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sexta-feira, novembro 24, 2023

o amor é forte como a morte

Sempre achei o snobismo uma falha de carácter em que muitos se comprazem, a começar por mim quando, raramente espero, caio na armadilha de ser snob, que horror! Sine nobilitate, sem nobreza, diz-se, certa ou erradamente que está na origem da divertida palavra. Si non è vero...

O snobismo em arte, então, é exasperante -- pobres criaturas que se atabafam a esconder aquilo de que realmente gostam em troca do alarde do que os outros esperam que gostem, que infelizes devem ser nessa vida clandestina que se impõem, Tom Waits pr'aqui, Robert Wyatt (será?) pr'acolá, mas o que lhes faz soltar o pèzinho é o Tony Carreira, a até levam a mãe ao piquenicão do Continente.

Teresa Radice e Stefano Turconi são uma dupla nos fumetti  italianos e também na vida real. O leitor português pôde lê-los nas revistinhas Disney -- as Comix, de boa memória e péssima administração. São orgulhsos autores de histórias do Mickey, do Pato Donald, do Tio Patinhas, etc.; mas são também autores de BD para um público adulto. Sim, com um muito agradável erotismo, mas não é disso que estou a falar. Um livro que li há pouco, Il Porto Proibito -- inédito em Portugal, mas não em Espanha, nem em França -- como és belo, meu Portugal, citando Luís Cília --, uma história de marinharia e amores para além da morte, passada em navios, numa casa de órfãs e num bordel, merecedor de uma exegese que aqui não cabe.


Teresa Radice & Stefano Turconi, Il Porto Proibito

Bao Publishing, Milao, 2015




segunda-feira, janeiro 11, 2016

David Bowie

De David Bowie (1967) a Black Star (2016), vão 49 anos (!) e, se bem contei, 26 álbuns de originais. Desses, tenho, hoje, 11-I-2016, cerca de um quarto, seis discos (2 LP + 4 CD), o que faz de mim um apreciador modesto, mas não indiferente. A saber: Aladdin Sane (1973), Low (1977), "Heroes" (1978), Scary Monsters And Super Creeps (1980), Heathen (2002) e The Next Day (2013). Todos os anteriores ao Aladdin Sane são para comprar, e tenho, pelo que li e já ouvi, muita curiosidade pelo Black Star.
A persona  de Bowie deixa-me indiferente, não é o meu universo, embora reconheça que há nela uma construção coerente com a música. Esta é que me interessa, pelo que tem de inconformismo entusiasmante, mesmo que haja cenas com Eno que não me comovem,ou os desastres de excessivo comercialismo (Let's Dance, 1983) que dele me afastaram, talvez por demasiado tempo.
Mas como me estreei com o pé direito, em 1980, com o Scary Monsters, o primeiro disco seu que comprei, ficar-me-á sempre esse som pouco resignado, que partilhou com outros nomes dessa geração, e que tal como ele permanecem interessantes: Peter Gabriel, Peter Hammill, Robert Fripp, Robert Wyatt.

quarta-feira, agosto 20, 2014

Robert Wyatt: "música de intervenção"

Apesar de gravada pouco antes por Elvis Costello, Robert Wyatt (baterista fundador dos Soft Machine), decidiu fazer uma versão de Shipbuilding, logo após o fim da Guerra das Falkland, considerando -- em entrevista à Classic Rock (#200, 8/2014) -- que ambos, Wyatt e Costello, ainda hoje sentem necessidade de cantá-la.
Sobre a música de intervenção política e social escrita nos anos 60, o músico britânico distingue Masters Of War, de Bob Dylan, Universal Soldier, de Buffy Sainte-Marie, e, acima de todos, o verdadeiro catalisador, A Change Is Gonna Come, de Sam Cooke: "That set the tone for musicians taking a critical look at the establishment."