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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Muito contente


Muito contente por estar de volta aqui. Ainda não 100%, os pontos continuam na mão direita, mas já estou livre das ataduras e podendo teclar sem exageros, o que acho ótimo. Olhe, gente, a-do-rei cada uma das mensagens deixadas nos dois blogs durante minha ausência, muito obrigada a vocês todos, que fizeram esse tempo de cirurgia passar mais rápido e de forma bem mais amena. Me senti apoiada, aconchegada — bom demais! Não vou responder a cada um apenas porque ainda não posso escrever muito.
Nesses dias, li um bocado (vou comentar os livros lidos no enredosetramas), vi tv — inclusive todo esse desastre terrível de chuvas torrenciais, cheias e desabamentos em Santa Catarina —, porém minha cabeça, a maior parte do tempo, se manteve zonza, tontona, sem se fixar em coisa alguma, como se vagasse por algum espaço que nem sei onde fica. Meu amigo Chorik comentou que isso acontece porque nosso corpo é uma unidade, cada membro ou órgão influenciando os outros: assim, o que acontece com minha mão pode, sim, influenciar minha mente (o amigo Edu disse que sentiu a mesma coisa quando teve um problema no pé). Independente de fundamento científico, gostei dessa explicação, dessa idéia de sermos um todo indivisível e interdependente (que a medicina atual teima em seccionar). Me fez bem sentir-me assim. Lembrei-me das pessoas cuja perna, braço ou mão foram amputados, mas continuam a sentir sensações neles — calor, dor, arrepios, etc —, ao que parece porque a imagem mental que têm do próprio corpo é a de um corpo completo, o que inclui, jamais exclui, o membro ausente.
Por este meu texto descosido, mal ajambrado, vagal, já deu pra sentir que ainda não aterrissei direito por aqui, né? Mas não importa, não é mesmo? Este texto é só pra lhes dizer que estou de volta a este doce batente, amo vocês, e espero continuar a postar textos que mereçam ser lidos e comentados por vocês. Assim como visitarei os seus blogs, lerei e comentarei seus textos. De volta a esta nossa gostosa, divertida e animada roda de leituras e papos!

domingo, 23 de novembro de 2008

Maneta



Amigos, muito obrigada por todas as mensagens. Minha cirurgia correu bem. Estou de molho até terça-feira, dia do primeiro curativo. Escrevo agora com os dedos esquerdos. Tenho lido um bocado, mas a cabeça anda num marasmo, numa zonzeira... nenhuma idéia! Será que, sem usar a mão direita, não penso?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De papo pro ar


Gente, tô me submetendo a uma pequena cirurgia na mão direita. Coisa simples: "dedo em gatilho", inflamação que dá no tendão do dedo e o deixa preso no tubo que o envolve; quando a gente curva o dedo, parece que tá apertando o gatilho de um revólver. Cruz credo, logo eu, pacifista! Os médicos têm o maior desprezo pelo meu dedo em gatilho, coisa simples, nada desafiadora para suas sapiências. Eu é que sei como dói. Minha vingança contra esses médicos é revelar que eles simplesmente não sabem a causa do problema. Sabem diagnosticar, sabem tratar, mas não sabem a causa — incerta, ignorante medicina! Pronto, já me vinguei.

Vou ficar duas semanas com pontos na mão. E como é que vou viver todo esse tempo sem escrever aqui, postar meus textos, ler os de vocês? Não posso mais viver sem isso, tô viciada em vocês! Bolei uma estratégia: escrevi alguns textos, vou ver se alguém os posta pra mim, aos poucos. Não é a mesma coisa, não tem a graça do improviso nem a riqueza do diálogo, mas ao menos diminuirá minha saudade e frustração. Vamos ver se funciona. Não sumam!

Enquanto isso, é pensar positivo: vou ter um tempo gostoso de repouso, de não fazer nada, de mordomias, água de coco, papo pro ar... Como há décadas prega esta música que acho ótima (nada a ver com minha origem baiana), composta por Joubert de Carvalho, com letra do poeta Olegário Mariano:

De papo pro ar

Eu não quero outra vida
Pescando no rio de Jereré
Tenho peixe bom
Tem siri patola
Que dá com o pé

Quando no terreiro
Faz noite de luar
E vem a saudade me atormentar
Eu me vingo dela
Tocando viola de papo pro ar

Se compro na feira
Feijão, rapadura
Pra que trabalhar
Sou filho do homem
E o homem não deve
Se apoquentar