Esta notícia fez-me lembrar a anedota da tribo canibal. Essa tribo tinha prendido 3 ocidentais e ia matá-los, come-los e usar a pele para fazer barcos. Mas antes de os matar concedia um último desejo a cada um.
O primeiro quis todas as mulheres que conseguisse f... ertilizar (era sensível à questão da quebra de natalidade). Morreu na mesma, mas morreu consoladinho. E a pele foi para fazer barcos.
O segundo quis toda a bebida que fosse capaz de emborcar. Morreu, mas de tal maneira mocado que a diferença que fez foi nenhuma porque nem deu conta. E a pele foi para fazer barcos.
O terceiro quis um garfo. Um garfo? Um garfo! Sim, um garfo. Quando lho deram desata a espetar-se e a dizer "não há barcos para ninguém, não há barcos para ninguém!".
Pois a LPN - Liga da Proteção da Natureza - diz a propósito da paralisação anunciada dos pescadores que "Parece-nos positiva a recusa anunciada do aumento dos subsídios aos combustíveis para alguns sectores, como as pescas, uma vez que desequilibram a balança em favor das técnicas de pesca que usam mais combustível”... mas que disparate!
Um disparate nunca vem só e continuam: "A não subsidiação dos combustíveis para as pescas promove maior equidade no sector, com maior valorização do pescado na primeira venda. A tutela deve apostar em soluções alternativas, promovendo as pescarias artesanais que consomem menos combustíveis e que, ao mesmo tempo, produzem pescado de melhor qualidade e consequentemente maiores rendimentos".
Eu concordo! Há dados científicos inequívocos que apontam para elevadas emissões de CO2 por parte dos pescadores. É que os sacanas respiram mais que os outros! Mas que lata! Eu sou mesmo mais radical: dadas essas evidências, deviam ser eliminados os pescadores! O governos está a tomar medidas nesse sentido fazendo com que estes morram à fome ou emigrem para onde lhes paguem em condições.
O que não me parece bem é que não os matem em pelotão de fuzilamento ou por injeção letal: dava menos confusão e era um pedaço mais humano. E resolvia-se as coisas mais rápido, de modo que o pessoal do governo e oposição ficaria disponível para fazer coisas úteis como ir para Bruxelas bebericar chá com estrangeiros e fazer-se a altos cargos que "trazem prestígio ao país" (ainda não percebi o que é que isso quer dizer, mas deve ser genial).
Uma pessoa mais moderada diria que a LCN não está a defender a morte dos pescadores mas só a dizer que os pescadores devem pescar apenas com recurso a remos e redes do século XIV, mas eu não acredito que a LCN queira propor um disparate desses! São claramente pessoas com bom senso!
"Ainda sobre a escalada do preço dos combustíveis fósseis, a associação ecologista aconselha o Governo a aumentar o apoio aos passes sociais e aos bilhetes compatíveis entre vários meios de transporte, ao mesmo tempo que alerta para a necessidade de subsídio para a reconversão para formas de transporte com tecnologias mais eficientes". Isto é tudo muito bonito, mas é mesmo só para quem tem acesso a transportes públicos. Não é o meu caso: eu ando de carro porque não posso andar de outra maneira. Parecendo que não, nem todos vivem e trabalham em Lisboa e Porto. Para falar verdade, a maioria dos portugueses está nessa situação. Ainda não entendi se querem matar-nos também à fome e de isolamento ou se nos querem só sacar impostos para... para... para fazer cenas que beneficiem a população (não sei em quê).
Quando se abre a boca é preciso ver se é para dizer qualquer coisa de jeito ou se é só para sair CO2, vapor de água, perdigotos e aromas vários. A LPN faz um mau serviço ao dizer bacoradas destas: ambientalismo não é ir viver nú debaixo de um chaparro, comer bolotas e cagar na base da árvore para a alimentar. Ambientalismo é pressionar governos e populações para usar a muita tecnologia que temos à disposição para viver e produzir com qualidade, dignidade e respeito pelo ambiente. Porque não são mutuamente exclusivas, desde que se saiba como governar e viver. Eu tenho uma pegada de carbono monstruosa porque tem mesmo que ser. Seria diferente se tivesse mais meios, o que infelizmente não é o caso. Faço o que posso, mas sei que é pouco.
Contudo, há uma figura no jargão de emissões que é as trocas (ou comercialização, ou assim uma merda) de emissões: um amiguinho emite mais e paga a outro que polui menos a sua quota. Os mesmos dados que apontam para uma elevada emissão de CO2 dos pescadores também indica que membros da LPN têm emissões elevadíssimas. Proponho assim ao governo que mate os membros da LPN em vez dos pescadores. Os meus cálculos indicam que nem é preciso uma limpeza total: se optar só pelos que debitam disparates. E ainda fica com créditos!
Assim, em vez de gritar "Não há barcos para ninguém, não há barcos para ninguém!" podemos gritar com mais vantagem "Não há LPN para ninguém, não há LPN para ninguém!".
Haja paciência...
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quinta-feira, 29 de maio de 2008
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