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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Vontade de cantar

Canção da liberdade

Eu só tenho a vida minha.
Eu sou pobre pobrezinha,
tão pobre como nasci,
não tenho nada do mundo,
tudo que tive, perdi.
Que vontade de cantar:
a vida vale por si.

Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!
Eu só tenho a vida minha.

Eu sou planta sem raiz
que o vento arrancou do chão,
já não quero o que já quis,
livre, livre o coração,
vou partir para outras terras,
nada mais eu quero ter,
só o gosto de viver.

Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!
Eu só tenho a vida minha.

Sem amor e sem saúde,
sem casa, nenhum limite,
sem tradição, sem dinheiro,
sou livre como a andorinha,
tem por pátria o mundo inteiro,
pelos céus cantando voa,
cantando que a vida é boa.

Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!Eu só tenho a vida minha.

Que vontade de cantar:
a vida vale por si.

(Poema "Liberdade", do livro "Canção da Partida", de Jacinta Passos)

Jacinta foi mulher extraordinária. E foi minha mãe. Estou escrevendo uma pequena biografia dela, e republicando seus poemas. O livro sairá em breve, pela Editora Corrupio.