Mostrar mensagens com a etiqueta da pólis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta da pólis. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, maio 07, 2026

Ucrânia e Portugal, os burros do Expresso, o deputado Núncio, etc.

Já me ri hoje com este título analfabeto do Expresso; mas o que não deve ser deixado passar em claro são as reacções asnáticas no parlamento, equivalentes ao asinino título do Expresso, no que respeita à posição do PCP.

Ora o PCP tem salvo a honra daquele convento.  Pessoalmente, talvez preferisse que os únicos deputados (creio) que sobre a guerra da Ucrânia têm uma posição decente e ponderada, tivessem permanecido no hemiciclo em silêncio e sem aplaudir (como pode o silêncio ser eloquente, em certas situações...) -- mas eles é que sabem.

Quem insulta a inteligência é a criatura que pergunta sobre qual seria a posição do PCP se a Rússia invadisse Portugal -- arre, que não tem vergonha na cara, ou então é estúpida todos os dias; ou o acólito do CDS que pediu desculpa à Ucrânia pela posição do PCP.

Não sei do que me ria mais: se do deputado Núncio (oh, são tantas as vezes...) ou dos burros do Expresso.

segunda-feira, março 23, 2026

terrorismo(s)

Sendo contra toda a forma de coacção, seja ela violenta ou insidiosa , política e/ou religiosa, venha das igrejas ou das associações cívicas, só espero que o energúmeno que se atreveu a lançar um cocktail molotov para dentro de uma marcha que se autointitulava "pró-vida", e que tem todo o direito a manifestar-se publicamente, seja exemplarmente indiciado, acusado, julgado e condenado a uma pena pesada, seguida de obrigatoriedade de reeducação, para servir de exemplo aos patetas de esquerda e de direita.

Eu não ignoro que estes movimentos de fanáticos religiosos chamados "pró-vida" exercem uma coacção psicológica aviltante, ilegítima e ilegal junto de mulheres que planeiam abortar, seja por que razão for. Isto e um certo laxismo tolerante das autoridades para com estas práticas criminosas não pode ficar em claro.

Aceito que por razões éticas se faça campanha e procure influenciar a opinião pública contra ou a favor do aborto e da eutanásia. Já manifestações religiosas nesse sentido, parece-me mais complicado -- a religião é sem dúvida o ópio do povo, mas pode ser também o conforto do indivíduo ou o amparo e resistência de um povo (Timor-Leste). Tenho muitas questões éticas em relação ao aborto, mas considero que é em primeiro lugar um assunto que diz respeito a cada mulher; por outro lado, sou ferozmente pró direito à eutanásia e desprezo quem procure impor lixo religioso para impedir-me de poder escolher o meu fim.

Cada um tem o direito de acreditar ou não acreditar no que quiser, sem ser chateado nem chatear ninguém -- mas ninguém tem o direito a impor as suas convicções ou crendices a terceiros. Este imbecil que procurou atentar contra a integridade física dos manifestantes, além de ser um fanático de outro tipo, conseguiu, por exemplo, desviar as atenções das manifestações pela habitação que se realizaram em vários pontos do país; sem contar que está a dar gás às organizações de extrema-direita cuja violência está a deixar de ser larvar.  Além de criminosamente fanático, é estúpido. 


sexta-feira, março 13, 2026

"uma proposição apodítica"

Com palavras de 7$50, o Ministério Público mandou arquivar o inquérito sobre os cartazes miseráveis, xenófobos, badalhocos e racistas (portanto, inconstitucionais e fora-da-lei) do Chega. 

Que asnal falta de vergonha, que imbecilidade, que estrabismo e que espessa estupidez, como bem demonstra a professora de Direito Cláudia Santos (texto para arquivar). 

"Uma proposição apodítica"... Arre!, que se lhes foi a inteligência toda com as descargas de autoclismo diárias do "Processo Marquês". 

terça-feira, março 10, 2026

começar com o pé direito

Nunca ouvira falar de Mourísia, no concelho de Arganil, aldeia que esteve cercada pelas chamas no Verão passado. A desertificação do interior é um dos maiores problemas do país, e dos mais demorados e difíceis de resolver. Imagino o quão gratificante terá sido para aquela população -- e, por extensão, para todas a Mourísias da nação -- o acto simbólico da visita de António José Seguro, no dia seguinte à sua tomada de posse.

quarta-feira, fevereiro 25, 2026

10 dias 10 - quem brinca com quem?

Sim, atira-se tudo ao Sócrates -- é tão fácil, não é? E ninguém quer passar por parvo. Todos topamos o gajo, manobras dilatórias, etc. Ontem num canal qualquer, um jornalista (!) espumava de raiva por a terceira advogada ter renunciado à defesa do ex-PM. Isto  tornou-se uma coisa pessoal, para uns quantos.

E então as burrices, incompetências, manipulações e vigarices da acusação, do espectáculo televisivo inicial até a constituição de megaprocessos de onde não se sairá?

E esta brincadeira de o tribunal dar prazos de meia dúzia de dias para que os advogados de defesa a possam exercer, também não? Para não falar daquele que esteve internado com uma pneumonia, tendo os meretíssimos dado de ombros à convalescença prescrita.

Segundo uns tipos espertíssimos há uma máquina bem oleada que aproveita todas as brechas que as nossa legislação -- normalmente redigidas por tipos que não sabem escrever (ler paleio de advogados & congéneres é de estarrecer). Se calhar até há, tal máquina que leva tudo à frente. E eu pergunto-me, siderado com tanta miséria intelectual: então os advogados não têm um nome na praça a defender? É que se tudo está tudo montado, como espumava o raivoso de ontem, quer dizer que os advogados que aceitam sujeitar-se a tais maquinações têm-se em muito pouca conta e a sua tabuleta não vale um caracol. Mas será mesmo assim? 

E quando o Estado tiver de indemnizar Sócrates, sabe-se lá daqui a quantos anos, quem será responsabilizado? Ninguém, é claro; não se pode responsabilizar falecidos nem exonerar ou despedir aposentados.

sábado, fevereiro 07, 2026

o dever de votar, com alegria

Amanhã exercerei o meu direito e o meu dever de votar por -- que é também um voto contra. António José Seguro não foi o meu candidato na primeira volta, mas é-o agora, pois representa a dignidade e a decência -- palavra muito usada, e apropriadamente. 

O meu voto terá, assim, um significado humanista, que não significa outra coisa senão a ideia da dignidade intrínseca de todo e cada ser humano como valor único e irrenunciável.

A única política aceitável e decente é a que acolhe e promove os princípios iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade. A liberdade individual como condição absoluta; a igualdade de partida como condição necessária; a fraternidade humana como ideal a perseguir, sempre. Por isso, irei votar com alegria.

terça-feira, janeiro 27, 2026

quem vota em Ventura, para além dos pobres de espírito?

1. Os traumatizados da História, aqueles que justa e/ou injustamente foram apanhados pelo turbilhão da Revolução e da Descolonização.

2. Os seis intelectuais salazaristas, nem todos assumidos, estes os melhores.

3. Cento e cinquenta nazis dos subúrbios do nosso Portugal.

4. Os ressentidos da vida, os que padecem de inveja social (oh, tantos).

5. Os desertores do CDS, que nunca o convidariam para sua casa nem para a sua mesa quando ele era comentador do Correio da Manha tv (crime e bola), mas que agora exultam com a diabolização dos terríveis últimos cinquenta anos.

7. As patetas das mulheres deles, que entre duas hóstias na igreja de Santo António se arrepiam com tanto imigrante, mas têm a sua nepalesa como criada, a sua brasileira a fazer de babá (ou vice-versa), e até o seu par de ucranianos ou moldavos como caseiros, algures.

8. Os filhinhos, desde cedo treinados para estúpidos e ceo's, que enfim, até votaram Cotrim à primeira volta.

domingo, janeiro 18, 2026

podia ter sido pior

Depois de grande parte do país ter dispensado os serviços de Gouveia e Melo -- bravos portugueses... --, eis-nos na segunda volta. Seguro, com todos os seus defeitos, pelo menos poupa-nos à rasteirice populista de um tipo que, apesar de doutorado, nem sequer sabe falar sem dar erros gramaticais (e não é o único). Uma lástima que nem todos merecemos.

sexta-feira, janeiro 16, 2026

há o voto em Manuel João Vieira e o voto no tiririca de turno

Manuel João Vieira está longe de ser um palhaço; quem não o conhecia pôde verificá-lo no debate a onze, na RTP. Contudo, já sabemos que grande parte dos que porão a cruzinha ao lado do belo fácies deste artista será a mole de néscios que se rebola de gozo quando vota no tiririca de turno.

Há, no entanto, casos em que o voto em Vieira pode ser inteligente e uma maneira superior de manifestação:

os que desprezam e contestam o Estado e as suas instituições, por exemplo os anarquistas, embora alguns, mais possibilistas, possam votar no que consideram o mal menor -- e aí não há incoerência particularmente grave;

os monárquicos, em especial os monárquicos liberais (em sentido político) também o podem fazer, como é o caso de Luís Coimbra, um dos fundadores do então respeitável PPM, que integra a comissão de honra de Gouveia e Melo; ser contra o regime republicano e ser patriota não tem nada de incompatível;

finalmente, mas mais difícil -- atendendo ao perfil libertário de Manuel João Vieira --, alguns autoritários, saudosistas do salazarismo e afins, que possam preferir tal a fazer os habituais arnaldos nos boletins de voto. Mas esses, no fundo, já têm o seu tiririca; diz-se que vai à frente nas sondagens.

Eu, já agora, reafirmo o meu voto em Gouveia e Melo; este país não está para amadores.

quarta-feira, janeiro 14, 2026

imagine-se Cotrim e os outros quando tudo arde... voto pelo seguro, mas no almirante

Ucrânia? Qual Ucrânia?... Neste momento tudo está a esfrangalhar-se, os imperialismos pujantes, a Europa de calças na mão, desprezada e detestada pela Rússia, esbofeteada pelos Estados Unidos graças à situação em que ela própria se colocou nos últimos anos: não é tanto a autonomia militar que a Europa não tem, mas a sua autonomia estratégica: nunca podendo ser uma entidade política coerente enquanto não se confederar, preferiu ser lacaia da América e comprar a inimizade da Rússia. Tem agora a paga e é bem feito.

Neste quadro de pernas para o ar, não quero ter como presidente um vazios das redes sociais ou um bonzo com décadas de política partidária. Não faço juras por Gouveia e Melo, mas sei que ninguém como ele, dentre os candidatos com possibilidade de eleição está tão preparado para estar à frente do país nestes tempos complicados, nenhum tem como ele o entendimento geohistórico, estratégico e político do país; e, assim o creio, nenhum dos outros terá a força para salvaguardar o país de ser ver enredado em guerras criadas por terceiros, para os outros morrerem por si. E acima de tudo, não tratar o povo português como uma nação de patetas.

O homem cuja acção durante a Covid19 foi um exemplo à escala mundial, o militar experimentado que insiste em não facilitar ou gestores de meia tijela e políticos palavrosos e com pouca substância? Sim, voto pelo seguro, mas no almirante.

terça-feira, janeiro 06, 2026

JornaL

Como a adversidade torna as pessoas frágeis e mais humanas. Os pulsos atados, a farda prisional, a dificuldade em mover-se, a mulher nas mesmas condições. Tenho pena do Maduro? Nenhuma. Gosto de ver o homem diminuído? Nada.

Gosto, isso sim, da Dinamarca, a pátria de Andersen, da Lego, da Carslberg; onde as mulheres são tão bonitas e uma rainha emérita se correspondia com o Tolkien. A Dinamarca não merece; o governo dinamarquês e a primeira-ministra, sim. E a UE, por arrasto.

A Gronelândia para os gronelandeses: é a minha posição de princípio sempre (tal como as Falkland para o malvinos e não para os argentinos, em especial se forem generais). Mas o destino da colónia dinamarquesa está traçado: é americano.

Donald Tusk vê tudo mal parado, porque a UE não se dá ao respeito. Teve oportunidade para isso, tivesse sabido lidar doutra forma tanto com os Estados Unidos como com a Rússia (nem teria havido guerra na Ucrânia, muito provavelmente.) Agora, parece tarde.

voto em Gouveia e Melo

Na minha vida adulta só por duas vezes me deparei como uma situação de grande incerteza e perigo geopolítico com implicações directas no continente europeu: o fim da Guerra Fria, com a implosão da União Soviética, e agora, com a rearrumação das grandes potências e a inflexão dos Estados Unidos que parecem ter finalmente percebido que nem a Rússia brinca nem a China anda a dormir. Por isso a política neomonroviana -- que mais do que "A América para os americanos", é a América para os norte-americanos. Claro que terão sempre a vizinhança próxima da Rússia no Árctico, com ou sem Gronelândia, que, já agora, não deverá tardar a ser anexada ou independentizada, queira ou não, de qualquer forma tutelada. Apesar de a Europa ter muito boa boca para os caprichos norte-americanos -- não batam só no Rangel; o Santos Silva fez muito pior ao embarcar(-nos) na estúpida farsa Guaidó (aí já não havia problema com a comunidade portuguesa) ou Luís Amado, com esse aborto chamado Kosovo, sem esquecer o recente Cravinho -- (apesar de a Europa ter muito boa boca,) não estou a ver como sobreviverá a Nato a um acto hostil do accionista maioritário sobre a pequena Dinamarca. Nada que preocupe Trump, que quer destruir a UE (esta, a continuar assim, alcança o desiderato sem precisar de ajuda), sem se importar muito que a Nato vá a seguir: basta-lhes umas testas de ponte para o continente, a começar pelos mais próximos: Islândia, Reino Unido (claro), Portugal (os Açores, mas não só).

Se até Trump ter mostrado, ainda antes da sua eleição, que a Nato era coisa de somenos e que alegadamente nem se importaria que a Rússia invadisse uns quantos países membros me pareceu então basófia, agora já não tenho certeza de nada.

Estamos, pois, numa situação internacional cada vez mais instável e imprevisível. Eu tenho várias razões para votar em Gouveia e Melo -- como teria também para votar em António Filipe ou mesmo em António José Seguro --, mas não quero arriscar, pela parte que me toca, e, francamente, só esta candidatura me parece vital no momento presente: Marques Mendes e Seguro demonstraram nos debates uma grande impreparação para lidar com uma eventual guerra em mais larga escala, espécie de marias-vão-com-as-outras. Com eles e Montenegro (como outrora com Costa) estaríamos envolvidos num ápice e sem darmos por isso numa guerra que nada tem que ver com os nossos interesses permanentes -- como aqui sempre tenho escrito -- e que é a posição do almirante. Nós somos um país Atlântico europeu -- não temos de nos envolver e muito menos combater nas margens do Mar Negro e morrer pelos interesses dos outros por causa da Ucrânia, que além de nem pertencer à Nato está na área de influência da Rússia, tal como a Venezuela está na área de influência dos Estados Unidos -- é assim a vida (e sempre foi assim, apesar de alguns professores de RI ou Direito Internacional terem acordado agora para a impotência da ONU ou para o fim (sic) de uma ordem internacional baseada em regras... Vão falar dessa ordem internacional à Sérvia, amputada pela força da sua província-berço, ao Iraque das armas de destruição maciça vislumbradas pelo Durão Barroso, ou à Palestina, desde sempre.

Isto não está para amadores, e espero não ter como presidente nenhum pacóvio que se deixe manobrar nos corredores de Bruxelas. O meu voto em Gouveia e Melo deve-se a essa esperança, que ele, mais do que qualquer outro, pode assegurar. O futuro o dirá.

sábado, janeiro 03, 2026

os candidatos presidenciais dizem de que modo encaram o envio de tropas portuguesas para a Ucrânia

Esta a questão essencial, ornamentada por parvoíces jornalísticas que nem merecem referência, no "debate das rádios", entre a 1,35' e a 1,52'

Luís Marques Mendes, à 1h36m: no fundo não exclui nada, num quadro de paz, mas ainda é cedo para opinar, o que quer dizer que pode aceitar tudo. Nacional-redondismo, o falar imenso e dizer praticamente nada.

André Ventura, à 1h39m:  a conversa que o seu eleitorado gosta de ouvir; guerra? toma lá um manguito, parece que morre muita gente na guerra... Se o envio é justificado ou injustificado isso não interessa para nada -- não mandamos tropas mas estamos "ao lado da Ucrânia". Sim senhor! Junta-se mais uma colagem da "extrema esquerda" (quer dizer o PCP, pretendendo atingir o Bloco e o Livre, injustamente, pois sabemos que estes têm estado bem ao lado do Chega nesta questão) -- e termina, não apenas falando do dinheiro abarbatado pelos amigos do Zelensky, mas, estadista, reafirma por outras palavras: "queres tropas?, toma!" ou seja: que morram os outros, pois nós até propusemos no Parlamento classificar a Rússia como estado terrorista -- não queriam mais nada! (Burburinho de aprovação na taberna.)

António Filipe, à 1h41m: basicamente isto, que é a posição com a qual genericamente me identifico, e que será retomada por Gouveia e Melo: tropas em tempo de guerra, não; tropas em tempo de paz, também não, uma vez que a Ucrânia não está na geografia dos nossos interesses permanentes enquanto estado -- um argumento simples, mas não simplista, que só alguns analfabetos das Relações Internacionais não perceberam. Ah, e também não é um membro da Nato, a Ucrânia...

António José Seguro, à 1h42m: se dizem que é para manutenção de paz, Seguro crê, cheio de angelismo, que é porque haverá paz, e assim devemos mandar para lá "profissionais" para proteger os nossos interesses, que são também os da Europa -- oh, a impreparação!... --, e claro, tudo consensualizado entre os órgãos de soberania. O que é preciso são os consensos.

Catarina Martins, à 1h43: diz, à cautela, que como não sabemos de que paz se trata, está-se elaborar sobre nada. Quer mandar geradores para aquecer os deslocados internos. Estou com ela; porém, como visão estratégica é pouco.

Henrique Gouveia e Melo, à 1h45m: como é o único que verdadeiramente sabe do que está a falar, para além das considerações políticas, ou seja: entram na sua equação as tangíveis questões militares e operacionais, e outras, não tanto, como os interesses geoestratégicos de Portugal e também a sua História. Diz claramente que é contra -- só ele e António Filipe o dizem claramente --, e, ainda por cima, explica porquê, vão lá ouvir.

João Cotrim de Figueiredo, às 1h47m: fico espantado com o modo com que diz as maiores banalidades e até asneiras, sempre com aquele ar empreendedor e de mangas arregaçadas. A anedota do dia: corrige André Ventura naquilo em que este tinha razão e, quando interpelado, chega-se-lhe junto -- o que é preciso é evitar que os nossos rapazes vão para lá. Cotrim, cada cavadela...

Jorge Pinto, à 1h50m de debate: aproveita para falar indirectamente na Gronelândia, por causa do Direito Internacional. Mais pueril que Seguro, o que lhe interessa é soltar a Ucrânia das garras de Putin, vá-se lá saber porquê. Diz-se pacifista e comeu a sopa toda do prato que lhe puseram à frente.

O debate.



terça-feira, dezembro 23, 2025

quarta-feira, dezembro 10, 2025

a vantagem de Gouveia e Melo relativamente aos seus dois concorrentes directos, Marques Mendes e Seguro

Eu vou partir do princípio de que os candidatos são honestos, e também patriotas. Num momento em que a ameaça da guerra espreita, essa honestidade e esse patriotismo importam -- mas também, tanto quanto estas qualidades, a noção da História de Portugal e de como, mercê de muitas contingências, iremos, daqui a uns meros três anos, assinalar os 900 anos de independência, no aniversário da Batalha de São Mamede, na qual D. Afonso Henriques fundou uma dinastia, um país e uma futura nação, a partir de povos de diferentes etnias: celtas, romanos, germânicos, berberes, árabes e por aí fora. Estivemos para soçobrar mais de uma vez, mas persistimos -- pela língua e pela cultura, em primeiro lugar; pela religião, também; e pela Coroa nos primeiros séculos, e o Estado a seguir. 

Portugal não resiste sem a língua e sem a cultura, mas precisa, sempre precisou, de uma visão estratégica -- e agora cada vez mais, não apenas por razões militares mas pelo progressivo domínio de um sistema financeiro transnacional que tudo subjuga -- da Economia (das sociedades, portanto) ao indivíduo.

A visão estratégica de Gouveia e Melo é incomparavelmente mais sofisticada e informada que a de Mendes e Seguro -- pelo menos é o que se retira das banalidades que têm dito. A crítica ontem, expendida pelo almirante, à lista de compras do Governo em matéria de defesa não poderia ter sido mais certeira. Onde está o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, como já aqui perguntei, a propósito doutras eleições? Está arrumado a um canto; por isso, comprar armamento agora é, como disse o candidato, começar a "construir a casa pelo telhado". 

É isto que o distingue dos outros; o que fará com essa distinção se for eleito, não sei.


terça-feira, dezembro 09, 2025

ser-se selectivo quanto aos Direitos Humanos

No debate com António Filipe, Jorge Pinto, reproduziu (com candura ou sem pudor) o palavreado propagandístico desavergonhado da von der Leyen -- a começar pela inenarrável conversa do "rapto" de crianças supostamente ucranianas pelos russos. (Creio que não se degradou a empregar a infame palavra "deportação", de ressonância nazi, que a UE e a anterior administração americana usaram numa das muitas campanhas de lavagem ao cérebro da opinião pública europeia).

Disse também Jorge Pinto que é pela autodeterminação dos povos. Também eu sou -- mas tanto falo do povo tibetano como dos russos do Donbass, perseguidos na sua integridade, como toda a gente sabe, e que só os ingénuos, os desmemoriados ou os pulhas se esquecem de falar.

segunda-feira, dezembro 08, 2025

quarta-feira, dezembro 03, 2025

2 secos de António Filipe em Gouveia e Melo

A propósito da guerra entre a Rússia e os Estados Unidos que decorre na Ucrânia, e que os segundos querem, desde Trump, acabar, não perdendo tudo, Gouveia e Melo tinha vindo a fazer declarações nuançadas relativamente ao papel de Portugal nesta grave crise.

Era (é, será?) uma posição interessante e prudente, que contrasta com a vacuidade seguidista e a irresponsável da generalidade das lideranças políticas portuguesas.

Ontem, porém, numa estratégia de efeitos eleitorais duvidosos, quis entalar António Filipe com conversa fiada. Recebeu o troco, e ficou colado àquele grupo que demonstra não ter nem pensamento estratégico ou, talvez pior, que se está nas tintas, desde que venha o voto. Ora o almirante conhece muito bem os factos, razão de sobra para não se pôr ao mesmo nível daquele artista que dizia aos portugueses que "é(ra) preciso derrotar a Rússia"...

A outra foi sobre o estúpido pacote laboral, uma indignidade suficiente para qualquer ministro pintar a cara de preto. Podia ter aprendido com o Seguro e chutar para canto, se não quisesse mostrar-se tão equidistante, redondo ou, como disse Filipe,  "neutral": este pacote não constava do programa eleitoral dos partidos que governam, portanto é insusceptível de passar pelo crivo do PR.

quinta-feira, novembro 20, 2025

as presidenciais e a guerra da Ucrânia

O maior risco que Portugal enfrenta, em 20 de Novembro de 2025, não é a crise da habitação nem um governo miserável que quer fazer dos trabalhadores gato-sapato,  (Viva a Greve Geral!), as listas de espera na Saúde Não. O grande perigo é a nossa satelitização por uma Comissão Europeia e governos pseudodirigidos pelo Starmer (que nem para vender enciclopédias porta-a-porta), o Macron (mais um gestor na política) e o gajo da Alemanha, cujo nome não me ocorre, com dimensão de chefe de recursos humanos, nos empurrem para uma estúpida guerra que não tem nada que ver connosco, porque criada pelos Estados Unidos e agarradas com pundonor por estes zeros. 

Dos três candidatos que podem ser eleitos -- espero que todos patriotas --, já ouvi tudo de Marques Mendes e não gostei; ainda não consegui ouvir nada de Seguro; e ouvi o suficiente de Gouveia e Melo para ainda estar para ver. Sim, eu sei daquela frase bombástica dita há já bastante tempo na eventualidade de a Rússia atacar a Nato -- uma obviedade que decorre dos tratados, e os tratados são para honrar, no articulado que o país assinou.

 A questão é que o Putin é muito mais inteligente do que estes imbecis -- e portanto não atacará a Nato, se esta não o encurralar (foi por isso mesmo que a Rússia atacou a Ucrânia, lembram-se?). Como os Estados Unidos saltaram fora do chavascal que aqui arranjaram, não estou a ver estes bonecos com atitude suicida. Para além do que, havendo um país da Nato que ataque a Rússia (a Polónia tem no governo um neocon por via vaginal, cuidado com ele), ou se emaranhe em provocações no Báltico, ou ainda surjam outras acções engendradas pelo Zelensky, (que não descansa enquanto não nos mete lá dentro) -- partindo um hipotético ataque de um país da Nato, a única obrigação de Portugal é manter-se à margem desta geopolítica insana de roleta russa... 

Quero um presidente patriota, não mais um fantoche. Por isso são tão importantes as eleições de Janeiro. Nunca, desde 1976, tivemos uma eleição presidencial tão importante.

segunda-feira, novembro 17, 2025

António José Seguro

Só há duas maneiras de debater com um trampolineiro: uma é usar de ironia, a outra é mostrar, pelo contraste, que não se é da mesma igualha. Sem ter deixado de recorrer à primeira, o quanto satis compatível com um verdadeiro candidato presidencial, Seguro recusou-se a entrar na taberna, e foi sempre superior a Ventura, o que, tendo os nervos controlados, não é difícil.