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quarta-feira, novembro 13, 2024

em que se parecem o sionismo expansionista e o proselitismo 'woke'?

...Na profunda desonestidade intelectual e no exercício de amalgamar alhos e bugalhos, lançando a confusão nos incautos,

O sionismo expansionista racista no poder em Israel procura confundir com antissemitismo as críticas à brutalidade, selvajaria e prática de crimes contra a Humanidade perpetrados pela tropa israelita contra todos os palestinos da Faixa de Gaza. Estes agentes do massacre, da limpeza étnica -- e porque não dizê-lo, mesmo se juridicamente possa ser controverso? -- do genocídio, são os primeiros a desonrar os seus compatriotas e antepassados exterminados pela perversão nazi, maligna, patológica e cobarde -- basta ver a ignomínia da utilização da estrela de David à lapela pelo embaixador israelita na ONU. Para eles, o sagrado, a honra, a memória não existe, ou é cinicamente instrumental, intimidando os críticos com espúrias conexões entre quem os critica e presumíveis tendências ou cumplicidades neonazis. Um embuste que colhe entre os ingénuos e os burros do costume.

O proselitismo woke sempre que é criticado ou atacado na sua insanidade evangelizadora (v.g. a chamada "linguagem inclusiva"), que além de incrivelmente tonta é formalmente, ou seja, gramaticalmente errada (todes, presidenta, etc), procura proteger as suas orientações de manicómio com manobras de confusão, sempre para os mesmos ingénuos, ou apenas burros, com vénia para o quadrúpede, recorrendo a várias formas de desarmar os opositores, entre a mistificação e a intimidação, a saber:

a) misturar causas nobres, como o antirracismo, com as suas aberrações: ao associar um combate nunca terminado à discriminação racial com a promoção de idiotices como a chamada "identidade de género", procura limitar os críticos, pois ninguém bem formado quer ver-se associado a mínima tolerância para com a desigualdade em função do género, etnia, religião ou orientação sexual -- que é outra coisa, dando desta forma cobertura a obscenidades como a que sucedeu numa prova de boxe nos últimos Jogos Olímpicos , em que um homem apresentado como mulher massacrou a atleta que se lhe opunha, com justificada revolta desta, a contemporização cobarde dos dirigentes olímpicos e federativos, e o furor censório-inquisitorial dos evangelistas do costume;

b) diminuir os opositores com a classificação dos críticos como pertencentes à extrema-direita -- como há dias fez uma das irmãs Mortágua, já não me lembro qual. Truque velho que funciona com os medrosos e os videirinhos do costume, que nunca se comprometem.

c) a defesa do relativismo cultural, até onde eles próprios tiverem coragem de o fazer. Não conheço wokes que defendam a burka (talvez exceptuando uma espécie de fato de banho que deu que falar há uns anos) ou a excisão genital feminina. A tal eles não se atrevem, mas pouco escapa, em nome de um falso respeito pela identidade cultural desta ou daquela etnia, marimbando-se para o facto de em várias circunstâncias essa pseudo-assunção identitária ser uma imposição brutal, machista e aqui sim, patriarcal. Por exemplo, a obrigatoriedade do uso do véu islâmico, que todas as verdadeiras feministas contestam (aí está a corajosa e brava Narges Mohamadi), para vergonha destes activistas de pacotilha. E nunca me esquecerei, a propósito, de, num momento de grande infelicidade, numa entrevista ou programa da Antena 1, Miguel Portas referir-se a como o chador realçava a sensualidade da mulher muçulmana... deve ser por essa razão que as mulheres iranianas -- das mais belas que a Humanidade criou --, quando se apanham fora do jugo dos aiatolas mandam às malvas essa pretensa sensualidade...  

Como dizia o velho Jorge Amado, a ideologia falsifica (posso dar a referência bibliográfica, com indicação do número de página, onde este romancista e verdeiro activista anti-racista sustentou o que acaba de ser referido).

terça-feira, maio 04, 2021

em Odemira, os nepaleses

 Não fora a covid-19 e estaríamos todos nas tintas para a situação dos trabalhadores imigrantes no Alentejo, como nos estamos a ralar para os malefícios da agricultura intensiva. Queremos o nosso conforto à mesa; conforto de sociedade ocidental rica e esbanjadora, capitalista e selvagem; os proprietários querem facturar, o mais possível e ao mais baixo custo, que esta é a bonita natureza das coisas. Para tal, recorrem a empresas de trabalho temporário, que deveriam ser proibidas, pelo menos nestes moldes. E os governos querem que tudo siga na "normalidade", sem grandes ondas. 

Com excepção das associações de defesa dos imigrantes ou dos poucos cidadãos com espírito cívico, estamo-nos todos a marimbar para as condições dos nepaleses de Odemira; a não ser quando nos toca a nós também. Bolas, também podemos morrer com a covid, que os gajos, amontoados em contentores (como todos sabíamos) podem espalhar.

Quando os industriais, no século XIX, desataram a fazer bairros operários, foi porque perceberam que também eles eram vulneráveis às doenças contraídas pelos trabalhadores que exploravam à laia de negreiros; não por humanismo, que sentimentos desses são só para alguns.

Encerro com uma música do Fausto, um clássico, dedicada a todos os patrões, especialmente os das empresas de trabalho temporário: O Patrão e Nós, com a diferença de que aquele nós não é connosco, que de há muito estamos do lado do patrão; o nós agora é para os imigrantes.

segunda-feira, julho 27, 2020

delinquente, celerado e assassino -- o racismo é só mais um pormenor

Ainda não é desta que altero a minha percepção sobre a existência de um problema de racismo na sociedade, que não localizado. Por um motivo fútil -- uma discussão por causa de um cão -- um energúmeno octogenário baleou um cidadão negro, o actor Bruno Candé Marques, 39 anos, pai de três filhos menores.

Quem é esta criatura?  Que é um assassino, está fora de dúvida, pois abateu um homem com vários tiros à queima-roupa;
É também, muito provavelmente, um delinquente: a arma do crime não só era ilegal, como pertencia a um armeiro de uma força policial, dada como roubada. Portanto: notórias ligações ao mundo do crime.
Em terceiro lugar, será um dos milhares que vieram com os miolos rebentados da Guerra Colonial, um dos que, provavelmente se fartou de "matar pretos", conforme se vangloriou.

O quadro descrito revela uma criatura atípica: um criminoso que ontem lançou a última dejecção na sua infeliz passagem por este mundo. Irá apodrecer na cadeia, e justamente.

O que representa então este velho assassino? O lúmpen social, que se manifesta através dos baixos instintos e ressentimentos. Tipifica a sociedade portuguesa? Creio que não, espero que não, acredito que não -- ou este país ainda é pior do que pensava. Pelo contrário: as imagens que vi publicadas no sítio do Jornal de Notícias, mostrar o criminoso manietado pela população, gente de várias cores.


Chateia-me por isso que pessoas como Joacine Katar Moreira (em quem votei para deputada e de cujo voto ainda não me arrependi, pese o episódio com o Livre, do qual não foi a única responsável) ou o activista Mamadou Ba, cujo abaixo-assinado de solidariedade subscrevi e voltaria a subscrever, quando ameaçado por energúmenos do pnr, chateia-me que sejam tão lestos neste agitar de espantalhos, bem identificados e caracterizados; até porque não quero entrar por caminhos em que poderia chegar à conclusão que estes e outros procurem notoriedade fácil, e as vantagens que daí advêm, através de uma militância que, necessária, deve ser também criteriosa.

Por outro lado: ainda estou à espera de ver até quando a retórica xenófoba espertalhona estará para durar, sob a passividade do poder judicial. 

terça-feira, junho 30, 2020

com inquéritos toscos, também eu me descubro, afinal, racista...

Imagine-se!, eu que acho imensa piada à mulatice da minha bisavó Ida, de Pernambuco, chego à conclusão que com inquéritos deste jaez, também posso descobrir-me, afinal, "racista"...

Já expressei aqui várias vezes a minha percepção sobre a existência de racismo em Portugal, a última das quais a propósito de vandalismo. O racismo biológico, o único que poder ser caracterizado como tal, é quanto a mim residual e rupestre. Outra coisa é o "racismo" que sofre quem é pobre e vive num gueto. É classista e defensivo, por razões tão óbvias que me dispenso de pormenorizar. Há, é verdade, e empiricamente me parece com dimensão superior, fenómenos de xenofobia de que são alvo caboverdianos, ucranianos, brasileiros de todas as cores. Também aqui as razões são óbvias, não é preciso sociologia de meia-tigela para o perceber. 

Pois bem, um inquérito europeu e um "estudo" anunciam que 62% dos portugueses manifestaram alguma forma de racismo. Diz o Expresso que apenas 59% dos 1055 inquiridos discordaram da existência de grupos étnicos mais inteligentes do que outros. talvez ficasse melhor escrever que ainda há 41% de portugueses que acreditam em superioridade e inferioridade "rácica"; se rigoroso, o inquérito, 41%, é ainda uma porção significativa de criaturas sem saneamento básico interno.

Mas um inquérito que se sustenta numa pergunta sobre se há "culturas mais civilizadas do que outras" deixa-me as maiores dúvidas, pois seria de espantar que a maioria dos indígenas a percebesse.

A cultura, da técnica agrícola à religiosidade, é sempre uma resposta ao entorno; a civilização é o complexificar adquirido, constante e renovado dessa resposta.

O nivelamento ou o destaque de umas sobre outras é mera ideologia. E poderá ser tema para outras postagens, assim tenha tempo e me apeteça. Mas para deixar aqui vincada a minha recém-adquirida qualidade de "racista", sempre direi que uma comunidade que partilha os valores de liberdade, autoquestionamento, inclusão plena e que tolera o dissenso será sempre civilizacionalmente superior à que não o faz, e isto tanto é válido para a 5.ª Avenida como na maloca mais recôndita da Amazónia. É a minha resposta, também ela ideológica, é claro.

sexta-feira, novembro 08, 2019

lixo

Foi presa a mulher que deitou o filho que acabara de parir, sozinha numa tenda, para dentro de um contentor de lixo. Deve haver por aí muitos alvitres, eu não tenho nenhum. Só me parece que quem se sente e toma por lixo aí deposita o sangue do seu sangue.

segunda-feira, março 04, 2019

um juiz cilindrado

Quem tiver paciência, que leia o acórdão do juiz Neto de Moura. Eu fi-lo na diagonal. Há lá incompetência do tribunal de primeira instância, que não perguntou ao condenado se aceitava a pulseira electrónica, como a lei impõe. Ora o juiz de recurso tem o dever de repor a legalidade. O problema são as considerações que desvalorizam a violência doméstica, neste caso em particular com um historial selvático de agressões físicas e psicológicas. Alguém que fura o tímpano à mulher a soco e a ameaça de morte conjuntamente com o filho, mesmo estando bêbado, não merece menos do que um controlo com pulseira (considerando aqui as atenuantes que surgem no acórdão: aceitar a ilicitude das suas acções, procurar tratamento para a adição, não ter voltado a contactar a vítima desde o afastamento). A verdade é que tendo provocado uma lesão permanente e grave à sua mulher, e outra, permanente e não menos grave a esta e ao filho, ameaçando-os de morte, nunca, mas nunca, este comportamento poderia ser desvalorizado, em particular com a redução de pena, já de si muito ligeira: o que são três anos com pena suspensa e pulseira electrónica para um caso destes? Nada, mas mesmo nada.
Abro um parênteses para dizer que é chocante verificar -- como, de resto, há décadas é dito no espaço público -- que o Código Penal pune com maior gravidade os crimes contra a propriedade e outros (vide os 17 anos a que foi condenado o sucateiro de Ovar, depois reduzidos para 13) do que os crimes contra as pessoas. E aqui o problema não está nos agentes judiciários mas na insuficiência e no cabotinismo das criaturas por cujas mãos têm passado as revisões do dito código nas últimas décadas, e cujo esquema mental não difere muito do tempo do faroeste, quando o roubo de um cavalo era punido com enforcamento do ladrão.
Ora o infelicíssimo juiz Neto de Moura, que já tinha atraído o riso geral com o acórdão da moca com pregos, acabou de algum modo por reincidir. Mas fez pior: procurou ripostar, contra políticos, jornalistas e humoristas. Não tem noção do vespeiro em que se enfiou, será cilindrado.  

quinta-feira, janeiro 03, 2019

o problema índio e a insolência intelectual

Embora a política do Bolsonaro seja de temer (de Temer?...), estou na generalidade de acordo com o que escreve Luís Teixeira no Observador, no que respeita ao relativismo cultural, que a propósito de bons sentimentos (preservação cultural e étnica) acaba por ter uma atitude paternalista em relação aos povos indígenas.
Sou, aliás, particularmente sensível à indesejável subsunção do indivíduo a uma categoria grupal, seja étnica, política, religiosa, sexual.
Fui espreitar a página da FUNAI. O jargão usado é assustador, entre outras coisas, pelo irrealismo. Leia-se a pérola:
«A Funai entende que conhecer as regras de organização, de conduta, os pontos de vistas, valores, anseios e o tipo de relação que os povos indígenas querem estabelecer com a sociedade nacional é o primeiro passo para uma relação respeitosa e, consequentemente, para a elaboração de leis e para a implementação de políticas que atendam à construção de um Estado verdadeiramente pluriétnico.»

"A FUNAI entende"... A FUNAI é um mero organismo estatal, e não tem que entender nada. É a Constituição do estado de direito democrático que entende, e, em obediência à lei fundamental, o governo democraticamente empossado. O resto é paternalismo puro -- para não dizer racismo --  e inútil. Ter a veleidade de achar que os povos indígenas podem ser «preservados», não só é duma insolência intelectual abominável, como totalmente inexequível no mundo contemporâneo.

A pergunta é (deveria ser) esta: quem sou eu (quem és tu), para determinar que uma comunidade tem de estar afastada de outra para não ser contaminada? O quê ou quem te investiu nessa prerrogativa? Por que razão devo considerar-te outra coisa (uma cobaia), que não um ser humano por inteiro, e se pertenceres a uma comunidade com determinadas práticas a ética e o bom senso considerem nocivas, se o teu povo pratica a excisão genital, a decapitação dos inimigos, a menorização da mulher a todos os níveis ou a predação do planeta em nome de um alegado crescimento económico insustentável -- quem sou eu, quem és tu, para dizer que, como integras um povo com uma mundividência própria, estás autorizado a que as tuas meninas sejam sujeitas à ablação do clitóris, que os teus inimigos sejam torturados, mortos e desfigurados, que as mulheres do teu povo tenham de estar em sociedade parcial ou totalmente veladas, que podes continuar a delapidar o planeta em nome do crescimento económico, do bem-estar de curto prazo, do contentamento dos mercados, pois a tua índole é a da livre iniciativa

Podíamos prosseguir a análise do parágrafo, até acabar com os votos pios de «um Estado verdadeiramente pluriétnico», o que com os pressupostos anteriores qualquer um vê que tal é irrealizável. A não ser que pretendamos acabar com o Estado (não parece ser o caso da FUNAI), e aí já seria outra a conversa.

Um bocado menos de ideologia de conserva e emprenhada pelos ouvidos e um pouco mais de bom senso e inteligência indicaria que a melhor forma de as sociedades preservarem as suas identidades é estarem munidas de todos os instrumentos que têm ao seu dispor para se defenderem -- pois que correm perigos evidentes, decorrentes da cupidez capitalista --, como certo líder activista índio que vi há tempos, com o seu telefone satélite.  O resto é para atirar ao caixote do lixo da História.

terça-feira, dezembro 11, 2018

Denis Mukwege e Nadia Murad


Isto sim, é verdadeiramente importante e tem um significado real. Uma activista que não se resignou ao tratamento infra-humano que uns animais de forma humana lhe aplicaram, criminosos reles que falam de Alá; e um homem que dedica a vida a minorar o sofrimento das suas concidadãs, vítimas de toda a soma de bestialidades, da cupidez â dominação cruel. Existe mal no mundo, sendo o mais poderoso e destrutivo o que não o tem estampado na cara, mas se mascara com frases bonitas, fato e gravata ou perfumes caros. São pessoas como Denis Mukwege e Nadia Murad que dão sentido à existência e mostram o vazio de noventa por cento do palavreado com que ocupamos o espaço público.  

sábado, novembro 14, 2015

Já não tenho palavras

Mais de 140 mortos em Paris nesta altura da madrugada, e a única coisa que tenho a dizer é: caça aos fascistas religiosos! E a única que tenho a aspirar: que não se lhes faça a vontade, cometendo actos de violência para com muçulmanos inocentes, vítimas também eles.

quarta-feira, maio 20, 2015

caça ao homem

Sim, o polícia que bateu no pai à frente dos filhos menores e socou o avô.
Merece censura e sanção adequada, como é evidente. Mesmo que tenha perdido a cabeça com alegados insultos proferidos pelo cidadão em causa (e é visível que o homem estava muito agitado). Um agente armado não pode perder a cabeça. Prossigo: se se provar que o agente falseou factos no seu relatório, isso é para mim ainda mais grave, e o castigo, nesse caso, deverá ser da maior severidade.
Nada disto, porém, tem que ver com os ecos que me têm chegado da sanha degradante das turbamultas dos facebooks, os instintos mais baixos que ali se vazam, a ralé sem freio.

domingo, abril 19, 2015

assim, gosto

Apesar de ateu, não só não esqueço a minha formação cristã, como gosto de exaltar aqueles que que deram sentido à religião, os que se bateram e sacrificaram pelos fracos e pelos oprimidos (gosto desta linguagem datada, mas verdadeira). E um deles foi o arcebispo de São Salvador, Monsenhor Oscar Romero (1917-1980), assassinado pelos paramilitares a soldo do governo, lembro-me bem. Veio-me isto através do blogue católico Immanuel.


sábado, março 28, 2015

do mal

A maldade é uma das coisas que mais temo. Normalmente subreptícia, cobarde, inconfessável ou camuflada sob a forma de afabilidade, causa danos tanto mais fundos quanto mais desprevenidos estamos em relação a ela e aos seus agentes.
Abro o jornal e deparo-me com manifestações da maldade que cai sobre os incautos, qualquer um de nós: um progenitor que denuncia falsamente outro para guardar para si a custódia exclusiva dos filhos; energúmenos que armadilham pistas de btt para a diversão de ver alguém partir o pescoço; gestores de conta bancários que traem a confiança de cliente de anos, desviando-lhes as poupanças e deixando-os na miséria; um desvairado que sacrifica cento e cinquenta vidas, atirando um avião contra uma montanha.
É vasto o catálogo do mal.

domingo, fevereiro 22, 2015

entretanto em Oslo

Muçulmanos noruegueses recusam a instrumentalização, a menorização individual, a condição bovina de muitos dos seus (alegadamente) irmãos em fé e fazem um cordão humano para defesa simbólica da sinagoga da capital. Uma bravíssima jovem islâmica (sim, porque até na Noruega é preciso coragem para se chegar à frente...), sem véu, discursa aos circunstantes, afirmando orgulhosamente a sua pertença à Humanidade, da qual se autoexcluíram uns zombies que degolam e se fazem explodir, e as criaturas perversas que os manipulam.
Assim sim, os muçulmanos europeus não só merecem todo o respeito como se tornam credores dele.

domingo, fevereiro 08, 2015

que se foda o Corão?

Que se foda o Corão? Sim, claro, com esta ressalva: que se foda o Corão que anda no meio da rua a chatear. Que se foda a Bíblia e que se foda a Tora. Religiões, nos templos. Nada tenho contra quem crê, seja em deuses seja no Pai Natal. É da liberdade individual de cada um, e o meu individualismo é extremo e total. Fora das igrejas, das mesquitas, das sinagogas, são inimigos públicos que não podem (não é "não devem", é "não podem") ser tolerados.
Tenho enorme admiração pela coragem de Aliaa Magda Elmahdy, que mesmo no exílio continua a arriscar a vida por um mundo menos grotesco, mais livre, mais higiénico.


terça-feira, janeiro 27, 2015

o grau zero da humanidade

Há episódios tremendos na história da humanidade: o sórdido tráfico negreiro e o infame genocídio das tribos americanas -- só para falar nas de maior dimensão -- estão ainda demasiado próximos de nós para que possamos olhá-los de forma desapaixonada. Mas dificilmente se encontrará um tal grau de perfídia, de loucura malsã, de bestialidade, como o do holocausto judeu, perpetrado pelos nazis. Uma triste época que para sempre ficará assinalada como momento em que o homem mais negou a sua própria condição de ser racional e moral. Esta foto diz tudo.


sexta-feira, dezembro 12, 2014

já agora, uma coisa lixada sobre tortura

A tortura enodoa sempre o Poder que a ela recorre, e envilece, sem excepções,  quem a pratica. Até nos casos em que a Humanidade tem de ser colocada entre [] parênteses, por não haver outra possibilidade que não seja o recurso a ela.

terça-feira, outubro 28, 2014

a História pateta e adocicada que nos foi ensinada

A propósito deste correctíssimo post, escrevi o seguinte comentário:

Continuamos a ensinar ums história distorcida, ocultando as sombras.
Por essa razão, ficámos muito admirados quando os indianos não acharam graça nenhuma a termos querido comemorar com eles a descoberta do caminho marítimo para a Índia, pois, para eles, o Gama significa, pilhagem e morte.
O mesmo se passou com os 500 anos da viagem de Cabral e a questão dos indígenas.
E foi confrangedor assistir ao pasmo e ao choque dos nossos responsáveis políticos de então, também eles embaladados pela mesma lenga-lenga.
Não é apenas defeito nosso, o que não justifica essa ocultação, que nos deixa não só ignorantes como "desarmados" quando nos são atirados à cara os actos hediondos que também praticámos.

segunda-feira, agosto 04, 2014

vassourada

Quando alguém com responsabilidades se comporta como qualquer um -- que foi o que se passou com alguns dos administradores do BES --, tem de haver um poder acima e com legitimidade democrática que ponha as coisas nos eixos. O que acaba de suceder é duma limpeza (uma vassourada) que eu não esperava, mas, para já, parece-me bem. Não porque tenha ódios de classe ou inveja social (nenhuma), mas pela razão de que é fundamental haver uma responsabilidade social com apertadíssimo rigor nos casos em que se lida com áreas fundamentais da sociedade. A banca tem sido um local mal frequentado de banditismo e trafulhice. O que fazemos quando os bandidos ameaçam, e os trafulhas enganam os incautos?



sexta-feira, agosto 01, 2014

descobrir as diferenças


Foi o BCP, a lavar dinheiro em offshores; o BPN, puro gangsterismo, financeiro e não só; o BPP, sem pudor, a enganar clientes; agora o BES... Como hei-de classificar estes indivíduos, se não quiser ser vulgar, chamando-lhes ladrões? "Predadores", é talvez muito objectivo; "abutres"?, "vampiros"? -- demasiado literário; "escória"?, "marginais?" -- peca por rebarbativo. Acho que vou ficar-me pela vulgaridade. 
Há uma coisa que me aborrece especialmente: é a falta de vergonha, a desfaçatez de alguns deles, ligados a planos de desmantelamento do estado social, como o famigerado "Compromisso Portugal" ou o grotesco "Mais sociedade", à liquidação do que nos define como sociedade minimamente decente. 
São uns pimpões que abrem a boca para falar dos subsídios e dos rendimentos mínimos -- e vai-se a ver, não passam de vulgares vigaristas, homenzinhos engravatados que roubam descaradamente quem neles confiou. Se não fosse trágico para muita gente, daria vontade de rir.
No fundo, qual é a diferença entre um papa-hóstias como Jardim Gonçalves, um saloio como Oliveira e Costa, um arrivista como Rendeiro ou um "senhor" como Ricardo Salgado? Assim de repente, não estou bem a ver.