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sábado, 12 de setembro de 2009

Não me esqueças

Há dois tipos de pessoas: pessoas de quem os outros se lembram e pessoas de quem os outros não se lembram. O primeiro tipo recebe chamadas de vez em quando a perguntar como estão e como deixam de estar. O segundo faz as chamadas e raramente as recebe.

Eu pertenço ao segundo grupo. A TMN agradece, porque volta e meia apanho rombos brutais no saldo de telemóvel porque me lembro que não falo com x há muito tempo e quero saber como a pessoa está. Quer seja quer não da TMN.

Dei por mim a pensar que um dia posso ir ter um acidente, ir parar ao hospital inesperadamente, ficar muito doente, ausentar-me um monte de tempo sem que ninguém me ligue a dizer "ouve, o que se passa que já há tanto tempo que não ouço falar de ti?". Se um dia me acontecer uma coisa dessas, terei que ser de novo eu a ligar a dizer "estou mal, estou no hospital, estou em casa doente, não me queres vir visitar?". E na volta a conversa fica por aí mesmo. Na volta nem uma visita terei. E a informação ficará à conta do meu saldo de telemóvel na mesma.

O facto de eu pertencer ao segundo grupo não é uma interpretação mas um facto. Há pessoas que ou estão ocupadas demais ou pensam que estão ocupadas demais ou não gostam de gastar telemóvel. Ou um pouco das três. Eu podia dar-me à minha importância, mas ficaria sozinha. Sozinha demais. E eu estou bem sozinha, mas tento não ficar mais sozinha do que o estritamente necessário. Porque eu sou um animal gregário.

O que acabei de descrever é um facto. Não é bom nem mau: é assim. Já não me importa sequer: é assim. E daí, volta e meia dói-me um bocadinho... mas depois passa.

domingo, 7 de junho de 2009

Indiferença

Indiferença como sentimento é o oposto da neutralidade que parece indicar a palavra. É não querer saber, colocar o que for no caixote de perdidos e achados e nunca mais para ele olhar. É reduzir alguém a pó e espirrar por outra qualquer comichão no nariz, espalhando com esse espirro esse pó, que ainda sente como se fosse ainda um corpo inteiro, até à imaterialidade. E nem se lembrar.

Há três pessoas a quem dou importância de momento e que me votaram à indiferença.

Um fala comigo mas não quer saber. Sou-lhe de tal modo indiferente que nem o sabe. E se soubesse não quereria saber.

O outro não quer saber de mim. Não quer saber dos meus sentimentos embora esteja de algum modo convencido que com a sua indiferença me libertará da toxicidade do que sinto por ele. Agradeço a sua bondade, mas não foi isso que lhe pedi. Não lhe pedi nada (só dei), mas não devia ser este o resultado. Claro que a minha opinião não foi tida em conta no processo. Ou melhor, foi, mas para ser ela também ignorada.

A outra deixou de me atender o telefone, literalmente de uma hora para a outra. Não sei porquê, não lhe fiz mal nenhum, e não parece interessada em dizer-mo.

Já consegui esquecer pessoas de tal modo que a lembrança delas só me faz uma ligeira comichão, que passa com o mero pensamento esboçado de a coçar. Hei-de esquecer estas também. Só a mim parece fazer impressão tratar as pessoas assim, mas tenho que perder a mania de tentar ser boa pessoa.

Faço bem o luto dos mortos porque compreendo que nunca mas mesmo nunca mais voltarão. E que se eu quero continuar viva tenho que deixar os mortos onde estão e não evocando para sempre a sua memória e a sua saudade. Sou das poucas pessoas a quem dá ataques de riso em velórios e funerais porque de repente me vem à memória uma cena engraçada envolvendo o morto. Claro que choro e muito. Mas enterro a pessoa assim que possível depois da descida à terra e entrego-me ao sentimento de estar viva.

Os vivos custam mais a enterrar. Não porque se debatam no processo, mas porque não o fazem e isso mete-me confusão. Quem há-de querer ser enterrado vivo e nem sequer lhe fazer diferença? In-di-fe-ren-ça... há-de ser o meu mantra. A oração dos mortos vivos. Dos enterrados pela própria vontade no mundo que é a minha vida.

domingo, 5 de abril de 2009

Sunday afternoon blues

Ultimamente dá-me uma melancolia muito grande aos domingos ao fim de tarde e/ou noite. Por vezes roça mesmo a leve depressão!

O Domingo é como o anti-climax de um fim de semana bem passado: tenho que dizer que tenho tido fins de semana muito interessantes e em excelente companhia ultimamente (e ocasionais avistamentos do Joaquim, que me hão-de curar a miopia um dia!). Infelizmente em vez de passar o tempo a reviver esses bons momentos, tenho por vezes a tendência a ruminar outras coisas que queria e não aconteceram ou coisas que aconteceram e não deviam ter acontecido. Isso é uma parvoíce, eu sei. Mas tenho esse lado negro de que não me orgulho e que tenho que contrariar.

Felizmente o domingo é só um dia e nem sequer o mais interessante da semana. E passa. Tudo passa. Tudo anda para a frente e temos que acompanhar esse movimento ou somos deixados para trás. É essa uma das conclusões que os meus quase 35 anos de vida me deram: tudo passa. Mas não passa sozinho! É preciso lutar para que certas coisas passem e para que certas coisas aconteçam. Porque ninguém luta por nós, porque estamos sós no mundo! Independentemente do número de pessoas que nos rodeia.

E eu vou lutar também contra o sunday afternoon blues. Porque eu não mereço mais um minuto sequer a sentir-me mal com a vida... ninguém merece! E amanhã é segunda-feira. E segunda-feira cheira-me imensa e intensamente a um novo começo. A mim que sou a mulher dos novos começos. E serei sempre, até me extinguir um dia. E no momento imediatamente anterior a isso acontecer vou sorrir e sentir saudades de todos os bons momentos que vivi!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Toda a nossa vida é...

... uma luta contra a solidão.

A que vem de não estar com outros. E a pior: a que vem de dentro.



E eu nitidamente tenho que fazer um post de fufas, que isto está demasiado sério! Mas apeteceu-me escrever, pronto!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Diz-me do que falas

Hoje passei o dia a organizar umas coisas cá em casa. Vai daí, como estava com tempo e paciência e na onda de sistematizar, comecei a fazer uma pequena sistematização mental das coisas de que falo e com quem. E quais as motivações de cada uma das conversas e grupos.

Do que falo no trabalho? Ora bem, de trabalho! Ocasionalmente de qualquer coisa que li nas notícias, regra geral relevante para o que faço ou para me fazer de inteligente e culta. Ou seja, para enganar o povo! Com as poucas gajas com quem lido, normalmente a conversa vai parar aos filhos. Com diversos graus de interesse, nomeadamente nenhum na maioria das vezes mas não sempre. Eventualmente a roupa, sapatos, saldos, receitas e aparelhos de cozinha (espremedores de citrinos excluídos).

Do que falo com família? Do resto da família, de coisas que aconteceram quando era pequenina, de quem casou e de quem falta casar, de quem tem um par de cornos e acha normal, se um primo ou outro tem ou não namorada, de quem vai ter filhos ou já os teve. Curiosamente, quase nunca me perguntam se eu tenho namorado e vivo bem com isso. Não sei porquê, mas não quero mesmo saber.

Do que falo com amigos? Bem, no geral de muita coisa: coisas que aconteceram no liceu, na Faculdade ou no emprego, de outros amigos e como se estão a dar bem ou mal na vida. Da vida dos outros: dos namorados, casamentos (poucos) ou divórcios. De cinema, de passatempos que temos ou não em comum. De filmes, livros, carros, prestações de carros, casas, prestações de casas e telemóveis. De saídas à noite.

Do que falo especificamente com amigos mulher-sexuais? Do que faço, do que eles fazem. Procuramos pontos comuns, algo que nos identifique com os outros, que nos faça fazer parte da esfera pessoal (eventualmente íntima) dos outros. De tudo para parecer interessante. De tudo para não nos sentirmos sós no mundo. Com um deles falo ainda de como tenho um blogue e de como é interessante. E de como não lhe digo qual é, só para o torturar e gozar com ele. Mas não faz mal, porque ele já sabe que eu não bato bem da moleirinha (não faz ideia é de quanto).

E com amigos homem-sexuais? Bem, essencialmente de gajos! Normalmente de como são quase todos uns totós e como um par deles são bons como o milho e um por outro uma pessoa decente, que nos faz restaurar a fé nos outros todos. Eventualmente discordamos se um ou outro é bonito e aí a conversa fica animada. Um deles ainda fala comigo de técnicas para um bom broche, mas nessas alturas eu sou só ouvinte (atenta!!). Mas fico de todas as cores, porque eu não sou sempre a Abobrinha! E mesmo a Abobrinha tem limites e esse é um deles!

Com amigas (não tenho amigas mulher-sexuais) falo de... gajos. De como a maioria são cabrões, de como as mulheres têm que ser mais amigas umas das outras, mas como muitas agem como se o único objectivo na sua vida fosse arranjar uma coisa com uma pila. De como outras são verdadeiramente amigas. De dietas, de exercício, de nos sentirmos bem no nosso próprio corpo e espírito. De não estarmos tão sós como às vezes nos sentimos De irmos a uma sex-shop juntas um dia destes. Das vantagens de ter um gatinho.

E de como por vezes me vou abaixo sem motivo aparente. Como hoje, por exemplo.

De que falo comigo mesma? De tudo e de mais alguma coisa. De como tenho que falar menos de gajos, porque me faz mal e a minha vida não se resume a eles nem de perto nem de longe. De como me posso melhorar, de modo a olhar para o espelho e ver uma pessoa íntegra e bonita por dentro e por fora, independentemente de quem me aprecie ou não. De como não estou na realidade sozinha embora às vezes o sinta de maneira avassaladora. De como sou efectivamente uma excelente pessoa. E sei isso. Embora por vezes não me adiante de nada!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

As notícias do fecho deste blogue poderão ter sido algo exageradas

Mas é assim que eu sou em algumas coisas: exagerada, excessiva, intensa, intuitiva! Não intuitiva por ter um sexto sentido, mas porque todos os 5 concretos e mensuráveis que tenho me apontam algo que já lá está, mesmo só à espera de ser verbalizado. Não sou fria nem calculista, mas devia desenvolver algumas dessas qualidades. Às vezes dão jeito! Para pessoas e situações.

Ainda não sei exactamente que bicho me mordeu ontem, mas não nego à partida que tenha sido a porra do Natal. Não o Natal propriamente dito (que optei por ignorar e não dar a importância que não merece), mas o facto de tudo parar por causa dele e dar tempo para pensar. Não tem que ser uma coisa má: apercebi-me que tenho que parar um bocadinho e pensar. Acho que vou aproveitar estes dias (sexta o patrão deu férias) para fazer isso mesmo.

Ontem não pensei: senti só. O meu alarme activou de repente e não sei porquê. Ou por outra, sei que a causa não é só uma mas muitas. Uma delas sei que não se resolve, apesar das boas intenções de quem depende o gesto que eu preciso (e tenho que viver com isso, apesar de não saber ainda como exactamente) e de que não prescindo. Mas que, pensando bem, não é sequer importante: as pessoas só valem o que valem e não o que pensamos que elas valem. E eu até já sabia isso, mas é daquelas coisas que custa a aceitar. Tenho é que reagir de acordo com isso.

O alarme activou, agora só tenho que procurar os ladrões, pôr de novo trancas à porta, sabendo que eles voltam. Eles voltam sempre!




Ontem fui dar uma volta (leia-se: várias voltas) e regressei com a firme intenção de acabar com o blogue. De vez! Tinha mesmo um texto alinhavado na cabeça para me despedir, mas quando abri o computador deu-me vontade de... responder aos comentários! Falar com pessoas! Sim, porque este blogue serve para me exprimir, dizer disparates, mas também para conversar com gente que não conheceria de outro modo. Tipo um café sem consumo (nem tabaco!). A parte de não ter tabaco é importante (que me desculpem os fumadores... mas é importante).

Por isso vou deixar de escrever posts novos um tempo (1 semana, 2, 1 mês, não sei nem quero saber). Mesmo porque estou sem inspiração e não consigo escrever desse modo. Vou pensar o que quero para este blogue. Ou tão só deixar fluir e escrever só o que me apetece e quando me apetece. Sendo que neste momento não me apetece escrever nada! Estejam à vontade para cuscar nos textos antigos. Digo isso porque eu gosto de volta e meia de ir ler textos que eu mesma acho engraçados.

Entetanto hei-de cuscar os vossos tascos. Porque sobretudo, gosto de conversar! E os meus comentadores são excelentes a conversar. A ler, a ouvir... porque de outro modo não aturariam os verdadeiros testamentos que eu escrevo! Ler o meu blogue é uma prova de resistência! Quem o lê está verdadeiramente apto para fazer a maratona de Nova Iorque sem mais treino! Mas se depois cair para o lado de exaustão eu não me responsabilizo.

Como diria o Santana Lopes: eu ando por aí! Sendo que eu sou mais bonita que o Santana Lopes. E menos aluada qualquer coisinha. E sim, também estou disponível para me candidatar à Câmara de Lisboa! Algo me diz que faria melhor figura, mesmo porque tenho mau feitio à Rui Rio (mas pelos vistos falo menos bem alemão)! E Lisboa precisava de um Rui Rio. Ou de uma Abobrinha? Mas isso agora são outras conversas!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Auto-conceito

Ontem estive a desfiar uma série de fotos que tirei a mim mesma (porque ninguém parece achar boa ideia gastar pixeis em mim) em diversas ocasiões. Por acaso a intenção era procurar uma que pudesse colocar aqui (logo, em que eu não fosse reconhecível) e uma outra que tinha que enviar para uma coisa que não interessa para o caso.

O que é estranho é eu ter olhado para as fotografias já um cento de vezes e a minha opinião sobre elas (logo, sobre a minha figura) oscilar entre o "gira" e "absolutamente pavorosa". Ontem achei-me gira numa série delas, o que é bom. O que reforça a ideia de que tenho que continuar com este exercício estranho e narcisista de tirar fotos a mim mesma, para que possa ter uma ideia mais real de quem realmente sou e aferir objectivamente como muda o meu auto-conceito com o meu humor. Talvez um dia me ache verdadeiramente bonita. Talvez um dia coincidam objectivamente o exterior e o interior e esteja satisfeita com ambos. Talvez consiga manter o meu humor para cima mais vezes e espalhar assim a felicidade também aos que me rodeiam.

Não tenho ilusões: tenho imperfeições, tenho imensas coisas que não gosto em mim. Mas eu sou quem sou, e dou o que sou a quem me quiser ver e estar comigo. Com todas as minhas imperfeições físicas e de feitio. Mas também com tudo o que de muito bom tenho para dar.

E dito isto, dizem que a bicicleta fixa faz bem aos glúteos, por isso é uma das coisas em que tenho que investir. É que o feitio do rabo também conta...