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quarta-feira, 16 de março de 2016

Caminhada Penitencial: padre de 95 anos percorre 6 km e atende confissões em Fortaleza


FORTALEZA, 01 Mar. 16 / 11:00 am (ACI).- O último domingo, 28, terceiro domingo da Quaresma, Arquidioceses do Nordeste do Brasil reuniram uma multidão em Caminhadas Penitenciais. Tanto em Fortaleza (CE) como em Salvador (BA), gestos concretos de algumas pessoas se destacaram no meio dos milhares de participantes, como um sacerdote de 95 anos que caminhou os 6 quilômetros na capital cearense.

O Frade Capuchinho Frei Roberto se tornou uma das figuras mais marcantes desta edição da Caminhada Penitencial em Fortaleza. Com 95 anos de idade, possui 71 anos de sacerdócio. Ele percorreu os 6 quilômetros da caminhada junto aos cerca de 30 mil fiéis, atendendo confissões.


As fotos da participação de Frei Roberto no evento logo circularam pelas redes sociais, onde muitos expressaram admiração pela atitude do sacerdote.

“Foi um dos momentos mais lindos que presenciei hoje. Esse exemplo de Fé, Amor e fidelidade para com as coisas de Deus, que o Frei Roberto nos mostrou hoje, foi mais uma prova da verdadeira presença viva de Deus no coração dele. Nos resta seguir seu exemplo!”, comentou uma internauta.

Fonte: ACI

sexta-feira, 4 de março de 2016

Sexta-feira da 3.ª Semana da Quaresma - O primeiro de todos os mandamentos

Naquele tempo, um mestre da Lei aproximou-se de Jesus e perguntou: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" Jesus respondeu: "O primeiro é este: 'Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força!' O segundo mandamento é: 'Amarás o teu próximo como a ti mesmo!' Não existe outro mandamento maior do que estes". O mestre da Lei disse a Jesus: "Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios". Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência, e disse: "Tu não estás longe do Reino de Deus". E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.



Fonte: Padre Paulo Ricardo

segunda-feira, 10 de março de 2014

Vivendo a Quaresma

E ai Católico! Como fica as celebrações da Igreja em sua vida? Até quando se esbanjará exclusivamente em cervejadas, carnavais, futebol, relacionamentos desmedidos... Cuidado com o apetite da carne!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Campanha da Fraternidade 2014. “Fraternidade e Tráfico Humano”. CNBB fraquíssima em Espiritualidade, tema nada a ver com Quaresma!


Campanha da Fraternidade 2014. Tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”

As Informações e Cursos sobre a Campanha da Fraternidade (CF) 2014, que terá como tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tratam e abordam sobre o tráfico humano no contexto da globalização, com foco na mobilidade e trabalho; formas de enfrentamento ao tráfico humano; a abordagem da questão da escravidão e tráfico humano na bíblia e no ensino social da igreja, à luz da dignidade e dos direitos humanos; propostas para o enfrentamento do tráfico humano e canais de denúncia.

Alguns poderiam dizer: "Nossa, que tema caro e belo!, a CNBB sempre trás temas legais para serem refletidos durante a Quaresma. Que bom!". É verdade, quem poderia dizer que são temas ruins os que a CNBB incluem frankensteineamente durante a Quaresma? Só um maluco para ser contra né?! Então eu sou um maluco! Vamos pensar um pouquinho e aqui pra nóis, é prioridade mesmo falar de Tráfico Humano durante a Quaresma? Não se trata de puro desvio de pensamento, debate e infiltração ideológica? Não será uma Xeque-Mate na espiritualidade da Nação Brasileira? 

Num Tempo que se deve propor oração, jejum e penitência (coisa mais fundamentada na bíblia e na história de Jesus, portanto valorizadas com base na espiritualidade) a CNBB que já anda meio pálida de desbotada, não está levando ninguém a rezar e conhecer a história exemplar de Cristo. Cadê o foco no Tempo litúrgico? Advento deve-se falar da espera Daquele que virá; Natal deve-se falar Daquele que nasce; Pentecostes deve-se falar do Espírito Santo; dia de São José, sobre São José e assim por diante. Agora quaresma fala-se de quê??? Eu penso que deveria falar dos quarenta dias que Jesus ficou no Deserto, mas segundo a CNBB não. Podemos falar de qualquer coisa: de água, macaco, prédios, mato, vento e agora de crimes, coisa do 'CSI investigação criminal'.

Sinceramente, se deveríamos falar de alguma coisa na Quaresma, seria sobre Jesus, devoções, orações, confissões etc. Mas a CNBB cassa um tema esquisito que graças a Deus quase não vemos acontecer (é horroroso quando ocorre), mas que não conhecemos em escala grande assim para se ter que criar uma Campanha. É como se o governo criasse uma campanha para vacinar pessoas com Doença de Pelizaeus-Merzbacher. É boa a intenção de vacinação, mas não precisa parar a população por algo que não é ameaça ou corriqueiro.

Pelo que consta, as Campanhas da Fraternidade são criadas a partir de uma escolha provinda do povo. Sei não viu, se é que vem, penso que este povo tá assistindo muita novela da Globo. Recentemente, foi ao ar uma tal novela de cunho Espírita (quase todas são) e meio Umbandista que abordou este assunto copiado pela CNBB, a novela é 'Salve Jorge'. Acho que o povo da CNBB (com algumas exceções) é tudo noveleiro.

CNBB, CNBB até tu? Logo de quem esperaríamos um pouco mais de palavras de pastoreio. Falem um pouco mais de Jesus, o povo precisa. Tem inúmeras pessoas querendo conhecer Jesus e pelo visto não será pelas campanhas que os novos cristãos conhecerão o Senhor dos Senhores. Mais uma vez a CNBB toma a responsabilidade dos outros sem ao menos cumprir a sua.

Tenho minhas desconfianças perante a CNBB nas questões de campanha e outras mais. É meio azedo isto mas.... Em 2012 a CNBB lançou a Campanha da Fraternidade sobre Saúde no Brasil e encapou uma imagem de Médico nos cartazes. Em 2013, 'em resposta' o PT lançou o 'Mais médicos'. Que alinhamento CNBB-PT hein! 

Agora a CNBB vai lançar campanha contra tráfico humano, tema importante mas que nada tem haver com Quaresma. Será que vai ser base para o PT trazer Cubanos para nos ensinar a proteger contra o tráfico de pessoas? Neste quesito, deveria se importar com o tráfico de médicos escravos que o PT está fazendo atualmente.

Então vai uma dica de como viver a Quaresma:



terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Mensagem do Santo Padre Francisco para a Quaresma de 2014


Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)



Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013

Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir



FRANCISCO

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2013


Crer na caridade suscita caridade   
«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16)  


Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012


BENEDICTUS PP. XVI

© Copyright 2012 - Libreria Editrice Vaticana

Fonte: Vaticano.va

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta-feira de Cinzas, o que significa?

A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão ocidental.
Ela ocorre quarenta dias antes da Páscoa,  sem contar os domingos ( que não são incluídos na Quaresma),  ou quarenta e seis dias contando os domingos. Seu posicionamento varia a cada ano, dependendo da data da Páscoa. A data pode variar do começo de fevereiro até à segunda semana de março.
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. 


No livro de Ester, Mardoqueu se vestiu de saco e se cobriu de cinzas quando soube do decreto,  do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia,  que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1).   Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6).   Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). 
No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6).   Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.


O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". 


O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.


Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo".


Esse simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. 


Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. 


Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".


Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.


Bênção e imposição das cinzas no início da Quaresma(Quarta-feira de cinzas)
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avalira melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). Somo chamado;


Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.


Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.


Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21).


A Quaresma é tempo conversão, tempo de silêncio, de penitência, de jejum e de oração.


Fonte: Dom Luiz Bergonzini

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Campanha de Oração “40 Dias pela Vida”


Campanha “40 Dias pela Vida” terá início na Espanha durante a Quaresma


MADRI, 03 Fev. 12 / 09:34 am (ACI)


Com o propósito de lutar pela vida e contra o aborto na Espanha e no mundo, no próximo 22 de fevereiro, Quarta-feira de Cinza, terá início a terceira edição da campanha nacional de oração "40 Dias pela Vida" diante das clínicas de aborto de várias cidades do país.


Esta campanha de oração, que durará os 40 dias do tempo de Quaresma, é promovida por voluntários cristãos que defendem a vida desde a concepção e que sairão às ruas para rezar, em atitude pacífica, dando testemunho de sua fé e pedindo pelo fim do aborto.


Conforme o informe do comitê nacional de "40 Dias pela Vida" na Espanha, a campanha se realiza, ao mesmo tempo, em 300 cidades de três continentes, os mesmos dias, com a mesma intenção, durante 40 dias.


"Somos voluntários que temos em comum nossa fé. Reunimo-nos para rezar. Não militamos de nada, não provocamos nem assinalaremos ninguém. Detemo-nos 40 dias frente aos abortorios para rezar e dar testemunho público de nossa fé e pedimos ao Senhor pelo fim deste genocídio", assinalaram.


Finalmente, os voluntários do comitê organizador pediram a todos os defensores da vida que tenham um site Web, que ajudem a difundir a campanha de oração de "40 Dias pela Vida".


"Com uns pixels de sua Web anunciando a oração pela vida você nos ajudaria a mover as consciências de muitas mais pessoas que poderão conhecer e talvez unir-se aos 40 Dias pela Vida para fazer possível o grande objetivo: converter nosso país (e o mundo inteiro) em uma grande prece pelo fim do aborto", concluíram.


Mais informação em espanhol: http://40diasporlavida.es/ e http://40diasporlavida.es/quienes-somos/  


Fonte: ACI Digital

Mensagem de SS Bento XVI para a Quaresma 2012


Irmãos e irmãs!
SS Bento XVI
Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.


Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.


1.    «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).


A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.


O fato de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão.


Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.


2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O fato de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.


Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).


3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.


Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.


Vaticano, 3 de Novembro de 2011


Fonte: CNBB

sexta-feira, 11 de março de 2011

Se Jesus não for ao Deserto, Ele não vem a nós. Se Ele não viver a Quaresma, não viverá em nós.

O que há no homem que possa agradar a Jesus? O que há no homem que possa atrair a Sua Santíssima presença? Partindo das palavras de Jesus que disse: “vim para os pecadores”, eu percebo que a ida de Jesus ao Deserto é também sua busca pelo Pecador, a chegada e a permanência no Deserto é a chegada e permanência no coração humano.

O Homem e o Deserto são comparáveis, principalmente quando reina o pecado. Igualmente ao Deserto, o Homem não tem condições de produzir por si mesmo, sendo originalmente pó, em certos momentos, está tão árido que não se encontra nenhum sinal de umidade nem de vida, sendo assim o pó mais seco possível. Na vida do homem desértico, não se encontra qualquer lugar que se apóie, tudo é incerto, arenoso e inseguro; não se encontra sombra, a cada momento o cansaço é maior, é penoso; as mentiras de cada dia são as miragens, pensando que vai encontrar algo para se tratar; neste terreno não existe alimento, não tem pastagens, não tem companhia.

O Homem desértico não possui amigos, não há nada que atraia companheiros; não possui bens, nada pode oferecer; não consegue dar apoio nem se apoiar. Não possui rumo, tudo é vazio e impossível. A oxigenação é horrível, fervem suas narinas, respiração pesada, a visão é queimada pelo calor; as vestes são paupérrimas, possui um corpo raquítico e pele cancerosa. Sua movimentação é arrastada, come da própria poeira que o inferniza.

A um desértico, quem poderia acompanhar? Quem estaria junto a um infeliz que nada possui? Quem permaneceria não um dia, mas uma vida inteira junto a um arenoso suplicando-o que abra o coração?

A ida de Jesus ao Deserto é também ao nosso interior que está tremendamente seco e impuro. Somente Jesus tem amor suficiente por nós, que o leva a ficar conosco na nossa insuficiência, principalmente quando não temos nada, completamente nada a oferecer. Pode-se dizer também que quando o Espírito levou Jesus ao Deserto, foi a nós que o Espírito conduziu, foi ao nosso ser não somente quebrado, mas imensamente incapaz de se restaurar.

Somente Jesus e não há outro capaz de chegar a um Deserto e ver nele condições de se tornar uma terra boa e frutífera. Somente Deus sabe transformar, porque Ele é o Agricultor. Ninguém e nada apostaria num desértico, só Jesus! Porque Ele nos ama e é capaz de olhar para nós no maior estado de destruição que estivermos e plantar a semente da Salvação.

Não permitir Jesus viver a Quaresma, é também o mesmo que não aceitá-Lo dentro de nós. Na Quaresma, Jesus é tentado dentro de nós pelos pecados que nós retemos no nosso íntimo, o Maligno que quer reinar neste deserto torna-se um perdedor. Jesus sabe das nossas fraquezas e permanece conosco para nos encaminhar a uma passagem, à conversão, à mudança, ao êxodo. O único alimento que Jesus deseja estando neste Deserto, é o nosso contemplar, a nossa atenção. Os anjos que levam alimento para Jesus, são os mesmos que estão nos sustentando para sermos mais santos e puros.

Se Jesus não for ao Deserto, Ele não vem a nós. Se Ele não viver a Quaresma, não viverá em nós.

Senhor, eu não sou nada, não tenho nada. Sou um deserto e te acolho. Entra em mim Jesus, ora em mim, jejua em mim. Enobrece o meu interior, umedece o meu coração. O Deserto sou eu!

sábado, 5 de março de 2011

O que a Quaresma pode proporcionar na vida espiritual? Vivendo-a, o que muda?

Aqui no Blog Viver Santamente postei uma reflexão da Campanha da fraternidade dentro da Quaresma (que não auxilia muito na conversão e desaceleração do pecado na vida do Homem), postei também a Mensagem do Papa para viver a Quaresma em 2011 e depois de obter alguns questionamentos sobre como viver este tempo adequadamente, enriqueci o  Blog com o ensinamento do Bispo Dom Alberto Taveira. Fiquei ainda incomodado e resolvi postar minha experiência de vida, até porquê conheci as propostas de viver santamente dentro da Quaresma.

Depois de alguns meses (entre 2001 e 2002) onde o Senhor Jesus havia tocado em mim, aproximou-se o tempo da Quaresma. Até estes dias, eu ainda estava com a vida não resolvida, no entanto após participar de um encontro da Renovação Carismática Católica (Seminário de Vida no Espírito Santo), resolvi viver um tempo de abstinência, naqueles quarenta dias vindouros não iria mais comer carne (nem peixe), ficaria sem beber (alcoólicas) e fui mais além, ficaria sem fazer sexo com minha namorada, não sabia bem sobre a palavra castidade. Desejei naqueles dias fazer alguns votos a Deus e ver a minha vida melhorar um pouco.
Todas as opções tomadas naquela época foram boas e vitoriosas. Os amigos e familiares me perguntavam se eu voltaria a beber e viver a vida antiga; eu sem saber como dizer, falava apenas que o que fosse bom, eu levaria adiante. Lembro de minha namorada ter me perguntado sobre a abstinência sexual e eu com uma coragem, disse a mesma coisa: ‘se for bom, vou levar adiante’. Demonstrei a ela que se o namoro fosse causa de perdição, eu estaria disposto a findá-lo. Entendam que isto era muitíssimo difícil pra mim naquele momento, pois vivia uma vida de muitas imundícies, sexo, bebidas, pagodes, carnavais etc. Foi nestes dias de abstinência e diminuição de pecados que vi como nunca a Santa Missa. Foi a partir daí que senti como um DDD. Comecei a buscar Deus onde Ele estava se manifestando, busquei ter a minha bíblia, participar de encontros, oficina de oração e vida, Confissão, louvores, Grupo de oração, Crisma... isto já aos vinte e seis anos de idade.
Entendi e entendo que no tempo da Quaresma, Jesus vai ao Deserto para mostrar ao Homem o seu valor escondido. Aquele valor que não está no oba-oba, não está na confusão... o valor do Homem eu está no seu íntimo. A Quaresma possibilita reajustar a vida desvirtuada, juntar os pedaços tão dilacerados pelos próprios pecados.
O Homem vive como um vaso quebrado, onde a maior peça inteira se encontra rachada. Ele é ainda como aquele corpo na mesa do legista, com o coração exposto, jorrando sangue e cheio de lagartos hospedeiros, sangue sugas e feridas. Neste tempo sagrado, Deus vem com sua face misericordiosa e convida sua criatura a rever seus passos, lembrá-lo que é gente, que é seu semelhante, que mesmo desmantelado ainda tem valor.
Quando vi dizer pela primeira vez que Quaresma era tempo de conversão, não entendia muito bem, mas quando deixei acontecer esta conversão, minha vida mudou e me tornei feliz. Veio morar em minha casa a Honra, a Paz e a Integridade.
Com o tempo da Quaresma, comecei a olhar dentro de mim a Fé, a Esperança e o Amor. Vi que tinha uma Igreja que me esperava e que me acolheu, vi que tinha irmãos rezando por mim, vi com meus próprios olhos, com meu íntimo, com meu coração e minha mente que há um Deus que me Ama e que cuida de mim.
Aproveite esta Quaresma para aproximar-se de Deus. Reavalie seus impulsos interiores, reveja o que está fazendo aos outros e o que está adquirindo para sua vida.

terça-feira, 1 de março de 2011

Como viver a Santa Quaresma. A Quaresma é um grande tesouro

Como viver a quaresma? Com tantos questionamentos que se encontram pela internet e obtidos pelo Blog Viver Santamente, quero com esta cópia feita do site da Canção Nova, multiplicar as explicações e ajudar aos irmãos a viverem corretamente a Santa Quaresma. Deixem tudo o que afasta de Deus, busquem aquilo que aproxima da Santidade.


"O objetivo principal [das práticas] é equilibrar os impulsos do ser humano. No entanto, o verdadeiro sentido deste Tempo só será resgatado através de um efetivo processo de evangelização, só quando Jesus despontar como novidade. Aí sim pode-se falar em sacrifício, doação de si. A evangelização precisa ser a base de tudo", Dom Alberto Taveira.



Quaresma é "tesouro" para os cristãos, afirma Dom Alberto Taveira
Leonardo Meira
Da Redação



A Quaresma é um grande tesouro que os cristãos têm em suas mãos e é preciso retomar a consciência dessa realidade. Nessa perspectiva, a vivência de todas as práticas de piedade e do ritmo da liturgia não correm o risco de cair no automatismo.
"É um tesouro que tem muito a oferecer, pois nos leva a um testemunho de vida diferente. E é exatamente esse o desafio: vivermos o que somos, com autenticidade, sem fanatismos de qualquer gênero", salienta o Arcebispo de Belém do Pará, Dom Alberto Taveira Corrêa.
Ele destaca a objetividade da vivência cristã e o testemunho oferecido ao mundo como os aspectos primordiais desse Tempo do Ano Litúrgico, que também alcança sua concretização através das práticas de piedade - oração, penitência e caridade.
"O objetivo principal [das práticas] é equilibrar os impulsos do ser humano. No entanto, o verdadeiro sentido deste Tempo só será resgatado através de um efetivo processo de evangelização, só quando Jesus despontar como novidade. Aí sim pode-se falar em sacrifício, doação de si. A evangelização precisa ser a base de tudo", afirma.
Para isso, a decisão pessoal é fundamental, pois somente então será possível dar os passos correspondentes. Questionado sobre o risco de se cair na banalização ou rotina quando o assunto é a vivência da fé, Dom Alberto enfatiza: "Tudo depende da atitude do cristão, como ele vive, pois a Palavra de Deus é inesgotável".
Na próxima terça-feira, 22, será apresentada a Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma, cujo tema será “Sepultados com Ele no batismo, com Ele também ressuscitastes” (Col 2,12). A esse propósito, Dom Alberto recorda que a esperança é sempre um ponto comum e de base para a vida cristã.
"Somos portadores da esperança da ressurreição, pessoas pascais, isto é, que passaram da morte para a vida. O cristão tem como característica não a passividade, mas o dinamismo. Logo, não tem como missão apontar para os pecados dos outros, mas sempre ver em tudo um fio de esperança".
Retiro Popular
Como já é tradição há alguns anos, o Arcebispo escreveu um Retiro Popular, que busca auxiliar os cristãos a viverem de modo concreto o tempo quaresmal. A edição 2011 tem como tema "Peregrinos", inspirado na multidão que segue o Círio de Nazaré, tradicional festa da Arquidiocese da qual Dom Alberto está à frente desde o ano passado.
"A Quaresma é uma grande peregrinação para a Páscoa, e o povo de Deus está sempre em peregrinação. A novidade é que, se vivermos a vida como peregrinos, o caminho fica diferente, pois não somos mais tão dependentes das circunstâncias. Assim, o cristão pode transformar a sua vida e o mundo através da própria presença", explica Dom Alberto.
O leitor pode esperar um retiro baseado no rico conteúdo da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja.
E o que um peregrino deve levar na mochila ao longo do caminho?
"Antes de mais nada, escolher, como fruto de liberdade, viver a Quaresma como tempo forte. E, depois, ofereço a imagem do bornal: é preciso ter disposição, a Palavra de Deus, uma caderneta para anotações. Mas é bom não colocar muita coisa e, se houver algo sobrando - especialmente o pecado -, deixar ao longo do caminho", atesta.

Fonte: Canção Nova - http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=280532

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Quaresma 2011. Bento XVI envia sua mensagem desejando maior empenho!

Bendito seja Deus que se faz presente nos nossos corações. A mensagem do Papa para a Quaresma já estava sendo ansiosamente aguardada por muitas ovelhas, pude comprovar isto através das visitas que chegaram ao Blog Viver Santamente, especificamente no post sobre Quaresma e Campanha da Fraternidade, muitos não estavam buscando aquilo que eu escrevi, chegaram procurando a mensagem do Papa. A procura antecipada da mensagem do Pastor é um ótimo sinal, muitos já andavam sedentos e desejosos para serem confirmados na fé em questões de como se viver a Quaresma. Nestes dias de tantas confusões, onde muitos instituídos para nos indicar o caminho fazem confusão, nada melhor do que beber direto da fonte como a corsa.




Bento XVI inicia sua mensagem direcionando para nós o sentido da Quaresma e também seu anseio, que possamos experimentar o verdadeiro viver quaresmal e com o devido empenho e força de vontade.

“A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho.”

É uma proposta para todos nós vivermos um tempo de vida dentro do mistério de Cristo. Não existe vida fora deste tempo e este tempo está entre o Batismo e a Ressurreição, ambos proporcionados pelo poder do nome de Jesus.

É um convite a desgarrarmos das coisas mundanas, um desvincular das coisas materiais e das propostas enganosas que tantos nos amarram, desgarrando disto para imergir-nos na morte e ressurreição de Cristo. O Santo Padre quer nos lembrar deste Sacramento belíssimo que nos vincula a vida de Cristo, que é pois o Sacramento do Batismo qual devemos viver em toda a nossa existência.

“Para empreender seriamente o caminho rumo à Páscoa e nos prepararmos para celebrar a Ressurreição do Senhor – a festa mais jubilosa e solene de todo o Ano litúrgico – o que pode haver de mais adequado do que deixar-nos conduzir pela Palavra de Deus? Por isso a Igreja, nos textos evangélicos dos domingos de Quaresma, guia-nos para um encontro particularmente intenso com o Senhor, fazendo-nos repercorrer as etapas do caminho da iniciação cristã: para os catecúmenos, na perspectiva de receber o Sacramento do renascimento, para quem é baptizado, em vista de novos e decisivos passos no seguimento de Cristo e na doação total a Ele.”

Uma vida em Cristo, como Bento XVI está nos guiando a viver a Santa Quaresma, é o abrir os olhos e o coração para a manifestação da vontade do Senhor em nossas vidas, não O vendo como algo histórico, mas como quem está conosco hoje agindo e se inclinando a nós nas nossas necessidades. O Papa nos revela o poder vitorioso de Jesus nas fases desta nossa caminhada peregrina.

Vivendo nesta Quaresma a palavra oferecida pela Igreja como diz o Papa, teremos nós a oportunidade de receber a força de Cristo que nos auxilia na nossa fragilidade diante das tentações; poderemos ver frente aos nossos olhos a glória de Jesus que se transfigura ao nosso olhar; poderemos dialogar com Ele como fez a Samaritana, e jorrando Água viva em nossos corações; recebendo a cura, principalmente naquilo que temos mais dificuldades e que se tornou um peso enorme no nosso dia-a-dia. Finalmente viveremos o poder da ressurreição, onde o Senhor nos convida a despertar para a sua Luz.

Mensagem do Papa para a Quaresma 2011
«Sepultados com Ele no batismo, foi também com Ele que ressuscitastes» (cf. Cl 2, 12)
Amados irmãos e irmãs!
A Quaresma, que nos conduz à celebração da Santa Páscoa, é para a Igreja um tempo litúrgico muito precioso e importante, em vista do qual me sinto feliz por dirigir uma palavra específica para que seja vivido com o devido empenho. Enquanto olha para o encontro definitivo com o seu Esposo na Páscoa eterna, a Comunidade eclesial, assídua na oração e na caridade laboriosa, intensifica o seu caminho de purificação no espírito, para haurir com mais abundância do Mistério da redenção a vida nova em Cristo Senhor (cf. Prefácio I de Quaresma).
1. Esta mesma vida já nos foi transmitida no dia do nosso Baptismo, quando, «tendo-nos tornado partícipes da morte e ressurreição de Cristo» iniciou para nós «a aventura jubilosa e exaltante do discípulo» (Homilia na Festa do Baptismo do Senhor, 10 de Janeiro de 2010). São Paulo, nas suas Cartas, insiste repetidas vezes sobre a singular comunhão com o Filho de Deus realizada neste lavacro. O facto que na maioria dos casos o Baptismo se recebe quando somos crianças põe em evidência que se trata de um dom de Deus: ninguém merece a vida eterna com as próprias forças. A misericórdia de Deus, que lava do pecado e permite viver na própria existência «os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5), é comunicada gratuitamente ao homem.
O Apóstolo dos gentios, na Carta aos Filipenses, expressa o sentido da transformação que se realiza com a participação na morte e ressurreição de Cristo, indicando a meta: que assim eu possa «conhecê-Lo, a Ele, à força da sua Ressurreição e à comunhão nos Seus sofrimentos, configurando-me à Sua morte, para ver se posso chegar à ressurreição dos mortos» (Fl 3, 10-11). O Baptismo, portanto, não é um rito do passado, mas o encontro com Cristo que informa toda a existência do baptizado, doa-lhe a vida divina e chama-o a uma conversão sincera, iniciada e apoiada pela Graça, que o leve a alcançar a estatura adulta de Cristo...

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