"O cabelo faz da mulher um ser misterioso que carrega na cabeça, na parte do corpo que é mais nítida e mais marcada, uma coisa recebida como um mar e confusa como uma floresta. Está fora do corpo, é uma espécie de jardim privado, onde o dono exerce à vontade sua fantasia e sua desordem. É qualquer coisa que cresce e que transborda como se estivesse livre do domínio da alma."
Gustavo Corção
(Três alqueires e uma vaca, Rio: Ed. Agir, 1961)
(Três alqueires e uma vaca, Rio: Ed. Agir, 1961)
Sou de uma geração que não gosta nem um pouco das idéias de Gustavo Corção, o pensador católico ultraconservador, que defendeu tudo o que nós queríamos mudar: o modelo único da família nuclear, o catolicismo tradicional, a política de direita, a propriedade privada como base da sociedade, a ortodoxia, etc. Isso não me impede de encantar-me com este pequeno trecho de autoria de Corção, achando-o bonito, sensível, original. Como somos todos múltiplos e contaditórios... ainda bem.