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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

As múltiplas possibilidades das coisas

(Foto: "Na pressão", de Luis Augusto Jungmann Andrade)
Juro que aconteceu assim: primeiro escrevi, no enredosetramas, o post sobre a letra do Chico, O que será que será. Depois, procurei uma foto que a ilustrasse. Precisava de uma foto misteriosa, intrigante, que combinasse com a letra e com meu pequeno comentário a ela. Escolhi uma foto (do ótimo site português olharesaeiou) que me pareceu dialogar bem com a letra.
Aqui, na chamada de ontem para o enredosetramas, postei o mesmo título e a mesma foto de lá. Ao escrever, porém, a frase “Quer descobrir? Clique aqui”, eu pensava no título do post, "O que será", e não na foto. Minha idéia era a de que os leitores, remetidos a enredosetramas, palpitassem lá sobre a letra do Chico.
Qual não foi a minha surpresa quando o Adelino e todos os outros comentadores do post de ontem palpitaram, aqui, sobre o que seria não a música, mas... a foto! Adorei isso. Me fez pensar 1) na força da fotografia; 2) em daqui pra frente ser mais clara: não confundir os dois posts, embora mantendo o diálogo entre eles.
Mas, principalmente, o que aconteceu ontem me apontou, mais uma vez, as múltiplas possibilidades das coisas: uma música que todo mundo conhece faz perguntas cujas respostas ninguém ao certo conhece (isso, gente, lá no outro blog, he he); aqui, uma foto posta só para ilustrar se agiganta, despertando diversas interpretações; algo que escrevo aqui com uma intenção repercute em outra direção. Enfim, nada é necessariamente o que parece, ou o que a gente quer que seja. Esses são os truques que realmente me interessam: os das infinitas possibilidades da nossa imaginação e da nossa interação.
Ah, a foto? O que é? A mim, parece metade de um coco, emitindo intensíssima luz (acho que foi essa luz que me atraiu). Mas, se vcs. tivessem clicado no link do fotógrafo, veriam que ele mesmo esclarece o mistério. Sua foto se chama... “A paisagem que escapuliu”.
Hi, hi, hi...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Foi mal

Ontem postei um conto aqui. Não gostei do efeito, acho que visualmente pesou, ficou grandalhão, feio, difícil de ler. Talvez blogs não comportem textos maiores (o de ontem tinha originalmente três laudas).
Vez ou outra, entretanto, gostaria de postar as três primeiras linhas de algum conto ou texto maior, seguidas de um link, que remeteria o corajoso leitor (sempre há, ontem apareceu um para o conto...),para o texto integral, sem pesar no blog. Neoblogueira, não aprendi ainda a fazer esse truque. Alguém sabe?

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Palavras existem para ocultar

Palavras existem para ocultar, para mentir. Narrativa é an­tes de tu­do dissimulação, arte de ilu­dir, má­gi­ca: como diabos conseguiram serrar ao meio a mu­lher -- juro que vi­mos, com es­ses olhos que a ter­ra há de comer! -- , e ela ressur­ge agora à nos­sa fren­te in­tei­ra, re­lu­zente sob ho­lo­fo­tes, o maiôzinho es­car­la­te sal­pi­ca­do de mi­çan­gas ver­de-es­cu­ro? Hein?
Se o truque é revela­do, aca­ba a graça. Talvez por isso tão cir­cuns­pec­tos os cien­tis­tas e pro­fes­so­res uni­ver­si­tá­rios, de quem se espera a dis­se­ca­ção, catalogação e re­ve­la­ção dos se­gre­dos do mundo, a com­pe­ten­te ex­po­si­ção pública de truques varia­dos: os truques da lin­gua­gem, os da so­cie­da­de, os dos ani­mais....
Se­gre­do re­ve­la­do, mun­do desencantado. Fic­ção é mis­tério, tru­que. Entre os vários significados do verbo latino fin­go, estão "fin­gir" e "in­ven­tar".
Narremos, pois. Inventemos.
Sem ilusões de verdade, acreditando no truque.