Canção da liberdade
Eu só tenho a vida minha.
Eu sou pobre pobrezinha,
tão pobre como nasci,
não tenho nada do mundo,
tudo que tive, perdi.
Que vontade de cantar:
a vida vale por si.
Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!
Eu só tenho a vida minha.
Eu sou planta sem raiz
que o vento arrancou do chão,
já não quero o que já quis,
livre, livre o coração,
vou partir para outras terras,
nada mais eu quero ter,
só o gosto de viver.
Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!
Eu só tenho a vida minha.
Sem amor e sem saúde,
sem casa, nenhum limite,
sem tradição, sem dinheiro,
sou livre como a andorinha,
tem por pátria o mundo inteiro,
pelos céus cantando voa,
cantando que a vida é boa.
Nada eu tenho neste mundo,
sozinha!Eu só tenho a vida minha.
Que vontade de cantar:
a vida vale por si.
(Poema "Liberdade", do livro "Canção da Partida", de Jacinta Passos)
Jacinta foi mulher extraordinária. E foi minha mãe. Estou escrevendo uma pequena biografia dela, e republicando seus poemas. O livro sairá em breve, pela Editora Corrupio.