Mostrar mensagens com a etiqueta da religião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta da religião. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, janeiro 10, 2025

sobre o aborto, é simples: sou radical

1. Qualquer mulher adulta que se veja confrontada com a necessidade de fazer um aborto, lamenta-o profundamente, o mesmo se passando com qualquer homem decente. Tal não sucedendo significa psicopatia ou atraso mental severo. Nenhuma mulher mentalmente sã faz um aborto -- é um lugar-comum, de tão verdadeiro.

2. Vivemos num estado laico, felizmente. E como Deus não existe -- a não ser em cabeças frágeis ou simples --, o papel das igrejas deve ser o que está reservado aos seus aderentes, e ponto final. Cada maluco com a sua mania. A Igreja Católica só tem valor para mim, enquanto instituição histórica que está na génese do estado e da nação portugueses, quanto ao resto, interessa-me tanto ou menos que o Benfica ou o ACP. Ter devotos a legislar e a interferir é uma aberração que nos põe ao nível dos aiatolas ou daqueles primitivos que matam e morrem em nome de "Deus".

3. A continuação ou interrupção de uma gravidez por parte de uma mulher adulta é uma questão que só a essa deve respeitar, e na qual nenhum homem deveria ter possibilidade de decisão, técnica, legislativa e muito menos referendária. Claro que defendo a objecção de consciência, que, constituindo-se em problema, cabe ao Estado resolver, respeitando a liberdade de todas as partes. mas não suporto ouvir para aí os beatos a referirem-se aos direitos da mulher, do feto, etc. Um assunto de mulheres é só com as mulheres. Estando em causa compromissos de um casal, não sendo respeitados, o casal separa-se. Nenhuma coerção sobre qualquer mulher e o seu corpo é aceitável. É tão simples.

(a propósito disto)

terça-feira, junho 20, 2023

totalitarismo católico

 Poderia facilmente ironizar com estes adoradores de absurdos, coisa a que, de resto, estão habituados, desde que há pouco mais de duzentos anos foram proibidos de esturricar a carne dos "hereges", dos "infiéis" e dos ateus.

Poderia, mas não o faço, pois acho de tal modo indigno, a propósito da lei da eutanásia, quererem obrigar ao sofrimento todos quantos não são apanhados pela estúpidas religiões, que não tenho espaço para graçolas.

Imagino a revolta e o asco de quantos sofrem de doenças irreversíveis, arrastando-se com dores, sem autonomia nem a dignidade que sempre se exigiram, impedidos de terminar com a sua vida, porque uns alucinados acreditam que a vida é um dom de "Deus", absurdo em que uma minoria utilitária, sem filosofia nem metafísica, se refugia por não querer encarar a morte (o nada) de frente, enquadrando uma massa primitiva de penitentes, supersticiosos, exaltados ou meramente acomodatícios. Porque para além da manada, há a beatice dos papa-hóstias & associados. Muitos deles, estou certo, aldrabões, que se for preciso vão lá fora tratar do assunto, como antes as mui católicas mulheres que, por todas as razões, queriam abortar, iam ao estrangeiro fazê-lo, se para isso tivessem posses. (As pobres, já se sabe...) Tudo isto é nojento. Merecem o mínimo de respeito estes fariseus e estes fanáticos? Não merecem nenhum.

terça-feira, outubro 18, 2022

235 paus para ver o papa

 Esta conversa lembra-me as digressões de gurus manhosos que se fazem pagar bem por cada arenga aos perdidos da vida, ou então a iurd.

Eu até gosto deste papa e distingo o muito de positivo que a Igreja tem originado ao longo da História (da arte à filosofia) e o negativo também (Cruzadas, Inquisição, perseguições de toda a ordem), assim como no presente, do mais elevado, como a Teologia da Libertação, ao repugnante dos abusos sexuais e a sua ocultação -- entre mais uma miríade de coisas boas e péssimas.

Mas onde ficam os jovens pobres no meio deste arraial?

sábado, agosto 13, 2022

o atentado a Salman Rushdie

 só mostra o que todos sabíamos: uma vez lançado o anátema, a sanção que o acompanha só se esvai com a morte, o que significa que, se escapar desta, a sua vida continuará a correr perigo. 

Religiões à solta só conhecem a linguagem da força, triste facto. Infelizmente, isto já não vai lá invertendo as políticas de direita, como dizem alguns. Mas como deter largos milhares de fanatizados e as suas armas brancas ou veículos tornados máquinas de morte? 

Como já não estamos no tempo do Pombal, que mandava executar quem lhe fizesse frente e ameaçava o papa; nem no do Joaquim António de Aguiar, o liberal "Mata Frades"; nem se admite agora o achincalho da República, ou o que o Zé Estaline fez na União Soviética, transformando igrejas em garagens (um homem prático) ou, ainda, o controlo férreo das confissões como se processa na China -- como lidar com estes selvagens? Dialogar sobre quê, se há com eles uma raiva e um sentimento de humilhação que se lhes cola à pele e ao nome, e que sublimam com estes actos irracionais, consequência de um profundo mal estar existencial?  Ainda por cima camuflados no seio de uma comunidade ela própria dividida em face destas acções? Como se lida com isto? Rebentar com Israel? Não me parece exequível, nem desejável. Mostrar (ao menos) equidistância na questão palestiniana? E o resto?... Nós por cá ainda vamos indo; franceses, belgas, alemães, etc. estão metidos num molho de bróculos. 

quinta-feira, fevereiro 08, 2018

"alíneas operativas"

Católico cultural, meramente de tradição (baptismo e primeiro comunhão, porque sim), porém ateu, deparo-me com estas alíneas operativas, hoje difundidas pela imprensa. Uma parvoíce que faz rir, pois a maioria dos católicos praticantes não aceita esta eunuquização que a hierarquia lhes quer impingir; e faz rir também pela designação pretensiosa de jargão psicossocial, a dar ideia de muita profundidade e cientificidade, quando o que lhe subjaz é o mero nojo ao sexo.


O que estes padres (alguns padres) deveriam saber é que não há amor entre dois adultos sem qualquer tipo de erotismo, e que não há erotismo sem sexo, mesmo que porventura sublimado por força de qualquer circunstância impeditiva de o consumar.  (Já estou a ouvir os intelectualmente desonestos a contestarem, trazendo à conversa casos excepcionais, como, por exemplo, o amor num casal em que um deles por doença ou acidente esteja impedido de ter relações sexuais. Esquecem, porém, que num casal há um historial comum, e que pelo facto de deixarem de ter sexo, tal não invalida que guardem a memória dele, e que essa memória seja um dos factores constitutivos do seu amor presente).


Faz algum sentido este pronunciamento sobre a intimidade de um homem e uma mulher que se amam, e portanto partilham a vida em comum?   Pondo-me no lugar de um católico, parece-me que não, mesmo à luz duma moral cristã. É claro que não se espera por parte da Igreja uma postura liberal em diversas matérias, como a do aborto (eu próprio, dum ponto de vista ético, acho por norma inaceitável um aborto que não decorra de uma violação, risco para a saúde da mãe ou malformação que torne inviável ou infernal a vida de uma pessoa);  mas já não dá tanta vontade de rir saber que é esta castração mental e moral que potencia comportamentos desviantes em que a Igreja tristemente se especializou, com consequências horríveis por onde teve poder e influência: templos queimados no Chile por ocasião da visita do Papa é o mais recente abalo que sofreram todos quantos gostariam que a Igreja -- parte importantíssima da nossa identidade e do nosso património colectivo -- não tivesse este cadastro. Mas o caso do Chile é apenas mais um a juntar à lista hedionda dos abusos cometidos em países ou regiões de predominância católica: da Irlanda à Espanha e por aí além, histórias de horror, em pleno século XX.

quinta-feira, dezembro 14, 2017

televisões, seitas, arrivistas e restante escória

É o sistema circulatório duma sociedade livre e tendencialmente democrática, a liberdade de imprensa. Os canais privados de televisão são uma lixeira a céu aberto; mas, de vez em quando, há que tirar o chapéu à sua informação e aos seus jornalistas. Em dois dias, duas reportagens que escancaram os interiores nauseabundos deste país. 
"Raríssimas". Provavelmente uma excelente instituição a cumprir,  por ausência do Estado, um papel necessário. A circunstância de ser dirigida por uma arrivista que se sabe mexer -- como todas as ridículas criaturas deste jaez --, não põe em causa as ipss no seu todo. O que mostra é, duplamente, a ausência do Estado: na existência de um serviço público que preste esse serviço, e na fiscalização do funcionamento dessas entidades, que dão imenso jeito para a canalha do bloco central dos interesses se ir amanhando.   
"Iurd". Chegam-me ecos, que não tenho estômago para acompanhar (se as religiões formais já me suscitam as maiores reservas, as seitas provocam-me repugnância física). Sobre o assunto, digo apenas que iurdes e organizações do mesmo calibre são associações de banditismo que funcionam nas nossas barbas, a coberto de noções de banda larga de liberdade religiosa. Sendo associações de malfeitores, deveriam ser perseguidas e fechadas.
Aliás, seitas e televisões, mais o espertalhões que as controlam, servem-se hipocritamente dos conceitos benignos de liberdade (de imprensa, religiosa, etc.) para encherem os bandulhos e conspurcarem o espaço público, contando, obviamente com uma teia de cumplicidade que vai do interesse inconfessável à cobardia política, e para os quais contam com a passividade geral e a idiotia do costume. 

segunda-feira, julho 25, 2016

em paz, sem deuses

Vives em paz, sem deuses. Em paz? Há muito que te conformaste com o absoluto da razão, dentro, por baixo, ao lado do enigma da existência. És suficientemente sério contigo para condescender com os grandes castelos no ar com que os desgraçados de todas as épocas pretenderam confundir o nada em que esbracejam.