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sexta-feira, maio 10, 2024

ucraniana CCXLI - "estranheza" e "apreensão"

 Estou farto de escrever aqui que o nosso enfeudamento à estratégia dos Estados Unidos na sua guerra contra a Rússia tem, entre outros inconvenientes graves, um afastamento de Portugal dos seus parceiros da CPLP. Não sei se, como diz Tiago André Lopes, isto revela "a ineficácia da diplomacia portuguesa". Creio, antes de tudo, que revela o vazio político e estratégico dos governos portugueses, em especial o de António Costa, que o actual se prepara alegremente para seguir, que é o de sermos, não aliados, mas cães amestrados dos interesses americanos, numa total dupla submissão (também á Comissão Europeia), e fazendo par com desqualificados como o ceo Macron e o atrasado mental do Cameron, em vez de, por exemplo, nos termos concertado (tínhamos todas as condições para isso) com Lula da Silva. 

Portugal, Brasil, mas também Angola, Moçambique, países referência como Cabo Verde ou Timor-Leste, de novo encabeçado por Ramos Horta, Nobel da Paz -- o que não poderia ter sido feito ou tentado; que respeitabilidade não teria sido a nossa. Não creio que seja a ineficácia da diplomacia, mas a mediocridade gritante de António Costa ("derrotar a Rússia...) e de Marcelo, com a  atribuição ao Zelensky da Ordem da Liberdade, logo transformado em penduricalho da liberdade, recebido este como se de um brinde saído na farinha Maizena... 

Isto também significa que a História não é só passado -- é presente e futuro. Claro que com inépcia, nem passado nem futuro, só este presente penoso e ridículo, que transforma a Esfera Armilar em ovo estrelado -- a dimensão destas criaturas, uma das quais almeja ser presidente do Conselho Europeu, aplaudido por todos os basbaques aqui da Parvónia, como se tivesse especial qualidades que não seja o manobrismo de enguia.

 

quinta-feira, março 21, 2024

serviço público: abismos que envergonham

Eu não sei se António Costa é sonso, ignorante, leviano, oportunista ou um pouco de tudo isto ao mesmo tempo, após ler as suas declarações transcritas pelo simpático Observador. O vazio, o disparate, a ruminação são impressionantes. Não há nada de novo, todo o palavreado é baço, próprio dum triste catavento. (Uma espécie de Marcelo com arremedos de solenidade).

Que falta de tudo... Nem com o Lula à mão, e já agora com um ramalhete de países africanos e um presidente lusófono Prémio Nobel da Paz, Ramos Horta, que foi também um grande diplomata... A sua indigência estratégica e diplomática é confrangedora (e o que aí vem, também não se anuncia melhor...). 

Sustenta Costa, a certo passo que nem toda a extrema direita é pró-Putin (sim, a pragmática Meloni; o Ventura não conta, por que o Ventura é tudo e o seu contrário, nunca pode ser levado a sério). 

Mas nem toda a esquerda (ou melhor, "esquerda"? -- mas que raio de esquerda  representa o Costa, para além do palavreado inclusivo?); mas nem toda a esquerda alinha com a CIA e o Pentágono.

Viriato Soromenho Marques é um intelectual de esquerda, sabe pensar; e, como não é um polítiqueiro a fazer pela vida, é também uma das vozes (poucas) que se distingue da impreparação e da pobreza conceptual do palavrório, emanadas com mau hálito, aqui no rectângulo e alhures.

Quando lemos Costa, o que vemos? Um tagarela. Ao contrário, leia-se a coluna de Viriato S. M. nos dois números passados do JL, 23-II e 6-III, «A nova catástrofe europeia», e veja-se o que é problematizar para além dos slogans vazios. Mais simples: veja-se o que é ter noção do que se está a passar. 

É fácil estar na Nato e ter uma posição crítica? Claro que não é; por isso, o que deveria haver era grande ponderação e profundidade de análise. Para picaretas, já temos as dianas, os germanos, os isidros, , os poejos, as sónias,  e até o serafim saudade do jornalismo.