Parafraseando a Dr.ª Rute Remédios, as opiniões são como as vaginas: cada uma tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a. Neste blog, Julie D´aiglemont dá a sua. Opinião, claro. E nem sempre da forma mais respeitosa. Isso ofende a vossa sensibilidade? Então, ide, ide. Ide ler o programa de um qualquer partido de extrema esquerda, que de certeza é mais consentâneo com vossos princípios morais.





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domingo, 1 de maio de 2011

Poema para a mãe

No dia da mãe, nada mais apropriado do que um poema em que uma filha declara o amor e a saudade pela sua progenitora.
Ora, Nel Monteiro, esse bardo da música popular alternativa, canta uma música em que esse amor é levado a extremos nunca antes ouvidos, com a criança a demonstrar o desalento em viver sem a sua mãezinha.
Infelizmente, não encontrei no youtube esse hino ao amor filial. A alternativa é transcrever para aqui o texto.
As influências onde o autor foi beber são tão diversas como a "Cinderella" e "A menina dos fósforos", com um desenlace final ao melhor nível de uma letra de black metal.
Aqui vai:


Há dias no cemitério, junto às grades do portão

Uma criança chorava, olhando a campa da mãezinha

Essa pobre criancinha a sua amargura contava

Com tanto desgosto então, agarradinha ao portão

A largar pranto sem fim, dizia para sua mãe:

Meu pai outra mulher tem mas não quer saber de mim

Ando esfarrapadinha, com fome e descalcinha,

Passo a vida a mendigar, enquanto os filhos dela

Têm uma vida tão bela e de tudo até estragar.

Até já o meu paizinho me tirou o seu carinho,

Já me sinto a mais aqui.

Ó minha mãezinha querida, vem tirar-me desta vida,

Leva-me para o pé de ti.

Vou pedir ao senhor coveiro

Para junto de minha mãe, mesmo viva, me enterrar.

Este mundo não é meu, o meu mundo é no céu,

Ando aqui a estorvar.

Adeus meu pai adorado, vou deixá-lo descansado

Com a mulher que escolheu.

Seja muito feliz com ela, trate bem os filhos dela,

Que eu prefiro ir para o céu.


ADENDA: Esqueci-me de dizer que a música se chama "Uma Criança Chorava".