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domingo, fevereiro 15, 2026

«Hamnet»

«Hamnet», de Chloé Zao, é mais um título memorável, shakespearianamente falando, na filmografia do Bardo, embora por pouco não resvalasse para o melodrama. A sua intensidade é tal, que acaba por estar ali em cima do muro, tem-te não caias entre o quase sublime e a quase histeria; no fim, aguenta-se e resulta.

A realização delicada e subtil de Chloé Zao recomenda que o vejamos de novo; os desempenhos dos actores -- por vezes em risco de overacting --, em particular a irlandesa Jessie Buckley, força da natureza, um animal de representação; o crescendo do filme, até às fortíssimas cenas finais em Londres, no Globe Theatre.

domingo, fevereiro 01, 2026

temas eternos podem dar filme eternos



Se tudo já foi dito, escrito, filmado, o modo  de o fazer é tão variável quanto talento de cada indivíduo, passe a lapalissada. E não há como fugir (ou porque fugir) aos chamados temas eternos que nos moldam a vida: amor, família, casa, o que queremos da vida ou o que fizemos dela. Isto está em «Valor Sentimental», de Joachim Trier (1974), filmado com a contenção do pormenor preciso e servido por actores extraordinários e muito bem dirigidos: Renate Reinsve e Stellan Skarsgård* (e também Inga Ibsdotter Lilleaas** e Elle Fanning***).




* Vi agora que entrou em «Mamma Mia», um dos filmes mais estúpidos da minha vida...
** Apesar do nome estapafúrdio para os mossos ouvidos, fala muito bem português com sotaque brasileiro.
*** Vi-a há vinte anos em «Babel», um filmaço do Iñarritu. Ela tinha oito e eu estou a ficar velho.

quarta-feira, dezembro 31, 2025

..mas depois apareceu o Jafar Panahi com um dos filmes do ano,



a desmentir, gostaria eu, o que escrevi aqui


sábado, novembro 15, 2025

caçada e recolecção






Visto há quinze dias, não fica grande coisa deste filme de Luca Guadagnino, que expõe, pela enésima vez a nossa fragilíssima condição de seres adaptáveis ao meio -- daí o nosso triunfo enquanto espécie --, e que com mais Foucault ou menos Adorno, a vida é caça e predação, pesem todas as conquistas desde o caçador-recolector em que continuamos. E depois há os santos.
Gostei, sem surpresa, do desempenho de Julia Roberts no papel de académica, pedante. Quase um filme de Woody Allen, sem o génio deste.

segunda-feira, março 03, 2025

e que viva o Brasil, o Brasil são, o Brasil democrático, o grande Brasil!

Como já muitos disseram, «Ainda estou Aqui» não precisava de Óscar nenhum para ser o grande filme que é, de que não gostam os bronco-fascistas brasileiros e portugueses nem o fanatismo totalitário woke. Viva Walter Moreira Salles, Marcelo Rubens Paiva, Fernanda Torres e todos os outros. E viva eu, que tenho raízes no grande Brasil também da escravatura!


Arturo Holmes


terça-feira, dezembro 31, 2024

também no cinema, o Vaticano assaltado pelo manicómio





Gosto destes enredos, em que a luta pelo poder e a ambição mais maligna e o mais manso desprendimento coabitam na Igreja do Apóstolo Pedro. Tenho ideia de ter gostado mais do «Habemus Papam», do Nanni Moretti, com o Michel Piccoli, num registo bonacheirão.
«O Conclave», do suíço Edward Berger, de ligeiro nada tem, e tem também um desempenho emocionante de Ralph Fiennes -- ele é o filme -- surpreendentemente estragado pelo assalto do manicómio woke. Quando estava à espera duma saída encostada à Teologia da Libertação (talvez muito previsível), eis que estala o 'wokismo' mais descarado, passe o pleonasmo  Mas o papel do Fiennes vale todos os sacrifícios.

P.S. - A propósito: neste post, atarantado com a pulhice dos americanos & satélites, esqueci-me de como a decência bateu no fundo, com as olimpíadas também transformadas em manicómio woke. O caso nefando da boxeuse italiana esmurrada por um tipo que o manicómio decretou ser mulher. Aqui

domingo, novembro 10, 2024

não melhor, mas outra coisa


Já não me lembro se Todd Phillips esteve contratualmente obrigado a fazer a sequela do «Joker», ou se a fez para que outrem não fizesse um possível pastelão. A verdade é que melhor seria impossível, e por isso ele fez outra coisa -- como já vi escrito, e com o qual concordo em absoluto. É de ver e calar -- e mais não escrevo a não ser para realçar o poderoso tratamento que Hildur Guðnadóttir deu aos standards que vão entrando pelo filme.

sábado, setembro 28, 2024

uma actriz fulgurante





Uma actriz com um estofo tremendo, como de há muito sabemos. Kate Winslet, foi para vê-la que fui ao cinema. E valeu cada minuto, engrandecendo uma figura, Lee Miller, já de si extra-ordinária. Receava algumas frivolidades, mas nem pensar. O filme de Ellen Kuras pega, delicada mas intensamente, no que realmente interessa, o caminho da fotojornalista até à libertação de Paris, e depois: Dachau e Buchenwald, dois nomes para abjecção.

domingo, abril 14, 2024

o lugar dos mitos


Napoleão Bonaparte é uma das poucas personagens de carne e osso que encontra lugar junto dos mitos, de Aquiles ou de Ulisses, ou se quiserem, que poderiam ser heróis da DEC ou da Marvel. Ele, Alexandre o Grande, Júlio César, Carlos Magno, Rodrigo Díaz de Bivar -- El Cid, Afonso de Albuquerque, Francis Drake...  
Incomensurável, megalómano e meteórico, a sua medida é de outra natureza, espécie de herói da DC ou da Marvel no nosso imaginário. É por isso despropositado, creio eu, pedir um quimérico rigor histórico a um filme de Hollywood. É o Napoleão de Ridley Scott e David Scarpa, e será por aí que teremos de o avaliar. 
Vi-o a medo em Novembro, com o «Gladiador» na memória, de que não gostara. Não sendo um filme inesquecível, tem dois desempenhos esplêndidos (Joaquin Phoenix e Vanessa Kirby) e grandes e boas cenas de batalha, das que ficam e põem o filme à beira do filmaço.

quarta-feira, dezembro 13, 2023

"Assassinos da Lua das Flores"





1. Leonardo Di Caprio, retumbante, ofusca De Niro, se tal é possível.
2. Foi preciso chegar quase aos sessenta pata ouvir falar nos osage.
3. A América é sangue e rapina, entre outras coisas também menos más. Scorsese mostra-o com melancolia.
4. A cena do incêndio, não esquecerei, por muito que ainda possa viver.
5. Quantas vezes já aqui escrevi que o Martin é o meu realizador preferido?
6. Mesmo assim, o filme parece ter meia hora amais. Quando o vir de novo, confirmarei.

quinta-feira, novembro 23, 2023

um interessante problema posto por Woody Allen no seu último filme, a natureza dos gestores de fundos de investimento





Subespécie particularmente vil, do mesmo grupo dos traficantes, dos lobistas, dos especialistas em "comunicação", são os gestores de fundos de investimento, que geram dinheiro a partir do dinheiro, ou seja, do nada, e que nada vale quando estoiram as bolhas em que flui. É o capitalismo mais miserável e predador, porque é cego e não quer saber, atirando-nos a todos contra a parede -- incluindo os próprios, espécie suicida, como se vê em todas as grandes crises, como o crash  de Wall Street, em 1929, ou a chamada crise do subprime, desencadeada em 2007. 
Neste delicioso filme do cancelado realizador da pátria da democracy, o gestor de fundos de investimento não é apenas o banal coiso que ajuda os ricos a tornarem-se mais ricos, mas também um valente cornudo. O resto é o acaso.

quinta-feira, dezembro 01, 2022

cenas da luta de classes num num 'cruzeiro de sonho', ou os feios, porcos e maus do capitalismo predatório


O cartaz anuncia "a comédia perfeita para o nosso tempo; e este é tão porco, feio e cruel, que o marxista da história é um bêbado, irresponsável como o nosso tempo.

sábado, maio 21, 2022

uma alegoria do 'Caminho'





Pier Paolo Pasolini, Passarinhos e Passarões (1966)
Totó, Ninetto Davoli, Femi Benussi
Ennio Morricone, Domenico Modugno


terça-feira, maio 03, 2022

«Mamma Roma»





Um filme que é a Magnani, e que não difere muito de Accattone, excepto em subtileza e nas referências há pintura de Caravaggio, fui lembrado, Mantegna, claro. O final é glorioso.

sexta-feira, abril 15, 2022

regresso ao cinema


Pier Paolo Pasolini, Accatone (1961)

Inovador, instigante e com alguns grandes momentos, porém nunca senti grande interesse pela estetização da miséria pulha.



segunda-feira, março 02, 2020

Polanski, grande Polanski

O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX.  Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do  escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.