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sábado, junho 17, 2023

Metsola, a parvinha (ucranianas CXCIII)

 Não risca nada, não interessa para nada, não passa duma vassala. Ter ido à Assembleia da República ainda é o menos, sendo presidente do PE; mas ao Conselho de Estado, que embaraço...

Parvinha, porque sugeriu à líder parlamentar do PC ir à Ucrânia falar aos deputados, como se não soubesse que, lá, o PC está proibido, entre outros partidos de esquerda. Claro que sabe, está-se nas tintas, diz o que lhe apetece, desde que agrade.

É ou não parvinha? É pois, e provocadora.

quarta-feira, maio 10, 2023

banalidades e votos pios em Estrasburgo (ucranianas CLXXXIII)

 O Presidente da República foi discursar a Estrasburgo. Pelo resumo, ter ido ou não, dá no mesmo, apesar de aplaudido de pé pela maioria dos eurodeputados dum parlamento desacreditado. Falou do sacrifício de Julian Assange?; do exílio de Carles Puigdemont na Europa dos nossos valores?; do estranho caso duma presidente da Comissão que se comporta como um governante eleito (e ao serviço dos americanos)? Não falou. Então o que foi Marcelo Rebelo de Sousa lá fazer? Nada -- ou mostrar-se atilado e obediente a quem efectivamente está a destruir a União Europeia como ideia, que não é certamente o Putin, embora este também pudesse gostar. Mas quem precisa de inimigos com governantes e aliados destes? Ainda ontem, Olaf Scholz veio dizer que é preciso acabar com a regra da unanimidade. Está-se mesmo a ver o que será ou seria (a situação pôr-se-á cada vez com maior acuidade, é uma questão de esperar). No fim, para tornar tudo mais grotesco, toca de convidar a Metsola. E é esta vacuidade que Marcelo tem para nos dar. 

Mesmo sem saber até onde chegará, vale mais uma declaração de Lula no saguão de uma embaixada em Londres do que todas as frases de cómica banalidade exaltante proferidos pelos líderes deste deprimente Portugalinho. E isto não tem tanto que ver com a dimensão dos países (o Brasil com Bolsonaro não era ouvido por ninguém ou então era desprezado, mesmo pelos Estados Unidos), mas dos governantes. 

Portugal, país médio europeu, que só é irrelevante pela irrelevância das élites governantes, poderia ter uma voz que o distinguisse, mesmo consciente de todos os constrangimentos e da nossa situação geográfica, que nos obriga a ter uma relação especial com os EUA, assim como a Ucrânia terá sempre de relacionar-se com a Rússia, agora ou daqui a um século. Claro, há um plano declarado por estes líderes geniais que nos couberam em sorte que tem a derrota da Rússia como desiderato, que na verdade é uma neutralização/domesticação pretendida pelo americanos e papagueado por todos os políticos de meia-tigela. Que Portugal não tire partido da sua história de laços estreitos com o Brasil e os estados africanos para ter uma voz diferenciada (e não obrigatoriamente dissidente) e positiva para a própria Europa, diz muito de um estado de coisas que passa por meter a Metsola numa reunião do Conselho de Estado.

quarta-feira, junho 01, 2022

sai um memofante para o prof. Telo (ucranianas CI)

Costumo ouvir regularmente o historiador António José Telo na Rádio Observador ou na CNN/TVI -- sempre com desprazer, aliás, o que dantes não sucedia.

No outro dia, não se calava com Munique 1938. Ora Munique'38, significa o acordo da Inglaterra e da França à invasão da Checoslováquia e anexação do território dos Sudetas por Hitler, área de vasta população alemã.

Comparação subliminar Putin = Hitler -- algo que foi feito com brutalidade propagandística destinado à maralha, no gigantesco condicionamento das opiniões públicas a que temos assistido,  mistela grosseira que um catedrático se coíbe de fazer --, o paralelismo parece-me espúrio.

Claro, pode sempre dizer-se que Putin tem falado nos russos que estão fora das fronteiras, ou ainda -- o que não fazem, porque não convém -- das humilhações à Rússia nos últimos anos, a que já me referi aqui --, mas que não tem nada que ver com a situação de uma Alemanha ajoelhada pós-Versalhes, o que deu a corda toda ao nazismo. Se há coisa que a Rússia não está é ajoelhada, embora os Estados Unidos e satélites estejam a tentar, à custa dos ucranianos, aqui a servirem de cobaias e de isco.

Para trás e para a frente com Munique'38,  o que Telo quer dizer é que conforme a "política de apaziguamento" de Hitler redundou na II Guerra Mundial, a de Putin irá redundar na III.

Para além de ser duvidoso que Hitler fosse já apaziguável em 1938, após a incorporação consentida da Áustria -- consentida e aplaudida pelos próprios austríacos, algo que não é conveniente lembrar --, o prof. Telo esquece-se, por outro lado, que Hitler não tinha vizinhos agressivos que significassem uma ameaça militar; pelo contrário, eles estavam aterrorizados que uma carnificina como a da Grande Guerra voltasse a suceder.

E esquece-se também de que a Nato em Kiev, algo previsto na constituição do país, depois do golpe orquestrado pela CIA em 2014, juntando-se a uma série de acções na vizinhança e dentro da Rússia de que aqui tenho falado. seria algo de inaceitável para ela, Rússia. 

Claro que os que dizem, ah, mas isso não estava em cima da mesa, não merecem crédito algum. A Ucrânia esteve-se nas tintas, com as costas aquecidas pelos Estados Unidos, que esticou a corda toda; está agora a pagar as consequências de os seus dirigentes se terem posto ao serviço do império ocidental, mesmo que a Rússia vá pagar também ela um preço, Os Estados Unidos serão sempre vencedores; a Rússia nunca poderá cantar vitória total (a Finlândia), e o grande derrotado já é a Ucrânia, como seria previsível: pelos mortos, a destruição e a inevitável perda de um parte significativa do território. 

E as contas ainda não parecem fechadas. 

Em tempo - Naturalmente, está aqui presente o slogan de má fé comunicacional: "hoje é a Ucrânia, amanhã o resto da Europa". Para este absurdo, tem-se aproveitado tudo: Putin está louco; Putin está doente; Putin tem sido enganado pelo próprio estado-maior, entre mais patranhas para ludibriar a populaça europeia. Seria sem dúvida uma loucura a Rússia atacar um país da NATO, pois já se saberia qual a resposta. Pelo contrário, quem nós vemos cheios de vontade de subir a parada é a Polónia, os estados bálticos e o cão de fila inglês, sem falar nas criaturas da UE que nos saíram na rifa (aquela van der Leyen, aquele Borrell, aquela Metsola).

ucranianas