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domingo, 6 de abril de 2008

Adolescentes não são só birras por telemóveis

Eu sou fã de um certo e determinado jornalismo: o dos chavões e afirmações que não interessam ao menino Jesus nem à vaquinha do presépio. Porquê? Porque me fazem ir à casa de banho mais vezes a ver se o veneno sai (o que é bom porque, entre outras coisas evita o recurso a depuralina) e porque me fazem por vezes pensar se realmente as coisas assim o são.

Quando ouvi que as adolescentes andavam histéricas porque o vocalista dos Tokio Hotel tinha apanhado uma laringite e não podia actuar, pensei "tadinhas, tão palermas". O que me levantou duas questões: 1) que diabo são os Tokio Hotel e 2) E como era aqui o "je" aos 15 anos e menos. A resposta à primeira pergunta foi um pedaço menos deprimente que a resposta à segunda, por isso vou começar pela segunda para acabar numa nota positiva.

Estranhamente o que me fez começar a desenrolar o fio da minha adolescência foi ler que os Tokio Hotel eram alemães (e não japoneses, como seria de esperar). Isso lembrava-me algo. E o que me lembrou não foi nada agradável e eu preferiria ter tido uma amnésia desses tempos... mas não é assim que a mente funciona! Atenção trintões: lembram-se destas carinhas larocas?

Ah pois é! Isto eram os nossos Tokio Hotel! Lindo, não?! E lembram-se das músicas? Como se isso fosse possível, dado que aquela porra voltou a ouvir-se! Ora recordem (este já está misturado, mas a porcaria é a mesma, com a vantagem de a moda ter dado gigantescos saltos em frente)!





Quem não se recorda de grandes êxitos como "Brother Louie", "Cheri cheri lady", "You're my heart, you're my soul" e outros que me esforço por esquecer mas não vale a pena. E atenção que os tipos até tinham bom aspecto. Mas a moda dos anos 80 era muito cruel, até para gajos giros! E a pronúncia inglesa deles... eeeeeeeeeeeeeek!

Havia ainda uma tipa também alemã, a Sandra. Ela até era gira e tinha covinhas no rosto. Mas as covinhas no rosto só são giras quando a pessoa sorri com naturalidade e não quando sorri de uma maneira parva que tem como único objectivo evidenciar as covinhas no rosto! E quem se pode esquecer do famoso "Maria Magdalena"? Espectáculo!




Não sei o que é pior neste vídeo: se a roupa, os cabelos, a luva solteira, a maquilhagem, se a voz falsamente rouca... há muito por onde escolher! Sei que eu com 13 anos já sabia distinguir uma parola quando via uma.

A Sandra protagonizou sem querer um dos episódios da minha adolescência (13, 14 anitos) em que me dei apercebi que era do contra. Foi quando uma amiguinha minha estava a babar-se com aquela música e eu disse que era um horror. Palavra puxa palavra, argumento puxa argumento e ela remata com "tu não percebes nada de música". Dados os padrões não me importei muito. Fiquei mais chateada quando constatei uns 2 anos mais tarde que um pão da minha turma admirava José Cid, mas eu na altura estava mais preocupada com outras coisas.

Não era preciso depuralina naqueles dias: o lixo estava na televisão e na "Bravo" e na "Europe Television" (lembram-se do Adam Curry?) e não algures em parte incerta dentro do nosso corpo e a precisar de um suplemento 100% natural mas tóxico para o fígado (o que não tem potância porque o fígado não é muito preciso para nada). Por isso é que nós não passávamos os dias em frente à televisão: não valia a pena! E não havia blogues, por isso a nossa existência era muito limitada.
E estes adolescentes? OK, podem ser birrentos (e nós não éramos?), podem ter a mania (e nós não tínhamos?), podem ter telemóveis e blogues (o que os coloca em clara vantagem). Mas têm bom gosto!

É que isto são os Tokio Hotel. Inicialmente reclamei que homem que é homem não pode usar mais maquilhagem que eu, mas saltaram-me à cabeça nomes como Robert Smith (The Cure), Marilyn Manson (que adoro!) e parei de refilar. É que ainda havia outros, mas uns quantos estão no "dark side". E estes meninos ainda são putos, por isso ainda estão muito a tempo de se vestirem como homens grandes. Mas ainda são tão novinhos que me despertam mais instinto maternal que outra coisa.

Acontece que eu conhecia os Tokio Hotel antes de saber o nome e andava a trautear esta música. Que é comercial e tal, mas é gira! E ainda há o "Scream". Eu posso argumentar que "shouting out loud" é um pouco redundante (eu quando grito normalmente não é baixo, mas também tenho dificuldade em falar baixo de todo), mas soa bem e com o barulho das luzes não se nota.





Por isso a todos os teenagers: larguem o telemóvel e mostrem do que são feitos! Ah, e deixem de ver o Morangos com açúcar: engorda e não se aprende nada!