformidade, a A25A anuncia que:
- Não participará nos actos oficiais nacionais evocativos do 38.º aniversário do 25 de Abril;
- Participará nas Comemorações Populares e outros actos locais de celebração do 25 de Abril;
- Continuará a evocar e a comemorar o 25 de Abril numa perspectiva de festa pela acção libertadora e numa perspectiva de luta pela realização dos seus ideais, tendo em consideração a autonomia de decisão e escolha dos cidadãos, nas suas múltiplas expressões.
Porque continuamos a acreditar na democracia, porque continuamos a considerar que os problemas da democracia se resolvem com mais democracia, esclarecemos que a nossa atitude não visa as Instituições de soberania democráticas, não pretendendo confundi-las com os que são seus titulares e exercem o poder.Também por isso, a Associação 25 de Abril e, especificamente, os Militares de Abril, proclamam que, hoje como ontem, não pretendem assumir qualquer protagonismo político, que só cabe ao Povo português na sua diversidade e múltiplas formas de expressão.Nesse mesmo sentido, declaramos ter plena consciência da importância da instituição militar, como recurso derradeiro nas encruzilhadas decisivas da História do nosso Portugal.
Por isso, declaramos a nossa confiança em que a mesma saberá manter-se firme, em defesa do seu País e do seu Povo. Por isso, aqui manifestamos também o nosso respeito pela instituição militar e o nosso empenhamento pela sua dignificação e prestígio público da sua missão patriótica.
Neste momento difícil para Portugal, queremos, pois:
1. Reafirmar a nossa convicção quanto à vitória futura, mesmo que sofrida, dos valores de Abril no quadro de uma alternativa política, económica, social e cultural que corresponda aos anseios profundos do Povo português e à consolidação e perenidade da Pátria portuguesa.
2. Apelar ao Povo português e a todas as suas expressões organizadas para que se mobilizem e ajam, em unidade patriótica, para salvar Portugal, a liberdade, a democracia.Viva Portugal!Lisboa, 23 de Abril de 2012
Associação 25 de Abril.
Retirado do blogue O ASSALTO AO CÉU
http://oassaltoaoceu.blogspot.pt/2012/04/importante-posicao-de-militares-de.html
 
Nota do Editor:
Suscrevo totalmente o teor destes dois documentos, que foram assumidos com muita oportunidade, ao mesmo tempo que analisam com rigor a dramática situação política atual e identificam corretamente os seus responsáveis políticos - os dirigentes do PS, PSD e CDS, que, rotativamente, governaram o país, durante a vigência dos governos constitucionais. A sua incompetência, o compadrio encapotado com os grandes interesses instalados, o nepotismo e a desenfreada corrupção de alguns, e o bacoco servilismo em relação aos poderes tentaculares da UE, bem refletido naquela ridícula tese do "bom aluno", arrastaram o país para o fosso de uma crise, grave e perigosa, que pode pôr em causa a independência nacional. O limite de toda a subserviência em relação ao capitalismo financeiro internacional foi atingido, quando aqueles três partidos, que eu tenho vindo a apelidar de partidos do arco da traição, capitularam vergonhosamente, aceitando, sem terem tentado uma base de negociação mais justa e equilibrada, e assinando, sem qualquer tipo de pudor, o espúrio e execrável memorando da troika, cuja cega aplicação está a asfixiar a economia portuguesa e a desmantelar os pilares do Estado Social, lançando o caos e a miséria no país.
A minha revolta é enorme e começa a sobrepor-se à prudente e necessária moderação, que deve existir no julgamento dos atores políticos. Nunca tendo votado naqueles partidos, sempre respeitei os seus dirigentes, que, sucessivamente, foram ocupando o poder. Esse respeito acabou. A luta política não se esgota nas eleições.
Alexandre de Castro

quarta-feira, 25 de abril de 2012

VIVA o 25 de ABRIL!...



Adenda: Pela sua oportunidade, insiro aqui o meu comentário, relativo à partilha deste post, no Facebook, efetuada por uma amiga:
"Ana Catarina Faceira: É uma partilha que me sensibiliza. O 25 de Abril é de todos. O 25 de Abril é do povo. Mas, na sua evocação e na sua profunda essência, não cabem lá os coveiros de Portugal. Cada vez mais, Abril é a linha da fronteira entre o bem e o mal, entre a verdade e a mentira, entre a transparência e a opacidade, entre o bem comum e os privilégios obscenos de alguns. Defender Abril, é defender a Lberdade e a Democracia e o desenvolvimento de uma sociedade justa e equitivativa, devidamente ancorada no Estado Social, cuja sobrevivência está a ser ameaçada pelos seus inimigos de semprel. O 25 de Abril não pode ser uma simples data do calendário, uma efeméride ritualizada e de circunstância. O 25 de Abril é a matriz fundadora de um projeto redentor da nossa identidade coletiva. VIVA O 25 de ABRIL!...

terça-feira, 24 de abril de 2012

Associação rompe com comemorações oficiais


A Associação 25 de Abril (A25A) demarcou-se esta segunda-feira das comemorações oficiais do 38º aniversário da Revolução dos Cravos, por considerar que "as medidas e sacrifícios impostos" aos portugueses "ultrapassaram os limites do suportável".
Diário de Notícias
***#***
Esta decisão da direção da Associação 25 de Abril foi a maior machadada desferida contra o atual governo e as suas políticas anti-sociais. Ao assumir esta corajosa atitude, os militares de Abril não pretenderam aniquilar as comemorações oficiais da revolução dos cravos, e, principalmente, a realização da sessão extraordinária do plenário da Assembleia da República, onde os partidos que não pertencem ao arco da traição devem marcar vincadamente a sua presença. O que os capitães de Abril pretenderam transmitir ao povo português, prende-se com a sua recusa em sentarem-se, lado a lado, com os coveiros do ideário da revolução libertadora, o que é diferente. Se estivessem presentes no hemiciclo, arriscavam-se a ter de ouvir cínicos e abstratos elogios ao 25 de Abril, saídos das bocas fétidas daqueles que o assassinaram.
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2436480